
A Biblioteca Municipal Tomaz Borba Vieira, em Lagoa, inicia na próxima sexta-feira, dia 23 de janeiro, um novo clube de leitura intergeracional que visa promover o diálogo literário entre jovens e adultos. A iniciativa da Câmara Municipal nasce da fusão de duas propostas independentes apresentadas pela escritora Avelina da Silveira e pela estudante Matilde Subica Melo, que assumem agora a dinamização e moderação das sessões mensais.
O projeto decorre regularmente na terceira sexta-feira de cada mês, entre as 17h30 e as 19h00, com um calendário que alterna entre rodas de partilha livre e o debate sobre obras específicas. O programa arranca já no dia 23 com uma sessão de leitura livre, seguindo-se, a 20 de fevereiro, o debate sobre o livro «A Cicatriz», de Maria Francisca Gama. Até ao final do ano, o roteiro inclui ainda a análise de «Memorial do Convento», de José Saramago, em abril — obra integrada no currículo escolar do 12.º ano —, e uma sessão dedicada à obra da co-moderadora Avelina da Silveira, em outubro. O clube fará uma pausa entre os meses de junho e setembro.
A colaboração entre as duas dinamizadoras reflete o espírito de partilha de experiências que a biblioteca pretende fomentar. Matilde Subica Melo, aluna do 11.º ano na Escola Antero de Quental, desenvolveu a ideia após colaborar com a biblioteca através do programa OTL Jovem, focando-se na mobilização do público escolar. Por outro lado, Avelina da Silveira traz a experiência de uma carreira ligada ao ensino e à escrita, com formação académica em Psicologia, História e Sociologia obtida no Canadá, além de ser autora de sete livros publicados em português e inglês.
Com este novo espaço de educação não formal, o município refere em comunicado que pretende incentivar hábitos de leitura e transformar a biblioteca num local de encontro e lazer para a comunidade. As sessões são gratuitas, mas requerem inscrição prévia, que pode ser formalizada através dos contactos diretos da Biblioteca Municipal Tomaz Borba Vieira ou dos canais digitais da autarquia.

Já são conhecidos os resultados da 35.ª edição do Concurso de Presépios, uma iniciativa da Câmara da Lagoa, na ilha de São Miguel, que este ano mobilizou a comunidade local com um total de 29 trabalhos a concurso. A classificação final foi apurada através de um sistema misto, combinando a avaliação presencial de um júri com um peso de 65% e a votação do público através do Facebook, com um peso de 35%.
Na categoria de Presépio Tradicional, na classe de Pessoas Singulares, Rúben Filipe Moniz Alcaidinho conquistou o primeiro lugar, seguido de Luís Alberto Cabral Arruda e Graça Ponte. No que toca às escolas e jardins de infância, o Centro Social e Cultural do Cabouco foi o grande vencedor. A Escola Octávio Gomes Filipe e a EBI Tavares Canário empataram na pontuação total, mas o voto de desempate do júri atribuiu o segundo lugar à primeira. Já na classe das Instituições, a Junta de Freguesia da Ribeira Chã alcançou a primeira posição, completando o pódio o grupo “GRUJOLA” e a Casa de Acolhimento Residencial CSNSR.
Na vertente de Presépio Original, Paulo Filipe Torres Tavares recebeu um prémio de participação na classe de Pessoas Singulares. Entre os estabelecimentos de ensino, o CATL “O Borbas”, de Santa Cruz, obteve o primeiro lugar, seguido da EBI de Água de Pau e do CATL “Mimo e Reviver”. Na categoria de Instituições, a Biblioteca da Escola Secundária de Lagoa foi a vencedora, seguida pelo Centro Sócio Cultural de São Pedro (Centro de Dia e Convívio) e pelo respetivo CATL da mesma instituição.
Os prémios variaram entre valores monetários, que chegaram aos 300 euros para os primeiros classificados, e experiências lúdicas, como cadernetas familiares para o Complexo Municipal de Piscinas ou visitas guiadas a equipamentos do concelho. Em nota oficial, a autarquia lagoense felicitou todos os participantes pela criatividade demonstrada, destacando a importância deste concurso para a preservação das tradições locais e para o enriquecimento cultural da comunidade.

O Governo regional dos Açores procedeu ao reforço da capacidade de alojamento do Serviço de Apoio ao Doente Deslocado (SADD) na cidade de Lisboa, através da assinatura de um novo protocolo que garante a integração de mais dois apartamentos na rede de apoio. O reforço inclui uma unidade de tipologia T2 e um apartamento T1 especificamente adaptado a utentes com mobilidade reduzida, respondendo a uma necessidade identificada pela equipa técnica do serviço perante o fluxo crescente de açorianos que viajam para o continente por motivos de saúde.
Em nota de imprensa enviada às redações, a secretária regional da Saúde e Segurança Social, Mónica Seidi, sublinha que “o Governo regional está atento às dificuldades que os utentes da Região enfrentam quando se deslocam ao exterior para a realização de exames ou tratamentos e pretende minimizar estes impactos, garantindo uma resposta próxima, digna e humanista”. Segundo a governante, esta medida reflete a atenção permanente do executivo às carências sentidas por quem é obrigado a sair da região para obter cuidados médicos.
A importância desta expansão é sustentada pelos indicadores de atividade de 2025, ano em que o SADD prestou assistência a 832 utentes num total de 1.139 processos distintos. Grande parte destas deslocações teve como destino unidades de saúde de referência na capital portuguesa, com especial incidência no Instituto Português de Oncologia (IPO) e nos hospitais de Santa Cruz, Curry Cabral e Dona Estefânia. Em termos estatísticos, os dados revelam que 54% dos utentes são provenientes do Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada, seguindo-se o Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira com 34% e o Hospital da Horta com 12%. No que diz respeito à duração das estadas, verificou-se que 46% corresponderam a períodos breves, inferiores a cinco dias, o que demonstra a rotatividade e a necessidade de uma gestão logística ágil.
Para além da vertente habitacional, o balanço de 2025 destaca o papel psicossocial da estrutura, que realizou cerca de 12 mil intervenções ao longo do ano. Estas ações abrangeram desde o acompanhamento direto e diagnósticos sociais até ao apoio administrativo no processamento de diárias e orientação sobre os direitos dos doentes.
Mónica Seidi conclui que “por detrás de cada um destes números estão utentes do Serviço Regional de Saúde e as suas famílias, bem como histórias marcadas pelo apoio, dedicação e humanismo”.

Mafalda Melo
Psicomotricista
CDIJA
Os ecrãs tornaram-se inseparáveis do quotidiano, informando, entretendo e aproximando pessoas, espalhando-se por todo o lado — no bolso que carregamos, na sala onde nos encontramos e nas ruas por onde caminhamos. A infância cresce, também, neste cenário tecnológico e com ela surgem novos desafios que pedem um olhar atento para o corpo e para o desenvolvimento das crianças.
Na consulta de Psicomotricidade, surgem cada vez mais preocupações como estas: “Porque é que ele está sempre agitado?”, “Como é que consegue estar tão quieto diante de um telemóvel, mas depois fica tão irrequieto?”, “Porque é que ela parece desligada?”, “Porque é que custa tanto concentrar-se, acalmar ou dormir?” A resposta raramente é simples, mas, em muitos casos, o corpo está a dar sinais claros de sobrecarga.
Quando uma criança está diante de um ecrã, o corpo pode parecer quieto, mas o sistema nervoso está longe de estar em repouso. Luzes intensas, cores vibrantes, sons constantes, recompensas rápidas e estímulos sucessivos colocam o organismo num estado de alerta permanente. O corpo aprende a estar sempre pronto para reagir. Com o tempo, este estado de excitação constante pode traduzir-se em irritabilidade, impaciência, dificuldade em relaxar, menor tolerância à frustração e uma necessidade contínua de estímulos. Paralelamente, o sedentarismo prolongado e as posturas pouco funcionais interferem diretamente com o tónus muscular, podendo gerar tensão, fadiga, agitação sem propósito e uma menor consciência corporal.
Neste contexto, a psicomotricidade assume um papel fundamental na valorização do corpo em movimento, da exploração do espaço, do brincar livre e da interação real, promovendo o desenvolvimento motor, cognitivo e emocional de forma integrada. O corpo da criança precisa de correr, saltar, cair, explorar, experimentar e até aborrecer-se. É através do movimento livre, dos sentidos e da ação corporal que a criança organiza emoções, constrói a atenção, estrutura o pensamento e conhece limites. Uma intervenção técnica especializada com um psicomotricista pode fazer a diferença, pois este fornece estratégias adequadas e direcionadas à família e à criança, de modo a promover habilidades essenciais para o seu desenvolvimento, sejam elas pegar corretamente num lápis para escrever, distinguir a esquerda e a direita, usar uma tesoura, equilibrar-se sem cair, lançar ou apanhar uma bola, começar e terminar uma tarefa, organizar e planear ações e outras aquisições motoras e cognitivas importantes. Desta forma, complementa o desenvolvimento, fortalecendo a confiança, a autonomia e a segurança da criança.
No dia a dia, pequenas mudanças podem fazer uma grande diferença. A criação de rotinas com menos ecrãs, sobretudo em momentos-chave como as refeições, antes de dormir ou durante a brincadeira, ajuda o corpo a abrandar. A troca de tempo passivo por tempo ativo, através de jogos de movimento, brincadeiras no chão, expressão corporal ou contacto com a natureza, devolve ao corpo aquilo de que ele precisa. Uma redução gradual do tempo de ecrã, mesmo que apenas de 10 a 15 minutos por dia, já representa um passo importante.
Os adultos têm um papel essencial, visto que as crianças aprendem pelo exemplo. A atenção plena, o olhar disponível, a presença sem distrações e o uso consciente do telemóvel transmitem mensagens poderosas às crianças. Quando os ecrãs são utilizados como resposta automática para acalmar ou silenciar emoções perde-se a oportunidade de ajudar a criança a desenvolver competências de autorregulação e de aprender a lidar com a frustração e o tédio.
Cada momento conta, sendo fundamental oferecer às crianças espaço para sentir o corpo, viver o movimento e descobrir a alegria simples de brincar. Que cada passo, cada salto, cada sorriso seja mais forte do que qualquer notificação. O mundo digital está à porta, mas o mundo real pulsa dentro delas — e é aí que o crescimento acontece.

A evolução do setor automóvel exige, cada vez mais, uma combinação precisa entre competência técnica e inovação tecnológica. A fechar o ano com um balanço positivo, o Grupo Auto Central – Arquipeças – RBM, sediado na Lagoa, ilha de São Miguel, reafirma o seu papel de destaque no mercado nacional ao investir na vanguarda da segurança rodoviária: o sistema Digital ADAS (Advanced Driver Assistance Systems). Esta nova tecnologia, apoiada por uma formação técnica rigorosa da equipa, permite a calibração milimétrica dos sistemas avançados de assistência ao condutor. Seja para sensores de travagem ou assistentes de faixa, a oficina garante agora uma precisão absoluta em todas as viaturas, assegurando que mesmo os modelos mais recentes saiam da oficina com a total confiabilidade e segurança que os fabricantes exigem.
Este investimento no futuro surge a par de um reconhecimento público que consolida a trajetória de sucesso da empresa. Na prestigiada edição especial Top 100 Oficinas de Rede, publicada pela revista Jornal das Oficinas, a Auto Central alcançou resultados que a posicionam entre a elite do setor em Portugal.
Com um honroso 13.º lugar na classificação geral a nível nacional, a oficina destacou-se ainda pelo seu sólido desempenho financeiro e crescimento, ocupando o 3.º lugar no critério de capital próprio, o 8.º lugar no crescimento do volume de negócios e o 10.º lugar na rentabilidade. Segundo os responsáveis pela Auto Central, este sucesso é o reflexo de um compromisso inabalável com quem procura os seus serviços: “Recebemos esta distinção conscientes de que cada conquista traz uma maior responsabilidade; continuaremos a trabalhar com dedicação e foco na excelência, sempre com o objetivo de servir melhor hoje e ainda melhor amanhã”.
Estes indicadores e as palavras da gerência reforçam uma filosofia de trabalho baseada na transparência e no foco total no cliente.
Para a Auto Central, a distinção alcançada é partilhada com todos os parceiros e clientes que confiam diariamente no seu trabalho, servindo como o combustível necessário para enfrentar os desafios do próximo ano.
Ao aliar o reconhecimento do mercado à capacidade técnica para lidar com as tecnologias automóveis mais complexas do presente, a Auto Central reafirma-se como uma referência incontornável, garantindo que a inovação e a segurança dos condutores andem sempre de mãos dadas em cada intervenção realizada.

O Teatro Micaelense apresentou, esta quinta-feira, 15 de janeiro, o programa das comemorações do seu 75.º Aniversário, que decorrem ao longo de 2026.
O momento principal destas comemorações é a apresentação, nos dias 31 de março e 1 de abril, de um espetáculo inédito, concebido e interpretado por artistas e criativos açorianos. Com direção artística de Isabel Albergaria Sousa e Maria João Gouveia, este espetáculo, cruza a música, a dança e o cinema, e é uma celebração do passado e do futuro da instituição.
No âmbito do Serviço Educativo, e numa parceria com o Estúdio 13, será apresentado, numa sessão para famílias, a 22 de março, e em várias sessões para escolas, ao longo do ano, um espetáculo-oficina, “Ponto de Encontro”, cocriado por Sara Lopes e João de Brito.
Até ao final do ano, será ainda publicado um livro evocativo dos 75 anos do Teatro Micaelense, coordenado por Isabel Albergaria Sousa, e apresentado “Teatro Micaelense – Um Ano Na Vida”, um registo audiovisual, por Fernando Resendes, com banda sonora de Ana Paula Andrade.
Já patente está a mostra fotográfica “À Luz Deste Tempo, O Tempo de Outras Luzes”, organizada pelo fotógrafo Fernando Resendes, que revisita fragmentos significativos da memória do Teatro Micaelense. A mostra, que está disponível até ao dia 12 de abril, pode ser visitada no foyer do Teatro Micaelense, de terça-feira a sábado, das 14h00 às 17h30, e 30 minutos antes do início dos espetáculos (para portadores de bilhete).
Projetado pelo arquiteto Raul Rodrigues de Lima, por iniciativa de Francisco Luís Tavares, diretor-delegado da Companhia de Navegação Carregadores Açorianos, e com o apoio da sociedade micaelense da altura, o Teatro Micaelense foi inaugurado a 31 de março de 1951. Serviu a ilha de São Miguel, durante cerca de quatro décadas, com uma programação regular. A partir de meados da década de 1980, a quebra de receitas que afetou os cineteatros um pouco por todo o mundo, a par da degradação do edifício, conduziram à inatividade e posterior encerramento.
Reabilitado pelo Governo Regional dos Açores, o Teatro Micaelense voltaria a reabrir ao público a 5 de setembro de 2004, reprojetado pelo arquiteto Manuel Salgado.
Os bilhetes para os espetáculos estarão à venda, a partir de dia 20 de janeiro, na bilheteira do Teatro Micaelense e em bol.pt.

A Ouvidoria do Nordeste está a ultimar os preparativos para acolher, pela primeira vez, o Retiro Anual dos Romeiros da ilha de São Miguel, um acontecimento de grande significado para as comunidades locais que terá lugar no próximo dia 25 de janeiro. O encontro, que servirá de preparação espiritual para as tradicionais romarias quaresmais, foi detalhado numa reunião preparatória na antiga escola da Feteira Pequena, onde David Feijó, mestre do rancho dos Romeiros da Vila do Nordeste e Pedreira, destacou que, embora o retiro decorra na vila, “o acolhimento deve ser assumido por toda a Ouvidoria, envolvendo todos os seus ranchos”, evidenciando a forte comunhão e o entusiasmo das paróquias envolvidas nesta organização inédita.
O assistente espiritual dos Romeiros do Nordeste, padre Jorge Sousa, apelou a uma profunda abertura à ação do Espírito Santo e convidou cada irmão a refletir sobre o sentido do Batismo ao longo de todo o ano. Segundo o sacerdote, “o Romeiro é um batizado vocacionado para a Igreja e para o serviço”, defendendo que a experiência da Romaria deve obrigatoriamente despertar a consciência de uma vida de missão cristã em estreita ligação aos sacramentos, com particular destaque para a Eucaristia. Durante os trabalhos do retiro, será apresentado um subsídio espiritual inédito com oito reflexões centradas na “Esperança Cristã que brota do Batismo”, material que acompanhará os romeiros durante os oito dias de caminhada e que será posteriormente disponibilizado no site oficial do movimento.
O programa do dia 25 de janeiro terá início às 8h30 com a celebração da Eucaristia na Igreja Matriz de São Jorge, presidida pelo bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, que acompanhará todo o desenrolar do evento. Após a cerimónia, os participantes seguirão em caminhada em formatura de rancho até ao Centro Cultural Municipal, num momento de oração conduzido pelo mestre David Feijó.
A manhã prosseguirá com diversos painéis de reflexão, contando com a participação do Ouvidor do Nordeste, padre Agostinho Lima, do presidente da Comissão Administrativa, Rui Carvalho e Melo, do autarca António Miguel Soares e da diretora do Serviço Diocesano da Comunicação, Carmo Rodeia, que abordará a amizade e a fraternidade como frutos do compromisso batismal na construção de uma sociedade mais fraterna.
O encontro, que encerra com uma análise sobre o passado e o presente das romarias pelo mestre Norberto Leite, serve de antecâmara para a saída dos primeiros ranchos para a estrada a 21 de fevereiro, cumprindo-se uma tradição que este ano termina na Quinta-feira Santa, a 2 de abril.

O presidente do Governo regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, saudou o anúncio do Governo da República de suspender, até 31 de janeiro, a exigência de inexistência de dívidas ao Fisco e à Segurança Social para o acesso ao Subsídio Social de Mobilidade. O líder do executivo regional classificou a decisão como um “passo atrás” que demonstra “humildade”, embora tenha defendido que a norma deve ser revogada definitivamente e não apenas suspensa.
“Com a mesma assertividade com que o Governo dos Açores criticou esta opção (…) agora também com a mesma assertividade elogio a humildade e o recuo do Governo da República”, afirmou Bolieiro, sublinhando que a defesa dos Açores exige uma política de mobilidade justa, apontando o sucesso da “Tarifa Açores” como um modelo de democratização que deve servir de exemplo para soluções futuras construídas “pelo exemplo” e não apenas “por palavras”.
No parlamento açoriano, a secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas reforçou esta posição durante o debate da anteproposta de lei que visa anular o referido critério. Berta Cabral afirmou que o Subsídio Social de Mobilidade “não é um benefício acessório”, mas sim um “instrumento estruturante da coesão territorial, da igualdade de oportunidades e da cidadania plena nas Regiões Autónomas”. Para a governante, ao condicionar o pagamento à situação contributiva, o Estado passou a tratar a mobilidade como um “privilégio condicionado — quando ela é, na verdade, um direito estrutural”. “Não podemos aceitar que o acesso a um preço justo de uma viagem aérea dependa da situação contributiva de um cidadão. Isso não é justiça social. Isso não é coesão territorial. Isso não é igualdade entre portugueses”, vincou.
A secretária regional sustentou que a iniciativa legislativa do Governo dos Açores é “clara, simples e juridicamente sólida”, visando garantir que o subsídio seja pago a todos os beneficiários, independentemente de eventuais dívidas ao Estado. Berta Cabral salientou que não se trata de uma “divergência técnica”, mas de uma “questão política de fundo”, criticando a persistência de uma “lógica continental que ignora a realidade da ultraperiferia”. Apesar de reconhecer evoluções positivas, como a agilização do reembolso via plataforma eletrónica e a redução para 119 euros do preço máximo a pagar por cada açoriano, a governante reiterou a oposição veemente ao teto máximo de 600 euros para o custo elegível das passagens.
Face à complexidade do novo processo, o Governo regional anunciou ainda que irá disponibilizar os serviços da Rede Integrada de Apoio ao Cidadão (RIAC) para auxiliar os passageiros no registo e preenchimento dos pedidos de reembolso na nova plataforma. Segundo o comunicado do Governo da República de 14 de janeiro, a suspensão da exigência de regularização contributiva permitirá reavaliar a medida em conjunto com os governos regionais, mantendo-se, para já, o processamento de pagamentos através dos CTT para viagens realizadas até ao final do corrente mês de janeiro.

O Salão Nobre dos Paços do Concelho de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, acolheu, esta quarta-feira, 14 de janeiro, a cerimónia de entrega do Prémio Literário Natália Correia a João Pedro Porto, vencedor da quinta edição do concurso com a obra de poesia “Não-Poema”. Na cerimónia, foi recordada “a maturidade” e o “discurso poético inaugural” constantes na obra, atributos que, segundo o presidente da Câmara Municipal, Pedro Nascimento Cabral, refletem a essência do prémio e o objetivo para o qual foi criado.
De acordo com nota de imprensa enviada às redações, o júri destacou a elevada qualidade literária da obra vencedora entre as 61 candidaturas admitidas, tendo ainda atribuído menções honrosas a Álvaro Giesta, autor de “Este Caminho Nómada”, e a David Bene, por “Assim Morre a Eternidade”. Durante o evento, o presidente da Câmara Municipal, Pedro Nascimento Cabral, afirmou que este galardão representa “uma aposta clara no futuro”, sublinhando que, ao celebrar-se Natália Correia, estão a afirmar-se valores como “a liberdade criativa, a irreverência intelectual e a recusa do conformismo”, lançando as bases para que o legado da escritora continue a ser apropriado pelas novas gerações.
O autarca aproveitou a ocasião para reiterar que Ponta Delgada, enquanto terra natal da escritora, assume a responsabilidade de não permitir que a sua memória se transforme em “simples evocação histórica”, realçando que a atitude firme de Natália perante a adversidade adquire uma “atualidade incontornável” num mundo marcado pela polarização. Segundo Pedro Nascimento Cabral, “o legado inspirador de Natália Correia recorda-nos que a liberdade exige vigilância, coragem e ação contínua”, enfatizando que os direitos só se mantêm vivos quando são exercidos. No final da sua intervenção, o autarca deixou um apelo para que este ciclo de memória não se esgote numa homenagem circunscrita ao Salão Nobre, mas que produza um “verdadeiro efeito transformador” de aprendizagem e compromisso em todos os que dele tomam conhecimento.
Paralelamente à entrega do prémio, foi anunciado que as candidaturas para a sexta edição do concurso já se encontram abertas, decorrendo até ao dia 31 de março. Nesta próxima etapa, o género literário será a Ficção, mantendo-se a exigência de que as obras sejam originais, inéditas e redigidas em língua portuguesa por autores de qualquer nacionalidade com idade mínima de 16 anos. O projeto vencedor da edição de 2026 receberá um prémio pecuniário de 7.500 euros, estando ainda garantida uma tiragem mínima de 250 exemplares em papel e a disponibilização de uma edição digital gratuita no site do Município. Com o objetivo de fomentar a transparência e a proximidade, o processo de candidatura está agora totalmente informatizado, estando o regulamento e as fichas de inscrição disponíveis no portal oficial da autarquia de Ponta Delgada.

A vereadora da Câmara Municipal de Lagoa, Albertina Oliveira, reuniu com a Associação de Estudantes da Escola Secundária de Lagoa (AEESL), um encontro que contou com a presença do novo presidente da associação, Alexandre Almeida.
Segundo nota de imprensa enviada às redações pela autarquia lagoense, o encontro teve como objetivo central a apresentação da direção recentemente empossada e o reforço da parceria entre o Município e a AEESL. Por conseguinte, Albertina Oliveira refere que “a Câmara Municipal de Lagoa reconhece que a Associação de Estudantes da Escola Secundária de Lagoa é uma parceira estratégica na auscultação, participação e mobilização dos jovens, valorizando o seu papel ativo na dinamização da comunidade estudantil”.
Na reunião foram ainda dadas a conhecer, por parte do Município, várias iniciativas atualmente em curso, nomeadamente o Cartão Jovem Municipal, o Conselho Municipal da Juventude, a Assembleia Municipal Jovem, bem como os apoios concedidos a projetos escolares desenvolvidos em parceria com a Escola Secundária de Lagoa. A Câmara Municipal manifestou assim disponibilidade para colaborar no cumprimento do plano de atividades da AEESL, bem como o desenvolvimento de iniciativas conjuntas direcionadas à juventude do concelho.
A autarquia garantiu no final que vai continuar a trabalhar em conjunto com os estudantes para apoiar os jovens da Lagoa e incentivar a sua participação na vida da comunidade.