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Azores Beef Fest celebra a qualidade da carne açoriana 

Centenas de pessoas reuniram-se no recinto da Feira de Santana, no concelho da Ribeira Grande, para degustar o melhor da carne açoriana em mais uma edição do Azores Beef Fest

© ACÁCIO MATEUS
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As filas para adquirir as senhas dos menus são longas e obrigam a largos minutos de espera. Primeiro espera-se pela compra das senhas e depois, noutras três filas, volta-se a esperar pela comida. Por 10 euros cada, são três os menus disponíveis para degustação no Azores Beef Fest: carne Tomahawk e T-Bone com batata trufada e salteado de couve e bacon, carne de Picanha e Vazia com cuscuz e queijo de São Jorge e Hambúrguer da quinta com queijo acompanhado de batata nova com alecrim. Centenas fizeram questão de esperar para provar o que de melhor se produz nos Açores. Sara Mendes veio com a família da Povoação até à Vila de Rabo de Peixe, na Ribeira Grande. “Acho que está bem organizado, a comida está boa, a porção até nem é má, para o preço que é. Está agradável e vai haver animação para os miúdos às 14 horas, portanto, é bom”, diz a participante que não teve de esperar muito porque chegou cedo.

André Borba da Associação do Núcleo de Criadores de Raças de Carne da Ilha Terceira considera que “é um evento muito interessante que valoriza a carne dos Açores. Acho que é uma boa iniciativa e a carne está muito boa”. Ruben Coelho também faz parte da mesma associação: “eu acho que é um evento que dignifica um pouco também a agropecuária e a carne que é produzida cá nos Açores. E acho que só tem a valorizar o sector com actividades e eventos dessa dimensão”.

Eduardo Carreiro vem de Ponta Delgada: “eu gosto da carne mal-pensada e esta está ótima. É um evento muito engraçado, fora do comum e parece que está bem organizado”.

© ACÁCIO MATEUS

Sérgio Carmo é chefe de cozinha. Está junto a um colorido varal com diferentes tipos de carne, legumes e até fruta, e explica-nos do que se trata. “Aqui a carne vai ganhando um pouco de temperatura, vai cozinhar lentamente através de lenha, de carvão, nós vamos colocar aqui. Ela depois é levada para uma caixa térmica e finalizada na grelha”, diz.

Para o presidente da Associação Agrícola de São Miguel, “estes eventos servem essencialmente para dar notoriedade àquilo que se faz, à nossa extraordinária qualidade da carne que nós temos na Região Autónoma dos Açores”. Jorge Rita diz que um dos desafios passa por valorizar aquilo que se vende menos: “o que temos feito nos últimos tempos é demonstrar de uma forma pedagógica como é que se pode ter hábitos diferentes de alimentação da carne, que é o aproveitamento da carcaça. Lombos e Vazias, nós sabemos que se vende e houvesse mais, e mais não dava. As outras peças que são tão nobres como os lombos é vazias temos muitas dificuldades”.

Para o responsável da Associação Agrícola de São Miguel, “aquilo que se faz sempre para dar notoriedade àquilo que é a produção dos Açores nós temos que estar sempre todos na primeira linha da frente. E este exemplo deve ser dado de dentro para fora. Apesar de nós não acreditarmos naquilo que fazemos, naquilo que somos, dificilmente vamos convencer os outros a acreditar naquilo que fazemos e naquilo que somos. Portanto, o desafio é nosso”.

© ACÁCIO MATEUS

Entre as centenas de pessoas que decidiram visitar o evento e degustar a carne açoriana, encontrámos António Cavaco, cozinheiro e gastrónomo. “Para além da sociabilidade e do convívio e da identidade cultural que nos liga ao território, ele é importante para promover e dar notoriedade aos produtos regionais, principalmente à carne. Temos de ganhar espaço. Os produtos têm que ganhar espaço. As pessoas têm que os afirmar. E estes são pequenos eventos que acabam por projetar esse produto e vincá-lo no mercado, ganhar posição”. O gastrónomo entende que a gastronomia açoriana “é riquíssima” e só “precisa de pequenos ajustes que têm a ver com a disponibilidade humana, a apresentação do produto e, sobretudo, o serviço. Aquilo que nós chamamos, ou que eu chamo vulgarmente, a cultura da gastronomia ou a cultura do turismo. Nós temos pouca cultura turística. É preciso ganhar cultura turística. E essa cultura turística passa pela apresentação dos produtos, pela disponibilidade dos equipamentos e pela confecção de disponibilidade humana”, destaca. 

Já o presidente da câmara municipal da Ribeira Grande, Jaime Vieira, destaca a qualidade da carne açoriana “devido ao facto de ainda termos uma agricultura onde o verde das pastagens e a sua beleza fazem também com que os alimentos que os próprios animais ingerem, isso faz com que a carne também tenha uma qualidade diferente. Aliás, ainda somos aqui uma terra onde o natural ainda existe e a carne dos Açores, que vem também de uma beleza ou de uma excelência também dos nossos terrenos, promovem acima de tudo a qualidade que a mesma tem. E não digo isso apenas porque sou de cá, digo isso por conhecimento de causa. E quando vê outros restaurantes fora dos Açores, a carne não é a mesma coisa, é diferente”. 

O Azores Beef Fest  é organizado pelo CERCA, Centro de Estratégia Regional para a Carne dos Açores. O evento decorreu no passado dia 18 de julho, no espaço do recinto de Santana, na Vila de Rabo de Peixe, concelho da Ribeira Grande, na ilha de São Miguel. Durante toda a tarde, foram servidas centenas de refeições, havendo ainda espaço para animação musical e infantil.

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