
Não há muito a alterar àquilo que já estava projetado e o pavilhão da escola vai mesmo ser demolido dando lugar a um novo. A garantia é da secretária regional da Educação, Cultura e Desporto, Sofia Ribeiro, ao Diário da Lagoa: “Há situações que nós podemos recalcular, outras não. Outras não, porquê? Tudo aquilo que pudesse implicar um atraso no projeto e com a necessidade de devolver o anteprojeto na sua estrutura, para nós foi uma opção não o fazermos”. Isto porquê? Devido sobretudo aos investimentos que já foram feitos. “Nós temos uma janela de investimento que tem de ser aproveitada. Não fazendo grandes alterações ao anteprojeto inicial. Portanto, agora está na fase pré-entrega”, explica a governante. “ O próprio plano para 2026, que foi aprovado aqui há 15 dias, contempla, ainda não foi publicado, mas contempla a verba precisamente para fazermos o pagamento na fase final da entrega desse projeto e, a partir daí, depois, então, dar-se-á início à empreitada”.
Questionamos se a obra arrancaria durante o ano de 2026. A resposta foi: “o arranque da obra em 2026 é difícil, o que não quer dizer que não se arranque com o concurso em 2026, pois vai tudo depender das nossas fases e da nossa capacitação”.
Sofia Ribeiro sublinha que 2026 “é um ano em que temos que dar prioridade à conclusão dos investimentos ao abrigo do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência] e também do «Açores 2030», que já estão em execução. Isso também traz muita pressão ao nível da oferta por parte dos empresários ao nível das empreitadas e da construção”.
“Tem sido muitas as situações em que lançamos obras e as obras acabam por ficar desertas, porque há, de facto, neste momento, muita obra a ser feita na região inteira. E, portanto, é difícil poder avançar aqui com um grau de certeza de quando é que ela poderá arrancar”, sublinha a secretária da Educação.
Um dos anseios da câmara municipal da Lagoa bem como dos clubes que utilizam o pavilhão da EBI de Lagoa para a prática desportiva era mantê-lo como tal e não optar pela sua demolição aquando da construção da nova escola.
“Nós temos previsto nesta obra a construção de um novo pavilhão”, começa por explicar Sofia Ribeiro ao DL. E prossegue: “implicando a demolição deste, sim. É uma fase que é complexa, mas com a reconstrução de um novo pavilhão, a fazer uma ligação ao edifício central para que os alunos possam ter uma deslocação ao abrigo da chuva e do vento, que é um problema atual desta escola, já há muitos anos neste tipo de construções”. A governante diz que manter o atual pavilhão “implicaria uma reformulação de todo o projeto e, lá está, com os atrasos que nós temos, não podemos comportar”.

Adélio Amaro
Presidente do CEPAE
Centro do Património da Estremadura
A etnografia é muito mais do que uma técnica de recolha de dados, enquanto método de investigação das ciências sociais. Constitui uma ferramenta fundamental para a compreensão e valorização do folclore. Neste contexto ela tornase um instrumento indispensável para devolver profundidade, rigor e humanidade às práticas culturais que tantas vezes são reduzidas a espetáculo ou entretenimento turístico.
Mais do que um conjunto de técnicas de observação participante e recolha de dados, a etnografia representa uma posição epistemológica que privilegia a escuta, a descrição densa e a contextualização das práticas culturais. No domínio do folclore, esta abordagem é decisiva para evitar reduções simplistas e para assegurar que as manifestações culturais sejam interpretadas na sua complexidade histórica e social.
Num contexto de globalização cultural, em que a homogeneização ameaça a diversidade, a etnografia desempenha um papel de resistência. Ao documentar e interpretar práticas locais, ela fortalece o folclore como património imaterial e como recurso pedagógico para a transmissão intergeracional. Mais do que conservar formas, trata-se de preservar sentidos.
O folclore, tal como o entendemos hoje, vive num paradoxo. Por um lado, é apresentado como herança viva e expressão autêntica de um povo. Por outro, é frequentemente moldado por exigências de palco, por estéticas uniformizadas e por narrativas simplificadas que pouco dialogam com a arduidade das comunidades que lhe deram origem. É aqui que a etnografia se revela essencial: ela devolve densidade ao que foi amolgado, contexto ao que foi isolado e voz ao que foi silenciado.
A etnografia permite compreender que cada dança, cada canto, cada trajo, cada gesto ritual tem uma história situada – uma história feita de pessoas concretas, de relações, de tensões, de adaptações e de resistências. Sem esse olhar, o folclore corre o risco de se transformar numa caricatura de si próprio, repetindo formas vazias de sentido. Com ele, o folclore reencontra a sua raiz comunitária e o seu potencial pedagógico.
Mais do que recolher, a etnografia escuta. E essa escuta transforma. Obriga-nos a reconhecer que o folclore não é um museu de tradições congeladas, mas um organismo vivo, em constante negociação entre passado e presente. A etnografia ajuda a distinguir o que é invenção recente do que é memória profunda. E, sobretudo, ajuda a legitimar ambas as dimensões, desde que assumidas com transparência.
Num tempo em que a globalização tende a homogeneizar práticas culturais, a etnografia funciona como contrapeso crítico. Ela impede que o folclore seja apenas um produto cultural e devolve-lhe o estatuto de património identitário. Não se trata de purismo – trata-se de responsabilidade. Quem trabalha com folclore tem o dever ético de conhecer as fontes, de respeitar as comunidades e de evitar apropriações ou simplificações que distorçam a história coletiva.
Por isso, defender a etnografia como ferramenta para o folclore é defender uma prática cultural mais consciente, mais enraizada e mais honesta. É recusar a superficialidade e apostar na profundidade. É transformar o folclore num espaço de diálogo entre gerações e não apenas num espetáculo para consumo rápido.
No fundo, a etnografia não serve apenas para estudar o folclore – serve para o dignificar.

O município da Lagoa, na ilha de São Miguel, destaca-se atualmente como o concelho português com a maior proporção de construção de casas novas face ao parque habitacional existente. O dado, sustentado por estatísticas da Pordata e do Instituto Nacional de Estatística (INE), revela um crescimento robusto entre 2022 e 2024, consolidando o território como um caso de estudo no dinamismo imobiliário regional e nacional. Entre 2021 e 2023, o concelho registou a conclusão de mais 143 habitações familiares em comparação com o triénio anterior, atingindo uma densidade de 117,2 alojamentos por km2.
Para o presidente da Câmara Municipal de Lagoa, Frederico Sousa, os números são um sinal de vitalidade. “Estes indicadores confirmam a Lagoa como um concelho em crescimento, com uma oferta habitacional em expansão”, afirma o autarca em nota de imprensa enviada às redações, sublinhando que a estratégia local tem resultado num “mercado imobiliário dinâmico”. No entanto, por trás destes indicadores, os números revelam também desafios crescentes de acessibilidade. Embora a autarquia defenda que este cenário reforça a atratividade para famílias e investidores, a realidade dos preços sugere uma pressão inflacionista superior à dos seus vizinhos diretos.
Em 2024, o valor mediano da avaliação bancária na Lagoa atingiu os 1.291 euros por metro quadrado. Este indicador é fundamental para justificar o novo peso regional do concelho: apesar de estar abaixo da média nacional (1.662 euros), a Lagoa já se tornou o segundo município mais caro da sua zona de influência em São Miguel, superando o custo do imobiliário em concelhos vizinhos como a Ribeira Grande ou Vila Franca do Campo. Esta ascensão é explicada por uma subida acentuada de 23,4% nos valores de avaliação desde 2021, um ritmo que coloca o mercado local sob forte pressão.
A análise detalhada dos dados de transação expõe ainda o fosso entre o mercado de construção nova e o de casas usadas. Quem procura habitação nova no concelho enfrenta um preço mediano de 1.835 euros por metro quadrado, um valor substancialmente superior aos 1.248 euros pedidos pelas casas já existentes. Este diferencial de quase 50% indica que a nova oferta imobiliária está a entrar no mercado com preços que refletem um posicionamento de elite, distanciando-se progressivamente da realidade económica de muitas famílias locais.
Em suma, os dados confirmam que a Lagoa deixou de ser uma alternativa periférica para se tornar um motor de construção nova. Contudo, como refere o autarca lagoense, se por um lado a Lagoa é o “município com maior proporção de casas novas em relação às existentes”, o sucesso estatístico traz consigo o risco da gentrificação, uma vez que a valorização imobiliária em dois dígitos poderá, a curto prazo, comprometer a mesma acessibilidade que o município procura promover. Este risco é sustentado pelo fosso entre a valorização imobiliária e o poder de compra local: com os preços das casas novas a subirem num ritmo que ultrapassa largamente a evolução dos rendimentos médios nos Açores, a Lagoa enfrenta o desafio de evitar que a nova oferta residencial se torne exclusiva para segmentos de alto rendimento, alienando a população jovem e a classe média que o município pretende fixar.

A Câmara Municipal reagiu oficialmente à contestação gerada pelo novo preçário do Aquafit – Health & Fitness Club, que entra em vigor a 1 de janeiro de 2026. Em resposta ao nosso jornal, a autarquia justifica os aumentos — que atingem os 37% no Cardiofitness — como uma medida para assegurar a “continuidade do serviço, a estabilidade da operação e a manutenção de padrões de qualidade”.
Questionada sobre a fundamentação técnica para tais agravamentos, a entidade gestora aponta para o aumento de custos em áreas como a “manutenção técnica especializada, energia e recursos humanos qualificados”, sublinhando que a revisão reflete a “necessidade de garantir fiabilidade e condições adequadas de utilização aos utentes”. No entanto, não foram fornecidos dados específicos sobre o peso real destes encargos no orçamento da infraestrutura.
Um dos pontos mais polémicos é a redução dos benefícios para os grupos mais vulneráveis. Sobre o corte de 20% para 15% nos descontos para idosos e recomendações médicas, a autarquia afirma que continua a “atribuir-lhes prioridade”, justificando que o benefício para maiores de 65 anos “mantém-se como o desconto mais elevado atualmente em vigor”. Para a gestão, a decisão procura um “equilíbrio entre sensibilidade social e sustentabilidade do serviço”. Como alternativa, a autarquia da Lagoa remete os cidadãos para o programa municipal “Saúde em Movimento”, que disponibiliza aulas gratuitas ao ar livre.
Relativamente ao polémico prazo de desistência, que termina esta quarta-feira, 31 de dezembro, coincidindo com a época festiva, a autarquia assegura que a comunicação permitiu “tempo para análise, esclarecimento de dúvidas e tomada de decisão informada”. Contudo, questionada diretamente pelo nosso jornal sobre o número de desistências já formalizadas ou o volume de contestação recebido, a autarquia optou por não avançar dados concretos, limitando-se a afirmar que as “reações iniciais” estão a ser acompanhadas com “total disponibilidade e serenidade” e que não existe qualquer situação “fora do expectável”.
A partir de 1 de janeiro, o novo preçário será aplicado automaticamente a todos os utentes que não manifestaram a sua desistência formal até ao final do dia 31 de dezembro.

Bruno Pacheco
Há muito que o país evita decidir o que quer fazer com o seu território e foge da questão da regionalização “como o diabo foge da cruz”.
Tudo parece sempre mau demais, arriscado demais, inconveniente demais. O debate em torno das CCDR, as tais comissões das “regiões-plano”, é apenas mais um episódio dessa hesitação prolongada, em que se muda a forma para não tocar no essencial.
Desde que os governos do PS, liderados por António Costa, decidiram “regionalizar” as CCDR, mas nem tanto, acumulam-se incongruências políticas travestidas de reforma. Confesso, aliás, que continuo a não perceber as hesitações do meu PS quanto à regionalização do retângulo. Um partido que se afirma e se quer reformista não pode ter medo de enfrentar as sombras de um mau referendo no final da década de 90. Está na hora de encarar o tema de frente.
Nos últimos tempos, temos vindo a assistir a uma reforma das CCDR’s. Meio na sombra e com distribuição de louros pelas partes. Ora “toma lá uma presidência. Ora dá cá uma vice-presidência”. Andamos nisto. O modelo de escolha das lideranças das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, instituído em anteriores legislaturas, passou agora a contemplar também a eleição de alguns vice-presidentes. Um modelo quase esquizofrénico que, além de proliferar vices à boa moda de uma visão jacobina da administração, consegue executar uma notável pirueta política: um presidente eleito por uma câmara corporativa, acompanhado por alguns vices igualmente eleitos; e outros vice-presidentes nomeados por ministros temáticos, a quem reportam diretamente, passando por cima do presidente supostamente eleito. Percebem? Pois. Provavelmente não.
Depois, “meio mundo dos partidos” fica admirado com a escalada dos populismos, os da extrema-direita e outros travestidos de movimentos “liderados por beatos e beatas disfarçados/as”, que avançam a todo o gás. Pudera… poucas coisas alimentam mais a desconfiança democrática do que processos que simulam participação enquanto esvaziam a decisão.
Do ponto de vista institucional, o modelo é profundamente desconfortável e irracional. As tais comissões continuam a ser estruturas do Estado central, sem autonomia própria, mas passaram a ser capturadas por uma lógica de partilha do território entre aparelhos partidários. Não são órgãos regionais eleitos pelos cidadãos, nem entidades técnicas independentes. Habitam um espaço cinzento, onde o poder existe sem responsabilidade política clara, e isso é um péssimo serviço prestado ao regime democrático.
Este meio-termo revela um país que não quer assumir a regionalização, mas que já não consegue sustentar a centralização como virtude. Um país que receia criar regiões com legitimidade própria, mas aceita, sem grande resistência, a partilha informal do poder regional e sub-regional.
O mais curioso é que tudo isto é feito em nome da descentralização. Mas descentralizar não é apenas deslocar o centro da decisão alguns metros abaixo na hierarquia do Estado. Descentralizar é atribuir poder com legitimidade direta, rosto e responsabilidade perante os cidadãos. Nada disso acontece aqui.
O que acontece é outra coisa: uma administração regionalizada que ganha aparência eleitoral, mas perde clareza institucional; um sistema que reforça a influência dos partidos sem reforçar o escrutínio democrático; uma solução que se pretende prudente, mas acaba por ser opaca.
Não tenhamos dúvidas de que é mais honesto, intelectualmente e politicamente, seguir um de dois caminhos claros. Ou assumir uma regionalização política, com regiões eleitas diretamente, competências definidas e responsabilidade democrática: um caminho exigente, mas coerente. Ou, em alternativa, reconhecer que as CCDR são instrumentos da administração central e tratá-las como tais, com nomeações transparentes, critérios técnicos e controlo público efetivo.
O que parece cada vez menos sustentável é este simulacro de decisão. Chamar “eleição” a um processo em que a escolha já foi feita; chamar “descentralização” a um modelo que apenas redistribui influência no mesmo círculo; chamar “reforma” a um arranjo que evita enfrentar a questão de fundo.
Do Torreão da Fajã, olhando o território do “retângulo” com a distância suficiente que o Atlântico permite, a impressão é simples: o país continua a gerir o território como quem adia uma conversa difícil. E, enquanto não decidir o que quer ser, centralizado ou regionalizado, continuará a inventar soluções intermédias que resolvem pouco, confundem muito e, pelo caminho, alimentam os Venturas da vida.
Nota final de apreço à postura do atual Presidente da CCDR Norte, o António Cunha, que, enfrentando os arranjinhos, vai a votos contra o candidato do bloco central. Em frente, António.

Os deputados municipais do município do Nordeste aprovaram, por maioria, a proposta de orçamento para 2026. O documento, que apresenta uma receita de 11,3 milhões de euros, mereceu os votos favoráveis dos eleitos pelo PSD (18) e do CHEGA (1) e abstenções do PS (3) e do CHEGA (1).
Na apresentação do Plano e Orçamento, o presidente da Câmara Municipal do Nordeste, António Miguel Soares, referiu que o documento foi elaborado de acordo com as receitas previstas respeitando o princípio do equilíbrio orçamental.
Estão previstos investimentos em vários domínios fundamentais, como sejam a educação, infraestruturas, ação social, ambiente, turismo e modernização digital dos serviços administrativos.
A maior fatia do orçamento está canalizada para a habitação, com aproveitamento de fundos do PRR – Plano de Recuperação e Resiliência, não descurando o apoio social às famílias nordestenses através da manutenção dos apoios financeiros para a habitação, requalificação do parque habitacional social e da dinamização dos programas ocupacionais e de estágios.
António Miguel Soares referiu, também, a construção de algumas infraestruturas que se revestem de grande importância para o concelho e a continuidade do cumprimento das metas definidas pelo FAM – Fundo de Apoio Municipal. Os projetos previstos realizar no próximo ano contarão com financiamento proveniente de fundos comunitários e de fundos próprios do município.
Entre as prioridades está a habitação, na qual o município pretende adquirir e construir habitação social com apoio do PRR num montante que ronda um milhão de euros.
A autarquia também pretende investir cerca de um milhão de euros no desporto e lazer, com ênfase para a construção de um pavilhão desportivo na vila. Valor semelhante consta dos contratos-programa com as juntas de freguesia para manutenção de arruamentos agrícolas e rurais.

Júlio Tavares Oliveira
Professor de PLNM
Licenciado em Estudos Portugueses e Ingleses
Pós-Graduado em Português Língua Não Materna
Gostava de falar um pouco da “nossa”, da “minha” POC – Perturbação Obsessivo-Compulsiva, reconhecida como nos indica o site do Serviço Nacional de Saúde, como “uma doença psiquiátrica que, como o próprio nome indica, se caracteriza pela presença de obsessões e/ou compulsões” e, sem ser nenhum especialista médico, mas como utente, unicamente, falo, na verdade, apenas como sou, estando acompanhado, por um especialista, há tempo suficiente para entender que isto não é, para ninguém, fácil.
De facto, a minha Perturbação realiza-se mais no campo das obsessões permanentes: são pensamentos repetitivos, impulsos ou imagens repetitivas, que me atormentam todos os dias, e que surgem de forma bastante intrusiva e independente da vontade da pessoa – da minha vontade –, provocando imensa ansiedade, sofrimento e mal-estar. Daí surge, no meu caso, a necessidade exaustiva de perguntar “se está tudo bem”, de verificar, com os outros, até à exaustão, se os ofendi, magoei, se estão bem ou mal (e isso pode levar-nos até às compulsões).
As minhas obsessões, confesso, são de várias naturezas específicas: são verificativas, intrusivas, com pensamentos ruminados constantemente que geram uma ansiedade aflita; à necessidade obsessiva de controlar o que está ao meu redor, e o que mais amo e estimo, protegendo até a um limite que muitos considerariam excessivo, agressivo e limitativo da sua liberdade.
Uma das minhas maiores consequências negativas de ter POC, nem por isso, é a de, definitivamente, ter perdido, justamente, pessoas muito importantes pelo caminho, estreito, da minha Felicidade, que se vá vazando aos poucos de Esperança; pessoas que, no nosso caminho, vão aparecendo, pessoas bonitas, que se afastam, porque julgam-me um caso perturbador da sua paz, da sua essência e da sua Liberdade embora seja perturbado todos os dias, na minha paz, por uma doença mental que, de facto, lhes pode afetar também, e bastante – como o Alzheimer, o Parkinson, a Esquizofrenia, e outras patologias, julgo, afetam não só os utentes, mas as pessoas ao seu redor.
As mudanças repentinas, e exaustivas, de humor, a falta constante, e persistente, de forças, de ânimo, as contradições, o cansaço e a desmotivação plena, em alguns dias, levar-nos-iam pela minha rotina – mental e física – diária: pensamentos intrusivos e tóxicos, misturados com desejos absortos e abstratos, difíceis de controlar; até às naturezas mais diversas das minhas obsessões e compulsões, que, ora aqui, ora acolá, me deixam só sozinho comigo mesmo na minha indefinição mais comum de todos os dias.
A solidão é, assim, uma constante. Porque as pessoas não estão prontas para essa conversa. Mas nem por isso lidamos de bem com a solidão que se traduz, essa, em isolamento. Repetimos a nós próprios que “isto vai passar”, mas nunca verdadeiramente passa – e, mudando de vida, as coisas levam-nos, volta e meia, ao ponto de partida – à “nossa” velha amiga, a doença mental.
A Perturbação Obsessivo-Compulsiva é uma doença mental, e depois?! As pessoas, como eu, não escolhem ter as doenças físicas ou mentais que têm; mas podem optar por fazerem as pazes com a sua doença, na sua aceitação e no tratamento correto, e rigoroso, que lhes compete.
Foi isso que eu fiz há bem pouco tempo, procurando, em primeiro lugar, ajuda especializada. Comecei, devagarinho, a aceitar os meus maiores erros, as minhas maiores falhas; aqueles que a minha doença originou, e que me levou a rejeitar, até com agressividade, aceitar, de ânimo leve, circunstâncias normais da vida: fins de relacionamentos, opções de vida, respostas negativas, são alguns exemplos.
A doença mental que me levou a ter, para com pessoas muito importantes na minha vida, comportamentos indesejados ou perigosos, em fase, que estava, de descontrolo, são hoje arrependimentos que, por causa de uma condição, se manifestam, hoje, na sua máxima potência; mas, na verdade, aprendi a caminhar, de pés descalços, sobre o vidro fino da minha saúde mental.
Aprendi que nenhum Caminho é definitivo, nem nós somos definitivos, e que nenhuma doença mental é incurável; porque tem cura. Como todas, a POC – Perturbação Obsessivo-Compulsiva –, associada a ansiedade e à depressão regulares, pode ser controlada: seja com fármacos, com psicoterapia, seja com a nossa vontade extrema de mudar. Essa vontade traduz-se em prática regular de exercício físico, uma alimentação boa e equilibrada, uma boa higiene do sono, meditação, para quem gosta, e vontade própria em ser diferente consigo mesmo, tratando-se melhor, e com os outros, seus mais próximos.
Fala-vos alguém que já está “aqui”, neste ponto de paragem, há muitos anos, e que toma vários medicamentos diariamente, pela sua saúde. Fala-vos alguém, agora, que vos diz: sim, é possível ter uma vida completamente normal com a “nossa” doença mental, viver com ela, e dormir com ela, aceitando como ela “é”.
A “nossa” doença mental não nos define, nem nos limita a sermos quem quisermos e a perseguirmos os nossos sonhos. A “nossa” doença mental não diz absolutamente nada sobre a nossa própria vontade de mudança, de sermos outros, da nossa essência. Retocada, limada, bem aceite, e fazendo as pazes com ela, no nosso coração, podemos até, depois de descer ao fundo do poço, crescer muito com ela ao nosso lado, ali, a “vigiar-nos” na sua influência constante: a nossa doença mental não é uma catástrofe ou uma condenação para toda a vida. E contra toda a resistência e opressão que a tua doença mental impõe, sê forte, admite, e o Tempo encarregar-se-á, devagarinho, de uma cura. Um passo de cada vez…

A Câmara Municipal do Nordeste volta a apostar num programa de passagem de ano para os nordestenses e que ao mesmo tempo contribua para o setor do turismo, em especial para os serviços de alojamento, restauração e similares.
De acordo com nota de imprensa enviada às redações, a aposta visa voltar a proporcionar, gratuitamente, a quem opte por passar o final de ano no Nordeste, o “maior bolo-rei dos Açores” e espumante, assim como, no espetáculo de fogo de artificio e numa banda que animará a Praça da República a partir das 23h00.
A animação deste ano estará a cargo da banda Blackout prolongando-se o serão com o DJ Amorim.
O município do Nordeste refere, em comunicado, que tem apostado num programa de natal que preencha todo o mês de dezembro, tendo proporcionando para o efeito animação variada no centro histórico da sede do concelho durante as sextas-feiras que antecedem o dia 24 de dezembro.
Na primeira sexta-feira de dezembro a autarquia inaugurou a iluminação de Natal da sede do concelho, coincidido, como vem acontecendo nos últimos anos, com a saída do Epic Azores percurso dos 100km, evento que atrai muito público à Praça da República para assistir ao arranque da prova.
Na sexta-feira de 12 de dezembro houve feirinha de doces, através da participação de várias instituições do concelho e de alguns particulares, e animação para as crianças.
A última sexta-feira do mês, 20 de dezembro, foi preenchida com um concerto de natal na Matriz de São Jorge promovido e executado pelas filarmónicas Eco Edificante da Vila do Nordeste e Marcial Troféu.

Já se encontram abertas as candidaturas às Bolsas de Estudo de Mérito e às Bolsas de Estudo para Estudantes Deslocados, no âmbito do regulamento municipal recentemente revisto, anunciou esta segunda-feira, 29 de dezembro, a Câmara Municipal de Lagoa.
O período de candidaturas decorre de 29 de dezembro a 27 de janeiro próximo, tendo sido efetuadas algumas alterações ao regulamento, que visam reforçar o apoio aos estudantes do concelho e promover maior equidade, clareza e transparência no processo de atribuição das bolsas.
O regulamento estabelece que as bolsas deixam de ser cumulativas entre si, podendo cada estudante candidatar-se apenas a uma das modalidades, seja bolsa de mérito ou bolsa para estudantes deslocados. No entanto, procedeu-se a um aumento significativo do valor atribuído, passando cada bolsa de estudo de 700,00 euros para 1.000 euros.
As 30 bolsas de mérito mantêm-se, deixando de existir a distinção entre licenciatura e mestrado, e aumentou-se o número de bolsas para estudantes deslocados de 50 para 80 bolsas, das quais 78 destinam-se a estudantes que frequentem estabelecimentos de ensino superior fora da ilha de São Miguel e duas a estudantes que frequentem estabelecimentos de ensino superior em países Estado-Membro da União Europeia.
Relativamente à bolsa de mérito, a média mínima exigida é de 15 valores. No caso das bolsas para estudantes deslocados a frequentar um país da União Europeia, foram clarificados os critérios de análise, nomeadamente no que se refere à avaliação com base nos ECTS.
Com esta medida, a autarquia refere que “pretende continuar a apoiar a prossecução de estudos de nível superior por parte dos jovens lagoenses, contribuindo para o seu percurso académico e para o desenvolvimento social e educativo do concelho”.
Todos os interessados poderão consultar o Regulamento Municipal das Bolsas de Estudo e submeter a candidatura, exclusivamente, online, através do portal oficial da Câmara Municipal de Lagoa.
Para esclarecimentos adicionais, os interessados deverão contactar a Câmara Municipal de Lagoa.

O projeto para a instalação do Centro de Cuidados Renais no Tecnoparque da Lagoa, na ilha de São Miguel, foi formalmente dado como sem efeito pela autarquia lagoense. A decisão da Câmara Municipal surge após meses de silêncio por parte da empresa promotora, a Medifarma – José Horácio Rego Sousa, Lda., que havia solicitado um alargamento substancial dos prazos para o início da operação da unidade.
O Diário da Lagoa apurou que a candidatura da Medifarma ao programa municipal “Lagoa Investe” foi aprovada em dezembro de 2024, prevendo a ocupação do Lote 29 do parque tecnológico. No entanto, o processo entrou num impasse quando o promotor solicitou que a entrada em funcionamento fosse adiada. Segundo confirmou a autarquia, “o promotor apresentou o pedido de alargamento do prazo para início das obras de construção, até aos 3 anos a contar da data de assinatura do contrato e que o período para entrada em operação da unidade fosse alargado para os 6 anos”.
A Câmara Municipal de Lagoa recusou a pretensão em maio de 2025, invocando a salvaguarda do interesse público. Perante a ausência de resposta da empresa nos meses seguintes, a autarquia decidiu encerrar o processo, sendo que em “11 de novembro de 2025, [a Câmara] informou ao promotor que toma a ausência de resposta como perda de interesse por parte daquela Empresa, dando assim sem efeito a candidatura”, lê-se na resposta oficial enviada ao nosso jornal.
As suspeitas em torno deste investimento foram levantadas originalmente pelo Bloco de Esquerda (BE). O deputado António Lima denunciou que o projeto privado é promovido pelo irmão da presidente do Conselho de Administração do Hospital Divino Espírito Santo (HDES), Paula Macedo. Para os bloquistas, a intenção de externalizar o serviço de hemodiálise do hospital público coincidia com o avanço deste centro privado e com a retirada das verbas para obras na unidade pública do Plano de Investimentos para 2026.
No parlamento açoriano, a maioria composta por PSD, CDS-PP e Chega rejeitou os requerimentos do BE para audições urgentes, o que o partido classificou como uma tentativa de “esconder as razões” da decisão. Questionada oficialmente sobre o projeto e as razões para o pedido de adiamento da obra, a empresa Medifarma não enviou qualquer resposta até ao momento. Por outro lado, a Direção Regional da Saúde tem reiterado que não existe uma decisão final sobre a privatização do setor, apesar de os registos municipais confirmarem a existência de um plano empresarial estruturado para a instalação da referida clínica.
Com o cancelamento do projeto do Centro de Cuidados Renais e a ausência de garantias de investimento na unidade pública do HDES, o modelo de prestação de cuidados aos doentes renais em São Miguel permanece sem uma definição clara por parte das autoridades regionais.