
As fontes divergem sobre a expressão exata, as circunstâncias e a data (1948 ou 1949) em que Albert Einstein terá dito esta frase, mas o significado das suas palavras é claro: se deixarmos a humanidade caminhar para um novo confronto mundial, voltaremos à idade da pedra.
A utilização de armas químicas, na altura o cloro, foi iniciada pelas forças alemãs durante a sua ofensiva na segunda batalha de Ypres na primeira guerra mundial causando milhares de vítimas. Proibida por convenções internacionais, a guerra química iria no entanto reaparecer na segunda guerra mundial, embora não nos campos de batalha. Os nazis usaram, como sabemos, ácido cianídrico para exterminar os judeus e outras pessoas consideradas indesejáveis.
As armas químicas fizeram a sua reaparição na década de oitenta durante a guerra Irão-Iraque, e depois desta guerra, o regime baathista iraquiano continuou a usá-lo para a sua guerra genocida contra os curdos.
As armas químicas utilizadas repetidamente desde o início da guerra contra o povo sírio pelas forças de Assad mataram centenas, se não milhares de civis. Este crime contra a humanidade levou a comunidade internacional dirigida pelos EUA a forçar Assad a aderir à Convenção sobre Armas Químicas em Agosto de 2003 e a concordar com a destruição de todo o seu arsenal.
De acordo com uma alta patente das Forças de Defesa de Israel citada pelo Times de Israel no início de maio 2014, havia no entanto registo nessa altura de 30 ataques químicos desde o suposto fim da sua utilização em Agosto de 2013, todos com vítimas civis.
A comunidade internacional, no entanto, continua a ignorar a continuação da guerra química de Assad. No dia 6 Dezembro de 2014, de acordo com o Observatório Sírio para os direitos humanos com sede em Londres: as forças do regime usaram gás de cloro para parar o avanço do ISIS no aeroporto militar de Deir-Ezzor.
Esta notícia foi quase totalmente ignorada pela imprensa internacional e aqueles que a mencionaram – como a rádio oficial belga francófona que ouvi ocasionalmente – fez uma breve referência à “cloragem” do ISIS após a suposta grande notícia, a vitória do regime na batalha do aeroporto de Deir Ezzor.
Assim, a comunidade internacional está simplesmente a encobrir o uso continuado de armas químicas pelo regime sírio, e agora, aparentemente, com a desculpa perfeita: “estas armas estão a ser usadas contra os monstros do Estado islâmico”.
Que temos gente fanatizada capaz de monstruosas ações é algo sobre o que não tenho a menor dúvida, o problema é saber se a “cloragem”, hoje dos jihadistas, amanhã, como no passado, de civis, é a opção.
Ironicamente, essa quebra flagrante dos princípios do direito internacional, dos compromissos solenes dos EUA e dos direitos humanos foi ofuscada pelo lançamento de um relatório do Senado dos EUA, ainda sob controlo democrata, sobre o uso pela CIA de tortura contra jihadistas durante a administração Bush.
Na verdade, as antigas violações por adversários políticos contra os direitos humanos são usados para encobrir violações presentes que são mais sérias que as antigas. Alguém duvida que a “cloragem” de opositores não é melhor do que usar a simulação de afogamento ou a tortura de privação do sono?
Pior ainda é o facto de a mesma administração Obama que está a fazer vista grossa sobre os crimes químicos de Assad também estar a pavimentar o caminho para um Irão Nuclear e ter elogiado os bombardeamentos da aviação iraniana no Iraque. Estes bombardeamentos têm usado bombas de fragmentação sobre cidades de maioria árabe sunita.
Onze anos após a desastrosa invasão do Iraque os EUA e o Ocidente em geral não entendem que o regime iraniano não é a solução para o jihadismo; muito pelo contrário, direta e indiretamente, tem sido o Irão o principal promotor do jihadismo. Qualquer cooperação com ele só pode provocar o crescimento do problema e colocar-nos mais perto do cenário descrito por Albert Einstein.
Saint Quentin
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