
A Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel, apresentou o programa “Vila Natal 2025”, que decorre desde 2 de dezembro e prossegue até 4 de janeiro. A iniciativa abrange um leque diversificado de atividades culturais, sociais e desportivas dirigidas a toda a população.
A autarquia vilafranquense destaca a diversidade de eventos culturais, entre os quais se incluem vários workshops temáticos dedicados à criação de arranjos de Natal, almofadas de Natal, presépios de lapinha, bolachas de Natal e pintura acrílica.
Entre os eventos mais aguardados, regista-se o regresso da Loja do Pai Natal, a decorrer nos dias 13 e 14 de dezembro no pavilhão Açor Arena. Este ano, o evento contará com um reforço da animação direcionada ao público infantil, integrando atrações como carrinhos-de-choque e um campo de futebol insuflável.
A autarquia sublinha ainda a inauguração da Aldeia dos Elfos, que abriu ao público no dia 8 de dezembro, no Largo Bento de Góis. O espaço, concebido como um ambiente de fantasia repleto de cor e atividades, pretende proporcionar momentos de convívio e diversão para crianças e adultos.
No plano desportivo, Vila Franca do Campo recebeu, nos dias 5 e 6 de dezembro, o EPIC Trail Run 2025, realizado no pavilhão Açor Arena, que contou com a participação de cerca de mil atletas de várias nacionalidades.
O programa inclui também a iniciativa “Natal com Pilates”, a 12 de dezembro, no Centro Cultural, o “Roteiro dos Presépios”, no dia 16 de dezembro, inserido no programa Seniores Ativos 60+, e a prova “Corrida Rota dos Presépios”, marcada para 20 de dezembro.
O Museu Municipal associa-se igualmente às celebrações, promovendo o “Natal na Olaria-Museu”, a 20 de dezembro, e a atividade “Férias no Museu”, no dia 23.
O encerramento das festividades está marcado para 4 de janeiro com o tradicional Cortejo de Reis Magos, a realizar-se no Largo do Município.

O concelho da Lagoa, na ilha de São Miguel, consolida a sua posição como polo de desenvolvimento do judo ao receber o Open de Fim de Ano de Juvenis, Cadetes e Juniores. Trata-se do maior evento da modalidade para estes escalões em 2025 na região.
O evento, que se realiza no Complexo Desportivo da Escola EBI de Água de Pau, entre 28 e 30 de dezembro, terá um significado reforçado este ano, uma vez que as competições de Cadetes e Juniores passam a contar para o Ranking Nacional da Federação Portuguesa de Judo, atraindo atletas de todo o país.
A competição, organizada pelo Judolag em parceria com a Associação de Judo do Arquipélago dos Açores, e sancionada pela Federação Portuguesa de Judo, decorrerá em simultâneo com um Estágio de Preparação para os Campeonatos Nacionais de Cadetes. Este estágio será dirigido pelo prestigiado treinador Darcel Yandzi, uma figura de renome mundial, que já confirmou a sua presença e participação ativa no trabalho com os jovens, sendo também acompanhado pelo seu filho, que integrará as atividades.
O evento já conta com 145 participantes inscritos, incluindo 102 atletas nos três escalões, 22 treinadores, nove árbitros, seis atletas exclusivos do estágio, e quatro acompanhantes, entre eles Yandzi e o seu filho. Estarão representados 14 clubes, dos quais oito são regionais e seis provenientes de outras regiões do país, totalizando a representação de quatro associações distritais.
Com esta iniciativa, a Lagoa assume-se como um palco privilegiado para a promoção do judo e o desenvolvimento do talento juvenil nos Açores.

O Plano e Orçamento do Município da Lagoa, na ilha de São Miguel, para o ano financeiro de 2026 foi aprovado sem votos contra na sessão da Assembleia Municipal, realizada esta quarta-feira, 10 de dezembro.
Com um valor global de receitas e despesas de cerca de 28 milhões de euros, o orçamento regista um aumento de 13% em relação ao ano em curso.
De acordo com uma nota de imprensa enviada pela autarquia, 18,4 milhões de euros serão alocados a diversas áreas de investimento. Estas incluem: acordos de execução com Juntas de Freguesia, apoios a instituições (socioculturais, desportivas, recreativas e escolas), e apostas estratégicas na habitação, ação social, saúde, cultura, educação, desporto, juventude, promoção turística, lazer e ambiente.
A autarquia destaca ainda investimentos no valor de 10,4 milhões de euros com apoio de fundos estruturais como o PRR – Plano de Recuperação e Resiliência (através da Estratégia Local de Habitação, Bairros Digitais e Mar 2030) – e o PO2030. Os restantes oito milhões de euros serão investidos em: Proteção Civil, Medidas de Mobilidade, Rede Viária, Segurança, Manutenção de Edifícios, Remodelação de Iluminação Pública, Água, Resíduos e Saneamento.
A Câmara da Lagoa refere também que continuará a reduzir a sua dívida de empréstimos, mantendo-se cerca de nove milhões de euros abaixo do limite de endividamento.
Segundo o presidente da Câmara Municipal, Frederico Sousa, com esta aprovação, o Município da Lagoa “reafirma o seu compromisso com uma gestão financeira responsável, orientada para o investimento estratégico e para a melhoria contínua da qualidade de vida da população”.
O autarca conclui que este “Orçamento e as Grandes Opções do Plano para 2026 representam um reforço significativo na capacidade de execução municipal, potenciando obras estruturantes, apoiando as instituições locais e garantindo a sustentabilidade financeira do concelho”.

O jornal A Crença, sediado em Vila Franca do Campo, irá celebrar o seu 110.º aniversário com um concerto e tertúlia no próximo dia 13 de dezembro. O evento terá lugar na Igreja Paroquial de São Pedro, em Vila Franca do Campo.
A celebração tem início às 19h00 com uma eucaristia em honra de Santa Luzia, no seu dia litúrgico.
Às 20h00, está previsto um concerto instrumental com a participação de elementos do Conservatório Regional de Ponta Delgada.
Seguir-se-á, às 20h20, uma tertúlia que contará com a intervenção de oradores convidados: o jornalista Osvaldo Cabral, o professor e investigador José Teixeira Dias, a doutoranda em jornalismo Maria Leonor Bicudo e Clife Botelho, diretor do Diário da Lagoa e colaborador d’A Crença. A moderação da conversa estará a cargo do padre José Borges, diretor do jornal vilafranquense.
O programa encerra às 21h00 com um convívio aberto a todos os presentes. O evento tem entrada livre.
Fundado em 1915 pelos padres Manuel Ernesto Ferreira e João de Melo Bulhões em Vila Franca do Campo, o jornal A Crença é atualmente um periódico mensal de inspiração católica.

No próximo sábado, 13 de dezembro, será inaugurado no Convento de Santo António, na freguesia de Santa Cruz, na Lagoa, um conjunto de três novas exposições de artes visuais, com início marcado para as 17h30, anunciou a Câmara Municipal. O evento será seguido por uma homenagem ao bonecreiro Emanuel Maré, pela sua contribuição na criação do Presépio Tradicional da Lagoa.
Segundo nota de imprensa enviada às redações pela autarquia lagoense, as exposições apresentam diferentes linguagens artísticas. A mostra “Esperar,” de Kol de Carvalho, assinala a primeira exposição fotográfica no concelho deste arquiteto e fotógrafo, residente na Lagoa desde 1999, que possui obras de referência na paisagem urbana local e um percurso na área desde 1968. Já a exposição “Cerâmicas: Uma Retrospetiva,” de Isabel Silva Melo, evidencia o percurso da artista licenciada em Artes Plásticas que utiliza a cerâmica como sua principal forma de expressão, revelando variadas temáticas ao longo da sua carreira. Por fim, “RAÍZES,” de Paula Araújo, que se dedica à criação de peças artesanais, apresenta trabalhos que se focam na temática da família, sendo a artista conhecida pelo projeto «Marias».
Após a inauguração das mostras, será prestada a homenagem a Emanuel Maré com a projeção de um vídeo dedicado ao seu papel fundamental na criação do Presépio Tradicional da Lagoa, peça que está patente ao público no Convento de Santo António desde dezembro de 2022. O presépio destaca-se pelas suas 1.125 figuras de barro, todas concebidas e moldadas à mão, que representam as vivências populares açorianas e as caraterísticas da paisagem micaelense. A obra abrange costumes, tradições, manifestações religiosas, a apanha de chá, a atividade piscatória e as caldeiras das Furnas. O trabalho de Maré justifica o título de “Lagoa Cidade Presépio” e homenageia os bonecreiros locais.
As exposições e o Presépio Tradicional de Emanuel Maré poderão ser visitados até ao dia 4 de janeiro. Os horários são: das 09h30 às 13h00 e das 14h00 às 17h30 nos dias úteis, e das 16h00 às 21h00 nos fins de semana e feriados. Nos dias 24, 25 e 31 de dezembro de 2025 e dia 1 de janeiro de 2026, o Convento de Santo António estará encerrado. Após 5 de janeiro, as exposições continuam a poder ser visitadas nos dias de semana nos horários da manhã e tarde.

DL: Quem é o Marco Furtado?
Sou, antes de tudo, filho da Ribeirinha. Nasci em Ponta Delgada, na freguesia de São José, mas foi apenas o lugar onde vim ao mundo. A minha vida — todas as minhas raízes, brincadeiras e aprendizagens — está na Ribeirinha. Cresci na Rua dos Moinhos, numa rua estreita, sem saída, mas que para mim era o universo inteiro. Hoje vivo noutra rua, mas continuo no mesmo chão. Sou o mesmo Marco, com os pés assentes na terra que me fez homem. Tenho 46 anos e há oito que sou presidente da Junta. O tempo passa depressa, mas a responsabilidade não diminuiu — aumentou. Antes disso, fui um dos fundadores da Associação “Os Ribeirinhos”. Criámos o «Ribeira Fest», mas percebemos que o mais urgente não era a festa: era o silêncio dos que precisavam. A minha vida sempre foi comunitária. Nunca precisei de um cargo para me sentir útil.
Hoje sou Chefe de Serviços, presidente da Junta e da Casa do Povo, vice-presidente da Assembleia da Filarmónica da Ribeirinha do Santíssimo Salvador do Mundo, membro da direção da Associação de Pais da Escola Secundária da Ribeira Grande, vogal da ANAFRE Açores, conselheiro do Conselho de Ilha e participante em vários movimentos cívicos e partidários. Mas isso é apenas o que faço — não o que sou.
Sou filho do Faustino, das Gramas de Cima, e da Cachaça, da Ribeirinha. Cresci numa casa onde o amor se media pelo que se partilhava, não pelo que se tinha. Aos 14 anos já trabalhava na restauração. Nunca me esqueço do dia em que comprei as minhas primeiras Levi’s com o meu esforço. Enquanto outros iam para a praia, eu fazia 12 horas de trabalho. Foi assim que continuei a estudar.
Tinha o sonho de ir para a universidade e ser enfermeiro, mas abdiquei quando o meu pai entrou em reforma por invalidez. A vida ensinou-me que servir é uma vocação, não uma profissão. Trabalhei numa mercearia, depois entrei para o Casanova, onde ainda hoje estou. Subi devagar, mas sempre com dignidade. Trabalhei a servir em casamentos e como barmen que trabalha horas sem fim, aprendi a servir os outros e isto vinha de um modo natural.
Sou tolerante em muito, e firme quando é preciso. E a minha maior profissão? Ser marido e pai de três filhos. Já fui operado à coluna. Já estive quase sem andar. Mas continuo aqui, porque o que me move é simples: cuidar.
DL: Como foi a sua infância?
Foi feliz. Foi pura. Rica em experiências e pobre em excessos. Não trocava nada.
A minha família sempre foi alegre. Fiz parte do coro juvenil, dos “Cadarços”, grupo de teatro, já fiz duas romarias, brincava na rua, fazia asneiras — e recebia umas boas pancadinhas de amor da minha mãe e uns raspanetes bem merecidos do meu pai, verbais, sempre. Ele nunca me tocou. Foram esses momentos que me moldaram.
Amo profundamente o meu pai, que já partiu. Era um homem de princípios, sério, íntegro. E admiro muito a minha mãe e as minhas irmãs — mulheres de força, que até hoje são o meu porto seguro. Fomos tão felizes com tão pouco. Tínhamos sopa, pão, batata com macarrão — e calor humano. A porta da nossa casa estava sempre aberta. Literalmente: só um cortinado separava a rua do corredor. E nunca faltou comida para nós ou para quem entrasse. Era outra época, em que não era preciso trancar portas, porque os corações também estavam abertos. O meu avô paterno, que não sabia ler, dava catequese. Sabia a Bíblia de cor. Às quintas-feiras, íamos às Gramas aprender com ele. A fé e a tradição não eram conceitos — eram vida. O meu avô materno, o Mestre Alfredo “Cachaça”, herdou o apelido da avó, que vendia cachaça… e bebia mais do que vendia. São memórias que me acompanham até hoje.
DL: Qual foi o seu primeiro trabalho?
O primeiro foi com o meu avô, que era retelhador — toda a freguesia o conhecia como Mestre Alfredo Cachaça. Eu era o seu servente, com 12 anos. Ele recebia o dinheiro, dava uma parte à minha mãe e guardava o resto em frascos de café. Nas festas do Santíssimo Salvador do Mundo, abria os frascos e dividia o dinheiro pelos dias da festa. Aquilo era uma alegria que não se explica. Era uma festa dentro da festa.
Depois vieram os restaurantes, os casamentos, os turnos longos. Fui barman no Pixis, servi no Clube de Tiro, servi em casamentos e até festas de divórcio. Aos 18 anos, a vida obrigou-me a crescer depressa: o meu pai adoeceu, reformou-se por invalidez, e eu deixei o sonho da universidade.
Trabalhei na mercearia da Dona Orânia e do João Medeiros — onde aprendi que servir bem é uma arte. Aprendi também a enrolar café em papel com mestria, a lidar com nomes, e a olhar as pessoas nos olhos. Em 1998 entrei para a Casanova, onde continuo. E continuei a trabalhar em festas durante anos, sempre com respeito, esforço e propósito.
DL: Como foi chegar à presidência da Junta de Freguesia?
Foi especial. E foi natural. Já estava na Junta como tesoureiro, a convite do presidente de então. Quando chegou o momento de assumir a liderança, senti que era o caminho certo. Mas não entrei por vaidade. Entrei com alegria, sim, mas com responsabilidade, com consciência, com sentido de missão. Ser presidente não é sentar-se numa cadeira. É arregaçar as mangas. É estar ao serviço. E é isso que tenho feito.
DL: “Está sempre em campanha”. Comente.
Se estar em campanha é ouvir quem precisa, entrar nas casas das pessoas, acompanhar quem sofre, atender chamadas ao domingo, resolver o que consigo e encaminhar o que não depende de mim — então sim, estou sempre em campanha. Mas eu não lhe chamo campanha. Chamo-lhe compromisso. Chamo-lhe presença. Chamo-lhe verdade. A política, para mim, só faz sentido assim. Com alma. Com dedicação. Com amor ao próximo e ao lugar onde vivemos.
DL: Quais as maiores adversidades que enfrentou?
A maior dificuldade é querer fazer e não poder. Faltam meios, faltam leis, falta orçamento. Temos tido o apoio da Câmara Municipal da Ribeira Grande, é verdade, mas é preciso ser persistente, reivindicativo. Às vezes falta tempo. Outras vezes é preciso dizer “não”, mesmo quando custa. O caso do Multibanco é o exemplo mais claro: meses de burocracia, pessoas desesperadas, e nós sem poder resolver de imediato. Outra dor é o vandalismo. Custa ver destruído o que se construiu com sacrifício. E sim, liderar é muitas vezes solitário. Nem todas as decisões agradam mas quando são tomadas com consciência, dorme-se bem.
DL: Como encara a responsabilidade social?
Com naturalidade. Sempre esteve em mim. Desde pequeno aprendi que quem pode, ajuda. Hoje, como presidente, tenho a obrigação (e o privilégio) de continuar esse legado. Trabalho com instituições, com famílias, com a minha equipa. Não por vaidade, mas por dever. Servir também é saber dizer: “agora não posso ajudar mais, agora tem de fazer pela sua vida”. Mas nunca viramos as costas a um problema.
DL: O que ainda falta fazer na Ribeirinha?
Falta muito, e não tenho problema em dizê-lo. Mas há muito trabalho de base feito e projetos preparados: o Porto de Santa Iria, o polidesportivo, redes de água e saneamento, pavimentações, estacionamento, reabilitação da igreja, coreto, zona da ribeira, Caminho das Gramas, reforço do abastecimento de água… Eu fiz um plano para 15 a 20 anos. Nada se faz em quatro, oito ou 12. Mas é nossa obrigação pensar o futuro. Quem governa apenas para o seu mandato não é gestor, é mau político. Se continuar, darei seguimento. Se não, deixo tudo preparado para quem vier. A Ribeirinha não é de quem governa. É de quem vive nela. Um desafio é o combate às toxicodependências já temos as ideias, faltam os meios mas vamos chegar lá, já fazemos muito mas muito com pouco.
DL: O que o move a continuar?
O que me move é simples: ainda tenho mais para dar. Enquanto sentir que sou útil, estarei aqui. Quando deixar de o ser, sairei com dignidade. E move-me também preparar os jovens. Acreditar neles. Dar-lhes responsabilidade. Eu, com 14 anos, já sabia que o dinheiro era pouco, mas o amor era muito. E fui à luta. Competência não se compra, conquista-se. Este será o meu último mandato. Porque ainda acredito na política feita com alma. Porque amo a minha terra. Não amo o nome, amo a ideia de servir, de ajudar, de fazer a diferença. E enquanto puder, enquanto Deus permitir, estarei aqui: pela Ribeirinha, pela minha gente, pela minha missão.

A Câmara Municipal de Ponta Delgada (CMPD) apresentou o Orçamento para 2026, no valor de 99,4 milhões de euros, um aumento de 3,56% face a 2025, reafirmando o foco no reforço do investimento público e no apoio direto a famílias e empresas, segundo a nota de imprensa divulgada pela autarquia.
O documento assegura a estabilidade financeira, com um crescimento de 14% nas receitas correntes, atingindo 57,26 milhões de euros, e resultando numa poupança corrente de 4,8 milhões de euros. O presidente da autarquia, Pedro Nascimento Cabral, descreveu o orçamento como “responsável, equilibrado e profundamente orientado para as pessoas”, destacando o impacto positivo dos apoios sociais reforçados e da política fiscal favorável.
Apesar do aumento no investimento, o Município mantém o IMI no mínimo legal, a participação variável no IRS em 3,5% e a Derrama em 1%, com isenção para pequenos negócios.
A Habitação terá 16,1 milhões de euros mobilizados através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para projetos em São José, São Sebastião, Fajã de Baixo, Arrifes, Santa Clara e Ginetes, visando ampliar a oferta pública.
A Educação é outra área prioritária, com investimento na modernização da rede escolar, incluindo a conclusão da nova EB/JI dos Fenais da Luz e o avanço de projetos em Capelas, Fajã de Cima e São Vicente Ferreira, além da conclusão da nova residência Universitária com 120 camas.
A área social é também um pilar estruturante, segundo a autarquia de Ponta Delgada, com financiamento garantido para programas de combate à pobreza e à exclusão, como o Housing First e o Cartão PDL Sénior.
O orçamento pretende reforçar igualmente a qualidade de vida urbana com intervenções na rede viária municipal e no domínio ambiental, e avança com projetos estruturantes no desporto e na economia, como a requalificação do Campo de Futebol de Santo António e a implementação dos Bairros Comerciais Digitais.
A cooperação com as vinte e quatro juntas de freguesia é mantida com uma dotação de três milhões de euros para contratos interadministrativos.
Pedro Nascimento Cabral conclui que o orçamento demonstra a ambição de tornar Ponta Delgada “um concelho mais justo, mais moderno, mais competitivo e mais preparado para o futuro”.

A Ribeira Grande já acendeu as luzes e deu início à sua programação de Natal, sob o tema “A Floresta Encantada”. Embora a Aldeia de Natal já esteja em curso desde o passado dia 5 e a iluminação festiva já tenha sido inaugurada, a agenda municipal está repleta de eventos que prometem animar famílias, crianças e visitantes até ao final do ano.
Segundo nota de imprensa enviada pela autarquia ribeiragrandense, o presidente da Câmara, Jaime Vieira, sublinha o caráter agregador do programa. “Este programa foi pensado para criar momentos de encontro e de partilha, tornando a Ribeira Grande um destino ainda mais acolhedor durante a quadra festiva,” afirmou o autarca, destacando o papel da cidade como “palco dessa união” que o Natal proporciona.
O coração da festa é a Aldeia de Natal que decorre no Largo Hintze Ribeiro, onde as famílias podem usufruir de um Mercadinho de Natal e de um comboio de Natal. A Aldeia continuará a funcionar até ao próximo dia 21, sendo a principal atração a esperada pista de gelo que garante a diversão dos mais novos. No plano cultural, o Teatro Ribeiragrandense será o palco principal. O próximo evento de relevo é o concerto “Vozes da Ribeira Grande”, agendado para o dia 13 de dezembro. Este espetáculo trará ao palco os vencedores do Concurso de Jovens Talento, numa noite dedicada à música local. A vice-presidente Délia Melo, com a tutela da cultura a seu cargo, reforça a intenção da autarquia: “Esta programação foi pensada para reunir famílias, celebrar valores e trazer alegria a todos os nossos munícipes.”
À medida que o Natal se aproxima, o evento de destaque será o Desfile de Pais Natais. No dia 19 de dezembro, às 10h00, centenas de crianças de todo o concelho farão o tradicional percurso ao longo da Rua Direita. Para os que celebram a quadra de forma mais tradicional, a abertura do Presépio do Prior Evaristo Gouveia terá lugar no Museu Municipal no dia de Natal, 25 de dezembro, sendo seguido pela abertura do Arcano Místico no Museu do Arcano, a 26 de dezembro.
O ponto alto das festividades será a celebração de fim de ano. A Ribeira Grande prepara um espetáculo de fogo de artifício na frente marítima para assinalar a passagem para 2026. A partir das 23h00 de 31 de dezembro, o Miradouro de Santa Luzia receberá o artista Master Jake para um concerto, que será seguido de animação com DJ pela noite dentro.

A previsão do estado do mar aponta para um agravamento considerável das condições meteorológicas e da agitação marítima no arquipélago dos Açores entre as 6h00 de quinta-feira, 11 de dezembro, e a meia-noite de sábado, 13 de dezembro.
De acordo com a Autoridade Marítima Nacional, “a agitação marítima será caracterizada por uma ondulação proveniente do quadrante norte-noroeste, com uma altura significativa que poderá atingir os oito metros e uma altura máxima de 14 metros, com um período médio a variar entre os 17 e os 18 segundos. São esperados ventos provenientes do quadrante sudoeste, com uma intensidade média até 38 km/h e rajadas até 69 km/h”.
A Autoridade Marítima Nacional e a Marinha recomendam, em especial à comunidade piscatória e da náutica de recreio que se encontra no mar, para o eventual regresso ao porto de abrigo mais próximo e a adoção de medidas de precaução.
Aconselha-se também o reforço da amarração e vigilância das embarcações atracadas e fundeadas e aconselha-se igualmente a que os marítimos mantenham um estado de vigilância permanente e acompanhem a evolução da situação meteorológica, através dos avisos à navegação e da previsão meteorológica do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), bem como outras informações disponibilizadas pelas Capitanias dos Portos sobre as condições de acesso aos portos, evitando sair para o mar até que as condições melhorem.
À população em geral desaconselha-se a prática de passeios junto à orla costeira e nas praias, bem como a prática de atividades em zonas expostas à agitação marítima ou atingidas pela rebentação. Em especial, deve ser evitado o acesso e permanência junto às falésias e zonas de arriba, sendo essencial que se adote uma postura preventiva, não se expondo desnecessariamente ao risco.
Caso exista absoluta necessidade de se deslocar até à orla costeira, deverá manter uma atitude vigilante, tendo sempre presente que nestas condições o mar pode facilmente alcançar zonas aparentemente seguras.

Maria João Pereira
Farmacêutica
A incidência de cancro tem vindo a aumentar ao longo dos anos. Isto deve-se, em parte, ao facto de vivermos mais tempo e termos acesso a técnicas de diagnóstico cada vez mais avançadas, mas também devido ao impacto do estilo de vida, de fatores ambientais e predisposições genéticas. Apesar dos progressos científicos, o cancro continua a assustar — e é compreensível.
De um modo simples, o cancro surge quando uma célula sofre uma mutação e passa a originar outras células igualmente alteradas (mutadas). Estas células perdem a capacidade de se diferenciar como as células normais, perdendo a sua função e apresentam uma taxa de multiplicação muito superior — uma vez que já não respondem aos mecanismos normais de controlo e regulação celular.
As mutações ao nível do DNA podem levar ao desenvolvimento de oncogenes, genes que estimulam a divisão celular, ou à perda/inativação de genes supressores de tumores, responsáveis por travar divisões celulares inadequadas. E é assim que o crescimento descontrolado se instala.
O momento do diagnóstico influencia muito o prognóstico. Há quem tenha a oportunidade de descobrir o cancro numa fase inicial, o que permite um tratamento mais eficaz e atempado. Por outro lado, muitos doentes só recebem o diagnóstico numa fase tardia – o que não invalida a possibilidade de tratamento. É complexo. Não existem receitas para lidar com um diagnóstico de cancro, independentemente do estádio ou do tipo.
Existem os tumores líquidos (como leucemias e linfomas) e tumores sólidos (como mama, intestino e pulmão). Os primeiros têm origem no sangue, na medula óssea ou no sistema linfático, enquanto os segundos formam uma massa sólida no órgão correspondente.
A abordagem terapêutica varia de acordo com o estádio da doença, o tipo de cancro e, claro, com o próprio doente e as suas escolhas. Atualmente, temos acesso a uma vasta gama de opções terapêuticas: hormonoterapia, cirurgias, transplantação de medula óssea, quimioterapia, imunoterapia, radioterapia e terapias-alvo. Nem todas se aplicam a todos os casos, mas a oferta é cada vez mais precisa e direcionada.
Em muitos casos, existe dor oncológica associada, frequentemente subtratada – seja por falta de literacia, seja pelo receio dos doentes em admitir a intensidade da dor e o quão incapacitante esta pode ser. Os opióides são os fármacos de eleição e o seu uso, quando bem acompanhado, é seguro e eficaz. O alívio da dor faz parte do tratamento e não deve ser negligenciado.
Para além de todas as opções terapêuticas proporcionadas pelo avanço da ciência, a componente humana não pode — e não deve — ser esquecida. A dimensão psicossocial precisa de ser integrada no cuidado: apoio emocional, familiar, social e psicológico são fundamentais – tanto para o doente como para os cuidadores e restantes familiares.
É perfeitamente normal sentir medo, solidão, ansiedade, raiva ou culpa. É normal viver um turbilhão de emoções. O importante é saber que esta não é uma luta solitária — são necessários aliados, humanos e profissionais, para caminhar lado a lado.
O cancro é um desafio que toca a vida de todos – do doente aos seus familiares e amigos. A compreensão, o apoio e a empatia são essenciais para enfrentar esta fase com dignidade e esperança. Que tenhamos a capacidade de olhar para o cancro como uma oportunidade de ressignificar a vida, valorizar cada momento e encontrar força na união e no cuidado mútuo.