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Ribeira Grande prepara-se para o Mundial 2026 com o projeto “Pintar Portugal”

Município confirma criação de ‘fan zones’ para acompanhar a Seleção Nacional num ambiente de festa, após encontro entre autarquias e a Federação Portuguesa de Futebol

© CM RIBEIRA GRANDE

A Ribeira Grande, na ilha de São Miguel, vai ser um dos pontos centrais de apoio à Seleção Nacional durante o Campeonato do Mundo de 2026, ao aderir oficialmente ao projeto “Pintar Portugal”. Esta iniciativa, promovida pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF), visa a criação de ‘fan zones’ em todo o território nacional, permitindo que os adeptos acompanhem a caminhada lusa no torneio que terá lugar no Canadá, México e EUA. O anúncio foi formalizado pelo presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Jaime Vieira, após a sua participação num encontro em Lisboa que reuniu autarcas de todo o país a convite da estrutura máxima do futebol português.

Segundo a nota enviada pela autarquia ao Diário da Lagoa, o município compromete-se a transmitir não só os jogos da equipa das Quinas, mas também as grandes finais da competição, que decorre entre 11 de junho e 19 de julho. Para Jaime Vieira, estas áreas de lazer representam muito mais do que a mera visualização de desporto, sendo “espaços de convívio e partilha, onde a população poderá acompanhar os jogos da Seleção Nacional em ambiente festivo, promovendo o espírito de união e identidade coletiva”. O autarca aproveitou o momento para reforçar a visão estratégica do executivo, sublinhando o papel do desporto como uma ferramenta essencial de inclusão social e bem-estar para os ribeiragrandenses.

A participação no projeto serviu também para que a voz da região fosse ouvida junto das instâncias nacionais. Durante a sua intervenção no evento, o presidente da câmara lançou um desafio direto à Federação Portuguesa de Futebol para que esta intensifique a sua presença nas Regiões Autónomas. Jaime Vieira deixou um convite formal para que os órgãos da FPF se desloquem à Ribeira Grande, reforçando a importância de descentralizar as iniciativas da federação e aproximar os organismos nacionais da realidade desportiva dos Açores.

Setor agrícola reune-se em Santana para debater o futuro do milho forrageiro

III Encontro Micaelense da Cultura do Milho Forrageiro juntou cerca de 400 profissionais no Parque de Exposições para discutir inovação, sustentabilidade e nutrição animal

© AASM

O Parque de Exposições de São Miguel, em Santana, na Ribeira Grande, foi esta segunda-feira, 23 de março, o palco de uma mobilização do setor primário regional, recebendo cerca de 400 participantes no III Encontro Micaelense da Cultura do Milho Forrageiro. A iniciativa, promovida pela Associação Agrícola de São Miguel (AASM) em parceria com a Cooperativa União Agrícola (CUA), revelou-se um espaço de partilha de conhecimento técnico e de convívio entre os lavradores da ilha.

De acordo com a nota de imprensa enviada pela organização ao Diário da Lagoa, o evento focou-se na apresentação de soluções práticas para otimizar a produção de milho, uma cultura estratégica para a sustentabilidade das explorações leiteiras nos Açores.

A sessão técnica foi marcada por uma abordagem multidisciplinar, começando pela importância nutricional desta cultura. O engenheiro zootécnico Filipe Martins detalhou o papel fundamental do milho na dieta dos bovinos leiteiros, sublinhando como a qualidade da forragem impacta diretamente a produtividade e a saúde do efetivo. A vertente ambiental e a eficiência da fertilização também estiveram no centro do debate, com os engenheiros agrónomos Filipe Afonso e Joana Fonseca a apresentarem as soluções de adubos estabilizados ENTEC, destacando a sua natureza “amiga do ambiente” na nutrição das plantas.

Numa fase em que os produtores preparam as decisões para a nova campanha, o encontro serviu ainda para a divulgação de novas variedades de sementes e estratégias de proteção das culturas. Esta componente técnica esteve a cargo dos engenheiros agrónomos José Luís Amaro, Manuel Ferreira e Sofia Ferreira, que apresentaram as soluções da Bayer adaptadas aos desafios fitossanitários atuais.

Segundo a AASM, o grande propósito deste fórum foi “incentivar a partilha de conhecimento e a troca de experiências entre os profissionais do setor agrícola”, objetivo que se cumpriu tanto no rigor das intervenções como no momento de convívio que encerrou a jornada, reforçando os laços da comunidade agrícola micaelense.

Governo investe 866 mil euros em viaturas de comando tático para os bombeiros dos Açores

Presidente do executivo açoriano, José Manuel Bolieiro, presidiu à entrega de 19 veículos destinados a reforçar a capacidade operacional e a coordenação de socorro em todas as ilhas, num investimento suportado integralmente por fundos regionais

© MIGUEL MACHADO

O Governo regional dos Açores procedeu esta segunda-feira, 23 de março, à entrega de 19 veículos de Auto Comando Tático aos corpos de bombeiros do arquipélago e ao Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores (SRPCBA), num investimento público que ascende aos 866 mil euros.

A cerimónia, que teve lugar no pavilhão da Associação Agrícola de São Miguel, na Ribeira Grande, contou com a presença do líder do executivo, José Manuel Bolieiro, que, segundo nota enviada pela Presidência do Governo, sublinhou o impacto direto desta medida na segurança das populações. Das viaturas entregues, 17 destinam-se a cada uma das corporações da região, enquanto duas reforçam a estrutura do SRPCBA, garantindo uma uniformização de meios e padrões operacionais em todo o território.

Durante o ato oficial, que contou também com a participação do secretário regional do Ambiente e Ação Climática, Alonso Miguel, e do presidente do SRPCBA, Rui Andrade, José Manuel Bolieiro destacou a autonomia financeira desta aquisição. “Estas viaturas, adquiridas com financiamento exclusivo da região, isto é, sem qualquer cofinanciamento comunitário, o que representa muito para a região, significam mais um passo firme na valorização dos nossos corpos de bombeiros, nas suas capacidades de resposta, comando e controlo das operações, bem como no seu potencial de organização”, enalteceu o governante. Os novos veículos estão equipados com material específico para a instalação de postos de comando inicial, permitindo uma resposta mais eficaz e organizada perante situações de emergência em cada concelho.

A atribuição destes meios baseou-se em critérios de exigência operacional, inserindo-se numa estratégia mais ampla de renovação de frotas iniciada em maio de 2025. O presidente do governo aproveitou a ocasião para recordar que o investimento total na capacitação da proteção civil e bombeiros já atingiu os oito milhões de euros, abrangendo a compra de 14 viaturas de combate a incêndios, 21 ambulâncias de socorro e 70 monitores desfibrilhadores. “Este investimento tem uma finalidade: servir as pessoas, e não apenas na reação e resposta à calamidade e ao sinistro, mas sobretudo pela capacidade preventiva e de resiliência”, afirmou Bolieiro, revelando ainda que estão previstas para breve novas entregas de viaturas pesadas às corporações da Horta e da Povoação.

No encerramento da sessão, que coincidiu com o Dia Mundial da Meteorologia, foi também enaltecida a cooperação com o IPMA e o reforço da rede de radares meteorológicos nas ilhas como peça fundamental para a antecipação de riscos e salvaguarda de vidas e bens.

Lagoa reforça apoio alimentar com entrada em funcionamento de Cantina Social

Iniciativa arranca esta segunda-feira e visa garantir refeições diárias e acompanhamento digno a cidadãos em situação de vulnerabilidade extrema

© DIÁRIO DA LAGOA

A partir desta segunda-feira, 23 de março, dá-se início na cidade da Lagoa, ilha de São Miguel, à operacionalização da Cantina Social, uma resposta estruturada para reforçar o apoio alimentar no concelho. Segundo a nota de imprensa enviada pela Câmara da Lagoa, esta valência surge da articulação direta com os parceiros da rede social local e foca-se em garantir o acesso diário a uma refeição digna para pessoas em situação de vulnerabilidade. O circuito de funcionamento e os procedimentos logísticos já foram definidos, permitindo que esta resposta social entre imediatamente no terreno para mitigar situações de carência grave no território lagoense.

A Cantina Social é o culminar de um trabalho de cooperação entre o Núcleo de Ação Social (NAS), o Centro Social e Cultural da Atalhada, a Associação Novo Dia e o município, integrando respostas que já existiam de forma isolada para criar uma rede de apoio mais eficaz e próxima. A sinalização dos beneficiários será realizada de forma criteriosa pela equipa técnica do NAS, pelo Gabinete de Ação Social (GAS) da Câmara Municipal e pelas entidades que compõem o Centro de Intervenção TEAR (Transformar, Educar, Acolher, Reabilitar). O critério de prioridade será dado a situações de exclusão social grave, embora a rede preveja a inclusão pontual de pessoas com carência económica comprovada mediante informação social.

No plano operacional, a Equipa de Rua da Associação Novo Dia assume um papel central na distribuição das refeições e no controlo de assiduidade dos utentes. Esta parceria assegura ainda uma comunicação semanal com os serviços de ação social da autarquia, garantindo que o apoio não se limite à alimentação, mas inclua também o acompanhamento e a atualização constante da situação de cada beneficiário.

Lagoa transforma janelas e varandas em palcos de poesia local

O concelho celebra o Dia Mundial da Poesia com uma iniciativa que leva excertos literários ao espaço público de todas as freguesias, contando com o envolvimento direto dos residentes e a curadoria de vozes femininas da literatura açoriana

© CM LAGOA

O Dia Mundial da Poesia está a ser assinalado no concelho da Lagoa, na ilha de São Miguel, com a iniciativa “Versos à Janela: um encontro entre a cidade e a poesia”. Segundo a nota de imprensa enviada pela Câmara da Lagoa, este projeto da Biblioteca Municipal Tomaz Borba Vieira estende-se a todo o território concelhio entre os dias 23 e 27 de março, instalando a literatura no quotidiano da comunidade através de janelas e varandas cedidas pelos próprios munícipes.

A iniciativa, que se assume como um projeto comunitário de proximidade, conta com a parceria ativa de todas as Juntas de Freguesia do concelho, que selecionaram uma rua por localidade para acolher estas intervenções poéticas, permitindo que os transeuntes encontrem a literatura de forma inesperada nos seus trajetos habituais.

A curadoria dos textos esteve a cargo de Leonor Sampaio da Silva e Paula de Sousa Lima, figuras de relevo no panorama literário e académico regional. No lançamento do desafio, as curadoras propuseram a seleção exclusiva de excertos de escritoras, numa escolha simbólica que pretende também evocar o mês em que se assinalou o Dia Internacional da Mulher. O conceito inspira-se numa ação original da Casa Fernando Pessoa, desenvolvida durante o período da pandemia, tendo sido agora adaptada à realidade local e ampliada para envolver a participação direta dos moradores da Lagoa.

Para a vereadora da Educação e Cultura, Albertina Oliveira, esta proposta de “poesia a céu aberto” pretende ser “acessível, próxima e surpreendente”. A autarca destaca que se trata de uma “forma de levar a cultura para onde a vida acontece e de transformar a cidade num espaço de leitura e de partilha”, deixando um convite à comunidade para que percorra as ruas do concelho, levante o olhar e se deixe tocar pelas palavras, reforçando a ideia de que “a cidade também se lê e a poesia também se vive”.

O projeto ganha ainda maior dimensão com o prestígio das suas curadoras. Leonor Sampaio da Silva, natural de Ponta Delgada e Professora Associada na Universidade dos Açores, é uma autora reconhecida cujo romance “Passagem Noturna” foi finalista do Prémio LeYa em 2023. Já Paula de Sousa Lima, residente na Lagoa e mestre em Literatura Portuguesa, é uma colaboradora regular da imprensa regional e autora premiada, tendo vencido o prémio Daniel de Sá com a obra “O Outro Lado do Mundo” e figurado também entre os finalistas do Prémio LeYa com o romance “O Paraíso”.

Através desta colaboração entre a autarquia, a academia e os cidadãos, a Câmara Municipal diz que pretende reafirmar o seu compromisso com a democratização do acesso à cultura e a valorização do património literário no coração das suas freguesias.

“O pobre tem de ser o altar da Igreja”: encontro em Ponta Delgada exige mudança estrutural na resposta à pobreza

Encontro da Pastoral Social, realizado em Ponta Delgada, lançou um alerta contundente para a realidade da pobreza na região, destacando as suas causas estruturais e desafiando a Igreja a assumir um papel mais ativo, próximo e transformador junto dos mais vulneráveis

© IGREJA AÇORES/CR

“O serviço aos pobres é o maior desafio colocado aos discípulos.” A afirmação do bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, abriu um encontro promovido pelo Serviço Diocesano da Pastoral Social “Dilexi te- o amor para com os pobres” onde o apelo à urgência da ação dos cristãos foi uma constante. Sublinhando a necessidade de disponibilidade total, o prelado deixou um apelo claro para que ninguém falte na assistência ao irmão, sobretudo na resposta às necessidades concretas dos mais vulneráveis.

Num retrato detalhado da situação nos Açores, a presidente do Conselho Ecomómico e Social dos Açores, Piedade Lalanda, rejeitou uma leitura fatalista da pobreza lembrando que “se trata de um problema estrutural” que deve ser “atacado nas causas” de forma a inverter a tendência dos anos em que “poucos alimentaram a pobreza de muitos”.

A socióloga, que já foi responsável por este serviço da Igreja, destacou indicadores preocupantes, relativos aos Açores.

“Temos uma das mais elevadas taxas de baixa escolaridade do país”, associada à iliteracia e ao abandono escolar precoce. Apesar de medidas como a rede Valorizar, alertou que “mitiga o problema, mas estruturalmente não o resolve”, existindo ainda “um número de jovens que sai do sistema educativo sem a escolaridade obrigatória”.

A pobreza, disse, atinge de forma particularmente dura as famílias.

“Em 2024, incide sobretudo nas famílias monoparentais, com 87,3%”, referiu, acrescentando o paradoxo de os Açores serem uma região “católica” com “a taxa de divórcio mais alta do país”. Também as famílias com crianças enfrentam maior risco, num contexto agravado pela precariedade laboral: “Não se pode pedir a pessoas com instabilidade laboral que tenham filhos”.

Outro dado marcante é o número de trabalhadores pobres: “Temos mais de 11 mil trabalhadores cujos salários não suportam as dificuldades do dia a dia”. A isto juntam-se problemas de habitação, como a sobrelotação, que “pode ser um subproduto do turismo”, e desigualdades de género, com “as mulheres, sobretudo em idades mais avançadas, mais atingidas pela pobreza”.

Apesar de a taxa de risco de pobreza se situar nos 17,3%, Piedade Lalanda alertou: “Se não existissem apoios sociais, seria de 40%”, evidenciando a fragilidade estrutural da sociedade.

© IGREJA AÇORES/CR

Num plano mais pastoral e teológico, o padre José Júlio Rocha aprofundou o significado da pobreza no cristianismo, distinguindo “a pobreza como escolha e modelo de vida” da “pobreza imposta”. A partir da enciclícia Dilexi Te, do papa leão XIV, recordou que “Jesus foi as duas coisas”, nascendo “numa manjedoura porque não havia lugar para ele”, foi migrante e refugiado e viveu sem “onde reclinar a cabeça”.

O sacerdote foi crítico em relação à evolução histórica da Igreja: “Com a ideia de poder, a Igreja deixou de dar testemunho e começou a impor a fé… e perdeu os pobres”. Defendeu que a instituição enfrenta hoje um desafio profundo: “A Igreja precisa de uma conversão estrutural e não está preparada para o fazer”.

Questionando diretamente os presentes, lançou um desafio incómodo: “Estaremos disponíveis para acolher o pobre que está no campo de São Francisco, que rouba para se drogar, e encontrar nele o altar sagrado? Não estamos”. Para o sacerdote, a mudança passa por recentrar prioridades: “A Igreja é toda pastoral social” e deve “debruçar-se sobre os pobres em vez de dar prioridade a outras pastorais, detidas em ritos”.

Também criticou uma visão assistencialista: “O pobre não pode ser objeto da minha esmola”, defendendo uma relação de igualdade e comunhão.

“Quando o pobre for o altar da Igreja e não o barroco ou o incenso, então estaremos no caminho”, afirmou depois de ter alertado para o perigo de um “cristianismo aburguesado” e “por vezes muito afastado das realidades mais duras e periféricas” da sociedade.

Já, no período de debate, Piedade Lalanda retomou esta ideia, reconhecendo que “a Igreja que dava primazia aos mais ricos existiu e continua a existir”, mas alertou: “Isso não combate a pobreza”. Defendeu uma mudança de atitude transversal: “Se um empresário, um professor, um enfermeiro agir de forma diferente, então podemos iluminar o presente”.

A necessidade de uma ação concreta e humanizada foi outro ponto forte, lembrando-se que a prática da compaixão deve ser uma prioridade na pastoral social da Igreja.

“O que dói na dor é não ter um ombro para chorar… a nossa indiferença carrega mais”, rematou o padre José Júlio Rocha.

Durante este encontro, Verónica Rego do Instituto de Segurança Social dos Açores, teve ainda tempo de elencar as linhas mestras da ação social desenvolvida pelo poder público.

No encerramento, Aldina Gamboa, diretora do Serviço Diocesano da Pastoral Social, deixou uma mensagem de esperança e compromisso coletivo: “A vossa presença é um sinal de primavera… que deste encontro brote uma vida nova para a pastoral social”. E concluiu com um apelo direto: “Saibamos estender a mão e abrir o coração… o mundo está a precisar de afeto, e ele não deve impedir-nos de intervir”.

Vila Franca do Campo reúne com empresários para fortalecer economia local

Encontro estratégico visa reunir a autarquia com os empresários e representantes do tecido comercial de todo o concelho

© DIÁRIO DA LAGOA

A Câmara Municipal de Vila Franca do Campo agendou para o próximo dia 25 de março, pelas 18h00, no Auditório do Centro Cultural local, um encontro estratégico que vai reunir a autarquia com os empresários e representantes do tecido comercial de todo o concelho.

Esta iniciativa, que nasce de uma vontade expressa da presidente da câmara municipal, Graça Melo, surge num momento em que a proximidade entre o poder local e os agentes económicos se revela fundamental para a estabilidade do território. O principal propósito desta sessão é estabelecer um canal de comunicação direto e sem intermediários, permitindo que o executivo municipal ouça as preocupações reais de quem gere negócios na região, recolhendo contributos e sugestões que possam ser integrados na estratégia de desenvolvimento do município, ao mesmo tempo que se identificam com precisão as dificuldades mais prementes sentidas no atual contexto económico.

Mais do que uma mera reunião de auscultação, este evento pretende consolidar-se como um espaço de diálogo contínuo e de partilha de experiências, onde o município e o setor empresarial possam, em conjunto, desenhar soluções que promovam o fortalecimento da economia local e garantam um crescimento sustentável para Vila Franca do Campo. A autarquia faz questão de sublinhar o papel que as empresas desempenham na dinamização social e económica da região, reconhecendo publicamente a resiliência e a capacidade de adaptação que estes agentes têm demonstrado perante os desafios globais.

O investimento contínuo feito pelos empresários locais é visto pela câmara como um pilar essencial para a valorização do território, justificando-se assim a necessidade de uma parceria mais estreita e colaborativa.

A presidente da câmara municipal, Graça Melo, reforça esta visão de cooperação ao afirmar que o objetivo da autarquia é criar um ecossistema onde todos os que investem e geram postos de trabalho sintam que o município é um parceiro ativo, atento e verdadeiramente comprometido com a implementação de soluções concretas para os problemas do dia a dia.

Com esta iniciativa, Vila Franca do Campo reafirma a sua estratégia de apoio ao empreendedorismo e à fixação de empresas, apostando na transparência e no trabalho conjunto para enfrentar as volatilidades do mercado e potenciar as oportunidades de negócio que o concelho oferece. Este encontro marca assim um passo importante na definição de políticas públicas que não são apenas desenhadas nos gabinetes, mas que resultam do contacto direto com a realidade económica do terreno.

Ponta Delgada duplica investimento no ‘Housing First’ após sucesso de 100% na integração de sem-abrigo

O programa garante habitação imediata e apoio técnico a pessoas em situação de sem-abrigo crónica com problemas de dependências

© CM PONTA DELGADA

O Município de Ponta Delgada anunciou que vai duplicar o investimento no programa PDL Housing First durante o presente ano, após uma reunião de balanço que confirmou uma taxa de sucesso de 100% na eficácia do modelo.

A Vereadora da Ação Social, Cristina do Canto Tavares, sublinhou que o projeto, implementado de forma pioneira na Região em 2023, deixou de ser uma experiência piloto para se afirmar como uma estratégia consolidada no combate ao fenómeno das pessoas em situação de sem-abrigo e com dependências. Atualmente, a iniciativa resulta de um esforço articulado entre a autarquia, a Associação Novo Dia e a Associação Crescer, disponibilizando habitação imediata a seis pessoas que se encontravam numa situação crónica de vulnerabilidade.

Durante o encontro de trabalho, Américo Nave, diretor da Associação Crescer, enalteceu a visão política do Município e destacou o trabalho técnico “espetacular” desenvolvido, notando que até hoje não se verificou qualquer retrocesso no percurso dos utentes. Esta visão foi partilhada por Hélder Fernandes, coordenador técnico da Associação Novo Dia, que reforçou a importância da supervisão e do apoio municipal para que a intervenção se traduza em resultados concretos na vida dos inquilinos.

O modelo Housing First assenta na premissa de que a habitação é um direito fundamental, priorizando o fornecimento de uma casa segura antes de qualquer outra condição, oferecendo depois suporte individualizado para lidar com desafios de saúde e integração.

Cristina do Canto Tavares manifestou satisfação com os indicadores de sucesso, que incluem a redução de consumos, a diminuição de situações de vitimação e a adesão voluntária a cuidados de saúde. Para a autarca, estes passos representam conquistas gigantes para quem vivia na rua, inserindo-se numa estratégia municipal mais ampla que nunca investiu tanto na área da Ação Social.

Contudo, a vereadora deixou um alerta sobre a necessidade de descentralização, lembrando que cerca de metade das pessoas em situação de sem-abrigo em Ponta Delgada provêm de outros concelhos. Reitera, por isso, que o combate a este flagelo exige um trabalho em rede em toda a ilha de São Miguel, de forma a reduzir a pressão social excessiva sobre o território da capital.

Do Torreão da Fajã: A energia que consumimos não é apenas uma questão de euros

Bruno Pacheco

A energia é apenas uma questão de preço? Não. É, acima de tudo, uma questão de energia líquida disponível para a sociedade.

É aqui que entra o EROI (Energy Return on Energy Invested): mede quanta energia conseguimos disponibilizar por cada unidade de energia que gastamos na produção. É o “lucro energético” de um sistema.

Quando é elevado, há excedente para sustentar o crescimento e os serviços. Quando é baixo, o sistema começa a consumir-se a si próprio.

Nos Açores, tomando São Miguel como referência — pela sua dimensão e maior diversificação —, são visíveis sinais de degradação do EROI na produção baseada em combustível pesado (HFO). A cadeia é longa e intensiva: extração, refinação, transporte marítimo, armazenamento e conversão térmica com eficiências limitadas.

Considerando estes fatores, o EROI da produção térmica situa-se hoje entre 5 e 8, podendo degradar ainda mais em contextos de instabilidade ou de aumento do preço do petróleo.

Mas é fora de São Miguel que o problema se agrava. Nas restantes ilhas, de menor escala, maior fragmentação e maior dependência de gasóleo, o EROI é ainda mais baixo. A ausência de economias de escala e a maior intensidade logística tornam estes sistemas estruturalmente mais frágeis. Em muitos casos, uma parte crescente da energia é consumida apenas para garantir o abastecimento.

As consequências são diretas: menor competitividade, menor resiliência e menor capacidade de gerar riqueza.

Os custos recentes, de cerca de 230 €/MWh, que podem atingir 400 €/MWh, não são apenas um problema financeiro. Representam um aumento da energia necessária para produzir…energia. Ou seja, menos energia líquida disponível para a economia. Mais recursos gastos sem retorno.

Este é o verdadeiro risco: um sistema pode funcionar financeiramente, suportado por mecanismos regulatórios, mas degradar-se energeticamente. E isso não se resolve por via administrativa.

Por outro lado, a complexidade logística e a concentração da cadeia de abastecimento agravam ainda mais este cenário. Em sistemas isolados, qualquer ineficiência se amplifica.

Perante isto, a questão é estratégica. Qual o caminho?

O caminho é claro: aumentar a produção local com base em fontes endógenas, diversificar as tecnologias e atrair investimento externo. Não por ideologia, mas por necessidade.

Por exemplo, a energia solar, mesmo em contexto insular, apresenta EROI entre 8 e 15. Com armazenamento, reduz-se, mas com vantagens decisivas: produção local, menor dependência e maior previsibilidade.

Mas, mais importante, estes sistemas melhoram o desempenho global. Ao reduzir a necessidade de centrais térmicas ineficientes e estabilizar a rede, aumenta a eficiência do conjunto, sobretudo nas ilhas mais pequenas.

Assim, é óbvio que o debate não pode limitar-se ao preço do combustível. Deve centrar-se numa pergunta essencial: quanta energia útil conseguimos disponibilizar à sociedade? Porque é isso que define a sustentabilidade de um sistema elétrico.

Não estamos apenas a pagar caro pela energia. Estamos, cada vez mais, a gastar energia para conseguir energia. E esse fenómeno é mais intenso, e mais preocupante, nas ilhas mais pequenas, mais isoladas e mais dependentes.

Do Torreão da Fajã seguimos atentos, olhando o mar e projetando o futuro.

Biblioteca Tomaz Borba Vieira recebe “Histórias Requinhas” para tarde mágica em família

Biblioteca volta a ser o palco da iniciativa “Sábado em Família” no próximo dia 28 de março. A sessão de narração oral, conduzida por um grupo com 15 anos de experiência, promete uma viagem pelo mundo da imaginação aberta a todas as gerações

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A Biblioteca Municipal Tomaz Borba Vieira, na cidade da Lagoa, em São Miguel, reafirma a sua aposta na promoção da literacia e no fortalecimento dos laços comunitários com a realização de mais uma edição do projeto “Sábado em Família”. Segundo a nota de imprensa enviada pela Câmara Municipal da Lagoa à nossa redação, o evento terá lugar no dia 28 de março, pelas 16h00, nas históricas instalações do Convento de Santo António.

Sob o mote “Uma sessão para rir, sonhar e viajar sem sair do lugar!”, o encontro desta vez conta com a participação especial do grupo «Histórias Requinhas», coletivo que se dedica à arte de contar histórias como ferramenta de aproximação entre pais, filhos e o objeto livro. O grupo convidado, que iniciou o seu percurso em 2011, traz à cidade da Lagoa uma bagagem sólida na mediação de leitura. Com foco no despertar lúdico para o universo literário, as «Histórias Requinhas» têm investido continuamente em novas técnicas de narração oral e expressividade, transformando cada sessão num momento de performance envolvente. Ao longo dos anos, o coletivo tem colaborado com diversas bibliotecas e espaços culturais, especializando-se em ciclos de contos que privilegiam a proximidade com o público e a estimulação da criatividade tanto em crianças como em adultos.

A iniciativa, promovida pela autarquia lagoense através da sua biblioteca municipal, é de participação aberta ao público e não requer inscrição prévia, convidando as famílias da freguesia de Santa Cruz e de todo o concelho a desfrutarem de uma tarde diferente.