
André Silveira
Empresário
Vamos a eleições! Assim decidiu o senhor Presidente da República após o consenso de todos os partidos com representação parlamentar regional. Nada como pedir aos Açorianos que escolham o que querem para o futuro, sendo que se nos apresenta a situação inédita de podermos escolher com Confiança! Confiança será a palavra das eleições regionais do próximo dia 4 de fevereiro, e para o comprovar basta ver que as duas maiores forças políticas já escolheram o mesmo slogan, Confiança!, o que denota uma grande falta de imaginação, algum amadorismo, porém uma total coerência. Os Açorianos vão escolher um presidente que já conhecem, seja um ou outro. Basta confiarem, num ou noutro, olharem para a governação de um e de outro, e votarem num ou noutro, ou escolher uma terceira via. As opções são claras, conhecidas e sem partes cinzentas. Bastará ter Confiança!
A primeira opção, claro, é votar na continuidade. José Manuel Bolieiro, afirmou que a sua missão seria a de criar uma onda reformista que percorreria toda a região. Esteve muito longe disso. Conseguiu baixar os impostos, tentou reestruturar o sector empresarial do estado com muito pouco sucesso, sendo que a SATA, de novo, continua sem resolução. A tarifa Açores, sendo uma medida útil e defensável, tem um impacto razoavelmente reduzido, e não passa de mais um subsídio. Aliás, as grandes bandeiras deste governo são mais subsídios, apoios sociais e assistencialismo. Uma receita muito semelhante ao que foi a regra nas últimas décadas com a governação socialista. As empresas esperam em agonia os pagamentos dos apoios Covid, e estão no fundo dos fundos da lista de prioridades da coligação ocidental.. Se alguém, como eu, acreditou em verdadeiras rupturas com as políticas do passado, sente-se certamente desiludido, e os diferentes resultados que começam a surgir, apenas confirmam as razões dessa desilusão, sendo que os indicadores do risco de pobreza são um fracasso tremendo, a educação a tender para pior, e a dívida publica regional a crescer.
Apesar disso tudo, a economia ajudou qualquer coisa, com a alavancagem do turismo, sendo que em tal este governo teve zero responsabilidade. Aliás, esse é mais um dos sectores há muito tempo sem rumo e com quase ausência de políticas públicas. Se calhar por isso a sua pujança. De qualquer modo, o PIB até cresceu em linha com a média nacional e por isso sem convergir. Continuamos basicamente na mesma. Políticas semelhantes, resultados mais ou menos iguais. Confiança!
E depois temos a coligação. José Manuel Bolieiro ficará na história como quem conseguiu convencer 5 forças políticas, começando pela sua, em acordarem em derrubar o socialismo que governou os Açores por 24 anos. Este enorme sucesso ninguém lhe tira. Era o sentimento generalizado da sociedade à data, em particular em São Miguel, e o ter conseguido, só por si, garante-lhe um lugar dourado na história. O pior veio depois. Erros de casting, conflitos abertos e públicos entre membros do governo, perda de tempo e muito amadorismo. Pode-se defender que esse foi o custo de voltar a aprender a governar, agora numa situação muito complexa com muitas forças políticas. Resta saber se os Açorianos consideram, ou não, esse um custo demasiado alto, e se têm Confiança para continuar nessa epopeia. Em São Miguel certamente será difícil ultrapassar a perda de relevância e o quase abandono total. Com esta coligação podemos ter a Confiança, que a maior ilha dos Açores está lá bem no fim de todas as prioridades, esquecida e relevada pela excessiva preponderância dos micro partidos, que têm quase zero implantação em São Miguel. Podem ter Confiança nisso também.
Vasco Cordeiro foi o maior derrotado das últimas regionais. E não foi uma derrota qualquer, foi a derrota que quebrou com 24 anos de governação socialista nos Açores, e ele foi o principal responsável. Recorde-se que o PS vinha apresentando um declínio eleitoral, com os Açorianos a mostrarem que não queriam a continuidade das políticas que garrotearam a região durante demasiado tempo. Vasco Cordeiro não soube, ou não quis, ler o ambiente político, insistiu sempre na manutenção do status quo, e foi penalizado com a perda da maioria parlamentar, apesar de ter ganho as eleições. Não haveria razão mais válida para se demitir e dar a oportunidade ao seu partido de uma verdadeira renovação, que permitisse estar em boas condições para se afirmar como alternativa hoje. Não foi o que aconteceu, e hoje temos o mesmo Vasco Cordeiro e o mesmo PS/Açores. Como tal, os Açorianos sabem bem o que é o projecto socialista nestas regionais: o regresso ao passado. Votar em Vasco Cordeiro será querer voltar ao que tínhamos antes de 2020. Podem ter Confiança nisso.
A lista de fracassos de Vasco Cordeiro é demasiado extensa para caber neste espaço, mas a destruição da SATA e de quase todo o sector empresarial do estado são bem suficientes para avivar as memórias, e resta saber se os Açorianos lhe derem a tal Confiança, volta a subir os impostos.
A receita da Via Açoriana do PS/A e de Vasco Cordeiro é a mesma que levou a região a não sair do fundo da tabela de quase todos os indicadores, e que muitas vezes colocou os interesses particulares do PS/A à frente dos dos Açorianos. Quem não se recorda da oposição à liberalização do espaço aéreo para manutenção do protecionismo à SATA e aos seus interesses satélites? Quem não se recorda dos valores historicamente altos de RSI e risco de pobreza? Quem não se recorda da confusão que o PS/A fez e faria novamente entre o partido e o estado? Quem não se recorda das trapalhadas com o sector empresarial do estado? Quem não se recorda da gestão absurda da epidemia Covid com gente presa em hotéis e os atropelos à liberdade que só foram corrigidos por imposição dos tribunais? Se os Açorianos derem Confiança suficiente a Vasco Cordeiro, podem ter a Confiança que voltaremos ao passado. Os Açores e os Açorianos merecem mais e melhor.
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