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Ribeira Grande promove primeira edição do “Fórum Mulheres” para assinalar o 8 de março

Iniciativa dedicada ao empreendedorismo e à valorização feminina reuniu centenas de participantes na incubadora de empresas InWave

© CM RIBEIRA GRANDE

O Dia Internacional da Mulher foi assinalado no concelho da Ribeira Grande, ilha de São Miguel, pela Câmara Municipal com a realização da primeira edição do “Fórum Mulheres (Que criam, partilham e transformam)”. O evento teve lugar no passado sábado nas instalações da InWave – Incubadora de Empresas da Ribeira Grande.

De acordo com nota de imprensa enviada às redações pela autarquia ribeiragrandense, a iniciativa foi concebida como um espaço de valorização e reconhecimento do papel feminino na sociedade, reunindo centenas de pessoas provenientes de vários pontos da ilha de São Miguel. O programa do evento pautou-se pela diversidade, integrando painéis de partilha sobre empreendedorismo no feminino, workshops dedicados à imagem pessoal e maquilhagem, um desfile de moda e diversos momentos musicais. Segundo o comunicado, o presidente da autarquia, Jaime Vieira, destacou que o evento representa um marco para o concelho ao celebrar a figura feminina em múltiplas vertentes. “Este fórum foi pensado para celebrar a mulher em todas as suas dimensões: a mulher trabalhadora, a mulher mãe, a mulher criativa e a mulher que cuida de si”, afirmou o autarca.

Durante a sua intervenção, Jaime Vieira sublinhou a importância de honrar a determinação e as conquistas femininas, reiterando o compromisso do poder local na promoção da igualdade de género. “Queremos honrar os direitos das mulheres, a sua coragem, iniciativa e determinação, bem como celebrar as suas conquistas e despertar consciências contra qualquer forma de discriminação”, reforçou o presidente, acrescentando que cabe às autarquias “criar condições para que todas as mulheres tenham oportunidades justas, sintam segurança, tenham mais respeito e mais espaço para participar nas decisões que moldam o futuro da nossa comunidade”.

Face ao interesse demonstrado pelo público e à elevada adesão registada nesta estreia, o presidente da câmara comprometeu-se a repetir a iniciativa em edições futuras. O autarca aproveitou ainda a ocasião para deixar uma mensagem de reconhecimento a todas as gerações, concluindo que “a todas as mulheres que contribuíram para a nossa história, que hoje constroem o presente e às que irão moldar o nosso futuro, deixo uma palavra de profunda gratidão e admiração”.

Casa dos Açores do Espírito Santo celebra 504 anos das Romarias Quaresmais

Iniciativa no Estado brasileiro de Espírito Santo inclui momento de oração, celebração religiosa e exposição fotográfica dedicada aos romeiros

Casa dos Açores do Espírito Santo, no Brasil, foi inaugurada no dia 25 de julho de 2022 © DIREITOS RESERVADOS

A Casa dos Açores do Espírito Santo (CAES), no Brasil, promove, no próximo dia 10 de março, a quarta Romaria Quaresmal, integrada nas comemorações dos 504 anos das Romarias Quaresmais, uma das mais marcantes tradições religiosas açorianas.

O encontro terá início às 18h30 com o Terço dos Homens e Mulheres, momento de oração que reúne fiéis e participantes num ambiente de recolhimento e partilha espiritual.

Pelas 19h15 locais, terá lugar uma celebração presidida pelo padre Beto, na Capela Nossa Senhora Mãe de Deus, reforçando o caráter religioso da iniciativa e evocando a tradição das romarias que marcam o período quaresmal nos Açores.

Além dos momentos de oração e celebração, o programa inclui também a mostra fotográfica “Rostos de Fé”, dedicada aos romeiros e à vivência desta tradição secular, que ao longo de mais de cinco séculos tem marcado a identidade religiosa e cultural açoriana.

A iniciativa integra as comemorações dos 504 anos das Romarias Quaresmais (1522–2026) e pretende reunir a comunidade para assinalar e preservar uma das mais emblemáticas manifestações de fé dos Açores.

Neste sentido, a organização convida todos os interessados a participar neste momento de celebração e convívio.

TEAR: “Este serviço de proximidade elimina barreiras geográficas”

Falámos com diferentes responsáveis das várias instituições que trabalham no Centro de Intervenção Social TEAR na Lagoa. Há mais pessoas a recorrer aos serviços da instituição sobretudo vítimas de violência doméstica

Responsáveis das diferentes entidades reúnem-se uma vez por mês para fazer um balanço do trabalho feito © DIÁRIO DA LAGOA

Um tear é uma máquina de tecer, onde com pequenas tramas se fazem tecidos. No Centro de Intervenção “TEAR” – Transformar, Educar, Acolher, Reabilitar, localizado na freguesia de Santa Cruz, na Lagoa, não se tecem roupas ou mantas mas tecem-se competências e emoções para fortalecer os tecidos mais frágeis da sociedade.

“O TEAR funciona naquele edifício, que nós temos ali em frente à câmara da Lagoa. As entidades, algumas estão de segunda a sexta, outras não. As pessoas podem dirigir-se aqui presencialmente, ou por contato, ou por referenciação” começa por explicar Graça Costa, vereadora da câmara da Lagoa, com os pelouros da Ação Social e Saúde. No mesmo espaço, encontram-se várias instituições: a Associação Novo Dia, a Arrisca – Associação Regional de Reabilitação e Integração Sociocultural dos Açores, a APAV – Associação Portuguesa de Apoio à Vítima e a Kairós. 

O Diário da Lagoa esteve à conversa com os responsáveis de três destas quatro instituições no edifício dos Paços do Concelho junto com a vereadora Graça Costa. 

“ Só os técnicos podem atender as pessoas naquele local e é uma forma também de dar uma resposta descentralizada e de proximidade às pessoas”, destaca a autarca.

Uma vez por mês, os responsáveis das várias instituições que formam o TEAR, reúnem-se para fazer um balanço da rede. “ Acho que é sempre muito importante quando juntamos o grupo e nestas reuniões mensais vão surgindo várias ideias, várias propostas e também fazemos diagnóstico das necessidades”, sublinha Silvia Branco, da APAV. 

“A APAV tem uma abrangência maior, não só no público-alvo, mas também nos tipos de crime. Fazemos apoio a vítimas de crimes patrimoniais, furtos ou abusos, ofensas à integridade física, violência sexual, ou seja, o nosso leque de intervenção é muito abrangente. O fato de nós termos aqui um espaço físico aqui na Lagoa permite-nos chegar a mais pessoas aqui do concelho de Lagoa. Este serviço de proximidade elimina barreiras geográficas”, considera Silvia Branco. A responsável indica que há cada vez mais pessoas a recorrer aos serviços da APAV: “qualitativamente, nós temos cada vez mais pessoas a solicitarem o nosso apoio. As pessoas estão cada vez mais informadas. Por isso, este registo de aumento é importante e significa que uma pessoa informada pode, efetivamente, fazer valer aqueles que são os seus direitos”. 

Quem recorre aos serviços da associação são sobretudo mulheres, vítimas de violência doméstica. “Maioritariamente são vítimas de violência doméstica, aquilo que nós sentimos é que as vítimas dão o primeiro passo ou alguém dá por elas. Nós sabemos que o crime de violência doméstica é um crime que toca na esfera privada das pessoas, é um crime que é difícil denunciar.Toda a situação tem um impacto, a nível psicológico, muito negativo. Mas, como também diziam aqui há pouco, a partir do momento em que conseguimos estabelecer uma relação de empatia, de confiança, vamos dando passos pequeninos”, acredita a responsável. 

O crime de violência doméstica é um crime público. “Todos nós temos esta obrigação de denunciar, mas a nós importa que a vítima, a nível psicológico, esteja bem, para que depois possa, efetivamente, dar início ao processo. E, a nível emocional, nem sempre as vítimas, no primeiro momento, estão capazes para o fazer”, alerta Silvia Branco. O que a APAV faz é “capacitar” as vítimas a prosseguir com as queixas “não só a nível psicológico, mas a nível de informação”. 

Equipas de rua ajudam quem mais precisa

Numa outra esfera de ação situa-se a Associação Novo Dia. “Nós temos aqui [na Lagoa] a equipa de Saúde na Rua, tal como também já existe em outros concelhos. A equipa começou em outubro e é constituída por um psicólogo, que sou eu, um enfermeiro e assistente social”, começa por explicar Alexandre Soares, da Novo Dia. Interage na exclusão social, ajudando quem vive na rua. “Podem ser pessoas que atualmente têm consumos e pretendem mantê-los. Pessoas que se encontram sem abrigo ou pessoas que estão à procura de tratamento “, sublinha o psicólogo. Alexandre Soares diz que “a Lagoa tem sido bastante desafiante” porque “somos uma equipa que vai ao encontro das pessoas, não ficamos à espera”. E para isso é preciso estabelecer vínculo com quem está na rua. Saem de quarta a sexta-feira: “Vamos nós comunicar e vamos conversar com as pessoas. Realmente é grande a diferença do dia-a-dia, porque nós vamos ao encontro das pessoas. Apesar de termos alguns momentos em que estamos aqui à guarda, mas a grande parte do nosso trabalho é sempre feito no terreno” destaca o responsável. “No início as pessoas ficam sempre um bocadinho desconfiadas, pensam que nós somos da polícia. Mas depois que começamos a estabelecer uma relação com os nossos utentes, as coisas realmente vão evoluindo. Os próprios utentes passam a palavra uns aos outros e realmente conseguimos ter aqui uma grande confiança, tal como já temos nos outros concelhos”, diz. 

Bio Kairós promove economia solidária na Lagoa

Numa espécie de fim da linha, está a Bio Kairós. A Kairós é uma cooperativa de incubação de economia solidária. A linha Bio, como o próprio nome indica, cultiva e produz produtos hortícolas e frutícolas biológicos, tendo uma das plantações na zona da Malaca, no Cabouco. Cada funcionário é devidamente remunerado e os produtos são de venda ao público e até chegam a hotéis de várias estrelas.“Promovermos a agricultura biológica e a integração e inserção de pessoas, essencialmente com doença e deficiência mental” explica Raquel Vargas, responsável pela Bio Kairós. “As pessoas que lá chegam têm de ter alguma estabilidade enquanto funcionários, mas para chegar a funcionários existe um percurso. E aí entra também esta parceria com a câmara municipal. Nós acabamos por ser privilegiados porque todas as equipas têm de intervir, desde a equipa da câmara, da Arrisca, do Novo Dia, a APAV, para depois eles chegarem à Bio Kairós com alguma estabilidade para que eles possam ver o retorno daquele esforço que tem vindo a ser feito por eles”, destaca a responsável.

Para isso, é preciso conseguir integrar, em quem tem mais dificuldades, rotinas simples como saber cumprir um horário laboral ou andar de autocarro. “O nosso trabalho é muito prático, é trabalhar muito a pessoa, precisamos muito uns dos outros. Esse projeto [TEAR] acho que é fundamental e muito necessário para que nós consigamos trabalhar um bocadinho melhor uns com os outros”, considera Raquel Vargas. Contribuir para a autonomia das pessoas, com maiores dificuldades, é um dos principais objetivos da cooperativa de economia solidária.

“Aquilo que fazemos com a prática agrícola é ensinar muito a relação com o outro, o respeito pelos colegas, perceber que é respeitado. As pessoas muitas vezes chegam lá e acham que estão sempre a fazer pouco deles, acham que a gente dizer para cumprir uma tarefa é fazer pouco. Fazemo-los perceber que todos fazemos o mesmo”, explica a responsável da Bio Kairós. “Não estamos a falar de pessoas que é fácil a intervenção, são pessoas que nunca foram aceites e fazermos ver que eles valem alguma coisa e que são válidos, não é fácil. Portanto, realmente, ter esse conjunto de pessoas que intervêm é muito bom, a Kairós neste momento é privilegiada”, considera. 

O TEAR tem diferentes horários de acordo com as diferentes associações que lá estão.

Contactos

Edifício que alberga a instituição TEAR fica junto aos Paços dos Concelho, em Santa Cruz © DIÁRIO DA LAGOA

Gabinete de Apoio à Vítima de Lagoa
Horário de Atendimento: Terça-feira e sexta-feira das 09h00 às 12h30.
E-mail: apav.lagoa@apav.pt | Telefone: 296 24 99 88 

Situação de exclusão social, a dormir na Rua?
Equipa de Saúde da Novo Dia
Horário de Atendimento: De Segunda-feira a Sexta-feira das 09h00 às 16h30.
E-mail : saudenarualagoa@novodia.org | Telefone: 296 24 99 85

A consumir drogas ou álcool, precisa de apoio?
Marque o atendimento com a equipa da ARRISCA
Email: arrisca.pdl@gmail.com | Telefone: 296 281 658

Engasgamento em bebés: saiba como prevenir e aprenda a agir

Ana Moutinho
Especialista em Pediatria no Hospital CUF Açores

O engasgamento em bebés é um dos maiores receios dos pais – e com razão, já que se trata de uma situação de emergência.

Nos primeiros meses, o bebé ainda está a aprender a coordenar a sucção, a deglutição e a respiração. Na segunda metade do primeiro ano de vida, quando começa a explorar o meio que o rodeia, pequenos objetos podem tornar-se em potenciais perigos.

As causas mais comuns que dão origem a este tipo de episódios incluem: um fluxo de leite demasiado rápido, uma posição inadequada durante a alimentação, a oferta de alimentos não apropriados à idade, e o acesso a pequenos objetos que são levados à boca.

É importante distinguir o engasgamento de um vómito ou regurgitação, pois no engasgamento verdadeiro, o bebé pode ficar silencioso, com dificuldade em respirar, com tosse ineficaz, ou coloração arroxeada dos lábios – a que chamamos cianose.

Recordo um caso, relatado pelos pais de um bebé de seis meses, que passaram por um susto durante a introdução de alimentos sólidos. Ofereceram um pedaço de maçã crua “para ele experimentar” e quando o bebé o levou à boca, engasgou-se e deixou de conseguir chorar. Felizmente, o pai tinha assistido a uma formação de primeiros socorros e soube agir de imediato. O desfecho foi positivo, mas poderia ter sido diferente.

Este caso ilustra dois pontos essenciais, quando falamos de engasgamento em bebés: a prevenção e a preparação para agir.

Algumas medidas simples reduzem significativamente o risco. No caso da alimentação através de biberão, é importante garantir que o fluxo é adequado, ou seja, que não existe uma saída do leite demasiado rápida. Na introdução dos alimentos sólidos, o bebé deve sempre ser alimentado sentado e com supervisão. Por outro lado, é importante evitar alimentos duros, redondos ou pequenos (como uvas inteiras ou cenoura crua), cortar os alimentos em pedaços apropriados e adaptar a textura à idade. A recomendação é que a introdução alimentar respeite o desenvolvimento do bebé, privilegiando texturas macias e seguras.

Mas, mesmo seguindo todas as medidas preventivas, pode acontecer um episódio de engasgamento. Nesse caso, o que fazer? Se o bebé estiver a tossir eficazmente e a chorar, os pais devem manter a calma e permitir que ele tente expelir o objeto sozinho, sob vigilância. Mas se não conseguir respirar, chorar ou tossir, se apresentar cianose, ou se houver perda de consciência, é necessário agir.

Em primeiro lugar, o bebé deve ser colocado de barriga para baixo, sobre o antebraço, com a cabeça mais baixa do que o tronco. Nessa posição, aplicar até cinco pancadas firmes entre as omoplatas. Se este procedimento não resultar, o bebé deve ser colocado de barriga para cima para realizar até cinco compressões torácicas, no centro do peito, com dois dedos. Os cuidadores devem alternar estas duas ações até à desobstrução das vias aéreas do bebé, ou até à chegada de ajuda médica, que deve ser acionada através do 112.

Ter formação em suporte básico de vida pediátrico aumenta a confiança e melhora a capacidade de resposta em situações críticas. O engasgamento é assustador, mas a informação certa faz toda a diferença. Se prevenir é o primeiro passo, saber agir pode salvar uma vida.

Lagoa prevê entregar as primeiras casas do PRR ainda este ano

Escassez de mão de obra no setor da construção condiciona ritmo das novas obras habitacionais

© CM LAGOA

A Câmara Municipal da Lagoa, na ilha de São Miguel, confirmou que pretende iniciar, ainda durante este ano, a atribuição dos primeiros contratos de arrendamento de novas habitações construídas no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). O anúncio foi feito pelo presidente da autarquia, Frederico Sousa, durante uma visita técnica a dois dos principais estaleiros em curso no concelho.

O projeto com maior impacto localiza-se na zona da Longueira, em Santa Cruz, onde a Estratégia Local de Habitação prevê a disponibilização de 36 novas casas distribuídas por seis blocos habitacionais. Paralelamente, na freguesia de Nossa Senhora do Rosário, decorre a construção de duas frações de tipologia T2, destinadas a famílias já inscritas no Regulamento Municipal de Habitação.

De acordo com comunicação enviada às redações pela câmara, apesar do avanço das estruturas, a conclusão dos projetos enfrenta desafios logísticos. Durante a visita, os empreiteiros responsáveis pelas obras alertaram o executivo para a acentuada escassez de mão de obra no setor, um fator que tem condicionado o ritmo da construção civil na região.

Segundo a autarquia lagoense, a estratégia para os próximos meses passa também pela aquisição de novos terrenos. O objetivo é reforçar a oferta de habitação a custos controlados e promover modalidades de autoconstrução para famílias com rendimentos que, embora estáveis, não conseguem aceder ao atual mercado privado de arrendamento.

XXV El Açor pretende transformar Ponta Delgada na capital das tunas

Com 25 anos de história e mais de 12 mil participantes acumulados, o festival internacional organizado pelos Tunídeos regressa ao Coliseu Micaelense

© TUNÍDEOS

O Coliseu Micaelense, na cidade de Ponta Delgada, prepara-se para receber, nos próximos dias 20 e 21 de março de 2026, a edição XXV do El Açor – Festival Internacional de Tunas. Organizado pelos Tunídeos – Tuna Masculina da Universidade dos Açores, o festival celebra o seu vigésimo quinto aniversário, reforçando um percurso que, desde o ano 2000, une gerações de estudantes e atrai grupos de vários pontos de Portugal e do estrangeiro.

Segundo nota enviada ao nosso jornal pelos Tunídeos, esta edição comemorativa contará com a participação de seis tunas a concurso, quatro tunas da casa e dois convidados especiais, num programa que, segundo a organização, promete fundir a tradição académica com a elevada qualidade musical que caracteriza o certame. A mística do festival será assegurada pelos Cavaleiros da Távola de Queijos que, desde a vigésima edição, assumem a condução do espetáculo, mantendo vivo o legado de humor e irreverência que outrora pertenceu aos Tunalhos.

Entre os momentos mais aguardados pelo público, que já ultrapassou a barreira dos 12 mil espetadores ao longo das últimas duas décadas, destaca-se a habitual exibição da curta-metragem produzida e interpretada pelos Tunídeos, peça que serve de prelúdio à sua atuação de encerramento do festival.

A organização sublinha ainda que o evento não se esgota no palco do Coliseu, prolongando-se por quatro dias de intensa atividade social na ilha de São Miguel, desde as festas de receção às tunas participantes até ao tradicional almoço de convívio que marca o fecho das celebrações.

Para chegar à diáspora açoriana, o festival manterá a sua aposta na transmissão via livestream através do canal oficial do grupo no YouTube, assegurando que o aniversário de prata do El Açor seja partilhado globalmente.

Bombeiros de Vila Franca do Campo celebram 38 anos com reforço operacional e homenagem às Mulheres

Associação Humanitária assinalou aniversário com a bênção de uma nova viatura e a assinatura de um protocolo de apoio com o Município

© CM VILA FRANCA DO CAMPO
A Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Vila Franca do Campo (AHBVVFC) celebrou, no passado dia 8 de março, o seu 38.º aniversário, assinalando quase quatro décadas de dedicação em prol da comunidade local. As comemorações, que contaram com a presença da presidente da Câmara Municipal, Graça Melo, acompanhada pelo seu executivo, serviram de palco para o reconhecimento público do trabalho desenvolvido pela corporação na proteção de pessoas e bens.
 
O programa oficial teve início com uma Missa Solene na igreja de São Pedro, presidida pelo Padre André Resendes. De seguida teve lugar uma homenagem no cemitério da vila em memória dos que serviram a instituição. Durante a Sessão Solene que se seguiu, o momento foi marcado por avanços práticos para a capacidade de resposta da corporação: foi assinado um novo protocolo de colaboração entre a Câmara Municipal e a AHBVVFC e procedeu-se à bênção de uma nova viatura entregue aos bombeiros. Na ocasião, a autarca Graça Melo destacou a importância estratégica dos soldados da paz para o concelho, sublinhando o papel essencial que desempenham na resposta às diversas situações de emergência do quotidiano.
 
A celebração ficou também marcada pelo Dia Internacional da Mulher. Num gesto simbólico de reconhecimento pelo seu contributo e dedicação, foram entregues ofertas a todas as mulheres que integram a corporação.

Lagoa homenageia profissionais do apoio domiciliário e promove saúde no Dia da Mulher

Iniciativa da autarquia reuniu mais de uma centena de participantes numa manhã que aliou o reconhecimento social à prática desportiva e ao bem-estar

© CM LAGOA

O Dia Internacional da Mulher foi assinalado na cidade da Lagoa este domingo, 8 de março, pela Câmara Municipal. De acordo com nota de imprensa enviada às redações pela autarquia lagoense, tratou-se de um programa que combinou a homenagem ao trabalho feminino com o incentivo a estilos de vida saudáveis. O evento, realizado pelo segundo ano consecutivo, contou com a participação de mais de uma centena de pessoas provenientes de todas as freguesias do concelho e de fora dele para participar numa caminhada e em aulas de atividade física.

Segundo a nota da autarquia, a manhã começou com um momento de forte carga simbólica nos Paços do Concelho: o reconhecimento público de nove colaboradoras do Centro Sócio Cultural de São Pedro. Estas profissionais, que integram o serviço de apoio domiciliário, foram destacadas pelo impacto direto e muitas vezes silencioso que o seu trabalho diário tem no conforto e na dignidade das famílias lagoenses.

Na ocasião, a vereadora com o pelouro da Ação Social e da Saúde, Graça Costa, aproveitou para sublinhar que esta data simboliza “a luta, a coragem e as conquistas das mulheres ao longo da história”, recordando todas aquelas que “desafiaram barreiras e reivindicaram direitos fundamentais como o acesso à educação, ao voto, ao trabalho digno e à igualdade de oportunidades”. A autarca destacou ainda que, além das figuras que transformaram o mundo na ciência ou na política, importa celebrar as mulheres que, de forma anónima, como mães, trabalhadoras e cuidadoras, “constroem diariamente o futuro com resiliência, sensibilidade e força”. Num agradecimento direto às nove homenageadas — Etelvina Coelho, Cidália Baganha, Diana Andrade, Cátia Matos, Graça Silva, Carolina Andrade, Adriana Tavares, Neuza Oliveira e Débora Coelho — Graça Costa afirmou, de acordo com a fonte municipal, que estas profissionais “fazem, diariamente e de forma silenciosa, a diferença na vida de tantas famílias lagoenses”.

© CM LAGOA

Após este momento de homenagem, os participantes seguiram em caminhada de Santa Cruz em direção ao polidesportivo da Atalhada, na freguesia de Nossa Senhora do Rosário. O percurso culminou num lanche-convívio que reforçou os laços de proximidade entre a comunidade, seguido de dois momentos de exercício: uma aula de atividade física orientada pela professora Fátima Peixoto e uma sessão de ioga dinamizada pela professora Carolina Dourado.

“Sejam fermento e transformem as vossas comunidades”, apela o padre Fernando Teixeira na romaria que juntou várias gerações

Iniciativa da Comunidade de Nossa Senhora de Fátima reuniu cerca de 500 peregrinos de várias paróquias, num caminho marcado por dinâmicas de introspeção e pela forte presença de jovens

© IGREJA AÇORES/CR

Ainda antes do nascer do sol, quando a madrugada guarda o silêncio que amplia o som de cada passo, a Romaria da Comunidade de Nossa Senhora de Fátima, em Ponta Delgada, começou a contornar as estradas. Entre quase meio milhar de peregrinos, cruzam-se histórias que ajudam a perceber o sentido profundo de um caminho que, este ano, fez paragem no miradouro do Pisão, perto da Ribeira Chã, concelho da Lagoa, num lembrete de que a romaria nunca acaba, pois somos peregrinos a vida inteira.

Patrícia Varão e a filha Maria João, de 11 anos, são presenças assíduas. A filha segue na frente, como uma das “meninas da Cruz”. A mãe, mais atrás, confessa com orgulho: “Desde que me lembro, venho sempre nesta romaria”. Embora pertençam à paróquia de Nossa Senhora do Rosário, na Lagoa, sentem-se em casa. Para Patrícia, a romaria é “um retiro, um parar dos afazeres para ter um tempo só para nós, com Deus… um tempo de introspeção e reflexão”.

Na correria dos dias, onde tudo parece urgente, a romaria por contraste oferece silêncio, oração e disponibilidade interior. É nesse espaço que muitos dizem reencontrar Deus.

Ao longo do percurso, os participantes foram convidados a viver dinâmicas espirituais. Este ano, cada romeiro recebeu uma pedra acompanhada de um poema na primeira paragem de descanso. “As pedras estão no caminho. Guardemo-las todas porque podemos construir um castelo”, explicou uma das dinamizadoras no Centro Pastoral Pio XII. O grupo de cerca de 500 peregrinos — composto na sua maioria por mulheres, mas também por homens e muitos jovens — acolheu a metáfora: cada pedra representa os desafios e momentos de crescimento. “Que cada pedra seja a descoberta de um dom; que sejamos capazes de perceber onde nos encaixamos, pois grãos de areia constroem uma linda praia”, acrescentou.

Imagem viva da Igreja em movimento

© IGREJA AÇORES/CR

Para o pároco Fernando Teixeira, esta romaria é uma imagem viva da Igreja em movimento. Embora já não caminhe fisicamente, faz-se presente pelo espírito. “Aproveitem a caminhada, fortaleçam-se e, no regresso às vossas comunidades, sejam fermento. Ajudem a transformar a vossa paróquia, sejam amigos”, desafiou o sacerdote, num “caderno de encargos” para uma jornada que culminou com a Eucaristia ao pôr do sol.

O padre Norberto Brum, dinamizador destas romarias quaresmais, sublinhou que a caminhada ganha um significado particular no percurso pastoral da diocese: “Procuramos renovar esta graça batismal e reafirmar o dom de sermos filhos de Deus e termos um Deus que caminha connosco”.

A iniciativa rompe também com o modelo tradicional de romarias exclusivamente masculinas ou femininas. “É uma romaria diferente por ter homens e mulheres; é uma forma de sentirmos esta Igreja como comunidade e povo que se renova dia a dia”, esclareceu o sacerdote.

O simbolismo do vaso novo

Entre as novidades deste ano esteve a dinâmica do vaso partido. Durante a celebração do perdão, um vaso foi quebrado para representar a fragilidade da vida humana, e cada participante depositou ali as suas intenções. No final, os fragmentos foram simbolicamente integrados num vaso novo. “É a nossa vida, muitas vezes fragmentada, que se transforma. É essa mudança que Deus opera em nós”, descreveu o padre Norberto.

Antes da partida, também o bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, deixou uma mensagem centrada na persistência: “Quanto mais caminhamos, mais longe vamos… é triste o cristão que para. Quanto mais caminhardes, mais O encontrareis”.

Novas vozes na estrada

© IGREJA AÇORES/CR

Para a Irmã Hirondina Mendes, da Congregação de São José de Cluny, a experiência foi uma revelação. “É um momento de interiorizar a fé e partilhar os nossos sofrimentos com os de Cristo e da humanidade. Há uma sede de Deus nesta humanidade e é interessante ver tanta gente a procurar essa fonte verdadeira”, afirmou, impressionada com a emoção partilhada pelo grupo.

Bárbara Ramos, natural de Trás-os-Montes e estudante de Medicina, viveu a romaria pela primeira vez. “É desafiante e sinto uma grande irmandade. Esta diferença geracional é uma novidade para mim”, contou a jovem, que vive atualmente um processo de redescoberta espiritual e de aproximação à Igreja.

Batizados na Esperança

© IGREJA AÇORES/CR

Organizada pela Comunidade de Nossa Senhora de Fátima, esta sexta edição da romaria comunitária, sob o tema “Batizados na Esperança”, integra-se no caminho rumo aos 500 anos da Diocese de Angra.
Mais do que os números ou os quilómetros, os peregrinos demonstram que o que fica desta jornada é o que acontece no interior de cada um. Entre pedras simbólicas, silêncio e partilhas, cada passo recordou uma verdade fundamental: por vezes, é preciso caminhar devagar para reencontrar o essencial.

Fé move 317 mulheres desde Rabo de Peixe até ao Santuário do Senhor Santo Cristo

Iniciativa mobilizou toda a comunidade da paróquia da costa norte de São Miguel, que todos os anos vai tendo mais romeiras na rua

© IGREJA AÇORES/CR

Foram 317 as mulheres que este sábado, 7 de março, participaram na romaria feminina da Vila de Rabo de Peixe até ao Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres. Num dia marcado pela oração, as peregrinas concluíram o percurso diante da imagem do Senhor, onde escutaram uma oração, ainda no exterior, e um apelo à continuidade do compromisso cristão lançado pelo padre Marco Luciano.

“Não nos esqueçamos, como refletíamos esta manhã: o Senhor espera-nos sempre de braços abertos a todos, a todos. Por isso, lá nos vamos encontrando na Eucaristia, na celebração dos Sacramentos e na Igreja do Senhor Bom Jesus, que continua a acolher a todos e a todas”, afirmou o sacerdote que acompanhou as romeiras, acrescentando o convite: “Encontramo-nos lá no dia 20, para rezarmos o terço”.

O pároco aproveitou a ocasião para institucionalizar um novo momento de união: “Todos os meses, na última sexta-feira, vamos passar a encontrar-nos. Marquem na agenda: será um dia de festa com o Senhor, um dia importante para que as romeiras se juntem na celebração da Eucaristia e levemos sempre Jesus no nosso coração para nossas casas”.

Para o padre Marco Luciano — que orientou, juntamente com o Bispo de Angra, um momento de adoração diante do Santíssimo —, este encontro mensal servirá para levar “o alimento que todos nós precisamos para continuar a labuta, para continuar a vida de casa e lidar com os problemas do dia a dia”.
Com diferentes idades e histórias de vida, as mulheres caminharam em espírito de penitência e gratidão, num gesto que tem vindo a afirmar-se como um momento marcante de espiritualidade comunitária. A caminhada culminou num momento de reflexão diante do Santuário, onde foi proclamada a oração ao Senhor Santo Cristo.

“Senhor, abençoa estas mulheres que hoje caminharam até aqui. Abençoa as suas casas, as suas famílias, os seus filhos; que nunca lhes falte a esperança e a coragem”, pediu o sacerdote, finalizando com o desejo de que a romaria não seja apenas um caminho físico, mas um “compromisso espiritual do dia a dia”.