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“A relação entre o IHGSC e a Região Autônoma dos Açores é marcada por uma proximidade singular”

Em entrevista, o antropólogo e historiador Luiz Nilton Corrêa, que preside o Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina (IHGSC), reforça o papel da Biblioteca Açoriana Machado Pires como o maior centro de referência da cultura insular no Sul do Brasil e destaca os novos projetos de digitalização da memória transatlântica

Luiz Nilton Corrêa é presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina © DIREITOS RESERVADOS

O Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, no Brasil, entrou numa nova fase sob a liderança de Luiz Nilton Corrêa, antropólogo e historiador com percurso académico entre os Açores e Salamanca, assumindo a presidência com a meta de consolidar a instituição no cenário digital e global. Aos 130 anos de existência, o IHGSC mantém-se como referência na construção da identidade catarinense, num Estado marcado por sucessivas matrizes migratórias e por um processo histórico de afirmação territorial e cultural. A nova gestão tem como eixo estruturante a digitalização e democratização do acervo, que inclui milhares de fotografias históricas, mapas, manuscritos e periódicos, ampliando o acesso público e académico à memória documental do Estado.

No plano institucional, a presidência de Luiz Nilton reforça a dimensão internacional do Instituto, destacando a relação entre a entidade e a Região Autónoma dos Açores, descrita como marcada por uma proximidade singular, materializada em projetos conjuntos, intercâmbios científicos e na consolidação da Biblioteca Açoriana Machado Pires como centro de referência no Sul do Brasil.

Para assinalar os 130 anos, o Instituto organiza o seu primeiro Congresso Internacional, dedicado ao tema da identidade em construção, iniciativa que pretende projetar Santa Catarina no debate académico global e reafirmar o papel histórico da entidade na articulação entre memória, ciência e futuro.

Em entrevista à nossa reportagem, Luiz Nilton Corrêa, 48 anos, antropólogo, historiador e presidente do Instituto, falou sobre os novos projetos e as ações previstas, além da ligação aos Açores.

DL: Ao assumir a presidência do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, quais foram as prioridades de gestão definidas e que mudanças estruturais procurou implementar na entidade?
Assumir a presidência de uma instituição como o Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina (IHGSC), com seus 130 anos de protagonismo na formação da identidade catarinense, é aceitar uma responsabilidade de magnitude singular. Santa Catarina é, por definição, um mosaico cultural. Com uma população que se aproxima dos oito milhões de habitantes, o estado abriga uma herança plural: estima-se a presença de três milhões de descendentes de italianos, dois milhões de alemães e 1,5 milhão de açorianos. Essa base se entrelaça com matrizes africanas e correntes migratórias austríacas, polonesas, ucranianas, holandesas, húngaras e japonesas, consolidando uma diversidade rara. A construção de uma identidade coesa nesse cenário exigiu o esforço contínuo de identificar heróis e ícones que nos unissem, como o poeta Cruz e Sousa, a heroína Anita Garibaldi e o mestre Victor Meirelles. O IHGSC foi o arquiteto desse processo, promovendo marcos como o Congresso Internacional de História de 1948, que foi o divisor de águas na afirmação da identidade açoriana no litoral. A nossa missão remonta às origens do Estado. A primeira grande tarefa do Instituto foi a consolidação do território catarinense durante a Questão do Contestado; missão que levou os nossos pesquisadores até os arquivos de Lisboa em busca dos fundamentos jurídicos que garantiram nossas fronteiras. O IHGSC não apenas ajudou a definir o mapa de Santa Catarina, mas também a alma de seu povo.

DL: O Instituto tem desempenhado um papel central na preservação da memória catarinense. Como avalia hoje o impacto do trabalho desenvolvido pela instituição na produção e difusão do conhecimento histórico e geográfico do Estado?
Com 130 anos de trajetória, o IHGSC consolidou-se, durante décadas, como a única instituição dedicada à salvaguarda da memória catarinense. É imperativo notar que as primeiras universidades do Estado surgiram apenas sete décadas após a fundação do Instituto: a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 1960 e a Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) em 1965. Até esse marco, o IHGSC não apenas preservava, mas exercia um papel ativo na construção e modulação da memória e da identidade regional, protagonismo que mantém até hoje através de rigorosa produção científica e eventos acadêmicos que influenciam a historiografia do Estado. Um exemplo contemporâneo dessa atuação decisiva ocorreu em 2015, quando o Instituto apresentou o estudo que redefiniu a data de fundação de Florianópolis. O marco inicial, anteriormente fixado em 1723, foi retificado para 1673, comprovando que o povoamento iniciou-se com a chegada de Francisco Dias Velho. Tal descoberta não apenas alterou a idade da capital, mas reafirmou o compromisso do IHGSC em atuar, de forma viva e técnica, na revisão e no fortalecimento da nossa história.

DL: O projeto de digitalização das imagens e acervos de Santa Catarina, conhecido nos últimos dias, representa um avanço importante na democratização do acesso à memória. Em que fase se encontra essa iniciativa e quais os principais desafios técnicos e financeiros enfrentados?
Este projeto marca o compromisso inicial de minha gestão: a digitalização e a democratização do acesso a um acervo de mais de oito mil fotografias históricas. São registros que retratam conflitos, momentos políticos decisivos, paisagens e marcos que moldaram o território catarinense nos últimos dois séculos. Este é apenas o passo inaugural. As imagens serão disponibilizadas no portal do IHGSC em alta resolução e sob licença de uso livre, mediante apenas o crédito à nossa instituição. O nosso horizonte, contudo, é ainda mais vasto. Guardamos mais de 350 mapas antigos, milhares de manuscritos e uma biblioteca que abriga obras raras e seculares. Destaco também a nossa coleção de periódicos, como a Revista do IHGSC, cujas edições iniciais remontam a 1902. Todo este tesouro documental será gradualmente transposto para o meio digital, fomentando a pesquisa e o desenvolvimento científico. É fundamental ressaltar que tais conquistas não decorrem de orçamentos cativos, mas de uma busca incansável por fomento. Cada iniciativa é fruto de projetos submetidos a editais e de um esforço contínuo de “bater às portas” em busca de recursos. Muitas vezes, o êxito não vem na primeira tentativa; elaborar o projeto é, talvez, a etapa mais célere diante do desafio persistente da viabilização financeira.

DL: De que forma a digitalização do acervo pode contribuir para investigadores, escolas, universidades e para a própria valorização da identidade catarinense no contexto nacional e internacional?
A democratização deste acervo não é apenas um ato administrativo, mas a abertura de um portal para novas possibilidades de pesquisa e compreensão da identidade catarinense e, por extensão, da brasileira. Cada estado do Brasil encerra uma realidade singular, com contextos e origens de difícil comparação. As imagens que estamos disponibilizando possuem o poder de transmutar a imaginação em formas concretas. Sejam paisagens, tipos humanos ou eventos decisivos, elas conferem materialidade ao que os textos narram, elevando a fotografia do papel de mera ilustração ao status de fonte primária de análise. Uma vez integradas à rede, essas fontes estarão acessíveis a pesquisadores em qualquer parte do globo, materializando a promessa original da internet: o acesso universal à informação de qualidade, chancelado pelo rigor de uma instituição centenária como o IHGSC.

DL: Ao completar 130 anos de existência, que significado institucional e simbólico atribui a esta marca histórica para o Instituto e para o Estado de Santa Catarina?
Sustento que o IHGSC preserva, com justiça, o título de principal instituição cultural do Estado. Essa primazia não decorre apenas da sua longevidade, mas de seu papel vital nas ciências humanas, materializado em inúmeras publicações anuais e na custódia de acervos singulares. O nosso corpo social é composto por mais de 300 pesquisadores, entre membros eméritos, efetivos e correspondentes, distribuídos globalmente. Contamos com personalidades da vida política do Brasil e de Portugal, diretores de renomadas instituições internacionais e acadêmicos laureados com vasta produção bibliográfica. São intelectuais de diversas gerações e áreas de atuação, todos conscientes da sua responsabilidade institucional na construção contínua da identidade catarinense. Para uma entidade sem fins lucrativos, movida pelo trabalho honorífico e pela vocação de serviço público, alcançar os 130 anos em plena vigência de suas atividades é um marco de profunda relevância simbólica.

DL: Estão previstas celebrações ou ações comemorativas pelos 130 anos? Que tipo de programação está a ser organizada e qual o público que pretendem alcançar?
Fundado em 7 de setembro de 1896, o IHGSC aproxima-se de um marco histórico extraordinário. Para celebrar este jubileu, planejamos uma agenda de eventos que culminará na realização do I Congresso Internacional do IHGSC. Nesta edição inaugural, o tema central será a “Identidade como elemento em constante construção”, um reflexo da própria essência desta Casa. Alinhado à tradição de rigor científico que norteia os congressos que organizo, em parceria com renomados pesquisadores e instituições, este certame pretende consolidar-se como uma atividade perene. Mais do que celebrar a longevidade do Instituto, este congresso internacional é o testemunho vivo de sua vitalidade, reafirmando nossa projeção acadêmica e nosso compromisso com o futuro de Santa Catarina.

DL: Olhando para o futuro, quais são os principais projetos estratégicos do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina e como a entidade pretende manter-se relevante num cenário cada vez mais digital e globalizado?
O Instituto precisa ocupar o seu espaço neste cenário de transformações disruptivas. A tecnologia hoje atua como uma ferramenta de produção intelectual que potencializa a missão do IHGSC. Através da Inteligência Artificial e da digitalização, as nossas ações ganham escala, mas o que impulsiona esse crescimento é, essencialmente, a necessidade humana de preservação identitária.
Atravessamos uma transição de paradigma que rivaliza com a Revolução Industrial, marcada por uma celeridade que desafia as adaptações sociais. Nesse contexto, a cultura e a história tornam-se os principais ativos de estabilidade e sentido. Se o autoconhecimento é a chave para navegar o futuro, ele passa, obrigatoriamente, pela decifração do nosso passado. O IHGSC, portanto, reafirma a sua relevância como o guardião da base necessária para essa nova etapa da experiência humana.

DL: Qual o papel dos açorianos na formação de Florianópolis e de Santa Catarina no geral?
À semelhança do restante das Américas, o território que hoje compreende Santa Catarina já era densamente habitado quando da chegada dos primeiros europeus. O cenário era o prolongamento do contexto vivido na Europa: o fim da Idade Média e o desfecho das Guerras de Reconquista na Península Ibérica, cujas táticas e mentalidades se estenderam ao Novo Mundo. Com o declínio drástico das populações originárias, surgiu a necessidade premente de povoamento para a consolidação da posse lusa sob o princípio do uti possidetis. Nesse panorama, os açorianos, que já haviam protagonizado levas migratórias em direção ao Grão-Pará e Maranhão no século anterior, aportaram em Santa Catarina em meados do século XVIII, a partir de 1748. A sua chegada marcou o início de um processo de urbanização singular: as comunidades eram semeadas em torno de pequenas praças centrais, presididas por capelas e igrejas, criando núcleos que deram origem às principais cidades do litoral catarinense e gaúcho. Esse pioneirismo conferiu aos açorianos o protagonismo na fundação das primeiras malhas urbanas do Estado, precedendo em um século a imigração germânica e italiana. Mais do que construções físicas, esse período gerou um amálgama cultural profundo: a herança açoriana absorveu e preservou saberes dos povos locais, o que se reflete ainda hoje na toponímia de nossas cidades. Lugares como Itajaí, Camboriú e Garopaba exibem essa dualidade fascinante: nomes de raiz indígena que guardam uma história de matriz açoriana.

DL: Que traços ainda hoje persistem? O Instituto tem projetos específicos sobre esta história comum entre Santa Catarina e os Açores?
O IHGSC mantém parcerias sólidas e históricas com instituições de prestígio, como a Universidade dos Açores e o Governo Regional dos Açores. O histórico marco de 1948 não foi apenas o despertar de uma identidade até então silenciada, mas o alicerce para décadas de cooperação científica. Exemplo disso foi o congresso de 2018, alusivo aos 270 anos da presença açoriana em Santa Catarina, que reuniu autoridades, pesquisadores e professores de ambos os lados do Atlântico sob a coordenação desta Casa. Esse esforço estendeu-se ao Maranhão, onde o IHGSC colaborou ativamente na fundação da Casa dos Açores do Maranhão durante o congresso dos 400 anos da presença açoriana naquele Estado. Para o futuro, a nossa meta é fortalecer este arco de cooperação transatlântica. Pretendemos não apenas ampliar o volume de publicações conjuntas, mas também estabelecer programas de formação e apoio para alunos brasileiros em instituições açorianas. São iniciativas exequíveis que reafirmam o papel do IHGSC como uma ponte entre o passado comum e o futuro compartilhado.

DL: Qual a relação do IHGSC com o governo açoriano?
A relação entre o IHGSC e a Região Autônoma dos Açores é marcada por uma proximidade singular, distinguindo-se das demais matrizes migratórias de Santa Catarina. Essa conexão transatlântica materializa-se de forma exemplar na Biblioteca Açoriana Machado Pires, sediada nas dependências do nosso Instituto. Fruto do projeto da professora Vilca Merízio, culminou com a doação da Direção Regional das Comunidades, de um acervo que reúne obras fundamentais de autores açorianos, servindo como um centro de referência para pesquisadores e interessados na cultura insular. Mais do que um repositório de livros, a Biblioteca Machado Pires é o símbolo vivo da cooperação técnico-científica e diplomática que une o IHGSC ao Governo dos Açores, consolidando o Instituto como o principal guardião dessa memória no Sul do Brasil.

DL: O que pode o Instituto fazer pelo Estado e vice-versa?
A continuidade das atividades do IHGSC é vital para Santa Catarina, transcendendo o valor de seu acervo histórico e documental. Partimos do princípio de que a identidade é um sistema mutável, um organismo vivo em constante construção. Hoje, novas dinâmicas migratórias, que incluem haitianos, venezuelanos, russos e diversos outros povos, somam-se às matrizes tradicionais para reconfigurar a demografia e a cultura catarinense. O papel do Instituto, portanto, não é estático; ele se renova ao decodificar essas novas camadas da nossa formação humana. Em contrapartida, o Estado encontra no IHGSC a base técnica e científica para compreender sua própria evolução. É uma relação de mútua necessidade: enquanto o Instituto oferece o lastro histórico e a análise crítica, o Estado fornece o dinamismo social que mantém nossa missão em constante desenvolvimento e atualização.

DL: Por fim, quem é Luiz Niton?
Luiz Nilton Corrêa é um pesquisador cuja trajetória pessoal e acadêmica reflete o próprio movimento transatlântico que estuda. Catarinense, iniciou sua imersão na identidade açoriana em 2001, influenciado pelo Grupo Arcos. Esse despertar levou-o a um percurso de quase duas décadas na Europa, onde conciliou o trabalho para a subsistência com a vida acadêmica e a participação ativa no folclore da Relva, nos Açores. Licenciado em História e Mestre em História Insular e Atlântica pela Universidade dos Açores, dedicou o seu mestrado à migração de açorianos micaelenses para a República Dominicana em 1940, obra publicada em Portugal e pela Academia Dominicana de História. Doutor em Antropologia pela Universidade de Salamanca, com foco nas Festas do Divino Espírito Santo, Luiz Nilton hoje preside o IHGSC, onde coordena o programa de pós-doutorado e mantém sua atuação como professor convidado em instituições na Espanha e em Portugal, unindo a experiência do emigrante ao olhar do cientista social.

Segurança Pública nos Açores: O Desperdício de Recursos e a Paralisia Estratégica

António Santos
Presidente do Sinapol – Açores

A recente aprovação, pela Assembleia Legislativa Regional, de um Grupo de Trabalho para analisar o dispositivo de segurança nos Açores é um ato que, embora revestido de legitimidade, expõe uma lacuna preocupante na gestão da nossa Região a aparente desvalorização das estruturas executivas que já existem e deveriam estar em pleno funcionamento.

Enquanto representante dos polícias que garantem a ordem nas nossas nove ilhas, não posso ficar indiferente ao que considero ser um desaproveitamento incompreensível de recursos. É, no mínimo, paradoxal que se recorra ao Parlamento para obter diagnósticos e respostas que o próprio Executivo tem a obrigação e as ferramentas para produzir.

A pergunta impõe-se com rigor, por que razão o Gabinete Coordenador de Segurança (GCS) não foi instruído a elaborar um estudo técnico prévio que servisse de base a este debate?

A segurança pública nos Açores não pode ser gerida por “geometria variável” ou através de soluções de recurso. O GCS foi criado precisamente para coordenar, planear e articular a segurança de pessoas e bens uma pasta de soberania que exige foco absoluto e não admite uma gestão de “part-time”.

A questão aqui não é de nomes ou de cargos individuais, mas sim de método e eficácia. Não é institucionalmente produtivo que a estrutura responsável por coordenar a segurança na Região se perca numa acumulação de funções e assessorias. Quando o órgão que deveria ser o “cérebro” da estratégia regional de segurança é relegado para um plano secundário, a segurança fica acéfala e a resposta operacional perde o rumo.

Se o Governo Regional pretende ser um parceiro ativo na defesa da segurança, a solução não passa por criar mais grupos de trabalho parlamentares para chegar a conclusões que o terreno já conhece. Passa, sim, por profissionalizar e reativar o Gabinete Coordenador de Segurança, dotando-o de uma liderança com exclusividade e competência técnica.

Os profissionais de segurança participarão sempre em qualquer fórum de discussão construtivo, mas não podem ser cúmplices de uma gestão que privilegia a burocracia legislativa em detrimento da eficácia executiva.

Exigimos respeito pelo trabalho policial e, acima de tudo, uma estrutura de comando regional que utilize os meios que já tem ao seu dispor. A segurança pública nos Açores não precisa de mais diagnósticos políticos; precisa de uma coordenação técnica presente, exclusiva e operante.

Ponta Delgada duplica financiamento ao torneio Pauleta Azores Soccer Cup

Autarquia aumenta apoio para 30 mil euros após corte de verbas por parte do Governo regional. Pedro Pauleta sublinha que o próximo torneio terá o mesmo grau de empenho, fazendo valer aquele que é o seu principal objetivo: “fomentar o desporto junto das crianças”

© ACÁCIO MATEUS

O Município de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, vai duplicar o apoio financeiro destinado à 12.ª edição do Pauleta Azores Soccer Cup U13. O anúncio foi feito pelo presidente da autarquia, Pedro Nascimento Cabral, após uma reunião com o antigo internacional português Pedro Pauleta, promotor do evento. A proposta, a ser submetida a reunião de Câmara, prevê que a verba passe dos atuais 15 mil para os 30 mil euros.

Este reforço surge num contexto de dificuldades financeiras para a organização da prova. De acordo com Pedro Pauleta, sem o apoio da Câmara Municipal de Ponta Delgada “seria impossível” concretizar mais uma edição do Pauleta Azores Soccer Cup U13, em virtude dos cortes financeiros já anunciados pelo Governo regional.

“Infelizmente, tivemos um corte na totalidade por parte do Governo dos Açores. E, portanto, se a Câmara Municipal não duplicasse a verba seria impossível realizar o torneio”, declarou o antigo internacional, salientando o facto de o presidente da Câmara Municipal estar a “honrar o compromisso público assumido na cerimónia de abertura da edição transata do Pauleta Azores Soccer Cup U13”.

Não obstante as condicionantes financeiras, Pedro Pauleta sublinhou que o próximo torneio vai realizar-se com o mesmo grau de empenho, fazendo valer a dimensão internacional do evento e aquele que é o seu principal objetivo: “fomentar o desporto junto das crianças”.

Em breve, adiantou, serão anunciados os clubes que farão parte desta 12.ª vida do torneio, estando já confirmada a presença do Paris Saint-Germain, assim como de equipas dos Estados Unidos da América e, muito possivelmente, do Canadá. Pauleta alertou, contudo, que, “por motivos financeiros, poderá não ser possível trazer as equipas nacionais que, ao longo dos últimos anos, foram também presença habitual no Pauleta Azores Soccer Cup U13”.

Segundo a autarquia, a estratégia municipal de apoio ao desporto no concelho envolve atualmente investimentos na ordem dos 300 mil euros, abrangendo diversos clubes e modalidades, com o objetivo de gerar retorno social e dinamização económica através do turismo e comércio local.

Lagoa recebe fase regional do Campeonato Nacional de Karate e Parakarate

Competição reuniu 181 atletas em busca de apuramento para a etapa nacional no Pavilhão da Escola Secundária

© DL

A cidade da Lagoa, na ilha de São Miguel, foi o cenário, no passado dia 28 de fevereiro, da fase regional do Campeonato Nacional de Infantis, Iniciados e Juvenis de Karate e de Parakarate. O evento, organizado pela Federação Nacional de Karate – Portugal, decorreu no Pavilhão da Escola Secundária da Lagoa e serviu como etapa decisiva para o apuramento dos atletas que representarão a região na fase nacional da prova.

A competição registou um total de 205 inscrições, mobilizando 181 atletas e 24 treinadores em representação de 15 clubes provenientes de duas associações da Região Autónoma dos Açores. O programa desportivo dividiu-se entre as provas de kata (forma), realizadas durante o período da manhã, e as de kumite (combate), que ocuparam a tarde.

A organização e as entidades locais sublinharam a importância desta prova para a promoção de valores como a disciplina e o respeito, destacando a afirmação da Lagoa como um ponto de convergência para competições de dimensão regional. O evento encerrou com o reconhecimento do papel das associações e da federação na dinamização da modalidade e no incentivo a hábitos de vida saudáveis através do desporto de formação.

Os atletas da casa estiveram em evidência, com uma comitiva de 13 karatecas a alcançar diversos pódios:

Veteranos do Operário Desportivo celebram 15 anos com inauguração de sala de convívio

Espaço no Campo Municipal João Gualberto Borges Arruda servirá para encontros intergeracionais e atividades da comunidade

© DL

A Associação de Veteranos do Clube Operário Desportivo assinalou na passada sexta-feira, 27 de fevereiro, o seu 15.º aniversário com a inauguração de uma nova sala de convívio no Campo Municipal João Gualberto Borges Arruda, na cidade da Lagoa.

O novo espaço, resultante de uma colaboração entre a autarquia local e a associação, surge com o propósito de servir não apenas os associados, mas também a comunidade em geral, funcionando como um ponto de encontro e dinamização de atividades sociais.

A cerimónia oficial contou com a presença de dirigentes dos Veteranos do Operário e de representantes do município. De acordo com os responsáveis, a infraestrutura visa fomentar o espírito de equipa e a valorização do associativismo, reforçando o papel do desporto como ferramenta de integração e fortalecimento dos laços comunitários na região. Para marcar a data e a abertura do espaço, foi realizado um jogo amigável entre a equipa de veteranos e uma formação composta por funcionários da Câmara da Lagoa.

Fundada a 28 de fevereiro de 2011, a associação lagoense tem-se dedicado à prática de futebol de 11 no escalão de veteranos. Ao longo de mais de uma década, a associação tem promovido diversos intercâmbios desportivos e culturais, organizando jogos com clubes da ilha de São Miguel, bem como com equipas de Portugal Continental, Madeira e do estrangeiro, projetando o nome do concelho da Lagoa através do desporto.

Lagoense José Raimundo reconduzido como embaixador da ética no desporto

Dirigente, que assume a vice-presidência da Federação de Patinagem de Portugal, vê renovado o reconhecimento pelo seu compromisso com a integridade e os valores do fair play

© DIREITOS RESERVADOS

O dirigente José Raimundo, natural da cidade da Lagoa, na ilha de São Miguel, foi novamente nomeado embaixador da ética no desporto, numa recondução que reforça o prestígio institucional de um percurso marcado pela liderança e pelo compromisso com os valores fundamentais do desporto.

A designação para o cargo partiu de uma indicação da Federação de Patinagem de Portugal (FPP), onde o responsável desempenha atualmente as funções de presidente adjunto, tendo tido um papel preponderante no crescimento e na afirmação internacional da patinagem artística sobre rodas.

Além do seu trabalho no panorama nacional, o dirigente lagoense integra o Comité Técnico Europeu de Patinagem Artística da World Skate Europe, contribuindo para o desenvolvimento técnico da modalidade no contexto europeu e elevando o nome da sua região de origem aos patamares mais altos da gestão desportiva.

Ao longo da sua carreira, José Raimundo tem orientado a sua ação por princípios de ética e integridade, assumindo um papel que ultrapassa a gestão organizativa para focar-se na vertente pedagógica e formativa junto de atletas, treinadores e comunidades. Esta recondução como embaixador surge como um reconhecimento do impacto do seu trabalho na promoção de ambientes desportivos baseados no respeito e na inclusão, consolidando-o como uma das vozes mais ativas na valorização de uma cultura desportiva consciente.

Ao representar os Açores e, especificamente, o concelho da Lagoa neste plano nacional, a sua nomeação reforça também o compromisso do Plano Nacional de Ética no Desporto em envolver a diversidade regional na disseminação dos princípios que sustentam o desporto contemporâneo.

Campanha de solidariedade quer imortalizar o papel das mulheres nas tradições de São Jorge

Projeto “A Costela de Lilith” lançou um apelo público para transformar a curta-metragem “Domingo a Domingo” num documentário de longa duração sobre as guardiãs do Espírito Santo

© PAULO FAGUNDES

A associação cultural 9’Circos, sediada em São Miguel, deu início a uma campanha de angariação de fundos para expandir a investigação artística e social sobre a identidade feminina na ilha de São Jorge.

O projeto, que já conta com o apoio do programa internacional Iberescena, foca-se nas figuras que asseguram a continuidade da maior tradição açoriana, mas que raramente ocupam o centro das atenções. Segundo a organização, o objetivo central desta nova etapa é claro: “Queremos dar visibilidade e voz a estas mulheres, elevando o seu trabalho dos bastidores para o grande ecrã e para o palco”.

O documentário original de Liliana Janeiro revelou as mãos que amassam e as vozes que rezam, e a nova fase do projeto pretende agora envolver comunidades desde a Cooperativa de Lacticínios até à Fábrica de Conservas Santa Catarina. Apesar do protocolo com a Câmara Municipal da Calheta, a produção necessita de recursos adicionais para concretizar a longa-metragem e uma peça de teatro comunitária.

A campanha decorre na plataforma PPL com uma meta de três mil euros, funcionando sob o sistema de “tudo ou nada”. A associação sublinha a importância da participação cívica nesta missão de salvaguarda do património, convidando todos os açorianos a serem “co-produtores desta obra que honra o passado e projecta o futuro da alma jorgense”.

As contribuições para esta missão podem ser efetuadas a partir de cinco euros através do endereço eletrónico oficial da campanha.

Paulo Estêvão apela à convergência partidária para “blindar” o Subsídio de Mobilidade

Secretário regional defende convergência no parlamento dos Açores para travar imposições fiscais do Estado e reafirmar direitos constitucionais de coesão

© HUGO MOREIRA

O secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão, apelou à convergência de todas as forças políticas com assento no parlamento açoriano para travar as recentes imposições fiscais e contributivas do Estado sobre o acesso ao subsídio social de mobilidade. Segundo uma nota de imprensa enviada pelo Governo regional dos Açores, o governante aproveitou um debate de urgência na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA) para sublinhar que este é o momento de colocar a pluralidade democrática ao serviço da Autonomia.

Durante a sua intervenção, Paulo Estêvão reforçou a importância de manter a coesão demonstrada anteriormente no hemiciclo regional, onde uma anteproposta de lei sobre o tema foi aprovada por unanimidade, embora a sua urgência tenha sido posteriormente chumbada na Assembleia da República por PS e Chega.

“Apelo a que se mantenha nestas questões a unidade do Parlamento dos Açores, porque a verdade é que o Parlamento dos Açores saiu reforçado nesta matéria”, vincou o governante.

O secretário regional enquadrou a ação do executivo como uma resposta firme a decisões externas, reiterando que o Governo regional foi a primeira entidade a avançar com uma iniciativa formal para abolir as novas imposições. Na nota oficial, o governante destacou a postura do presidente do Governo Regional na defesa dos interesses do arquipélago perante o que classificou como “derivas centralistas”, lembrando que a união dos órgãos de governo próprio já permitiu reverter interpretações restritivas do Governo da República no passado.

O objetivo estratégico passa agora por agregar as propostas dos Açores, da Madeira e das diferentes bancadas em Lisboa para formar uma maioria parlamentar nacional que assegure as alterações pretendidas.

“Temos uma oportunidade única, temos uma maioria na Assembleia da República e temos de fazer uso dela para impor a vontade autónoma e blindar a legislação”, defendeu Paulo Estêvão, manifestando total abertura para o consenso.

O governante foi ainda perentório quanto à necessidade de alterar a própria nomenclatura do apoio, rejeitando o que considera ser uma visão assistencialista do Estado. Para o executivo, o termo “subsídio” é desajustado face à natureza do direito em causa.

“Não se pode chamar subsídio. Tem a ver com a coesão territorial, com os mecanismos de compensação territorial. É um direito constitucional e uma obrigação do Estado português, e é assim que tem de ser designado no âmbito da legislação que conseguirmos consensualizar”, concluiu.

Lagoa promove o concelho na BTL com aposta no turismo de natureza e património cultural

Município registou mais de 120 mil dormidas em 2025 e dinamiza passatempo na feira que oferece uma viagem à ilha de São Miguel

© CM LAGOA

O Município da Lagoa, nos Açores, marca presença na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL) para promover o concelho enquanto destino de excelência. Integrada no espaço da Associação de Municípios da Região Autónoma dos Açores, a autarquia refere em comunicado enviado às redações que encara o evento, que decorre na FIL até ao dia 1 de março, como uma montra estratégica para divulgar os seus principais ativos junto do público nacional e internacional.

Para a vereadora Albertina Oliveira, a presença na BTL constitui uma oportunidade privilegiada para dar a conhecer o que de melhor o concelho oferece, com um enfoque no turismo de natureza, onde se destacam as zonas balneares e a rede de trilhos pedestres, a par do património cultural e arquitetónico. Expressões identitárias como a arte bonecreira, a tradição da cerâmica e a gastronomia local surgem, segundo a autarquia, como elementos diferenciadores e cada vez mais procurados por quem visita a região.

Esta aposta no setor é sustentada por indicadores de crescimento apontados pela autarquia. Em 2025, a Lagoa registou um total de 120.994 dormidas nas suas 203 unidades de alojamento. No mesmo período, os três postos de turismo municipais acolheram 13.504 visitantes, números que o município pretende ver reforçados através da promoção em plataformas físicas e digitais.

Como nota de destaque nesta edição de 2026, a Câmara Municipal está a promover o passatempo “Pint’Um Peixe e Venha aos Açores”. O desafio convida os visitantes do stand (maiores de 18 anos) a pintar um peixe e a partilhar a criação nas redes sociais. A publicação deve ser acompanhada por uma frase que inclua as expressões “Lagoa” e “na rota do futuro”, além da hashtag oficial #lagoaacoresbtl2026. A participação mais original, selecionada por um júri da autarquia, será premiada com uma viagem para duas pessoas ao concelho da Lagoa.

Ouvidor da Lagoa abre Novena dos Espinhos com apelo à “sabedoria dos simples”

Padre Gil da Silva, responsável pelas sete paróquias da ouvidoria da Lagoa, é o pregador convidado para os primeiros três dias deste momento marcante da Quaresma no Santuário da Esperança

© CLIFE BOTELHO

Teve início o primeiro dia da Novena dos Espinhos, presidida pelo reitor do Santuário e com a pregação a cargo do padre Gil da Silva, ouvidor da Lagoa, que assegurará os três primeiros dias desta caminhada espiritual. O sermão foi centrado na figura de Madre Teresa da Anunciada, cuja autobiografia será explorada ao longo de toda a novena, servindo de guia para a reflexão quaresmal proposta à comunidade.

Desde o início da homilia, o pregador lançou um convite: deixar-se conduzir pela “sabedoria dos simples”. Ao percorrer as primeiras páginas da autobiografia de Madre Teresa, surge “naturalmente” a pergunta: de onde lhe vem tanta sabedoria? A resposta encontra-se, antes de mais, no ambiente familiar e, de modo particular, na influência decisiva da sua mãe, afirmou o pregador, inspirado pela leitura da autobiografia da religiosa responsável pelo impulso do culto ao Senhor Santo Cristo dos Milagres, com cerca de 130 páginas.

“Enquanto hoje se ensina os filhos e netos a ler, a dominar a matemática e a navegar no mundo digital, a mãe de Madre Teresa preocupava-se sobretudo em ensinar-lhe a servir a Deus. Incutia-lhe o gosto pelo Senhor e o desejo constante de ser melhor para O servir”, lembrou o presbítero, que é atualmente pároco no Livramento e no Cabouco. “Neste ambiente de fé simples e firme, cresceram as raízes espirituais de Madre Teresa, que desde pequena, relacionava-se ‘tu a tu’ com Deus e com Maria. À medida que crescia, pedia ajuda ao Senhor e inclinava-se diante d’Ele, num gesto de reverência que traduzia amor, respeito e consciência de serviço. Essa inclinação era também atitude interior: disponibilidade para servir os irmãos e cuidar de todos, com discrição e humildade, vivendo o Evangelho na lógica de que a mão esquerda não saiba o que faz a direita”, disse ainda.

O padre Gil da Silva sublinhou ainda que a solicitude de Madre Teresa “era enorme”. Ainda jovem, Teresa chegou a desejar casar com um homem rico, mas no mais profundo do seu coração desejava desposar Jesus Cristo. Mesmo quando teve um pretendente, rezava e pedia intercessão para discernir a vontade de Deus. Sempre tratou Jesus por “Senhor”, expressão que encerrava amor, ternura, carinho e profundo respeito. “Desde nova quis colocar a sua vida ao serviço d’Aquele que amava”, concluiu o pregador. A reflexão tornou-se também interpeladora para os fiéis presentes. “Muitas vezes queremos Jesus, mas pouco fazemos para O ter verdadeiramente. Fazemos orações piedosas, mas nem sempre estamos com Ele de coração e alma. Impõe-se, por isso, uma pergunta essencial: quando estamos com Deus, é por mero cumprimento ou porque desejamos verdadeiramente estar com Ele?”, questionou o sacerdote.

Neste tempo de Quaresma, a assembleia foi desafiada a fazer da memória de Madre Teresa um caminho de conversão: “Abraçar a sua memória para abraçarmos Aquele que ela amou”. O convite final foi claro: reconhecer o tempo que Deus concede, pedir força para não desistir e procurar maior humildade no serviço a Deus e aos irmãos, especialmente os mais vulneráveis.

A novena prossegue nos próximos dias, mantendo como fio condutor a autobiografia de Madre Teresa da Anunciada e a proposta de redescobrir, à luz do seu testemunho, a “sabedoria dos simples”. Serão ainda pregadores mais dois ouvidores de São Miguel: o padre Hélio Soares, dos Fenais da Vera Cruz, e o padre Jason Gouveia, ouvidor adjunto do Nordeste. A Festa dos Espinhos será celebrada na sexta-feira, dia 6. Durante a Novena, as visitas ao Coro Baixo estão interrompidas.