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A doença de se gostar tanto de alguém que não gosta de nós

Júlio Tavares Oliveira
Formado em Português/Inglês

Há amores – muitos amores, muitas vezes os primeiros amores – que não têm direito a cartas de amor trocadas, que não vivem, direito, as suas cartas de amor, ou uma correspondência feliz; há amores que só se sabem – e se ouvem – pela dor constante que provocam, pelo ardume grave, e interno, que propagam, pela inflamação que os conduz e que os consome por dentro.

O amor sem cartas de amor é aquele amor inflamado, capaz, infundado, que não se ouve falar em lado nenhum pelos melhores motivos: é agressivo, violento, imparável, mas quieto, sisudo, miúdo, minúsculo; esse amor é o amor dos heróis e dos anti-heróis, dos eternos românticos apaixonados, dos nobres cavalheiros, de flor na lapela, que não cortejam, nem fazem flirt, mas que desejam tão intensa quando inconsequentemente, incondicionalmente, um amor qualquer que os destrói lenta e lentamente.

Mas não é desse amor sem cartas de amor que nascem os amores mais duradouros – distinga-se paixão de amor e traremos, nesse tratamento, nessa degustação, um amor pacífico, um amor estável, um amor que se baseia na correspondência.

Os amores incondicionais são extremamente agressivos e brutalmente corrosivos – são obsessivos, são obcecados, não têm, nem conhecem, limites.

São, de forma mais ou menos constante, uma ultrapassagem perigosa, um encontro marcado, mas magoado, em contramão, uma curva apertada a alta velocidade; um despiste incontrolável de sentimentos e emoções. Os amores, que são violentas paixões do coração, quando não são correspondidos por quem se ama desta forma, não trazem sossego, mas muita revolta e incompreensão.

E a revolta, na grande parte das vezes, traz a potência do crime, do litígio, do perigo – para quem se apaixona e para quem foge dessa paixão.

Os avisos são muitos e estão suspensos à nossa volta: mensagens constantes, chamadas constantes, perseguição, e tanto mais – por quem ama, incondicionalmente, a quem não ama, de todo, esse “incondicionalmente”, mas que o detesta.

É, diria eu, uma doença incapacitante, uma cegueira, que litiga, de forma abismal, contra quem daria a sua própria vida pela vida da pessoa que ama, mas que o detesta – e esta é a doença de se gostar tanto de alguém que não gosta de nós. É, diria eu, uma necessidade, também, de se procurar ajuda especializada.

É aí que entra a necessidade, primeiro, de se reconhecer a si mesmo; e de se procurar ajuda – e há muita gente que nos pode, de facto, ajudar.

Posso dizer que já estive do lado que se apaixona, se calhar mais do que uma vez, incondicionalmente por alguém, numa vã inglória da vida – numa paixão que não se controla, nem se aprende a dominar, nem conhece as suas limitações ou os seus limites à sua superação constante, na tentativa de agradar, de todas as formas, a pessoa amada – invariavelmente, toda a paixão incondicional sem correspondência provoca repugnação, nojo, ou medo em quem se sente impotente, e incapaz, de parar tal proeza.

Aprender a largar não é fácil; aprender a aceitar o que nos magoa é difícil. Sobretudo para quem, como eu, ama de uma forma difícil de entender no mundo de hoje – de uma forma, por vezes, que se deixa ficar em último para que quem amamos fique em primeiro. A doença – se será? – de se amar de uma forma que nos prejudica tanto, e que só nos traz coisas negativas, lágrimas e prantos, importa, da parte de todos nós, que não se apontem dedos desnecessários, importa que não se julgue o incondicional por ser isto que é: incondicional.

“Lajes das Flores está preparada para receber e apoiar quem queira investir e construir o seu futuro no concelho”

Inovação no extremo ocidental da Europa: Armando Rodrigues detalha a estratégia de Lajes das Flores para atrair investimento e gerar novas oportunidades

Armando Rodrigues, vice-presidente da Câmara Municipal da Lajes das Flores © DIREITOS RESERVADOS

Armando Rodrigues, 38 anos, gestor de profissão, com formação técnica em marketing, natural da Fajã Grande, na ilha das Flores, e residente nas Lajes das Flores, ambas nos Açores, exerce atualmente funções como vice-presidente do município de Lajes das Flores, cargo que assumiu em 2024, depois de ter atuado como vereador nas autárquicas em agosto de 2023.

Num momento em que o concelho procura reforçar a sua capacidade de atrair investimento, gerar emprego, diversificar a economia local e consolidar a sua afirmação cultural e turística no contexto regional, a autarquia tem vindo a apostar em instrumentos de apoio direto aos empreendedores, na dinamização de eventos de projeção externa, na qualificação dos serviços locais e na criação de oportunidades para fixar população jovem.

Em entrevista exclusiva à nossa reportagem, Armando Rodrigues detalhou as principais políticas municipais implementadas nas áreas do comércio, indústria, empreendedorismo, cultura, juventude, desporto, emprego e turismo, explicando de que forma Lajes das Flores tem procurado afirmar-se como um território competitivo, atrativo para investir e capaz de gerar novas oportunidades económicas e sociais num território insular situado no extremo ocidental da Europa.

DL: Quais foram os principais resultados alcançados nas áreas do comércio e da indústria no concelho de Lajes das Flores nos últimos anos, e que medidas concretas foram implementadas para atrair investimento e dinamizar o tecido empresarial local?
Nos últimos anos, o município de Lajes das Flores tem orientado a sua estratégia de desenvolvimento económico para a valorização e apoio ao microempresário, reconhecendo que o tecido empresarial da ilha, e em particular do município, é composto essencialmente por microempresários. Esta realidade tem norteado as opções políticas e os instrumentos de apoio disponibilizados à comunidade. Um dos pilares centrais desta política é o apoio consolidado aos futuros empreendedores através da Incubadora de Empresas das Lajes, estrutura que presta um serviço completo e integrado a quem pretende criar ou desenvolver o seu negócio, acompanhando os empreendedores desde a fase de conceção até à alavancagem efetiva das suas atividades. Com o objetivo de promover a fixação de empresas no concelho e tirar partido da localização estratégica do porto da ilha, o município tem investido na criação de zonas industriais, gerando condições de instalação e operação adequadas para diferentes tipologias de atividade económica. No domínio da atração de investimento, o município tem procurado construir uma rede de apoio acessível a todos os potenciais investidores, assegurando as condições necessárias para que possam concretizar os seus projetos. Em paralelo, a manutenção dos impostos municipais no valor mínimo legalmente permitido constitui uma medida deliberada e estrutural de incentivo à fixação de pessoas e empresas no território.

DL: De que forma a autarquia tem estruturado a política cultural do concelho, e que impacto têm tido as iniciativas promovidas na valorização da identidade local e na atração de visitantes?
A cultura tem sido, para este executivo, um instrumento privilegiado de abertura de horizontes, em particular para as gerações mais jovens. Tendo em conta a realidade geográfica e as limitações naturais no acesso a experiências culturais diversificadas, quando comparadas com outros territórios do país, o município de Lajes das Flores tem procurado criar oportunidades que compensem essa distância e enriqueçam o quotidiano da comunidade. A política cultural do concelho assenta igualmente num forte compromisso com a integração social, num território que acolhe residentes de várias nacionalidades. A promoção de iniciativas culturais inclusivas tem funcionado como fator de coesão, aproximando comunidades e reforçando o sentido de pertença ao lugar. Entre os exemplos mais concretos desta aposta, destaca-se a residência artística, um evento que decorre habitualmente durante as férias da Páscoa e que convoca dois formadores especializados para trabalhar, ao longo de uma semana, as diferentes expressões artísticas com as crianças da ilha. O processo culmina na apresentação de um espetáculo criado pelos próprios participantes, tornando cada edição numa experiência única de criação e partilha. Outro marco incontornável da agenda cultural municipal é a Festa do Emigrante, que chega à sua 39.ª edição com um papel cada vez mais consolidado na vida da ilha. Este evento tem permitido trazer à Ilha das Flores artistas de renome nacional e internacional, promovendo a cultura e a identidade local, mas gerando igualmente um impacto económico significativo para o concelho, ao dinamizar o comércio, o alojamento e os serviços durante o período da sua realização.

DL: Que estratégias têm sido adotadas nas áreas da juventude e do desporto para promover a fixação de jovens no concelho e incentivar estilos de vida ativos e participativos?
No domínio da juventude, o município tem desenvolvido um conjunto de iniciativas pensadas especificamente para os mais jovens, com o objetivo de lhes proporcionar experiências enriquecedoras e diversificadas. O ATL municipal constitui um dos pilares desta aposta, disponibilizando cinco oficinas abertas não apenas às crianças inscritas no serviço, mas também a outras que pretendam participar. Entre as áreas trabalhadas, destacam-se as oficinas de percussão musical, canto, pintura e gestão das emoções, todas dinamizadas semanalmente por formadores especializados. Estas atividades representam muito mais do que ocupação dos tempos livres, são momentos de descoberta, expressão e desenvolvimento pessoal num território onde o acesso a este tipo de experiências é, por natureza, mais limitado. No que respeita ao desporto, a autarquia tem apostado numa oferta variada, acessível e regular, capaz de incentivar estilos de vida ativos em diferentes faixas etárias. As caminhadas organizadas mensalmente pelo concelho promovem o contacto com a natureza e a convivência entre a comunidade, enquanto a aula gratuita de ioga, também com periodicidade mensal, coloca à disposição de todos uma prática de bem-estar sem qualquer barreira financeira. Anualmente, o torneio de voleibol de praia anima a época estival e os Jogos Desportivos Escolares reforçam o papel do desporto no percurso educativo dos jovens do concelho. Num plano de maior ambição e projeção externa, o município foi capaz de criar um dos maiores eventos de trail dos Açores: o “Farol Adventure Trail”, que, em 2027, chegará à sua quarta edição. Desenvolvido em parceria com os outros dois concelhos do Grupo Ocidental, este evento transcende a promoção de hábitos saudáveis para se afirmar também como um poderoso instrumento de promoção do destino e da ilha, com especial relevância por decorrer em abril, em plena época baixa, contribuindo assim para a diversificação e distribuição da atividade turística ao longo do ano.

DL: No domínio do empreendedorismo, que apoios ou programas têm sido disponibilizados para estimular a criação de novos negócios e que áreas identifica como prioritárias para investir em Lajes das Flores?
O empreendedorismo será, com toda a certeza, um pilar na estratégia de desenvolvimento do município de Lajes das Flores, onde temos procurado criar condições concretas e acessíveis para todos os que pretendam criar ou desenvolver um negócio no concelho. O principal instrumento de apoio é a Incubadora de Empresas das Lajes, que disponibiliza aos empreendedores não apenas espaço físico de trabalho, mas também um conjunto alargado de serviços de suporte nas áreas do marketing, da contabilidade, da gestão e de outras áreas igualmente sensíveis ao sucesso de qualquer projeto empresarial. Este acompanhamento integrado permite que os novos empresários se concentrem no desenvolvimento do seu negócio, com o apoio técnico necessário a cada etapa do processo.

A par do apoio em serviços, o município disponibiliza também apoio financeiro direto, comparticipando 50% do investimento total realizado pelos empreendedores, até um máximo de seis mil euros. Este instrumento assume particular relevância num território insular onde o acesso a capital e a financiamento tende a ser mais limitado, reduzindo o risco associado à criação de novos negócios e tornando a decisão de empreender mais sustentável. Para aqueles que se encontram ainda numa fase embrionária, com uma ideia, mas sem um projeto estruturado, o município coloca à disposição uma equipa multidisciplinar que acompanha o futuro empreendedor no processo de transformar essa ideia numa realidade empresarial viável. Este apoio permanente e personalizado demonstra o compromisso da autarquia em não deixar nenhum potencial de desenvolvimento por explorar. Lajes das Flores está, assim, preparada para receber e apoiar quem queira investir e construir o seu futuro no concelho – com estrutura, recursos e vontade de crescer em conjunto.

DL: Relativamente ao emprego, quais são hoje os principais desafios do concelho e que ações têm sido implementadas para criar oportunidades de trabalho e qualificar a população local?
O emprego é um dos domínios em que o município de Lajes das Flores tem intervindo de forma mais ativa e consistente, procurando responder aos desafios de um território insular com um mercado de trabalho naturalmente mais limitado. De forma direta, a autarquia tem sido um agente importante na criação de oportunidades de emprego, abrindo vagas em diversas áreas e promovendo estágios profissionais com uma taxa de contratação bastante positiva. Esta intervenção direta tem permitido integrar no mercado de trabalho um número significativo de pessoas, contribuindo para a estabilidade e qualificação da população local. Numa vertente mais indireta, mas igualmente estruturante, o município tem articulado as suas políticas de emprego com os instrumentos de apoio ao empreendedorismo. O apoio financeiro disponibilizado aos empreendedores inclui, como contrapartida, o compromisso de criação de pelo menos um posto de trabalho no concelho, gerando assim um efeito multiplicador que vai além do próprio projeto empresarial. Complementarmente, a criação de espaços comerciais tem atraído novas empresas ao território, que contribuem por sua vez para a geração de mais oportunidades de emprego local. O incentivo à criação de novas microempresas assume também um papel relevante neste contexto, na medida em que cada novo negócio representa, desde logo, uma oportunidade de autoemprego para o seu criador e, progressivamente, a possibilidade de gerar postos de trabalho adicionais à medida que a atividade se consolida. O conjunto destas medidas procura criar uma abordagem integrada ao emprego, que combina a intervenção direta da autarquia com o estímulo a um tecido empresarial local mais dinâmico, diversificado e capaz de criar as suas próprias oportunidades de crescimento.

DL: No setor do turismo, que ações de promoção têm sido levadas a cabo para posicionar Lajes das Flores como destino, e quais são, na sua perspetiva, as principais potencialidades ainda por explorar no concelho?
O turismo ocupa um lugar central na estratégia de desenvolvimento do concelho, não apenas pela sua dimensão própria, mas pelo efeito alavancador que exerce sobre todos os restantes setores da economia local – das pescas à agricultura, passando pelo comércio e pelos serviços. Numa ilha, é impossível dissociar as diferentes atividades económicas entre si, e uma política de turismo bem estruturada e ambiciosa é, inevitavelmente, uma política transversal a todo o território. A promoção do destino tem assentado em três momentos essenciais e complementares. O primeiro é a presença na BTL – Bolsa de Turismo de Lisboa, a maior feira de turismo nacional -, onde o município participa em conjunto com Santa Cruz das Flores e o Corvo numa estratégia de promoção conjunta e alinhada, destacando os atributos partilhados pelo Grupo Ocidental e reforçando a identidade do arquipélago como destino de excelência. O segundo momento é o “Farol Adventure Trail”, prova de trail que acontece em abril e que traz mais de quatrocentas pessoas à ilha numa fase em que a atividade turística é ainda moderada. Para além do impacto direto em termos de visitantes, este evento é uma plataforma privilegiada de promoção do que de mais valioso o destino tem a oferecer: uma natureza única e de rara beleza. O terceiro momento é a “Festa do Emigrante”, um dos eventos mais duradouros e reconhecidos dos Açores, que marca a agenda regional e posiciona Lajes das Flores como referência cultural e de animação no arquipélago. Paralelamente a estes momentos de promoção, o município tem procurado manter uma agenda cultural ativa ao longo do ano, consciente de que a diversidade de experiências disponíveis é um fator determinante para prolongar a estadia de quem visita a ilha. Este é, aliás, um dos maiores desafios do setor: aumentar o número de noites por visita, transformando estadias curtas em experiências mais longas e economicamente mais relevantes para o conjunto da economia local. A sazonalidade é outro desafio que tem merecido atenção, tendo o município procurado incentivar a visita fora da época alta, distribuindo o fluxo turístico de forma mais equilibrada ao longo do ano. No que respeita às potencialidades ainda por explorar, o concelho tem margem de crescimento em diversas áreas, embora parte desse desenvolvimento dependa também do investimento privado, que será determinante para criar uma oferta mais diversificada, capaz de atrair diferentes perfis de visitantes e abrir novos mercados. Na minha opinião, a conjugação entre o esforço público de promoção e dinamização e a capacidade de resposta do setor privado será, em última análise, o fator decisivo para consolidar Lajes das Flores como um destino turístico de referência no contexto açoriano e nacional.

Povoação acolhe terceira prova do Campeonato Regional de Vela Ligeira dos Açores

O evento desportivo reuniu dezenas de atletas de várias ilhas do arquipélago, combinando as regatas oficiais com iniciativas de cariz ambiental e educativo direcionadas para a comunidade local

© CM POVOAÇÃO

A vila da Povoação acolheu, nos dias 16 e 17 de maio, a terceira prova do Campeonato Regional de Vela Ligeira dos Açores. Segundo a nota de imprensa enviada pelo Clube Naval da Povoação, entidade organizadora do evento, a iniciativa reuniu dezenas de atletas, treinadores, dirigentes e familiares provenientes de diversas ilhas do arquipélago açoriano.

Além da vertente puramente competitiva, o programa da prova integrou ações paralelas de envolvimento comunitário, ambiental e educativo. Entre estas, realizou-se uma ação de limpeza da costa em parceria com o Município da Povoação, a Junta de Freguesia local e entidades parceiras.

Foram também promovidas palestras destinadas a atletas e alunos da Escola Profissional Monsenhor João Maurício Amaral Ferreira. O evento contou ainda com a participação de uma atleta olímpica, que partilhou mensagens de motivação com os jovens velejadores.

Na cerimónia de encerramento, o presidente do Clube Naval da Povoação, André Ávila, afirmou ser “com enorme orgulho, profunda satisfação e um sentimento de missão cumprida que hoje nos reunimos para assinalar o encerramento da terceira prova do Campeonato Regional de Vela Ligeira dos Açores, realizada aqui, na nossa Povoação”.

O dirigente sublinhou que o acolhimento do campeonato representa “a afirmação da capacidade organizativa do clube, da dedicação à modalidade e da vontade em colocar a Povoação no mapa dos grandes eventos náuticos dos Açores”.

Dirigindo-se aos participantes, o responsável realçou que “a vela ensina-nos muito mais do que competir. Ensina-nos disciplina, resiliência, humildade, respeito pelo próximo e capacidade de superação”, agradecendo de seguida o apoio das instituições, voluntários e clubes envolvidos na logística da prova.

No plano desportivo, as classificações finais da competição ditaram a vitória de Oleg Diatlov (Clube Naval da Horta) na categoria Infantil – Optimist. O pódio ficou completo com Francisco Couto e Miguel Viveiros, ambos do Clube Naval Vila Franca do Campo, tendo Guiomar Mourão (Clube Naval de São Mateus da Calheta) vencido no setor feminino.

Na categoria Juvenil – Optimist, o primeiro lugar pertenceu a Miguel Ferreira (Clube Naval Vila Franca do Campo). Bernardo Miranda (Clube Naval da Praia da Vitória) ficou em segundo e Tomás Bourbeau (Clube Naval de Ponta Delgada) em terceiro, enquanto Margarida Costa (Clube Naval Vila Franca do Campo) arrecadou o troféu feminino.

Na classe Ilca 4, o pódio foi liderado por Joaquim Barcelos, com Matilde Moules em segundo lugar, que acumulou também a posição de primeira classificada feminina. Ambos os atletas representam o Clube Naval da Praia da Vitória. Ricardo Pacheco (Clube Naval de Ponta Delgada) terminou na terceira posição.

Por fim, na categoria Ilca 6, Duarte Santos (Clube Naval de Ponta Delgada) alcançou o primeiro lugar. O velejador Francisco Monteiro da Silva (Clube Náutico de Lagoa) conquistou a segunda posição, seguido por António Damião (Clube Naval Vila Franca do Campo) em terceiro e Juliana Paiva (Clube Naval da Povoação) como a melhor atleta feminina.

De acordo com a organização, o evento encerrou com um balanço positivo no que concerne à dinamização desportiva e social da região.

Câmara da Lagoa entrega votos de congratulação a duas equipas da AJCOD

O executivo municipal recebeu as formações de sub-18 femininas e seniores masculinos da Associação Juvenil Clube Operário Desportivo após a conquista de títulos regionais

© CM LAGOA

O presidente da Câmara Municipal da Lagoa, Frederico Sousa, acompanhado pelo vice-presidente, Nelson Santos, entregou votos de congratulação a duas equipas da Associação Juvenil Clube Operário Desportivo (AJCOD). Segundo uma nota de imprensa enviada pelo município, o reconhecimento surge na sequência dos resultados alcançados pelas equipas nos respetivos campeonatos regionais.

No escalão de sub-18 feminino, a equipa conquistou o título de campeã regional no passado dia 3 de maio, na Lagoa, tendo garantido a participação na Taça Nacional, agendada para os dias 23 e 24 de maio, em Vila Real. Já a equipa sénior masculina, após vencer o campeonato de São Miguel, obteve o título de campeã regional numa prova realizada na cidade da Horta, a 10 de maio, assegurando o acesso ao campeonato nacional da primeira divisão masculina na próxima época.

Durante o ato oficial, Frederico Sousa afirmou que “estas conquistas refletem a qualidade desportiva das equipas da AJCOD, bem como o trabalho desenvolvido pelas respetivas equipas técnicas, evidenciando igualmente a dinâmica e o crescimento da modalidade no concelho da Lagoa”. O autarca acrescentou que “estes resultados representam um enorme orgulho para o concelho da Lagoa e demonstram o excelente trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela AJCOD, pelos atletas, equipas técnicas e direção do clube. São conquistas que resultam de dedicação, espírito de equipa e perseverança”.

Na mesma ocasião, o presidente da autarquia adiantou que a Câmara Municipal “continuará a apoiar o movimento associativo e desportivo do concelho, reconhecendo o importante papel que os clubes desempenham na formação dos jovens, na promoção de estilos de vida saudáveis e na projeção do nome da Lagoa a nível regional e nacional”. De acordo com o documento camarário, estes desempenhos pretendem contribuir para a promoção e valorização do desporto local e para a afirmação do concelho no panorama desportivo regional.

Alunos da Escola Secundária da Lagoa visitam meios da Marinha em Ponta Delgada

A iniciativa, desenvolvida no âmbito do projeto municipal “Náutica/0”, envolveu a deslocação de cerca de 90 estudantes do oitavo ano para conhecer as missões da Autoridade Marítima Nacional e o navio NRP Figueira da Foz

© CM LAGOA

Cerca de 90 alunos do oitavo ano de escolaridade da Escola Secundária da Lagoa participaram, em Ponta Delgada, num circuito pedagógico integrado nas atividades comemorativas do Dia da Marinha. Segundo a informação transmitida em nota de imprensa enviada pela Câmara Municipal da Lagoa à redação do Diário da Lagoa, a iniciativa inseriu-se no projeto “Náutica/0”, uma parceria que envolve o município lagoense, o Clube Náutico de Lagoa, a Escola Secundária do concelho e a Capitania do Porto de Ponta Delgada.

A deslocação dos estudantes, que foram acompanhados por professores daquela comunidade escolar, teve como objetivo central a promoção da cultura marítima e a sensibilização das novas gerações para a literacia do mar. O programa estruturado incluiu uma primeira paragem no auditório do edifício do Comando da Zona Marítima dos Açores, onde o Comando Local da Polícia Marítima de Ponta Delgada conduziu uma sessão explicativa sobre as competências e missões da Autoridade Marítima Nacional.

Durante a jornada, os alunos visitaram também o Hangar da Capitania de Ponta Delgada e a Estação Salva-Vidas, contactando diretamente com as embarcações e os recursos terrestres mobilizados em ações de fiscalização, socorro e salvamento marítimo, sob orientação técnica dos militares e agentes daquelas forças. O circuito pedagógico integrou ainda uma visita guiada a bordo do Navio da República Portuguesa (NRP) Figueira da Foz, permitindo à comitiva escolar conhecer a organização interna e o funcionamento de uma guarnição naval.

A visita institucional foi acompanhada pelo presidente da Câmara da Lagoa, Frederico Sousa, e pelo Comandante da Zona Marítima dos Açores, Comodoro Luís Nicholson Lavrador. Na informação oficial divulgada, o autarca lagoense defendeu que a ação constitui uma oportunidade de aproximação dos jovens às profissões do setor do mar e à relevância estratégica que este assume na Região Autónoma dos Açores, sublinhando que o projeto, financiado pelo programa comunitário MAR2030, visa o fortalecimento de uma cultura marítima consciente junto das novas gerações.

Universidade dos Açores debate Serviço Social em cenários de catástrofe com especialista de Valência

A aula aberta, promovida no âmbito do Programa Erasmus+, trará à academia açoriana a experiência real da resposta psicossocial após o fenómeno extremo da DANA em Espanha, cruzando a intervenção em emergências com a segurança nos trilhos naturais da região

© DL

A Universidade dos Açores promoveu, esta sexta-feira, dia 22 de maio, uma aula aberta subordinada ao tema “Serviço Social em Catástrofes: Consolidando a Prática Profissional no Contexto da DANA de Valência”. De acordo com a nota informativa enviada à redação do Diário da Lagoa, a iniciativa decorreu esta manhã, tendo reunido com sucesso estudantes, docentes e profissionais da área interessados em compreender os mecanismos de intervenção social e comunitária em cenários de extrema urgência e emergência humana.

A sessão contou com a participação especial da professora Ángela Carbonell Marqués, docente de Serviço Social na Universidade de Valência e especialista em Saúde Mental, que se encontra na região ao abrigo do Programa Erasmus+. A convidada internacional partilhou na primeira pessoa a experiência vivida e coordenada no contexto da DANA de Valência — o fenómeno meteorológico extremo que causou severos impactos sociais e perdas humanas na Península Ibérica —, promovendo uma reflexão profunda sobre os desafios da resposta psicossocial em situações de crise e a consolidação das práticas de Serviço Social quando as comunidades locais são severamente afetadas.

O encontro foi promovido no âmbito da unidade curricular “Intervenção em Contextos de Exclusão”, lecionada pelo professor doutor Eduardo Marques, que assumiu as funções de anfitrião e moderador do debate aberto à comunidade. O programa desta cooperação académica e científica integra-se ainda nas atividades do projeto TRANS-Lighthouses, aproveitando a escala de trabalho para estimular a reflexão crítica em torno de riscos e acidentes em trilhos naturais, uma problemática com forte pendor de proximidade e de crescente relevância para a salvaguarda de residentes e turistas na Região Autónoma dos Açores.

Além da componente letiva e do debate aberto ao público, a agenda da docente espanhola em solo micaelense prevê a realização de reuniões de trabalho com diversos stakeholders locais e visitas técnicas a espaços naturais emblemáticos. Entre as deslocações programadas, destaca-se a visita ao projeto-piloto sediado no Trilho da Água / Janela do Inferno, uma das infraestruturas de pedestrianismo de referência no concelho da Lagoa, permitindo a partilha mútua de conhecimentos sobre prevenção e intervenção comunitária em áreas de risco.

Feira da Saúde na Povoação promove hábitos de vida saudáveis

© CM POVOAÇÃO

O pavilhão multiusos da Povoação acolhe a 12.ª edição da Feira da Saúde, evento que irá juntar na vila centenas de crianças e adolescentes em diversas atividades promovidas pela equipa de saúde escolar da Escola Básica e Secundária da Povoação, em colaboração com várias entidades.

Nesta feira está programado o habitual concurso de sopas, no qual estão inscritos dezz grupos com as mais variadas sopas. A iniciativa tem por objetivo despertar na população a importância das sopas na alimentação e o seu enorme valor nutricional.

A Feira da Saúde da Povoação vai juntar a comunidade escolar e outras instituições, tendo como pretensão estimular nos alunos e nos munícipes um estilo de vida saudável através da promoção da saúde e na prevenção da doença.

Nesta feira serão também realizadas várias atividades, destacando-se os jogos tradicionais e outras atividades físicas e de bem-estar, os ateliers de arte terapia, psicomotricidade, ciência, leitura, prevenção rodoviária e outras ações de sensibilização e dinâmicas de convívio das várias entidades envolvidas.

Acesso à Ferraria reaberto ao trânsito automóvel

© SRTMI

O caminho de acesso à Ferraria, na freguesia dos Ginetes, em Ponta Delgada, já se encontra reaberto ao trânsito automóvel, ainda que de forma condicionada e ordenada.

A circulação neste caminho foi retomada após a conclusão das intervenções preliminares de mitigação de risco no troço instabilizado, permitindo abrir em segurança o acesso à Ferraria durante a época alta.

A solução adotada consistiu na construção de um muro de blocos pré-fabricados em betão, numa extensão de cerca de 30 metros.

Com o objetivo de disciplinar a circulação automóvel, a via foi alvo de um reforço da sinalização vertical e da colocação de um sistema de semáforos para gestão alternada do tráfego.

Estas medidas impedem o cruzamento de viaturas no troço instabilizado e asseguram que a passagem automóvel ocorra exclusivamente na faixa mais afastada do talude, minimizando a exposição ao risco.

Paralelamente, está em curso o estudo das características geotécnicas que permitirão a definição do programa preliminar com vista à realização de intervenções adicionais no talude, a ocorrer durante o inverno, para a respetiva estabilização definitiva.

Escola de Água de Pau consolida aposta na formação de adultos

A Escola Básica/Integrada de Água de Pau continua a consolidar a aposta na formação de jovens e adultos através dos cursos de educação e formação, opção educativa que tem vindo a transformar percursos de vida e a gerar impacto positivo junto da comunidade

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Desde o ano letivo 2020/2021, a escola já certificou cerca de setenta formandos, proporcionando a muitos jovens e adultos a oportunidade de concluir etapas essenciais do seu percurso escolar e abrir novas perspetivas pessoais e profissionais. Ao longo destes anos, onze formandos concluíram o 2.º ciclo, trinta obtiveram certificação do 3.º ciclo e vinte e nove finalizaram o ensino secundário.

Embora a maioria dos formandos seja proveniente do concelho da Lagoa, a escola tem recebido também participantes da Ribeira Grande, de Ponta Delgada e das Furnas, sinal do interesse que esta resposta educativa tem vindo a despertar em diferentes localidades da ilha.

O órgão executivo da escola considera que esta oferta formativa tem contribuído para criar oportunidades de qualificação e valorização pessoal junto de jovens e adultos da comunidade, conciliando educação, vida profissional e desenvolvimento pessoal.

Para muitos dos formandos, voltar à escola significou muito mais do que obter um diploma: significou recuperar confiança, abrir novas portas e redescobrir capacidades. É esse impacto humano e social que a Escola Básica/Integrada de Água de Pau pretende continuar a reforçar no próximo ano letivo.

Na sequência deste trabalho, a escola volta a disponibilizar, no próximo ano letivo, os cursos de educação e formação de adultos, em regime noturno, no âmbito do Programa Reativar, encontrando-se as inscrições abertas até ao próximo dia 20 de junho de 2026.

Os cursos destinam-se a adultos que pretendam concluir o 2.º ciclo, o 3.º ciclo ou o ensino secundário. Os cursos de nível básico dirigem-se a candidatos com idade igual ou superior a 18 anos, enquanto o curso de ensino secundário – Tipo A –destina-se a formandos com idade mínima de 23 anos, admitindo-se excecionalmente candidatos que completem essa idade até três meses após o início da formação.

Escola é porto de abrigo para o conhecimento

Sob o lema “Mar de Letras”, a Semana da Leitura da EBI de Lagoa uniu literatura, ciência e artes cénicas para envolver toda a comunidade educativa num projeto de valorização cultural que superou as barreiras da insularidade

Docentes interpretaram peça de teatro © ALDA CASQUEIRA

No coração do arquipélago, a Escola Básica Integrada (EBI) de Lagoa provou que a criatividade é a melhor bússola para encontrar novos mundos. Sob a coordenação de Alda Casqueira Fernandes, educadora de infância e responsável pela biblioteca escolar da EBI de Lagoa, a instituição levou a cabo uma nova edição da Semana da Leitura que, este ano, navegou pelo mote “Mar de Letras”. Esta iniciativa, que já se tornou um pilar fundamental no calendário pedagógico da região, não se limitou ao ato de ler, mas expandiu-se como um movimento multidisciplinar. Alda Casqueira Fernandes diz que se trata de uma “mescla de atividades que todas caminham no sentido da leitura”, procurando colmatar o facto de que, “estando numa ilha, num arquipélago, não é muito fácil termos contacto próximo com escritores”.

A docente explica que o conceito deste ano foi desenhado para abraçar a identidade da instituição como “Escola Azul”. Ao assumirem o compromisso com a preservação dos oceanos, a biblioteca decidiu que o livro deveria ser o barco que transporta os sonhos. O cenário central foi o “Bibliobarco”, uma peça pintada pelos alunos que serviu de metáfora para a própria vida. Segundo a coordenadora, o objetivo foi fazer a leitura não apenas dos textos, mas “também de modos de vida, de modos de estar na vida, formas de conhecer o outro”. A responsável recorda que a escolha do tema foi estratégica, pois “o barco poeticamente é capaz de fazer muita coisa. Podemos embarcar com os nossos sonhos, podemos embarcar na leitura”. A professora refere que “as letras por vezes andam à deriva, os livros às vezes andam à deriva também e alguém ainda não encontrou o seu livro favorito”, sendo esta semana a oportunidade ideal para esse encontro.

A programação foi um exemplo de como a educação pode ser multifacetada. A abertura contou com o Exército Português e o projeto “Missões de Paz”, seguida por sessões de ciência pelo Expolab e encontros com autores locais como Ana Isabel Arruda. Alda Casqueira Fernandes destacou ainda o projeto “Canta Comigo, Leia Contigo”, que há dez anos promove o livro na escola, e que incluiu uma sessão noturna para adultos intitulada “Ler e Contar Custa é Começar”, onde se partilharam “visões acerca do livro, experiências, memórias, afetos, tudo em volta do livro”. Para a responsável, o sucesso é visível na adesão dos estudantes, embora confesse uma limitação física: “Nunca conseguimos chegar a todos, porque nós somos uma escola com sete edifícios e numa semana nós não conseguimos neste espaço tão pequeno, que é a nossa biblioteca, tão pequeno mas tão acolhedor, comportar todos os alunos”. O desejo de uma nova escola, é antigo: “seria um sonho termos uma escola nova onde pudessem todos participar e todos caber”.

A celebração atingiu o seu auge no Dia Mundial do Teatro, com a peça “A Capuchinho Vermelho na Floresta de Água”, produzida inteiramente pelos educadores da EBI de Lagoa. “Desde cenografia, sonoplastia, tudo foi feito por nós”, realça com orgulho, evidenciando o espírito de entrega da equipa. Além das artes, a tecnologia marcou presença com lembranças produzidas em impressoras 3D. Com a entrega dos prémios “Top Leitor”, a Semana da Leitura encerrou com a certeza de que, através deste “Mar de Letras”, a escola cumpriu a sua missão de ser uma espécie de “farol do conhecimento”.