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Jihad em Paris

Paulo-Casaca-Europa-Dia-Mundial- (4)

O terrorismo moderno, ou o terrorismo “religioso moderno” para utilizar a grelha de leitura de Bruce Hoffman, o papa dos estudos sobre terrorismo, nasceu com a Revolução Islâmica Iraniana e conjugou três fenómenos que até aí não tinham aparecido de forma conjugada:

(1) O terrorismo suicida, que deu a raiz etimológica ao assassínio;
(2) O terrorismo fanático com objetivos intangíveis;
(3) O terrorismo de massas onde se pretende aterrorizar tudo e todos visando a eliminação do maior número possível de todo o ser humano.

Esse terrorismo, o jihadismo se quisermos ser claros e sintéticos, começou a operar através dos satélites da teocracia iraniana no Iraque e no Líbano e rapidamente estendeu-se a outras confissões muçulmanas, desenvolvendo-se mesmo esporadicamente fora desse universo, em matanças cada vez mais amplas e abjetas.

O massacre de 13 de Novembro de 2015 aparece assim como um dos mais sanguinários realizado no mundo ocidental e impressiona pelo elevado grau de cooperação militar e total ausência de humanidade atingido pelos jihadistas.

Na sua polémica com o professor de teologia de Genebra David Claparède – questões sobre os milagres nas cartas de Ferney – Voltaire tinha já dado o mote profusamente citado mas permanentemente ignorado “aqueles que vos fazem crer em absurdos são capazes de vos fazer cometer atrocidades”.

Quer isto dizer que é na profusão da ideologia do moderno fanatismo religioso islâmico que temos de entender a razão de ser das atrocidades com que nos confrontamos, e que toda a tentativa de esconder esta realidade apenas nos reserva o potenciar da hidra fanática.

O jihadismo quer-nos fazer voltar à Idade Média, convencer-nos que é razoável tudo fazer em nome da religião porque esta tudo justifica. Identificar o fanatismo com uma religião, cultura, língua ou etnia, transformar o jihadismo em guerra de civilizações é assim condição indispensável para que eles ganhem a sua mais difícil batalha, a de se tornar símbolos de uma vasta parte do mundo onde a religião muçulmana é dominante.

No mundo globalizado em que vivemos crer que há fronteiras que resolvem os problemas é querer tapar o Sol com uma peneira e é dar o nosso passo para cavar trincheiras, para voltarmos atrás na nossa civilização e para dar ao jihadismo a sua condição primeira de vitória.

Os próceres do jihadismo jogam também uma conhecida tática de polícia bom, polícia mau, fazendo-nos crer que para além destes jihadistas maus há jihadistas bons que nos ajudarão a libertar-nos dos primeiros se lhes satisfizermos as vontades.

Contam para isso com a falta de memória e falta de compreensão de tudo o que se passa. Aqueles que inventaram este moderno terrorismo, que criaram, apoiaram e financiaram este e outros grupos jihadistas agarram agora nos episódios das suas disputas internas para nos tentar convencer que eles, afinal, são nossos amigos.

E é por isso que no momento dramático em que vivemos temos de saber usar a nossa inteligência, não ceder a perspetivas que parecem fáceis e lineares e compreender que estamos num combate de longo prazo que precisa de conhecimento, de honestidade, de dedicação e de humanidade.

Dnepropetrovsk, 2015-11-15
(Paulo Casaca)

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