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Assembleia Municipal de Ponta Delgada aprova Orçamento de 99,4 milhões de euros para 2026

O plano, viabilizado por maioria, prevê um investimento de 16,1 milhões de euros do PRR e a alocação de 70% das verbas a funções sociais e educação. Segundo a autarquia, o documento assegura o equilíbrio das contas públicas com um saldo positivo superior a 1,5 milhões de euros

© CM PONTA DELGADA

A Assembleia Municipal de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, aprovou o Orçamento Municipal para o ano de 2026, que fixa um valor global de 99,4 milhões de euros. De acordo com nota de imprensa enviada às redações, a proposta contou com os votos favoráveis do PSD e Santa Clara Vida Nova, a abstenção do PS, Chega e Movimento Ponta Delgada para Todos, e o voto contra da Iniciativa Liberal.

Do montante total previsto, 84,65 milhões de euros destinam-se à gestão direta do Município e 14,8 milhões de euros aos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS). O orçamento apresenta um crescimento de 3,56% em comparação com 2025, sendo que a autarquia prevê um aumento de 14% nas receitas correntes. Um dos pilares financeiros do plano é o reforço do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que assegura 16,1 milhões de euros para a habitação. Este investimento será direcionado para projetos de construção e reabilitação nas freguesias de São José, São Sebastião, Fajã de Baixo, Arrifes, Santa Clara e Ginetes. No que diz respeito à política fiscal, a autarquia confirmou a manutenção do IMI no mínimo legal (0,3%), a participação no IRS em 3,5% e a Derrama em 1%, mantendo a isenção para empresas com faturação até 150 mil euros.

Ao nível das funções sociais, que representam mais de 70% das Grandes Opções do Plano, o documento destaca a conclusão da nova escola EB/JI de Fenais da Luz e da Residência Universitária, com capacidade para 120 camas. Estão também previstas requalificações nas escolas das Capelas, Fajã de Cima e São Vicente Ferreira, além do financiamento de programas de apoio social como o Housing First e o Cartão PDL Sénior. Na área da cultura, o orçamento assegura o financiamento da iniciativa Ponta Delgada 2026 – Capital Portuguesa da Cultura.

No setor das infraestruturas e ambiente, o planeamento para 2026 inclui o reforço da recolha seletiva de resíduos, a requalificação da rede viária municipal e o arranque do Centro Administrativo e Logístico do Centro Histórico. O orçamento contempla ainda a transferência de três milhões de euros para as 24 juntas de freguesia através de contratos interadministrativos e investimentos no desporto, como a requalificação do Campo de Futebol de Santo António.

PSD Lagoa justifica abstenção no Orçamento Municipal com falta de transparência e metas

Vereador Rúben Cabral justifica a decisão com a ausência de indicadores de desempenho e a manutenção da gestão direta do ginásio municipal Aquafit, que classifica como “concorrência desleal”

© DL

O vereador do PSD na Câmara Municipal da Lagoa, Rúben Cabral, justificou esta terça-feira, 23 de dezembro, a abstenção do partido na votação da proposta de Plano e Orçamento Municipal para 2026, apontando o que considera serem “fragilidades estruturais relevantes” nos documentos e a ausência de metas quantificadas por parte da autarquia.

De acordo com o comunicado enviado às redações, a decisão reflete a falta de indicadores de desempenho e de estudos de impacto, mantendo-se, na visão do PSD, um modelo de gestão “excessivamente centralizado” que limita a autonomia das Juntas de Freguesia. Para Rúben Cabral, estas lacunas comprometem a transparência num momento de responsabilidade acrescida, devido à execução de fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e do PO2030.

Apesar da posição de abstenção, o PSD salienta que apresentou 20 propostas concretas para o documento, abrangendo áreas estratégicas como a educação, saúde mental, ambiente e apoio social, procurando alinhar o orçamento com o programa eleitoral apresentado aos lagoenses.

“Foi precisamente em resposta a tais fragilidades que, mantendo uma postura responsável e construtiva, nos abstivemos. Mas apresentámos 20 propostas concretas para inclusão no Plano e Orçamento, procurando reforçar áreas que o PSD considera estratégicas para o concelho, como a educação, o combate às dependências, a saúde mental, o ambiente, a economia local, a juventude, o apoio social, a mobilidade, a cultura e as finanças municipais”, realça o social-democrata.

Uma das propostas centrais da oposição passava pela concessão da exploração do ginásio municipal Aquafit à iniciativa privada. O PSD defende que a gestão direta por parte da Câmara Municipal configura uma situação de “concorrência desleal” perante o tecido empresarial local. No entanto, a proposta foi rejeitada pela maioria socialista, que optou por manter o ginásio sob alçada pública, introduzindo apenas alterações ao modelo de exploração.

O vereador critica, ainda, a recente atualização de preços no Aquafit, alegando que a medida foi adiada por conveniência política para o período pós-eleitoral, o que gerou contestação entre os utentes. Rúben Cabral reforça, por fim, que a autarquia deve concentrar-se nas suas responsabilidades fundamentais e apoiar quem investe no concelho, em vez de insistir na gestão direta de negócios que deveriam pertencer ao setor privado.

Governo regional formaliza criação da Casa dos Açores do Havai

Nova instituição em Hilo torna-se a 20.ª Casa dos Açores no mundo e a terceira nos Estados Unidos, consolidando a presença da diáspora no Pacífico

© SRAPC

O Governo regional dos Açores formalizou a criação da Casa dos Açores do Havai, reforçando a rede global destas instituições e reconhecendo oficialmente a presença de uma comunidade que liga o Atlântico ao Pacífico. O ato oficial concretizou-se através da assinatura de um protocolo de cooperação no passado dia 19 de dezembro, em Hilo, na Big Island, tornando esta a vigésima Casa dos Açores no mundo e a terceira a operar nos Estados Unidos da América, após as fundações na Califórnia e na Nova Inglaterra.

Segundo nota de imprensa do Governo regional dos Açores, a nova instituição nasce da iniciativa de um grupo de açordescendentes das ilhas de Hawai’i, Maui, O’ahu e Kaua’i, liderado pela professora Marlene Andrade Hapai. O projeto resulta de diligências da Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades desenvolvidas ao longo do último ano, respondendo a uma aspiração da comunidade que remontava à década de 1980.

O secretário regional com a tutela das Comunidades, Paulo Estêvão, afirma que este passo traduz uma visão de futuro ancorada na identidade e na capacidade de projeção global do arquipélago. O governante destaca a afinidade profunda entre os dois territórios, ambos de génese vulcânica e moldados pela resiliência e centralidade do oceano, sublinhando que esta ligação cria oportunidades de cooperação em áreas como o desenvolvimento sustentável, a ciência e a cultura.

O protocolo foi assinado pelo secretário regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura, em representação do presidente do Governo, José Manuel Bolieiro, num evento que contou com a presença do diretor regional das Comunidades, José Andrade.

A base histórica desta ligação remonta ao período entre 1878 e 1913, quando mais de 14.000 açorianos emigraram para o Havai para trabalhar na cana-de-açúcar, transportando tradições que ainda hoje persistem, como as Festas do Espírito Santo.

Para o futuro próximo, a comunidade açordescendente planeia a construção, a expensas próprias, do Centro Cultural Saudades. A obra representa um investimento estimado em dois milhões de dólares e tem inauguração prevista para 2026, onde ficará instalada a sede da Casa dos Açores do Havai. Nos últimos quatro anos, o Governo regional apoiou a criação de quatro novas Casas dos Açores, consolidando uma rede que integra agora comunidades em Portugal, Brasil e Estados Unidos.

Almério & Cordeiro celebra 40 anos de história com foco na expansão e compromisso social

O Grupo empresarial sediado na freguesia do Cabouco, cidade da Lagoa, assinalou quatro décadas de atividade juntando mais de uma centena de funcionários, parceiros e clientes. O grupo reforçou ainda o seu pilar de responsabilidade social através de um donativo aos Bombeiros de Ponta Delgada

Liberto Correia e Sofia Correia entregando o apoio à associação humanitária de Ponta Delgada © DL

O Grupo Almério & Cordeiro, sediado na freguesia do Cabouco, na cidade da Lagoa, assinalou este domingo, 21 de dezembro, quatro décadas de atividade com um almoço de Natal que reuniu mais de uma centena de funcionários, parceiros e clientes. O evento serviu não só para celebrar o crescimento de um negócio que hoje conta com mais de 50 máquinas em operação e presença nas ilhas Graciosa e São Jorge, mas também para reforçar o seu pilar de responsabilidade social através de um donativo aos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada.

Atualmente gerida por Liberto Correia e pela sua filha, Sofia Correia, a empresa foi fundada em 1985 por Almério e o seu cunhado, Cordeiro. Desde então, o percurso tem sido de investimento contínuo. “Trata-se de uma data marcante”, afirmou Sofia Correia em declarações ao Diário da Lagoa, justificando a decisão de reunir colaboradores de várias ilhas para este aniversário. A gerente destacou que o habitual donativo da empresa foi este ano integrado na celebração dos 40 anos, mantendo uma ligação estreita com os Bombeiros de Ponta Delgada que já dura há três anos de forma consecutiva, recordando inclusive a primeira visita ao quartel, onde o presidente João Paulo Medeiros lhes apresentou o funcionamento da instituição.

Funcionários de diversas ilhas juntaram-se na Lagoa para celebrar os 40 anos de atividade do grupo empresarial © DL

O gesto foi amplamente enaltecido pelo presidente da associação humanitária, João Paulo Medeiros, que lamentou a falta de responsabilidade social de grande parte do tecido empresarial face à importância da proteção civil, reforçando que a atitude da Almério & Cordeiro deveria ser seguida por mais entidades. Segundo o dirigente, a Almério & Cordeiro é um exemplo raro de abnegação, apoiando a corporação não apenas financeiramente, mas também logisticamente, como acontece na cedência gratuita de equipamentos e condutores a algumas iniciativas. “É uma empresa que demonstra que o sucesso merece ser partilhado”, sublinhou.

Durante a celebração, Liberto Correia dirigiu-se aos presentes para agradecer o esforço coletivo que sustenta o grupo empresarial. Num discurso marcado pela gratidão, o empresário homenageou os fundadores, mencionando-os e pedindo uma salva de palmas para Eduardo Cordeiro, presente no evento. Liberto Correia reforçou ainda que o sucesso da caminhada se deve à amizade e união entre funcionários, família e amigos, mostrando-se ambicioso quanto ao futuro. Embora o foco atual passe por consolidar a operação, a gerência admite o desejo de continuar a expandir a marca pelo arquipélago, mantendo a filosofia de dar um passo de cada vez.

Autarquia da Lagoa esclarece limpeza de detritos e apela à colaboração dos munícipes

A Câmara Municipal assegura que a limpeza da Baía de Santa Cruz é regular, mas admite dificuldades em travar deposições indevidas de lixo devido à falta de flagrantes. Perante o cenário de detritos denunciado pelo Diário da Lagoa, a autarquia apela ao civismo e à denúncia direta por parte dos munícipes para garantir a preservação do património local

Cenário registado no passado dia 18 de dezembro junto à berma na zona da Baía de Santa Cruz © DL

A beleza natural da Baía de Santa Cruz, na cidade da Lagoa, foi recentemente confrontada com a acumulação de detritos junto à berma, uma situação que motivou o questionamento do nosso jornal à autarquia. Em resposta, a Câmara Municipal da Lagoa (CML) esclareceu que acompanha a manutenção dos espaços públicos, intervindo sempre que são identificadas situações de “deposição indevida de resíduos”.

A autarquia lagoense sublinha que estas ocorrências, embora tratadas com ações de limpeza e vigilância, são de difícil fiscalização. “Em muitos casos, a identificação dos responsáveis é difícil, uma vez que a deposição de resíduos acontece, frequentemente, de forma isolada e sem testemunhas”, explica a Câmara Municipal, notando que esse facto “limita uma atuação mais direta sobre os infratores”. Ainda assim, a CML garante que, sempre que é possível identificar os autores, “são adotadas as medidas adequadas”.

Relativamente ao comportamento da comunidade, a Câmara entende que “a grande maioria dos munícipes demonstra um comportamento cívico e responsável”, associando o lixo encontrado a “práticas pontuais que importam prevenir e corrigir”. Para o efeito, a autarquia afirma que continua a apostar na sensibilização e na divulgação de meios como o ecocentro municipal e os serviços de recolha disponíveis.

A autarquia lagoense reforça ainda que os cidadãos podem e devem “comunicar estas situações aos serviços municipais”, uma ação que considera fundamental para uma “intervenção mais rápida e eficaz” na valorização do espaço público e da qualidade de vida no concelho.

Utentes do Aquafit na Lagoa contestam aumento de preços em 2026

O Aquafit anunciou uma atualização de preços que inclui agravamento da mensalidade em todas as modalidades e a redução de descontos sociais para idosos e utentes com recomendação médica

© DL

O Aquafit, que opera no Complexo de Piscinas Municipais da Lagoa, na ilha de São Miguel, anunciou uma atualização generalizada do seu preçário com entrada em vigor a 1 de janeiro de 2026. A decisão está a gerar uma onda de contestação entre os utilizadores. A análise detalhada efetuada pelo nosso jornal, comparando o preçário de 2025 e 2026, revela aumentos que, na modalidade de Cardiofitness Livre via débito direto, atingem os 37%, passando de 27 euros para 37 euros mensais.

Na natação para bebés, dos sete aos 36 meses, o custo por uma sessão semanal via débito direto sobe de 38 euros para 47 euros, representando um agravamento de cerca de 23%. No caso da natação dos três aos 18 anos, a subida é igualmente acentuada, pois a mensalidade, para uma vez por semana, passa de 25 euros para 32 euros, enquanto a frequência de duas vezes por semana sobe de 38 euros para 47 euros. Já a natação para adultos, nas duas vezes por semana, sofre um aumento de 32 euros para 39 euros mensais.

Para além do aumento das mensalidades, os benefícios sociais foram revistos em baixa. Os descontos para maiores de 65 anos de idade e para utentes com recomendação médica para o exercício físico, que em 2025 são de 20%, sofrem um corte, passando para 15% em 2026. O novo preçário estabelece ainda que, para os residentes no concelho da Lagoa manterem o desconto de 15%, deverão agora apresentar obrigatoriamente um comprovativo de residência fiscal. Outros custos menores também acompanham a subida, como é o caso da touca de natação, que passa de três euros e meio para cinco euros. Por outro lado, a taxa de inscrição, que inclui o seguro, mantém-se inalterada no valor de 20 euros.

Em comunicado enviado aos utentes, o Aquafit justifica estas medidas com o aumento generalizado dos custos de funcionamento e a necessidade de assegurar padrões de qualidade e a fiabilidade operacional a longo prazo. Contudo, o método de adesão está a causar desconforto, dado que a entidade informou que a não manifestação de desistência até 31 de dezembro de 2025 será entendida como uma aceitação tácita das novas condições de pagamento.

O nosso jornal já contactou o Aquafit, enviando um conjunto de questões sobre os critérios destes aumentos e o corte nos benefícios sociais, aguardando as respetivas respostas por parte da entidade responsável.

Grupo de Cantares Tradicionais de Santa Cruz celebra aniversário com Cantata de Natal

© CM LAGOA

O Convento de Santo António, na cidade da Lagoa, será o palco da Cantata de Natal do Grupo de Cantares Tradicionais de Santa Cruz, no próximo dia 26 de dezembro, às 20h30. O evento assume um significado especial, uma vez que assinala simultaneamente o 29.º aniversário do grupo fundado em dezembro de 1996.

A génese do Grupo de Cantares remonta a uma iniciativa espontânea de um conjunto de santacruzenses — Clemente Cabral Raimundo, Maria da Conceição Tavares Martins Ponte, Maria de Lurdes Soares Ventura, Rosa Maria Silva Almeida Borges e Durval Manuel de Sousa Arruda — que, movidos pelo espírito natalício, decidiram recuperar a tradição de cantar as boas festas a amigos e familiares, conferindo um novo colorido às celebrações na Lagoa.

Ao longo de quase três décadas, o grupo consolidou o seu percurso, formalizando-se como associação a 14 de abril de 2000. O seu contributo para a cultura local foi reconhecido publicamente em diversas ocasiões, destacando-se a atribuição da medalha de mérito pela Câmara Municipal da Lagoa, em 2009, e pela Junta de Freguesia de Santa Cruz, em 2018. No seu currículo discográfico contam-se três álbuns editados: “Ilhas de Encanto” (2009), “Germinações” (2018) e “Músicas de Natal” (2022).

Atualmente, o Grupo de Cantares Tradicionais de Santa Cruz conta com 45 elementos, sob a direção artística de Álvaro Cabral e a presidência de Fernando Jorge Moniz, continuando a ser uma referência viva na preservação do património musical e das tradições da região.

Navio da Marinha transporta bens essenciais para apoiar crianças na ilha do Pico

Atualmente em missão na Zona Marítima dos Açores, o navio levou a cabo uma missão especial de Natal, assegurando o transporte de cerca de 850kg de bens essenciais entre São Miguel e a ilha do Pico

Navio da Marinha participa em iniciativa solidária nos Açores © MARINHA PORTUGUESA

O navio-patrulha oceânico NRP Sines, da Marinha Portuguesa, realizou este domingo, 21 de dezembro, o transporte de cerca de 850kg de bens essenciais para a ilha do Pico, nos Açores. A iniciativa, integrada na ação de solidariedade “Um gesto, uma Mudança”, teve como objetivo apoiar a Obra Social Madre Maria Clara e as crianças em situação de vulnerabilidade social acompanhadas por esta instituição.

Atualmente em missão na Zona Marítima dos Açores, o navio patrulha assegurou a ligação marítima entre São Miguel e o Pico para entregar um total de 500kg de alimentos, 150kg de roupa, 50kg de produtos de higiene e 150kg de brinquedos. A operação de entrega contou também com o apoio da Capitania do Porto da Horta, garantindo que os donativos cheguem às famílias durante a época natalícia.

Com esta ação, a Marinha Portuguesa salienta, em comunicado, que reforça o seu compromisso com a coesão social e o apoio direto às populações locais, reafirmando o empenho em fortalecer os laços de proximidade com as comunidades do arquipélago através de meios que vão além da sua missão estritamente militar.

Capital humano português no mundo marca encerramento do ano do Conselho da Diáspora Portuguesa

Atualmente o Conselho da Diáspora tem mais de 370 conselheiros e conselheiras, presentes nos cinco continentes e em mais de 40 países

© AGÊNCIA INCOMPARÁVEIS/CDP

O Conselho da Diáspora Portuguesa encerrou o ano de 2025 com o seu encontro anual, realizado no último dia 18 de dezembro, no Pestana Cidadela Hotel, em Cascais, reunindo as principais figuras do Estado, da diplomacia e da economia para “afirmar o capital humano da diáspora” como ativo estratégico de Portugal, reforçar a cooperação institucional entre conselhos e sublinhar o papel das comunidades portuguesas na projeção internacional do país.

Em declarações ao Jornal “As Notícias”, o presidente do Conselho da Diáspora Portuguesa, António Calçada de Sá, fez um balanço positivo do encontro anual da instituição, sublinhando o envolvimento das mais altas entidades do Estado português e o cumprimento dos objetivos estratégicos definidos.

“Este encontro anual cumpre plenamente os objetivos, desde logo pela agenda, pelo poder de convocatória e pela presença institucional que conseguimos assegurar”, afirmou.

Entre os destaques do encontro, António Calçada de Sá salientou o apoio expresso pela Presidência da República e pelo Governo portugueses.

“Tivemos a presença de dois secretários de Estado, o depoimento do nosso vice-presidente honorário, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, e o encerramento com o Presidente da República de Portugal, que voltou a manifestar todo o apoio à diáspora portuguesa”, referiu, sublinhando ainda o crescimento da estrutura desde a sua fundação.

“Em 2012 éramos 24 fundadores. Hoje somos mais de 370 conselheiros e conselheiras, presentes nos cinco continentes e em mais de 40 países”, afirmou, considerando que este percurso demonstra a consolidação e relevância do Conselho da Diáspora Portuguesa.

No plano institucional, António Calçada de Sá destacou o reforço do protocolo entre o Conselho da Diáspora Portuguesa e o Conselho das Comunidades Portuguesas.

“Trabalhamos conjuntamente. Para mim, não há “Portugais” nem divisões. Isto é por Portugal e para Portugal, de forma inclusiva”, declarou.

Segundo este responsável, a cooperação entre as duas estruturas é essencial para a afirmação do Conselho da Diáspora.

prioridade estratégica do Estado”

© AGÊNCIA INCOMPARÁVEIS/CDP

“Um Conselho de Diáspora relevante tem de ser visível, útil, plural e transformador”, afirmou, sublinhando que essa pluralidade assenta na participação de portugueses e portuguesas espalhados pelo mundo.

“É daí que nasce a nossa vocação e o acordo que temos com o Conselho das Comunidades Portuguesas”, concluiu.

A importância desse protocolo foi também referida pelo presidente do Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Portuguesas, Flávio Martins.

“Já há mais de cinco anos que procurávamos desenvolver ações conjuntas e uma maior aproximação com o Conselho da Diáspora Portuguesa, em especial com o seu presidente, António Calçada de Sá”, afirmou ao Jornal “As Notícias”, Flávio Martins.

De acordo com este responsável, o protocolo, assinado em julho, na Assembleia da República, envolve estruturas com enquadramentos institucionais distintos, mas objetivos convergentes, uma iniciativa que responde também a uma orientação do Presidente da República portuguesa no sentido da cooperação entre conselhos ligados às comunidades portuguesas.

Sobre a sua presença no encontro, o presidente do CP-CCP considerou-a relevante para consolidar essa cooperação institucional.

“Este encontro permite aprofundar relações, alinhar estratégias e criar condições para projetos comuns, incluindo entre os jovens dos dois conselhos”, reiterou.

Por sua vez, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel, que participou no encontro do Conselho da Diáspora Portuguesa através de uma mensagem em vídeo, garantiu que a diáspora portuguesa continua a ser uma prioridade estratégica do Estado.

“Hoje, como sempre, a diáspora portuguesa é uma prioridade dos governos portugueses e também deste Governo”, declarou, sublinhando o diálogo mantido com o Conselho da Diáspora e os resultados alcançados.

“Temos tido um diálogo com o Conselho da Diáspora com muitos resultados concretos”, acrescentou o ministro, que destacou o papel dos fóruns Euro África e Euro Américas, promovidos pelo Conselho.

“Quero salientar o trabalho magnífico que têm feito, quer no Euro África, quer no Euro Américas, fóruns que tanto têm trazido a Portugal”, disse, apontando ainda a relevância das interações da diáspora em vários pontos do mundo.

“A vossa missão é fundamental. São, se quiserem, uma extensão da nossa enorme e altamente competente máquina diplomática”, afirmou Rangel, que, na parte final da mensagem, o ministro apelou ao envolvimento da diáspora em duas candidaturas consideradas estratégicas para o país. A primeira é a candidatura de Portugal a um lugar não permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

“A eleição terá lugar em junho de 2026. Há três países candidatos para dois lugares e todo o esforço, formal e informal, é importante para ganhar esta eleição”, comentou, defendendo a imagem de Portugal como “um país construtor de pontes no sistema internacional”.

Paulo Rangel apelou ainda ao apoio à candidatura da cidade do Porto a sede da Autoridade Aduaneira da União Europeia.

“Para aqueles que vivem e trabalham no espaço da União Europeia, seria muito importante dar visibilidade a esta candidatura”, realçou, sublinhando a capacidade da diáspora para afirmar temas estratégicos portugueses nos países onde está inserida.

país com presença ativa à escala global”

© AGÊNCIA INCOMPARÁVEIS/CDP

A encerrar, o ministro reiterou a confiança no papel das comunidades portuguesas no exterior.

Também em declarações ao Jornal “As Notícias”, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, classificou como “muito importante” a sua participação no encontro do Conselho da Diáspora Portuguesa, sublinhando a relevância estratégica do diálogo estabelecido.

“Foi um encontro extremamente importante e permitiu apresentar o projeto que temos para as comunidades portuguesas e para a afirmação de Portugal no mundo”, afirmou.

Durante a sua fala, Emídio Sousa destacou a visão de um país com presença ativa à escala global.

“Assumimos a nossa capacidade de estarmos em todo o mundo de forma profundamente ativa, enquanto uma comunidade trabalhadora, integrada e de sucesso”, declarou, enquadrando essa ambição no conceito de Portugal Nação Global. Segundo o governante, este projeto terá o seu arranque formal nos dias 29 e 30 de abril, num evento a realizar em Lisboa.

“Será um momento de afirmação de um novo conceito de portugalidade, associado não apenas a um território geográfico, mas a uma nação presente em todos os continentes e em todas as comunidades”, afirmou Emídio Sousa, que defendeu que a sua presença no encontro contribuiu para clarificar a nova abordagem do Governo às comunidades portuguesas.

“A participação neste evento permitiu explicar a nova dimensão estratégica que damos às comunidades portuguesas e será um elemento catalisador do sucesso do evento de abril”, concluiu.

Uma visão que mereceu a atenção do secretário de Estado da Economia de Portugal, João Rui Ferreira, que destacou o papel estratégico da diáspora portuguesa na projeção económica de Portugal, sublinhando a sua capacidade de adaptação e de criação de valor em contextos internacionais diversos.

“A diáspora portuguesa é, de facto, extraordinária. É um grande fator de orgulho e um grande fator de motivação para o país”, afirmou.

Durante a sua intervenção, João Rui Ferreira valorizou o perfil cultural dos portugueses enquanto agentes económicos globais, salientando a flexibilidade e a inteligência relacional como ativos distintivos.

“Os portugueses não se impõem pela força, impõem-se pela capacidade cultural, pela forma de comunicar e pela maneira como constroem relações”, declarou, defendendo um posicionamento assente num “orgulho moderado”, distante de posturas arrogantes.

O governante destacou ainda a aptidão dos portugueses para operar em mercados muito distintos, ajustando estratégias e práticas de negócio às realidades locais.

“É totalmente diferente fazer negócio na Arábia Saudita, na Dinamarca, nos Estados Unidos ou na China, e os portugueses têm uma grande capacidade de se adaptar a cada um desses contextos”, referiu, considerando essa competência determinante para o sucesso internacional das empresas nacionais.

João Rui Ferreira sublinhou igualmente a importância da comunicação intercultural e da leitura dos diferentes mapas culturais no desenvolvimento económico externo.

“A forma como comunicamos, como conduzimos reuniões ou como tomamos decisões varia muito entre culturas, e os portugueses conseguem posicionar-se bem nesses diferentes quadrantes”, afirmou.

Ainda no início do evento, o presidente da Câmara Municipal de Cascais, Nuno Piteira Lopes, destacou a importância da história e da cultura como base da afirmação de Portugal no mundo, defendendo a continuidade do país enquanto nação relevante e solidária.

“Assumimos a ligação histórica e cultural para que Portugal continue a existir como uma nação relevante”, afirmou.

exportar Portugal para o mundo”

© AGÊNCIA INCOMPARÁVEIS/CDP

No plano identitário, o autarca sublinhou a relação entre passado e presente na construção do país.

“É a história que faz o povo e é o povo que faz a nossa nação. A história é um palco contínuo onde gerações se unem”, declarou, além de referir que a diáspora portuguesa é peça estratégica para o futuro nacional.

“A nossa diáspora é fundamental, porque são os seus membros que exportam Portugal para o mundo e deixam marcas no estrangeiro”, disse, salientando o contributo das comunidades portuguesas nas áreas empresarial, cultural e desportiva.

Nuno Piteira Lopes reforçou ainda o papel de Cascais neste contexto, assumindo o município como centro de ligação às comunidades portuguesas no exterior.

“Cascais é a vila global portuguesa por excelência e a capital europeia da diáspora portuguesa”, afirmou, agradecendo ao Conselho da Diáspora Portuguesa a escolha do concelho como sede.

“Acreditamos na diáspora portuguesa. Cascais é para todos, dentro e fora das nossas fronteiras”, concluiu.

A fechar o evento, discursou Marcelo Rebelo de Sousa, presidente de Portugal, mencionando que seria a sua última intervenção enquanto presidente honorário do Conselho da Diáspora portuguesa.

O chefe de Estado português sublinhou o papel central da diáspora na projeção internacional de Portugal e o soft power português como um dos principais ativos estratégicos do país.

“Temos um soft power poderosíssimo”, afirmou, resultante da história, da geografia, da diplomacia, das Forças Armadas e, sobretudo, da diáspora portuguesa espalhada pelo mundo.

Marcelo sublinhou ainda que a dimensão real da diáspora portuguesa é frequentemente subestimada, defendendo que o país é, hoje, numericamente maior fora do que dentro do território nacional. O presidente destacou também o crescimento progressivo do Conselho, desde um núcleo inicial até à consolidação de uma rede global de excelência, reunindo portugueses de referência nas áreas da educação, ciência, tecnologia, cultura e empresariado.

O seu discurso terminou com um apelo mobilizador aos conselheiros da diáspora, convocando-os para uma atitude ativa, inconformista e criativa ao serviço do país.

“Continuem insubmissos e rebeldes, isso é fundamental, não deixem de sonhar”, e concluiu, citando a cultura portuguesa como motor de futuro: “Porque, como dizia um grande poeta português, é pelo sonho que vamos”.

O Conselho da Diáspora Portuguesa (CDP), que reúne 376 conselheiros portugueses presentes em 44 países dos cinco continentes, realizou a 10.ª edição do Encontro Anual, em Cascais, sob o tema “A Diáspora como Capital Humano”.

O encontro contou com a presença de 200 convidados, incluindo líderes políticos e conselheiros de todo o mundo, que debateram a forma como as soft skills dos portugueses, como empatia, capacidade de adaptação e inteligência relacional, aliadas a formação, mérito, resiliência e visão, fortalecem a imagem de Portugal no mundo.

Ponta Delgada integra lista dos destinos nacionais mais procurados para a Passagem de Ano

© CM PONTA DELGADA

A cidade de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, é um dos destinos portugueses mais procurados por viajantes internacionais para a Passagem de Ano de 2025/2026, de acordo com dados divulgados pela agência de viagens online eDreams.

A análise da plataforma coloca a cidade açoriana num grupo restrito de destinos nacionais de eleição, que inclui também Lisboa, Porto, Funchal e Faro, confirmando a tendência de procura externa por Portugal durante a quadra festiva.

Em comunicado, a Câmara de Ponta Delgada associa estes resultados ao investimento realizado na programação de Natal e de fim de ano, inserido numa estratégia que visa combater a sazonalidade turística e dinamizar a economia da região fora do período de verão.

A autarquia sublinha ainda que o posicionamento da cidade como destino atrativo e competitivo é fruto de um trabalho conjunto com parceiros do setor, nomeadamente a Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada, a AHRESP e a Associação de Hotelaria.

Segundo a autarquia da maior cidade do arquipélago açoriano, a articulação estratégica pretende consolidar a visibilidade de Ponta Delgada e dos Açores no mercado turístico internacional, reforçando a imagem da cidade enquanto centro culturalmente dinâmico e preparado para o acolhimento de visitantes durante todo o ano.