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Lagoa renova apoios aos clubes desportivos

© CM LAGOA

O município da Lagoa assinou contratos-programa de desenvolvimento desportivo com várias coletividades do concelho, reforçando o apoio à atividade regular anual dos clubes e reconhecendo o seu papel na dinamização desportiva e social.

Na reunião com o presidente da autarquia, Frederico Sousa, marcaram presença o Clube Desportivo Operário, a Associação Cultural e Desportiva de Santa Cruz, o Clube de Ténis Cidade da Lagoa e o Clube de Pesca Desportiva da Lagoa.

A reunião constituiu, também, uma oportunidade para o executivo municipal ouvir diretamente os dirigentes associativos, recolhendo contributos sobre as principais dificuldades e aspirações destas entidades, num espírito de proximidade e colaboração contínua.

Durante a sessão, foram ainda apresentados dados atualizados relativos à prática desportiva no concelho. Em 2026, Lagoa regista um número recorde de 1755 praticantes, o que representa um crescimento de 15% face ao ano anterior.

A análise destes dados permitiu identificar áreas prioritárias de intervenção, com especial enfoque nos grupos atualmente sub-representados, nomeadamente o género feminino, que representa 37% dos praticantes, o desporto adaptado, com 0,46%, o escalão etário dos 16 aos 18 anos, com 5,3%, e a população com mais de 65 anos, que corresponde a 1,08% do total.

Neste contexto, foi lançado o desafio aos clubes para a dinamização de iniciativas que promovam uma maior inclusão e diversidade na prática desportiva.

Festas de Santo António animam Santa Cruz entre 9 e 14 de junho

© CM LAGOA

As Festas de Santo António, na Lagoa, acontecem este ano entre 9 e 14de junho, particularmente na freguesia de Santa Cruz. A organização – autarquia, junta de freguesia e paróquia – organizaram um programa diversificado que conjuga cultura, música, tradição e momentos de convívio para toda a comunidade.

As celebrações decorrem no Convento de Santo António e nos seus espaços envolventes, contando com barracas e bazar abertos ao longo de todos os dias da festa.

A abertura oficial das festas está marcada para o dia 9 de junho, pelas 19h00, com uma sessão solene que inclui um momento musical pelo Orfeão Nossa Senhora do Rosário. A noite contará com a demonstração do Centro Karaté de Lagoa e a Gala de Patinagem Artística, pelo Clube de Patinagem Artística de Santa Cruz, culminando com a atuação do artista Nuno Martins.

No dia 10 de junho, feriado nacional, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, o destaque vai para a atuação do artista Toy, às 22h30, no palco do campo, além de diversas atividades ao longo da tarde e noite, incluindo uma tarde infantil, atuação do grupo de dança Som do Vento e animação musical pelo grupo Doce Sinfonia.

As festividades continuam no dia 11 de junho com os tradicionais Casamentos de Santo António, seguidos de um brinde aos noivos com bolo comunitário.

O dia 12 de junho será marcado pela vertente religiosa, com a missa solene em honra de Santo António, procissão acompanhada pela Sociedade Filarmónica Estrela d’Alva e bênção do tradicional “pão de Santo António”. Entre as 20h00 e as 22h30, estará aberta ao público uma feira de artesanato. A noite será animada com música e arraial, incluindo atuações de grupos locais e populares.

No 13 de junho, dia de Santo António, destaque para os desfiles das marchas populares, de crianças e adultos, charangas dos bombeiros e o ambiente festivo que culmina com a tradicional fogueira de Santo António e fogo de artifício, seguido de animação musical pelo grupo Brunim do Acordeão e Amigo.

As festas encerram no dia 14 de junho, com uma prova de pesca desportiva, feira de artesanato, distribuição de sardinhas e pão de milho, com animação do grupo folclórico O Grujola, no jardim dos Frades. Pelas 20h00, terá lugar uma noite de tunas académicas. A noite termina com o concerto de Augusto Canário & Amigos.

Lagoa atribui voto de louvor a Gilberto Borges

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A Câmara Municipal da Lagoa distinguiu Gilberto Sousa Borges, natural do concelho, com um voto de louvor em reconhecimento pelo seu percurso como dirigente desportivo e pelo seu contributo para o desenvolvimento do desporto e da comunidade lagoense. A atribuição do voto de louvor foi aprovada, por unanimidade, na reunião de câmara de 12 de março.

Ao longo de 25 anos, Gilberto Borges dedicou-se à presidência da Associação Juvenil Clube Operário Desportivo, distinguindo-se pelo seu empenho, liderança e profundo compromisso com a formação desportiva e cívica de centenas de jovens. Durante este período, o clube formou mais de 3500 atletas, promovendo valores fundamentais como o respeito, a disciplina, o espírito de equipa e a superação.

Sob a sua orientação, a Associação Juvenil do Clube Operário Desportivo alcançou resultados de grande relevo, nomeadamente a conquista de 39 campeonatos de São Miguel, 14 campeonatos regionais e um honroso 3.º lugar na Taça Nacional, feitos que dignificam o clube e projetam o nome do concelho de Lagoa e da região no panorama desportivo.

Para além dos êxitos competitivos, a autarquia destacou igualmente o importante papel social desempenhado por Gilberto Borges, marcado pela proximidade à comunidade, pelo apoio a jovens e famílias e pela dinamização de iniciativas que reforçam o desporto como instrumento de inclusão, educação e desenvolvimento pessoal.

Judiciária detém suspeito de tentar matar irmão com raticida

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A Polícia Judiciária (PJ), através do Departamento de Investigação Criminal dos Açores, deteve um homem, com 37 anos, presumível autor de um crime de homicídio qualificado, na forma tentada, praticado contra o seu irmão, com recurso a raticida.

Os factos ocorreram na ilha de São Jorge, entre os dias 17 e 18 de março do corrente ano, tendo o suspeito alegadamente colocado veneno em alimentos destinados ao irmão, com quem coabitava na residência do progenitor, já falecido.

Após aperceber-se do conteúdo suspeito, a vítima com 39 anos, recusou a refeição.

O presumível autor terá agido com o propósito de matar o irmão, na sequência de conflitos relacionados com a herança.

O detido será presente às autoridades judiciárias competentes para aplicação das medidas de coação tidas por adequadas.

“Estava doente e foste visitar-me”

Padre André Furtado

“Estava doente e foste visitar-me” (Mt 25,35). Este versículo faz-me questionar: Quantos sofrem à nossa volta, e nós ficamos à distância, silenciosos, iludidos a pensar que o silêncio basta, e, por vezes, mergulhamos na hipocrisia de julgar em vez de cuidar? Diz-se amiúde que “quem precisa que procure”. Em parte, é verdade, mas na realidade, muitos sofrem em silêncio por vergonha, por medo ou por não saberem a quem recorrer, e a quem confiar. Cabe-nos ter a atitude que concretiza aquele “foste visitar-me, aproximarmos e cuidarmos de quem sofre. Também se cuida fora de um hospital.

Ao longo do meu caminho no hospital, sobretudo nos cuidados paliativos — depois de uma experiência de tempestade e desencontro — recordei tantas vezes a parábola do filho pródigo: “Levantou-se e foi ter com seu pai” (Lc 15,20). Também eu precisei de regressar, de me reencontrar com a verdade. E foi nesse caminho que esta palavra deixou de ser apenas um versículo para se tornar um lugar onde sou constantemente interpelado: “estava doente e foste visitar-me”.

Ali, diante de cada doente, encontro não só a fragilidade do outro, mas também a minha. Foi aí que reaprendi o valor do ministério que me foi confiado: não tanto fazer muito, mas ser presença ativa: “foste visitar-me”.

Chega um momento em que já não há muito a fazer… mas há sempre muito a rezar, a escutar, a amar. “O Senhor não procura sacerdotes perfeitos, mas corações humildes, abertos à conversão e prontos a amar” – conforme disse Leão XIV. Há um abandono necessário – um repousar in sinu Jesu, como o discípulo que reclinava a cabeça no peito do Senhor (cf. Jo 13,23). Deus não nos pede grandes gestos, mas um coração disponível, entregue e agradecido.

Foi difícil aceitar isto porque queremos agir, resolver, aliviar, mudar. Queremos fazer tudo… e, tantas vezes, acabamos por não viver verdadeiramente nada. Mas, pouco a pouco, fui percebendo que, quando já não é possível fazer, ainda é possível estar. Como Maria de Betânia que escolheu “a melhor parte” (cf. Lc 10,42). E estar não é pouco. Estar com respeito, ternura, verdade. Estar sem fugir do sofrimento do outro. Estar como quem acredita, mesmo em silêncio, que os cuidados paliativos são uma carícia de Deus — discreta, mas profundamente real.

E aqui não posso deixar de agradecer aos profissionais de saúde. Para o sacerdote, o altar é o lugar da entrega. Mas convosco aprendi que, em cada doente, há também um altar. Muitas vezes senti que o meu altar era aquele doente, aquela família e até o vosso cuidado silencioso. Em cada gesto vosso, tantas vezes escondido, reconheci uma entrega que toca o sagrado.

Foi também neste caminho que comecei a descobrir algo exigente: não sou um “super-sacerdote”. Por detrás do altar há um homem. Por baixo das vestes, há um coração. Um coração também ferido, também em caminho. E talvez sejam essas feridas escondidas as que mais doem. E é necessário cuidar. porque há feridas que não se veem, mas doem tanto — ou mais — do que as que o olhar alcança. Este cuidar começa por reconhecer a nossa própria fragilidade. Só quem aceita as suas feridas pode aproximar-se verdadeiramente das feridas do outro.

Feridas da alma: medos, culpas, solidões, perguntas suspensas. Muitas vezes senti-me pequeno diante delas, sem respostas, sem palavras. E foi precisamente aí que compreendi que a assistência espiritual não consiste em explicar tudo, mas em acompanhar, sustentar, e não abandonar.

Lembro-me de alguém que me disse, deitado numa destas camas esta ideia: onde as almas são curadas, as vidas reencontram-se e são salvas.E comecei a ver isso acontecer — de forma simples, quase invisível. Pequenos reencontros, reconciliações, silêncios cheios de sentido.

Nestes quartos aprendi também que a vida não se mede pelo tempo, mas pelo amor. Há vidas longas que nunca se encontram… e instantes breves carregados de eternidade. Quantas vezes rezei em silêncio: “aumenta a minha fé…” (cf. Lc 17,5). Sobretudo quando não compreendo, quando a dor do outro me toca profundamente. E nesses momentos, ao estar junto de quem sofre, sinto que algo acontece: como se aquele espaço se tornasse sagrado. As lágrimas tornam-se um altar escondido, onde Deus se aproxima sem fazer ruído. Descobri, de forma muito concreta, que: Sem silêncio, não há escuta. Sem escuta, não há relação. Sem relação, não há fé viva. E confesso: nem sempre sei escutar. Nem sempre sei estar. Mas vou aprendendo.

Porque fora deste “hotel de sete estrelas” — como um doente um dia lhe chamou — é fácil cair na tentação de julgar, de diminuir os outros, de esconder as nossas próprias fragilidades com as dos outros. Eu próprio já o fiz. Talvez ainda o faça. É mais fácil condenar do que amar, derrubar do que levantar.

Mas aqui… aqui estou a aprender um outro olhar. Um olhar que não se coloca acima, mas ao lado. Um olhar que não acusa, mas acolhe. Um olhar que vê no outro não um problema, mas um mistério — uma página viva do Evangelho.

Jesus ensina isso: inclinar sempre. Nunca para esmagar ou ser esmagado, mas para levantar. Nunca para reduzir alguém ao seu erro, mas para o devolver à sua dignidade de filho amado. “Nem Eu te condeno” (Jo 8,11). E percebo que também eu preciso de deixar que a verdade me toque. Porque a verdade dói. Mas liberta (cf. Jo 8,32). É como no serviço administrado a cada doente: há gestos que doem — uma agulha, um cateter, uma intervenção necessária. Ninguém gosta, mas sabemos que é para curar, para cuidar, para dar vida. Assim é Deus: não entra para ferir, mas para tratar, salvar e renovar. Ele não se detém na nossa desgraça, mas mergulha nela para renascer a graça. Como a fénix que ressurge das próprias cinzas, também Deus faz brotar a vida nova precisamente a partir daquilo que parecia perdido (cf. Jo16,20).

Hoje sinto — e quero dizê-lo com convicção — que os cuidados paliativos não são apenas um lugar de fim. São um lugar de revelação. Aprende-se o essencial. Aprende-se a humanidade. Aqui, aprende-se Deus. E aquilo que aqui descubro não pode ficar fechado entre paredes. É um convite a viver fora: nas relações, nas escolhas, na forma como olho cada pessoa. Se tivesse de resumir tudo o que tenho aprendido, diria isto: fé que se curva, amor que se ergue.

O serviço de assistência espiritual não resolve tudo — e isso, no início, custava-me aceitar. Mas hoje sei que transforma tudo e todos. Não tira a dor, mas dá-lhe sentido. Não impede a morte, mas humaniza o caminho até ela. Cuidando da vida até ao fim, onde a ciência alivia e a fé dá sentido.

Porque, no fim, é o amor que permanece. E onde o amor permanece, há sempre vida que resiste.

Açores – Onde o Marketing Político Tenta Esconder a Necessidade do Reforço Policial”

António Santos
Lic. Ciências Sociais
Presidente do Sinapol – Açores

Portugal acordou recentemente em choque com o cenário que mais parecia igual a um “filme de terror”, uma vez que a imprensa destacava o caso a uma mulher agredida e abandonada à sua sorte em plena A8.

Mas, enquanto o país se indigna com este e outros tantos casos mediáticos, assistimos noutras frentes a anúncios triunfalistas sobre a “baixa” da criminalidade. Como Presidente do SINAPOL e alguém com formação académica e policial para analisar estes fenómenos, sinto o dever de esclarecer, o que se celebra como vitória é, na realidade, uma verdadeira e perigosa armadilha estatística.

Exige-se, antes de mais, um maior profissionalismo político na apreciação e apresentação destes números. Ora, analisemos como exemplo, os crimes de violência doméstica (VD) na região, os quais não se resolvem com tabelas de Excel como muitos assim o pensam. A descida de 1061 para 989 ocorrências nos Açores, segundo o RASI, não espelha uma redução da violência, mas sim, “quiçá”, uma erosão da confiança no sistema. Quando os Açores apresentam uma taxa de criminalidade de 39,7‰ 1 (muito superior aos 26,5‰ da Madeira), celebrar uma descida residual é ignorar a “cifra negra” dos crimes que a APAV estima sere relativamente aos números que aparecem no papel, e isto porque, ao analisarem-se  os registos policiais e os pedidos de ajuda solicitados à APAV, verifica-se que o número de registos é inferior, contudo, as associações de apoio como APAV, registaram um aumento do número de pedidos de apoio, revelando que a estatística indica que o crime não baixou, apenas a confiança nas autoridades judiciais ou a capacidade de resposta diminuiu.

Os Açores não podem, uma vez mais, ser relegados para a condição de apêndice estatístico ou de nota de rodapé no Terreiro do Paço. A nossa geografia arquipelágica, de descontinuidade territorial reconhecida, impõe desafios logísticos e operacionais que Lisboa teima em ignorar sistematicamente. É inaceitável que a Região continue a ser penalizada por um cálculo político cínico, que prioriza a densidade eleitoral em detrimento da necessidade efetiva de segurança.

Não sejamos ingénuos, este viés economicista já se reflete no anúncio feito relativamente ao reforço das Polícias Municipais de Lisboa e Porto, onde o peso dos círculos eleitorais dita a prioridade do investimento. O que o SINAPOL exige é que a segurança dos açorianos deixe de ser aferida pelo coeficiente de deputados eleitos e passe a ser garantida pela vulnerabilidade real do terreno. A proteção de uma vida em Santa Maria ou no Corvo deve ter o mesmo valor político que uma vida em qualquer avenida das cidades de Lisboa ou Porto. A segurança não é um privilégio de quem tem mais votos, é sim, um direito soberano de quem vive em toda a sua extensão de Portugal.

Se o Governo reconheceu, em 2025, a necessidade efetiva de um reforço do efetivo policial, é tempo de passar das palavras aos atos. O fluxo turístico crescente, que em ilhas como São Miguel exacerba as tensões sociais e o custo de vida, exige uma polícia robusta, formada e presente. Na Madeira, o turismo mais consolidado estabilizou indicadores nos Açores, o crescimento desregulado sem o correspondente reforço policial é um convite à insegurança.

O SINAPOL tem sido claro, o otimismo dos gráficos não coincide com o sentimento de quem vive nas ilhas. É preciso parar de usar a segurança como ferramenta de propaganda, já que os números oficiais são apenas a ponta de um icebergue de sofrimento que continua a crescer fora do alcance das métricas.

A insularidade não pode servir de desculpa para o abandono. Exigimos o cumprimento da promessa de reforço de efetivos feita em 2025 e reforçada na Lei do Orçamento de Estado de 2026, garantindo que os agentes nos Açores têm meios para responder à violência grave que atinge picos históricos desde 2015, como é o caso dos registos da VD.

Como cidadão qualificado para analisar este tipo de fenómenos, afirmo que anunciar descidas com “alegria” num território onde o crime contra as pessoas é dos mais altos do país é uma falta de respeito pelas vítimas.

Precisamos de menos comunicados de imprensa e de mais coragem para admitir a realidade. Os Açores exigem investimento, não apenas porque a lei o impõe, mas porque a dignidade das vítimas de violência que sofrem em silêncio no nosso arquipélago não tem preço, nem pode ser ignorada por conveniência parlamentar.

1 A análise foca-se na taxa por 1.000 habitantes. Foram cruzados os dados do INE com o RASI, e daí, percebe-se que, apesar da descida nominal, o risco de ser vítima de crime nos Açores (39,7‰) é quase 50% superior ao da Madeira (26,5‰).

Filarmónica Nossa Senhora das Victórias celebra 40.º aniversário com concerto solene

© ACÁCIO MATEUS

Fundada a 31 de agosto de 1986, a filarmónica Nossa Senhora das Victórias, da freguesia de Santa Bárbara, concelho da Ribeira Grande, celebra neste ano o 40.º aniversário. O início das comemorações teve lugar na noite de sábado passado, na igreja de Santa Bárbara, com a realização de um concerto solene.

Largas dezenas de pessoas marcaram presença no evento que “concretizou um sonho” de um dos fundadores, Leonardo Cymbron, como referiu o filho e atual presidente da Direção, também ele Leonardo Cymbron. Na ocasião, o responsável pela filarmónica “agradeceu a abertura do padre Tiago Tedéu para a realização do concerto num espaço há muito ansiado”.

O concerto ficou marcado por uma profunda comoção, não apenas por a filarmónica se poder apresentar num palco desejado pelo falecido fundador mas, também, por servir de homenagem a todos os músicos falecidos, em particular o mais recente antigo músico falecido, José Cristiano Barbosa de Medeiros.

A filarmónica Nossa Senhora das Victórias conta com cerca de meia centena de executantes, a maioria deles jovens de tenra idade que nutrem a paixão pela música, orientados sob a regência do maestro Carlos Alberto Cymbron, também ele filho do fundador Leonardo Cymbron.

PJ dos Açores detém estrangeira com mais de dois quilos de heroína

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A Polícia Judiciária (PJ), através do Departamento de Investigação Criminal dos Açores, identificou e deteve, em flagrante delito, uma mulher com 23 anos, na posse de mais de dois quilos e seiscentas gramas de heroína.

Segundo comunicado enviado às redações pela PJ, a detenção ocorreu na sequência de uma operação policial desenvolvida na cidade da Praia da Vitória, na ilha Terceira, sendo a droga apreendida suficiente para 26.724 dias de consumo médio individual.

A detida, de nacionalidade estrangeira e sem antecedentes criminais, será presente às autoridades judiciárias para aplicação das adequadas medidas de coação.

Quando uma cidade de animais nos fala sobre nós

Micaela Pimentel

Quando a Disney lançou Zootopia 2 (ou Zootrópolis 2, como lhe chamamos por cá), muita gente esperava apenas mais uma aventura divertida passada numa cidade cheia de animais que falam. E, de facto, à superfície continua lá tudo: humor rápido, personagens carismáticas e um mundo visualmente vibrante. Mas, tal como no primeiro filme, por baixo da leveza existe algo mais incómodo e mais humano. Zootrópolis sempre foi, no fundo, um espelho.

Uma cidade onde predadores e presas convivem parece, à primeira vista, uma metáfora simples sobre tolerância. Mas a história vai mais longe. Fala de preconceito, de medo coletivo e da facilidade com que criamos narrativas sobre “os outros”. Em Zootrópolis, os estereótipos parecem caricaturais até percebermos o quão familiares são.

O filme lembra-nos que a convivência não é automática. É frágil. Basta um rumor, uma suspeita ou uma crise para que a desconfiança se instale e as diferenças se transformem rapidamente em linhas de divisão. Mas há uma dimensão da história que talvez seja ainda mais relevante: a relação entre poder, dinheiro e culpa.

Enquanto alguns personagens lutam apenas para provar que merecem um lugar naquela cidade, outros movimentam-se com uma liberdade muito maior. O verdadeiro antagonista da história não representa apenas maldade individual, representa algo mais estrutural. Representa a forma como o poder económico, político ou social pode manipular perceções e direcionar suspeitas.

E é aqui que personagens vulneráveis, como a cobra, ganham um significado particular. Tornam-se símbolos de algo muito comum nas sociedades humanas: a tendência para apontar o dedo aos mais frágeis. Aos que são diferentes. Aos que têm menos voz.

É mais fácil suspeitar de quem está exposto do que questionar quem controla os bastidores.
Na ficção, essa dinâmica torna-se clara. No mundo real, muitas vezes passa despercebida. Criamos rótulos simples para explicar realidades complexas, esquecendo que as histórias raramente são tão lineares como gostaríamos.

Talvez seja por isso que filmes como Zootrópolis funcionam tão bem. Porque colocam questões profundamente sociais num contexto aparentemente inocente. Uma coelhinha polícia, uma raposa trapaceira, uma cidade onde cada espécie tenta encontrar o seu lugar. Parece distante da nossa realidade até percebermos que não é.

No contacto com pessoas reais, percebe-se rapidamente que os rótulos quase nunca contam a história inteira. Há vidas marcadas por circunstâncias que não cabem em categorias simples. Há desigualdades invisíveis que moldam escolhas, oportunidades e até a forma como cada pessoa é vista pelos outros.
Zootrópolis não resolve esses problemas. Nenhum filme o faria. Mas lembra-nos de algo importante: a empatia não deve terminar quando a história acaba.

Porque, no fundo, aquela cidade de animais não é apenas fantasia. É uma versão ampliada das tensões, dos medos e das injustiças que continuam a existir entre nós.

No final, saímos do filme com a sensação de que aquela cidade de animais é menos fantástica do que parece. Porque, no fundo, Zootrópolis não é sobre coelhos, raposas ou predadores. É sobre nós e sobre a forma como escolhemos viver juntos.

Lagoa celebra 25 de abril com programa intergeracional

© CM LAGOA

O município da Lagoa promove, no próximo dia 25 de abril, entre as 10h00 e as 12h30, na Praça Nossa Senhora do Rosário, uma manhã de celebração da democracia, com um programa diversificado que envolve várias forças vivas da comunidade e convida à participação de todas as gerações.

Sob o mote “Manhã de Abril: Há Festa na Praça!”, a iniciativa pretende assinalar a Revolução dos Cravos num ambiente festivo, participativo e cultural, valorizando a liberdade, a memória coletiva e a expressão artística.

O programa tem início com a marcha da Liberdade, que contará com a participação das filarmónicas Lira do Rosário e Estrela d’Alva e do grupo de teatro “A Faísca”, que percorrerão a rua 25 de abril até à Praça Nossa Senhora do Rosário.

Ao longo da manhã, o público poderá assistir a diversos momentos culturais, como a performance “Desata a Voz: #Podias; #Era preciso”, pelo grupo de teatro, o concerto “Vozes que florescem”, pelo Grupo de Cantares Tradicionais de Santa Cruz em conjunto com a Associação Musical da Lagoa, e ainda um flash mob musical dinamizado pela Biblioteca Municipal Tomaz Borba Vieira com a Casa do Povo de Água de Pau.

Estará, também, patente uma mostra expositiva de trabalhos alusivos ao 25 de abril, desenvolvidos pelas valências dos CATL’s do concelho, bem como a iniciativa “Árvores decoradas: Ramos de Lã, Folhas de Abril”, com a participação de centros de dia e instituições locais, e a colocação de mandalas nas varandas da avenida 25 de abril, trabalhos realizados pelas avós do projeto “A avó veio trabalhar”.

Paralelamente, decorrerão várias atividades abertas à comunidade, incluindo pintura de rua (Arte Viva), feira do livro em segunda mão, atelier intergeracional do projeto “A avó veio trabalhar”, oficinas de expressão plástica para crianças, espaço de leitura “Histórias que Contam”, pinturas faciais e insufláveis.

Durante o evento, será ainda feita a distribuição de cravos pela Associação Jovem Lagoense, símbolo maior da Revolução de Abril, e estarão disponíveis barraquinhas no recinto.