
A freguesia da Ribeira Chã, no concelho da Lagoa, ilha de São Miguel, acolhe o décimo Festival da Malassada, que terá lugar no Centro de Catequese e Cultura da freguesia lagoense.
O evento, organizado pelo Centro Social e Paroquial e Junta de Freguesia da Ribeira Chã, decorre nos dias 24 e 25 de janeiro, entre as 15h00 e as 19h00.
O festival conta com um programa diversificado, que arranca, no sábado, dia 24 de janeiro, às 15h00, com a cerimónia de abertura e a atuação do Coro do CATL municipal “O Borbas”. Segue-se, às 16h00, a animação do grupo de castanholas “Dispensa Os Companheiros”, de Rabo de Peixe. Para culminar o dia, pelas 17h00, sobe ao palco Raquel Dutra, em quarteto, enquanto a animação de rua é abrilhantada pelo som dos acordeões de Pedro Estrela, pelas 18h00.
No domingo, dia 25 de janeiro, o festival começa às 15h00 com o grupo de Cantares Tradicionais de Santa Cruz. A par disso, os acordeões de Pedro Estrela voltam a fazer a animação de rua, seguindo-se, pelas 16h00, a atuação do Duo Toadas, com Rafael Carvalho e César Carvalho. Por sua vez, pelas 17h00, o grupo “Urro das Marés” da Associação Tradições anima, ainda, a tarde do festival, culminando com a presença do “Grupo de Cantares Vozes do Mar do Norte”.
Para os mais novos, explica a organização, o festival conta, nos dois dias, com pula-pulas e pinturas faciais e com a presença das mascotes Mickey e Minnie.
O Festival da Malassada, que já é um cartaz turístico da freguesia da Ribeira Chã, tem, ainda, um propósito solidário — todas as receitas reverterão para as obras de beneficiação da Igreja Paroquial de São José da Ribeira Chã, que se preveem arrancar no decorrer deste ano.

O presidente da Câmara Municipal da Lagoa, Frederico Sousa, defendeu a construção de novas creches e a ampliação das respostas de apoio à terceira idade no concelho, alertando para a necessidade de reduzir as listas de espera atuais. Em nota enviada pela autarquia, o autarca lagoense manifestou a disponibilidade do Município para facultar terrenos e projetos que viabilizem a criação de uma ou duas novas creches na cidade, sublinhando que a Lagoa é um dos concelhos mais jovens e com maior crescimento nos Açores.
As declarações foram feitas durante as comemorações do 25.º aniversário da Santa Casa da Misericórdia de Santo António da Lagoa, momento em que o autarca reiterou o compromisso de trabalhar com o Governo regional dos Açores para avançar com a ampliação do Lar de Santo António e dos cuidados continuados. Frederico Sousa destacou ainda que o reforço do serviço de apoio domiciliário é prioritário, uma vez que o concelho apresenta atualmente uma das menores taxas de cobertura da Região Autónoma.
Na sua intervenção, o autarca realçou a parceria “próxima, leal e exemplar entre o Município da Lagoa e a Santa Casa da Misericórdia”, garantindo a continuidade do apoio através de protocolos financeiros e logísticos. O presidente da autarquia aproveitou também a ocasião para reconhecer o percurso da instituição e o trabalho dos colaboradores e antigos provedores, afirmando que “ao longo de um quarto de século, a Santa Casa da Misericórdia de Santo António da Lagoa registou um crescimento sustentado, alargando e qualificando as suas respostas sociais, adaptando-se às novas realidades e desafios do concelho”.
O evento contou por fim com uma homenagem da instituição ao presidente da Câmara pela dedicação ao projeto social daquela que é a mais jovem Misericórdia dos Açores.

Sónia Cabral é natural de Santo António, concelho de Ponta Delgada, nasceu a 1 de janeiro de 1981, e é a atual diretora pedagógica da Inetese.
O seu percurso é definido por uma vocação que se manifestou cedo onde Sónia sabia que o seu futuro passaria pelo ensino de Inglês. Fiel a esse objetivo, licenciou-se em Português e Inglês pela Universidade dos Açores, iniciando um caminho de dedicação à educação que já conta com quase duas décadas.
A sua trajetória profissional é marcada por uma profunda ligação à comunidade. Escoteira dos 6 aos 22 anos, procurou desenvolver valores de serviço e liderança. Além disso, demonstrou o seu espírito competitivo e de equipa tendo jogado futebol de cinco em Santo António, onde se sagrou campeã regional pela Casa do Povo de Santo António na época de 2002/2003.
Durante 19 anos, trabalhou na Casa do Povo de Santo António, onde, no Centro Comunitário Jovem, acompanhou o crescimento de várias gerações de alunos. Em 2010, abraçou o desafio do Ensino Profissional em Vila Franca do Campo, desafiando a sua capacidade de trabalho ao conciliar a docência com a intervenção social.
No ano de 2020, Sónia viveu um dos seus maiores marcos pessoais ao ser mãe de uma menina. Este acontecimento, ocorrido em plena pandemia, trouxe novos desafios e reforçou a sua resiliência, obrigando-a a equilibrar a maternidade com as exigências de um mundo em adaptação.
Na Inetese desde 2015, o seu percurso tem sido de constante evolução. Após quase dez anos como formadora, assumiu a Direção Pedagógica da instituição há dois anos. Este novo cargo é o reflexo de um caminho ascendente onde a experiência acumulada no terreno e a sensibilidade de quem educa e cuida se unem para liderar o futuro da instituição.
DL: Como tem sido gerir a maternidade e a vida profissional ao mesmo tempo?
Não é fácil. Se queremos continuar a fazer um bom trabalho na escola, profissionalmente, acabamos por ter de fazer algum trabalho em casa. Nos primeiros tempos chegava a casa, o foco era a minha filha, pois eu sentia que tinha de separar as águas. Hoje tento manter essa postura. Apesar de a responsabilidade ser agora muito maior e de dormir muitas vezes com ansiedade, só depois de ela estar a dormir é que me dedico às tarefas da instituição.
DL: É um desafio que a obriga a “cuidar” de muitos mais filhos. Quantos alunos tem a escola atualmente sob a sua responsabilidade?
É, de facto, um desafio muito exigente, mas extremamente gratificante quando alcançamos as metas definidas. Neste momento, temos 97 alunos no polo da Lagoa. Além disso, sou também a diretora pedagógica do polo de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, onde temos três turmas que totalizam 48 alunos. No total, gerimos o percurso formativo de 145 jovens.
DL: Quais são as maiores dificuldades que encontra na gestão pedagógica?
A maior dificuldade prende-se com a necessidade constante de equilibrar os recursos humanos com as exigências pedagógicas e o enquadramento legal, que é muito dinâmico. Atualmente, as escolas profissionais deixaram de estar sob a tutela da Direção Regional da Educação para passarem para a Direção Regional de Qualificação Profissional e Emprego. Esta transição criou um certo “limbo” documental que tem sido um processo de grande aprendizagem. Assumi estas funções sozinha há quase dois anos e tem sido um caminho de afirmação e responsabilidade.
DL: O facto de as escolas públicas da região também oferecerem cursos profissionais coloca em causa a sobrevivência de instituições como a Inetese?
As escolas profissionais possuem uma identidade própria, muito mais próxima do tecido empresarial e com uma forte componente prática, algo que continua a ser valorizado. No entanto, é inegável que se uma escola secundária próxima oferece o mesmo curso, o aluno acaba por não sentir necessidade de mudar para a Inetese, o que nos prejudica. É fundamental que os decisores políticos reconheçam, de uma vez por todas, o trabalho das escolas profissionais como um pilar essencial da formação e não apenas como um complemento. Durante muitos anos, fomos vistos como o “parente pobre” da educação. Esse preconceito de que o ensino profissional servia apenas para alunos com menos capacidades tem de acabar.
DL: Sente que essa perceção tem mudado junto da comunidade?
Sim, penso que já começou a haver uma mudança de mentalidade. Notamos isso na elevada procura: este ano fechámos as turmas de Ação Educativa e de Auxiliar de Saúde com o limite máximo de alunos, tendo ficado vários candidatos pelo caminho. As pessoas começam a perceber que a escola profissional deve ser valorizada. Temos exemplos claros de sucesso: alunos que saíram daqui diretamente para a universidade e até um antigo aluno que, após licenciar-se, regressou à Inetese agora como formador. É a prova de que este ensino abre portas reais para o futuro.
DL: O abandono escolar na Lagoa continua a ser dos mais elevados. De que forma essa realidade afeta a escola?
Esta realidade desafia-nos diariamente, mas também nos leva a reforçar o nosso papel social. Trabalhamos ativamente na prevenção do abandono através de metodologias práticas. Tentamos “agarrar” os jovens mostrando que a escola não é apenas teoria, sentados o dia todo numa sala. Além da parte prática de cada curso, promovemos atividades, visitas de estudo e trazemos pessoas com capacidades reconhecidas para darem palestras e incentivarem os alunos.
DL: A permanência da escola na Lagoa está garantida para o futuro?
O crescimento da escola e a procura registada permitem-nos encarar o futuro com muita confiança. A parceria da Inetese com a Câmara Municipal de Lagoa tem sido fundamental para que esta permanência seja uma realidade. Temos uma relação muito boa; as instalações são do município e essa colaboração tem-nos ajudado muito a crescer.
DL: Que investimentos têm sido feitos na qualidade do ensino?
Através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), adquirimos material de ponta, como uma sala de informática com 25 computadores e quadros interativos em todas as salas. Na área da saúde, temos uma sala prática apetrechada com o que há de melhor — desde camas articuladas a manequins — para que a formação técnica seja o mais próxima possível da realidade hospitalar. Além disso, como temos a capacidade física máxima instalada, estamos a expandir para o virtual com a medida Qualifica.IN, que oferecerá formação online para ativos e desempregados a partir de fevereiro.
DL: Atualmente fala-se muito em saúde mental. Como é que a escola lida com esta questão?
Deve ser pensada e trabalhada. Temos alunos com muita ansiedade que desistem com facilidade perante obstáculos. O papel da direção, dos formadores e até das nossas colaboradoras é fundamental nesse sentido. Às vezes o apoio é apenas um abraço ou uma palavra de incentivo. Também me preocupa a dependência do telemóvel; dou ordens expressas para que não sejam autorizados durante as aulas. Todas as nossas decisões são pensadas para o bem-estar deles.
DL: Quais são os grandes objetivos para 2026?
O objetivo passa por manter o crescimento alcançado. É um desafio, pois sabemos que o número de alunos está a diminuir devido à baixa natalidade. Queremos continuar a manter os padrões de qualidade pedagógica, reforçar as parcerias locais e garantir que os nossos alunos continuam a ter percursos de sucesso, seja no mercado de trabalho ou no prosseguimento de estudos.

Alexandra Manes
8 de janeiro, mais uma novidade desastrosa que nos atinge como um murro, proveniente da terra outrora arrogada de Liberdade e prosperidade para todos e todas. Numa operação especial, que poderia ser de Vladimir ou Kim, mas foi antes promovida pelo companheiro de carreira ditatorial, Donald, a polícia política do ditador avançou para Minneapolis e disparou, a sangue-frio e sem motivo evidente, contra uma mãe de família.
Bem sei que, ao lerem estas linhas, reconhecerão a factualidade das mesmas, sem que seja preciso que as elenque, novamente. Mas, importa chamar os bois pelos nomes, e os fascistas pelos crimes. O que se passa nos Estados Unidos, com uma crescente e gritante impunidade, é fascismo na sua forma mais pura, decalcada do projeto primeiramente preparado por eles, e agora executado pelos seus lacaios.
Regressemos a uns meses atrás, quando o Projeto 2025 começou a ser implementado, com alguma vergonha e pudor, cavalgando a onda de violência que se foi levantando, incentivada pelas redes sociais, contratadas pelos financiadores de Trump. Por essa altura, o caminho ainda era feito entre pessoas com alguma fibra moral, e lacaios sem compaixão. Havia meios termos. Aparente esperança, para as pessoas que nunca leram livros de história, ou pensaram para lá do seu pequeno mundo.
Só que Trump está muito velho. Literalmente a cair de podre, em alguns momentos das últimas semanas. E os sanguinários que escolheu para o seu gabinete sentem o sangue na água. Estão prontos para tomar o poder, e assegurar a conquista que lhes falta fazer. Não a do país, mas a da alma da Nação, que morrerá debaixo de um manto de corrupção e ganância, muito comum a estes regimes.
Ninguém inventou a roda. Nos últimos dias, o que cresceu foi apenas a falta de vergonha, potenciada pela conquista da Venezuela, numa invasão dedicada à manipulação do resto do mundo, que parece ter resultado, até certo ponto, com a conivência do regime que Maduro alimentou até à sua morte política.
Assim, voltamos ao presente, para recordar as principais personagens deste círculo do Inferno de Dante. Na Casa Branca, Karoline Leavitt e Stephen Miller, próximos do ditador, e com o ouvido dele à sua disposição. Ela é a manipuladora principal da comunicação oficial, com menos de trinta anos e uma já vasta carreira de mentiras, sustentada numa aparente e total falta de moralidade. Ele, é um monstrengo, que ao que tudo indica já nasceu assim, sanguinário e cheio de vontade de conquistar o seu próprio país.
Leavitt foi literalmente instrumentalizada por homens mais velhos, que a rodeiam há muito tempo, e que a guiaram até ao pódio da comunicação de Trump, onde ela papagueia o que é necessário, e mente a olhos vistos. O grande truque do fascismo é dizer que o azul é, na verdade, verde. E os seus apoiantes acreditarem. É esse o trabalho dela. Miller, por sua vez, é o arquiteto da destruição da paz social, que propositadamente provoca os americanos para gerar uma onda de caos inevitável, e invocar, assim, a sua polícia política para resolver o assunto aos tiros.
A juntarem-se a esses inenarráveis seres, temos de falar de Kristi Noem. A tal ICE, de que ouvimos falar, e que é a verdadeira força fascista dos americanos, na atualidade, é comandada por Noem, uma mulher desprezível, capaz das maiores mentiras para promover o discurso oficial do partido e destruir o seu próprio país. Foram esses os atores que se juntaram, com o apoio de bastidores de muitos outros, para tentar, uma vez mais, lançar a guerra civil nos Estados Unidos. Desta vez, deram mais um passo para lá da linha vermelha. A polícia política assassinou uma mulher, a sangue-frio, e devidamente filmado. A transmissão do evento, provocou o caos no país, que se revoltou contra Trump e os seus cães-de-fila. É o que eles querem. A guerra final. E possivelmente vão conseguir.
Quem morreu foi Renee Good, uma mulher de trinta e sete anos, mãe de filhos, poetisa, apaixonada por livros e pela vida. Quem a conhece, diz que nunca foi particularmente ativista, mas que se preocupava cada vez mais com o que se passava no país. Ressentia-se por viver num estado ditatorial, coisa que é perfeitamente compreensível. Foi assassinada, pouco depois de ter deixado o filho de seis anos na escola, quando observava uma das operações de destruição social promovidas pela ICE, de forma pacífica, e sem envolvimento direto na mesma.
Noem diz que é mentira. Que a inocente era afinal uma terrorista. Miller defende o assassinato. Sublinha que a América é uma Nação de força, onde manda quem tem a arma maior. E Leavitt escreve os discursos do seu paizinho Donald, apelando a que o eleitorado acredite na mentira, e veja em Renee Good uma inimiga mortal.
Karolinne Leavitt está grávida, ao que parece. Mas nem por isso se compadeceu com o assassinato de uma mãe de filhos. É essa a verdadeira face do decadente império que se vai destruindo a si próprio. É esse o resultado de séculos de desinformação e ignorância generalizada. Os Estados Unidos não são a Alemanha de Hitler. Estão mais próximos do Império Romano, que ao cair levou consigo as suas gentes, deixando apenas ruínas e estátuas para trás. De Roma, resta apenas a história da sua sanguinária existência. Dos Estados Unidos, esperemos que nada reste, quando isto terminar. É duro, mas é necessário. Renee Good, se ainda estivesse viva, imagino que conseguisse compreender.

O Governo regional dos Açores, através da Secretaria Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, intensificou o acompanhamento técnico da construção da Variante às Capelas, tendo realizado uma nova verificação no terreno na última semana. Segundo uma nota de imprensa enviada às redações pela referida Secretaria Regional, a tutela reafirmou o caráter estratégico desta empreitada, que se assume como uma peça fundamental na rede viária regional e na coesão territorial da ilha de São Miguel. O projeto, que representa um investimento superior a 46 milhões de euros, é maioritariamente financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), o que obriga a um rigor absoluto no cumprimento do calendário de execução.
No comunicado, a secretária regional Berta Cabral sublinhou que esta intervenção “vai reforçar a coesão territorial, melhorar a mobilidade interna e ter impacto direto no acesso a serviços, no desenvolvimento económico regional e na segurança rodoviária”. A governante exigiu ao consórcio responsável a manutenção de um ritmo de trabalho intenso, destacando ainda que a infraestrutura terá um papel ambiental importante ao ajudar a “mitigar riscos naturais, nomeadamente inundações que afetam freguesias do concelho de Ponta Delgada”.
A conclusão da via é apontada como uma “prioridade fundamental” no Plano Regional Anual para 2026. Para a titular da pasta das Infraestruturas, o sucesso da empreitada transcende a vertente técnica: “Esta obra não é apenas estrutural, mas também simbólica: representa a concretização de uma política de investimento que reforça a autonomia, a coesão e a competitividade da Região Autónoma dos Açores”, afirmou Berta Cabral.
Com uma extensão de 8,3 quilómetros, acrescida de uma ligação de 1,4 quilómetros à vila das Capelas, a nova via ligará o norte e o sul da ilha de São Miguel. Conforme sublinhado pela secretaria regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, a obra é essencial para demonstrar o compromisso político com a execução rigorosa dos fundos comunitários e com a transformação da conetividade interna da região.

Nasceu em Lisboa, no Bairro de Alvalade, em 1978, mas foi nos Açores, mormente em São Miguel, que se estabeleceu profissionalmente, ilha onde ainda hoje reside e exerce a profissão de agente da PSP. Mas Bruno Oliveira também é conhecido pela sua profunda ligação ao futebol e pela dedicação a um part-time que deixa qualquer tipo de viatura como nova.
O resumo da infância vivida na capital portuguesa, antes de rumar à maior ilha dos Açores, é feito na primeira pessoa: “Cresci em Lisboa, num contexto simples, mas muito rico em vivências. Passei grande parte da infância na rua, a jogar à bola e a conviver com amigos do bairro, algo muito típico da época. Foi uma infância marcada por valores como o respeito, a entreajuda e a noção de responsabilidade, muito incutidos pela família. A cidade, com toda a sua diversidade social, ajudou-me desde cedo a perceber realidades muito diferentes”, recordou.
Embalado pelas recordações e com as memórias bem presentes, Bruno Oliveira mostrou ser um homem de convicções fortes, não tivesse ele decidido abraçar uma carreira na Polícia de Segurança Pública (PSP) bem cedo, inspirado pela missão de servir o bem comum.
“A ideia de ingressar na PSP começou a ganhar forma ainda jovem. Sempre tive um forte sentido de justiça e uma vontade genuína de ajudar os outros. O contacto com elementos da polícia e a perceção do papel fundamental que desempenham na sociedade foram determinantes. A estabilidade profissional também foi um fator importante, mas, acima de tudo, pesou a missão de servir a população”, disse.
Quem opta por esta via profissional não espera facilidades no dia a dia. E Bruno Oliveira sabe-o perfeitamente, não apenas pela exigência do serviço, mas, igualmente, pelo diferente tipo de pessoas com que tem que lidar nas mais diversas situações.
Daí reconhecer que o percurso na PSP tem sido “exigente, mas muito enriquecedor, tanto a nível profissional, como pessoal. O trabalho diário envolve contacto direto com o público, prevenção criminal e intervenção em ocorrências diversas”, especificou.
Não raras vezes, Bruno Oliveira lida com “todo o tipo de pessoas”, desde “cidadãos em dificuldade, vítimas, mas também suspeitos da prática de crimes”. É, assumiu, “um trabalho que exige equilíbrio emocional, capacidade de comunicação e tomada de decisão sob pressão”.
Na vida de um agente da PSP o risco está sempre presente. Bruno Oliveira reconhece-o sem rodeios. “Sim! Houve situações em que senti que o risco era real. Faz parte da profissão. Nessas alturas, o treino, a experiência e o trabalho em equipa fazem toda a diferença. O medo existe, mas aprende-se a controlá-lo e a agir com profissionalismo”.
A opção Açores foi como que por arrastamento devido à carreira profissional dos pais. “A ida para os Açores surgiu no âmbito da carreira profissional dos meus pais, através de uma oportunidade de colocação. Foi um desafio grande, não só a nível profissional, mas também pessoal. A adaptação a um novo contexto geográfico e social acabou por ser muito positiva e marcou-me profundamente”, adiantou.
Nos Açores, Bruno Oliveira também se dedicou ao futebol, primeiro como guarda-redes, depois como treinador de guarda-redes. Representou diversos clubes na ilha e, mais recentemente, esteve ao serviço do Operário na qualidade de treinador dos guardiões dos fabris. As recordações são, por isso, muitas.
“O futebol foi sempre uma paixão. Como guarda-redes vivi momentos muito intensos, de grande responsabilidade e superação. Mais tarde, como treinador de guarda-redes, tive a oportunidade de transmitir conhecimentos e ajudar jovens atletas a evoluir, o que foi extremamente gratificante. O futebol galvanizou alguns valores fundamentais como disciplina, resiliência e espírito de equipa”, reconhece.
Entretanto, no último ano, optou por fazer uma pausa para “reorganizar prioridades”. “A pausa prendeu-se, sobretudo, com questões pessoais. Nem sempre é fácil conciliar tudo e senti necessidade de abrandar e reorganizar prioridades. Não foi um adeus definitivo, mas sim um tempo para refletir e recuperar energia”, adiantou.
Pausa no futebol, mas não na pintura automóvel, outra das suas paixões, algo que foi “descobrindo ao longo do tempo”. Primeiro por “curiosidade”, mas depois, com o passar dos anos, “acabou por se tornar uma atividade que me dá grande satisfação. Gosto do lado prático e criativo da pintura automóvel, do cuidado com o detalhe e do resultado final. É uma forma de desligar do stress do dia a dia”, disse.

José Estêvão de Melo
Engenheiro Informático
A expressão “só na América” era muito utilizada na minha infância para descrever produtos mais “evoluídos” que não existiam por cá e que chegavam através de familiares emigrados no Canadá ou nos Estados Unidos. A chegada de um “barril da América” era um acontecimento por si só, recheado de coisas doces e apetecíveis como pastilhas elásticas Bazooka Joe, chocolates Hershey’s ou manteiga de amendoim. Com o passar dos anos, muitos destes produtos acabaram por ganhar presença no nosso mercado, ou surgiram equivalentes locais, e a expressão passou a ser usada em tom jocoso e nostálgico.
Hoje, porém, a expressão voltou a ganhar relevância, desta vez de forma mais preocupante. Refiro-me a um conjunto de produtos e serviços que praticamente só existem na América, mais concretamente nos Estados Unidos: serviços digitais ligados às tecnologias de informação, sistemas operativos, serviços de computação em nuvem (cloud), segurança digital e, mais recentemente, inteligência artificial.
Os sistemas operativos são o software que gere todo o hardware de um computador, seja ele um portátil, um dispositivo móvel ou um servidor. Sem eles, os equipamentos são inúteis. No segmento dos dispositivos móveis, os dois principais sistemas operativos são Android (Google) e iOS (Apple) que detêm cerca de 99% do mercado global. No universo dos computadores pessoais, o domínio é igualmente concentrado: Microsoft Windows e macOS (Apple) representam aproximadamente 80% do mercado mundial.
Se passarmos para a infraestrutura da Internet, o cenário repete-se. No setor da computação em nuvem, Amazon Web Services (AWS), Google Cloud e Microsoft Azure, todas empresas norte-americanas, controlam cerca de 66% do mercado mundial. No caso europeu, a dependência é ainda mais evidente: aproximadamente 70% da infraestrutura cloud na Europa está alojada nestas três plataformas, enquanto apenas cerca de 15% se encontra em empresas europeias.
Nos motores de pesquisa, a concentração é ainda mais acentuada. Empresas norte-americanas detêm cerca de 91% da quota de mercado global, com destaque esmagador para a Google. No domínio das redes sociais, embora a medição seja mais complexa, a tendência mantém-se: estima-se que mais de 65% do mercado global esteja nas mãos de empresas dos Estados Unidos, através de plataformas como Facebook, Instagram, YouTube, LinkedIn e X. A única exceção verdadeiramente relevante é o TikTok, que, pelo menos por agora, não pertence a uma empresa norte-americana.
Mais recentemente, esta dependência estendeu-se ao domínio da inteligência artificial, um setor estratégico que está a moldar a próxima geração de serviços digitais. Os principais modelos de IA generativa e plataformas de computação associadas, utilizados em motores de busca, produtividade, programação, vigilância e criação de conteúdos, são desenvolvidos e operados quase exclusivamente por empresas dos Estados Unidos.
Este domínio tecnológico é acompanhado por um enquadramento legal específico: leis norte-americanas permitem que as autoridades exijam o acesso a dados armazenados por empresas sediadas nos EUA, mesmo quando esses dados se encontram fisicamente alojados fora do território americano. Em muitos casos, essas ordens judiciais incluem cláusulas de confidencialidade (“gag orders”), que impedem as empresas de informar os seus clientes de que os seus dados foram fornecidos ao governo. Na prática, isto significa que uma parte significativa dos dados de cidadãos, empresas e instituições europeias sendo processados por serviços digitais norte-americanos podem estar sujeitos a acesso governamental sem conhecimento dos titulares, levantando questões profundas sobre soberania digital, privacidade e autonomia estratégica, e diretamente contraditórias à legislação europeia de proteção de dados.
Esta situação não é nova. No entanto, o recente reposicionamento geopolítico dos Estados Unidos face à Europa, que tem fragilizado uma relação construída ao longo de décadas, torna este tema particularmente urgente. A Europa vê-se, uma vez mais, no centro de um dilema existencial: decidir se aceita a vassalagem digital ou se investe na autonomia estratégica necessária para sustentar a base da sua própria civilização moderna.

Bruno Pacheco
Para fechar esta reflexão de início de ano, vale a pena olhar para o triângulo que define a matriz da nossa identidade enquanto sociedade: capital natural (território), posicionamento estratégico e cultura. Sem estes três vértices, não há projeto coletivo possível.
Durante demasiado tempo, tratámos a sustentabilidade como um adereço que ficava bem em discursos, relatórios e fotografias institucionais. Falou-se de ambiente como setor, quando ele é condição. Falou-se de sustentabilidade como custo, quando ela é cada vez mais um ativo estratégico.
Felizmente, a última década começou a corrigir esta miopia. Hoje, quem pensa seriamente o futuro sabe que a sustentabilidade tem de fazer parte do ADN coletivo. E, se assim é, então tem de estar presente na educação, nos comportamentos cotidianos, mas também, e sobretudo, nas decisões estruturais que moldam o futuro comum.
Neste contexto, o conceito de capital natural não pode permanecer confinado a manuais e relatórios técnicos. Deve orientar políticas públicas, investimentos e prioridades estratégicas. Como tem defendido Jorge Moreira da Silva, o nature-based capital deve ser, simultaneamente, o norte e o sul do desenvolvimento.
E não nos iludamos: vivemos num território onde o capital natural não é ornamento, é estrutura. Água, biodiversidade, mar, paisagem e energia de fontes endógenas não são apenas herança, mas também vantagem competitiva. Ou deveriam ser. Nenhuma vantagem é automática. Sem consciência, conhecimento e educação, o capital natural degrada-se, banaliza-se ou é explorado sem retorno coletivo.
A próxima década exige acelerar e aprofundar esta mudança. É, por isso, crítico educar para compreender que o capital natural é tão decisivo quanto o capital financeiro ou o capital humano. Não se trata de romantizar a natureza, mas de integrá-la no raciocínio económico, político e social. Sem essa integração, continuaremos a falar de sustentabilidade enquanto a desperdiçamos.
Nenhuma região se posiciona no mundo sem se conhecer e nós nos conhecemos mal. Falta-nos memória histórica, leitura crítica do nosso percurso e coragem para olhar para o espelho sem filtros.
Para além da história, falta-nos a autoavaliação. Saber quem somos, o que fazemos e como o fazemos é condição para produzir melhor e ser mais capaz enquanto comunidade. Este exercício é desconfortável, mas inevitável e, chegados a 2026, com 2030 à porta, os Açores precisam menos de slogans e mais de verdade.
As forças são conhecidas: localização atlântica, capital natural, estabilidade institucional e coesão social. Mas também as fragilidades: baixos níveis de qualificação, dependência de transferências externas, fraca diversificação económica e reduzida incorporação de conhecimento.
E aqui está o ponto: a educação é o eixo de toda esta equação. Sem ela, as oportunidades viram miragens e as ameaças ampliam-se. A inteligência artificial, a transição energética, a economia do conhecimento e a reconfiguração das cadeias globais podem ser trampolim ou armadilha. A diferença não está no mundo, mas sim em nós. Insistir em modelos educativos do século XX é condenar-nos a um atraso permanente. Temos de aprofundar a nossa capacidade de conhecermos quem somos, de ensinar e estudar a nossa história.
É assim que importa enquadrar uma análise SWOT. Esta não é um exercício académico, mas sim um ato político de maturidade. Fingir força onde há fragilidade, ou ignorar ameaças por conforto retórico, é a forma mais rápida de chegar a 2040, repetindo diagnósticos e justificando falhanços. É crítico que se faça este exercício com seriedade e independência intelectual e sem preconceitos.
Temos de meter na cabeça, de uma vez por todas, que o mundo não começa nem acaba nos Açores. O mundo é competitivo, veloz e indiferente ao nosso tamanho. A diferença entre relevância e irrelevância estará sempre na capacidade de nos prepararmos melhor do que a nossa escala faria supor. E para isto precisamos de conhecer a nossa História.
Celebrar 50 anos de Autonomia é legítimo. É fundamental. Mas, mais importante do que celebrar, é o momento de questionar a nossa existência enquanto comunidade política. E a pergunta central não é o que fomos capazes de fazer, mas o que queremos ser. Que tipo de autonomia ambicionamos para os próximos 50 anos?
Pois, convenhamos, a autonomia não se mede apenas pelas competências estatutárias ou pelo volume orçamental. Mede-se, sobretudo, na capacidade de decidir com critério, antecipar desafios e construir soluções próprias.
Se esta afirmação parece quase uma verdade de La Palice, chegamos então a outro cerne da questão. A ausência de estímulos políticos, institucionais e sociais para termos uma sociedade mais viva e atuante, que saia do sofá e participe na esfera pública, é um sinal preocupante do caminho que estamos a escolher.
Não tenhamos dúvidas. Sem autonomia intelectual, individual e coletiva, a autonomia política esvazia-se. Sem uma educação exigente, crítica e emancipadora, a autonomia transforma-se em dependência administrada.
É, neste contexto, que podemos afirmar que a década que se inicia em breve é decisiva. Ou investimos seriamente numa educação diferente, disruptiva, capaz de formar cidadãos que pensem, criem e decidam, ou aceitaremos uma autonomia cada vez mais limitada à gestão do quotidiano. Não por imposição externa, mas por insuficiência interna. E isso não pode ser uma ambição coletiva. Não foi para isto que fizemos um percurso de 50 anos, que, em parte, teve as suas raízes em outros movimentos mais longínquos.
O futuro da Autonomia Açoriana joga-se menos nos parlamentos e mais nas salas de aula, nos laboratórios, nas oficinas, nas bibliotecas, nas empresas e, sobretudo, na capacidade coletiva de imaginar e construir um caminho próprio.
Do Torreão da Fajã, o tempo não parece linear. Vê-se passado, presente e futuro coexistindo. Mas uma coisa é certa: o tempo não espera por quem adia decisões.
Olá 2030. Até já 2040. A diferença entre chegar lá com rumo e apenas com memória começa agora. E começa, inevitavelmente, por ambicionarmos uma educação diferente, capaz de ser, de uma vez por todas, o motor de uma verdadeira transformação social. E para isto temos de romper com o que se faz no presente.

O Comando Regional da Polícia de Segurança Pública dos Açores, através de polícias da Esquadra da Lagoa, procedeu à detenção em flagrante delito, no passado dia 2 de janeiro, de um homem de 38 anos suspeito de cometer vários crimes na Vila de Água de Pau.
O indivíduo, residente na mesma localidade, estaria supostamente sob o efeito de substâncias estupefacientes no momento das ocorrências.
A intervenção policial ocorreu após o suspeito ter causado alarme e insegurança na população local ao bater às portas de várias habitações para pedir dinheiro, proferindo ameaças contra os moradores. Ao chegarem ao local para intercetar o suspeito, os agentes da PSP foram alvo de resistência, o que resultou na detenção do homem pelos crimes de ameaça agravada e de resistência e coação sobre agente da autoridade.
Após ser submetido a primeiro interrogatório judicial, o arguido ficou sujeito ao Termo de Identidade e Residência e à medida de coação de proibição de entrar e permanecer na Vila de Água de Pau.

Entre o orgulho de levar o nome da Lagoa aos palcos nacionais e o desgaste de um investimento pessoal “monumental”, Sónia revela que o futsal continua a ser o “parente pobre” e confessa que só o amor pelas crianças a mantém num cargo onde o cansaço e a paixão caminham lado a lado.
Antes da gestão atual, José Câmara sucedeu a Altino Pereira na presidência, reabrindo o clube após o seu encerramento. Manteve-se no cargo por três anos até passar o testemunho à esposa, Sónia Câmara, que termina o seu primeiro mandato no próximo mês de fevereiro, completando também um triénio.
Segundo a presidente, José Câmara nutre um “amor incondicional pelo clube”, preferindo tratar de toda a logística, enquanto Sónia assume o papel de porta-voz. O casal trabalha, assim, lado a lado em prol da instituição.
DL: Que balanço faz do mandato que está prestes a terminar?
Um balanço positivo, sobretudo ao nível da identidade. Acho que criamos uma identidade própria, mas falta, de facto, melhorar o recinto desportivo. É certo que temos disponível o Pavilhão no lugar dos Remédios, que cumpre muito bem a sua função, porém o meu sonho — e aquilo que me foi prometido pelo senhor presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro — era a construção de uma cobertura no recinto atual.
Entretanto, já falei sobre isso com o atual presidente da Câmara da Lagoa, Frederico Sousa, e ele concorda que isto possa acontecer, desde que seja o Governo regional a avançar, contando depois com o apoio da autarquia local. Por isso, estou muito esperançosa, porque acredito em ambos. Este é o meu sonho.
DL: Porquê esse sonho?
O Atalhada FC teria assim uma identidade mais vincada e ficaria mais próximo dos seus atletas, entre os quais as muitas crianças que jogam no clube. Era isso que eu queria, ou seja, sentir que jogamos em casa, em vez de sermos transportados para outros recintos. É um sonho que tenho e que acho tão fácil de concretizar. No entanto, parece-me que, por isto ou por aquilo, tem-se adiado. Sem cobertura, ficamos muito limitados porque há cada vez mais equipas. Nós merecemos aquele espaço. O Atalhada já tem uma história de 23 anos e é, neste momento, o clube de futsal com o nível mais alto na Lagoa, pois está na III Divisão Nacional.
DL: Há uma cultura no Atalhada FC de investir nas camadas jovens?
Parece que são meus filhos. E tive a felicidade de abrir mais um escalão. Eles vão crescendo e eu tenho de os ir acompanhando, pensando sempre no futuro. É assim que tem de ser, isto é, de baixo para cima. Porque o topo é o status, mas é na base que se constroi tudo.
DL: Qual é a maior dificuldade que o clube tem enfrentado?
A financeira. São dificuldades monumentais. Temos de pagar arbitragens, seguranças, viagens, dormidas, alimentação e treinadores. Quanto aos jogadores seniores, é quase um tabu mas a verdade é que, se não se pagar, não temos atletas para jogar.
Por outro lado, tenho a felicidade de ter os “pequeninos” que têm o tal amor ao clube.
Depois, o combustível também é caríssimo. Temos duas carrinhas que são do clube, mas estão avariadas e não temos dinheiro para as arranjar. Como tenho uma empresa de transportes, acabo por as ceder ao clube. É um investimento pessoal. A Câmara Municipal também ajuda ao nível do transporte, mas é cada vez mais difícil porque a autarquia não consegue chegar a todas as entidades. E eu nem peço transporte para os seniores, apenas para os infantis e iniciados.
DL: Onde se vai buscar tempo e motivação?
É o tal “amor à camisola”, que hoje em dia existe cada vez menos. O meu tempo não é remunerado, nem o do José. São muitas horas e já sentimos o desgaste. Gostava muito de apelar ao bom senso dos empresários e da própria Câmara Municipal. Eles apoiam-nos, mas nunca é o suficiente, porque falta sempre qualquer coisa. No que toca às crianças, tentamos proporcionar-lhes sempre uma viagem. Os pais fazem o que podem e, às vezes, o que não podem. São projetos bonitos. No ano passado fomos à ilha da Madeira e a Câmara e os empresários apoiaram-nos. Trabalhámos imenso, fizemos tudo o que era possível e conseguimos levá-los lá. Este ano, o projeto é ainda mais ambicioso, mas ver a felicidade das crianças e perceber que fica na memória delas, não tem preço.
DL: Considera que, por exemplo, em relação ao futebol, o futsal é discriminado?
O futsal é o “parente pobre”. As entidades olham muito mais para o futebol como sendo o desporto que deve ser mais apoiado, por ser o mais visível e o que dá mais projeção. Mas enganam-se, pois o futsal está a crescer cada vez mais. Na Lagoa, há uma cultura de futsal muito forte, principalmente nos bairros sociais, e isso é muito interessante. O Atalhada está na III Divisão e seria importante continuar lá, porque dá visibilidade aos Açores. E vamos à Taça de Portugal também. Já é o segundo ano consecutivo e isso traz muito prestígio à nossa cidade e região.
DL: Pensa continuar como presidente?
Vai depender dos apoios. Numa equipa há sempre aqueles que trabalham mais do que os outros e temos de perceber que precisamos de ajuda. Têm-me ajudado muito, mas o cansaço é grande, portanto, é uma incógnita. Custa-me muito, muito mesmo. Continuo aqui principalmente pelas crianças, pois são elas que me fazem cá estar. Se não fosse por elas, já teria deixado o cargo. O que me interessa é vê-las felizes e fazer do clube uma verdadeira escola.