
A economia global atravessa um período de redefinição de prioridades, onde a agilidade operacional e a previsibilidade financeira se sobrepõem à tradicional rigidez da posse de ativos. No setor automóvel, esta mudança de paradigma é particularmente visível na ascensão de soluções de mobilidade flexíveis. O que outrora era visto como uma necessidade de propriedade – o “ter o carro” – está a ser substituído por modelos de subscrição e gestão de frotas que privilegiam a continuidade do negócio e a otimização de custos.
Ricardo Pereira, co-proprietário da Auto Central, na Lagoa, ilha de São Miguel, personifica a evolução do pensamento empresarial neste setor. Operando numa região onde a “sensação da posse” é historicamente forte, Ricardo Pereira admite que a resistência inicial deu lugar a uma visão pragmática baseada em resultados. “Há muito, nos Açores, aquela sensação de que gostamos de comprar, de que o carro é nosso. Mas, se fizermos contas friamente, percebemos que ficar sujeito a um contrato e a uma renda oferece vantagens competitivas superiores”, afirma o empresário.
A Auto Central implementou uma experiência piloto com seis viaturas em regime de mobilidade, e os indicadores de desempenho são claros. Para um centro de reparação, a gestão de viaturas de substituição é frequentemente um “sorvedouro” de recursos imprevisíveis: pneus, travões e manutenções variadas que flutuam ao longo do ano. Ao transitar para um modelo de custo fixo, a empresa eliminou a incerteza orçamental. “Podemos prever no início do ano exatamente quanto vamos gastar. Haja acidentes ou não, o custo é apenas o da franquia. É um valor estanque que nos permite orçamentar o ano com rigor”, explica Ricardo Pereira.
Além da eficiência financeira, o impacto na perceção de marca é imediato. A substituição de frotas próprias, muitas vezes envelhecidas, por viaturas seminovas ou novas eleva o índice de satisfação do cliente final. “Há aquela sensação agradável de o cliente levantar um carro de substituição seminovo; ele vai logo muito mais satisfeito”, reforça o proprietário lagoense.
No centro desta transformação está a Leaseway, uma multinacional francesa que chegou a Portugal em 2021 com uma missão: suprir o défice de viaturas de cortesia para oficinas. Pedro Domingos, Responsável de Desenvolvimento de Negócio da Leaseway, contextualiza o crescimento da empresa. “A Leaseway nasceu para servir as oficinas independentes. Esse continua a ser o nosso core business, onde oferecemos as melhores cotações”, afirma Pedro Domingos. No entanto, a solidez do modelo de negócio — apoiado por fundos de grandes instituições bancárias francesas como a Raritac Recall e a Amundi — permitiu a expansão para outros segmentos, incluindo pequenas rent-a-cars e empresas de diversos setores.
A proposta da Leaseway assenta na simplicidade e na eliminação de burocracias. Com contratos de 24 meses e viaturas sempre novas, a empresa garante que os seus parceiros operam sempre com ativos na curva máxima de eficiência, minimizando problemas de manutenção e danos de longo prazo. “Trabalhamos com rendas com tudo incluído: manutenção e seguro de danos próprios. É uma solução ‘chave na mão’, sem preocupações”, explica o responsável.
Para o tecido empresarial, a vantagem competitiva reside na negociação direta que a Leaseway estabelece com os fabricantes, contornando os concessionários e transferindo essa economia de escala para o cliente final.
A flexibilidade estende-se ao final do contrato. Decorridos os 24 meses, as organizações têm a opção de adquirir a viatura, devolvê-la ou renovar a frota por modelos mais recentes. Esta rotatividade assegura que o capital da empresa não fica imobilizado num ativo em desvalorização acelerada.
O testemunho de Ricardo Pereira e a estratégia de Pedro Domingos convergem: a mobilidade é, hoje, tão essencial como a tecnologia digital. “Hoje ninguém vive sem telemóvel, e a realidade é que também não vivemos sem carro”, compara Pedro Domingos.
A resistência cultural à “renda” está a ser vencida pela evidência dos números e pela qualidade do serviço. Seja para particulares que procuram trocar de viatura a cada dois anos sem surpresas financeiras, ou para empresas que necessitam de uma estrutura de custos rigorosa, o modelo de gestão integral de mobilidade posiciona-se como a solução mais resiliente para os desafios económicos do futuro.
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