
O património construído de Vila Franca do Campo volta a estar sob os holofotes nacionais com a participação do Santuário Mariano de Nossa Senhora da Paz na iniciativa “Novas 7 Maravilhas de Portugal”. Em 2026, o projeto que mobiliza o país em torno da sua herança histórica celebra duas décadas de existência e conta, nesta edição, com o apoio estratégico do VisitPortugal. O monumento vilafranquense surge como um dos candidatos na corrida à eleição dos exemplos mais notáveis do edificado nacional, num processo que culminará com a votação popular para determinar os vencedores.
A importância desta candidatura para a afirmação cultural do concelho foi sublinhada durante a cerimónia oficial de apresentação do projeto, que contou com a representação direta da autarquia. Segundo informação da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, a vereadora Margarida Pinheiro marcou presença no evento, reforçando o compromisso da autarquia na valorização e promoção dos ativos patrimoniais que definem a identidade local.
Este certame, que visa refletir a diversidade histórica e cultural de Portugal, coloca o Santuário da Nossa Senhora da Paz num patamar de visibilidade acrescida, incentivando não só o turismo religioso e cultural, mas também o envolvimento direto da comunidade na preservação da memória coletiva. A técnica da votação popular, pilar central deste concurso, desafia agora os cidadãos a reconhecerem a relevância arquitetónica e espiritual do monumento, que continua a ser um dos postais mais significativos da nossa região.

O jornal A Crença, sediado em Vila Franca do Campo, irá celebrar o seu 110.º aniversário com um concerto e tertúlia no próximo dia 13 de dezembro. O evento terá lugar na Igreja Paroquial de São Pedro, em Vila Franca do Campo.
A celebração tem início às 19h00 com uma eucaristia em honra de Santa Luzia, no seu dia litúrgico.
Às 20h00, está previsto um concerto instrumental com a participação de elementos do Conservatório Regional de Ponta Delgada.
Seguir-se-á, às 20h20, uma tertúlia que contará com a intervenção de oradores convidados: o jornalista Osvaldo Cabral, o professor e investigador José Teixeira Dias, a doutoranda em jornalismo Maria Leonor Bicudo e Clife Botelho, diretor do Diário da Lagoa e colaborador d’A Crença. A moderação da conversa estará a cargo do padre José Borges, diretor do jornal vilafranquense.
O programa encerra às 21h00 com um convívio aberto a todos os presentes. O evento tem entrada livre.
Fundado em 1915 pelos padres Manuel Ernesto Ferreira e João de Melo Bulhões em Vila Franca do Campo, o jornal A Crença é atualmente um periódico mensal de inspiração católica.

O jornal «A Crença», com sede na tipografia com o mesmo nome, em Vila Franca do Campo, foi fundado em 19 de dezembro de 1915 pelos padres Manuel Ernesto Ferreira e João Melo de Bulhões. Trata-se do único jornal sobrevivente em mais de 100 anos de história no concelho vizinho da Lagoa, sendo um dos dois jornais católicos da diocese de Angra, a par do jornal «O Dever» da ilha do Pico.
Depois de suspender a publicação a 4 de agosto de 2023, com o objetivo de implementar uma reestruturação e planear um novo caminho rumo à sustentabilidade, o periódico centenário, propriedade da Fábrica da Igreja Matriz de São Miguel Arcanjo, voltou a ser publicado a 19 de novembro desse mesmo ano, após firmar uma parceria com a editora Narrativa Frequente, proprietária do jornal Diário da Lagoa.
Na nova fase, o padre José Borges, em funções em Vila Franca do Campo há 24 anos, sucede ao padre José Paulo Machado, na direção do jornal. Desde então que A Crença é publicada mensalmente, trazendo aos seus assinantes e leitores conteúdo próprio com nova linha editorial que não esquece os assuntos do quotidiano, a par das notícias e reportagens com enfoque religioso, que marcam a atualidade.
Estivemos à conversa com o seu diretor, José Borges, alguns assinantes e com um dos colaboradores mais antigos para saber o que pensam sobre as mudanças que aconteceram ao longo do último ano.
José Franco, 61 anos, natural de Ponta Garça, começa por dizer que “quando se muda para melhor é sempre bom” e revela que é assinante desde os 16 anos de idade porque gosta do jornal. Relativamente à alteração da periodicidade, de semanário para mensário, diz que acha positivo e que concorda “que se tenha de modernizar”.
“Quando o jornal chega começo logo a folheá-lo, mesmo à porta de casa. Depois, o conteúdo que me interessa mais eu fico a ler”, conta, enquanto diz que o jornal “está num bom caminho”, conta.
Já Carlos Braga, 59 anos, da freguesia de São Pedro, diz que “tem tido artigos mais apelativos” e “uma dinâmica diferente” que aprecia.
“Neste último ano, com a direção do Padre José Borges, penso que o jornal está bom, pois gosto de ler um pouco de tudo, como as entrevistas que são feitas a alguns vilafranquenses e não só”, sublinha.
Zurita Medeiros, 46 anos, da freguesia de São Miguel, deixa a nota de que “é importante inovar, levar ao público mais informação atualizada”.
Um dos colaboradores mais antigos, que acompanhou várias direções do jornal vilafranquense foi José Teixeira Dias, de 87 anos, residente em São Pedro.
“O jornal está a ter um dinamismo muito curioso, mas gostava que A Crença fosse pelo menos quinzenal”, enquanto assegura que “o grupo está a trabalhar bastante bem e com um dinamismo muito interessante, por isso veremos se realmente se consegue o êxito que merece”, aponta. No entanto, lamenta: “atualmente, de Vila Franca temos poucos colaboradores. Já os que residem em Vila Franca são vários, mas que sejam mesmo da Vila, não temos, e eu sou um deles. Há muita mais gente que poderia colaborar”, defende.
O diretor, o Padre José Borges começa por dizer que “nós estamos a cuidar de um filho que tem um ano e que renasceu, não das cinzas, mas da boa vontade de alguns voluntários e da capacidade de pessoas como a Dra. Carmo Rodeia, da parte da diocese de angra, ou o Clife Botelho, do Diário da Lagoa, e todos os seus colaboradores, que foi possível fazer renascer este jornal. Tem esta dualidade de, por um lado, ser uma anciã, velhinha com mais de 100 anos, que requer todo o cuidado e todo o carinho e toda a atenção. Então, nós podemos dizer que estamos de parabéns, porque A Crença faz 109 anos no próximo mês de dezembro. E este empenho, este trabalho, esta qualidade deve-se ao esforço de muitos colaboradores vilafranquenses e não só, que dão um pouco do seu melhor para fazer acontecer o jornal”.
Para o diretor do Diário da Lagoa, Clife Botelho, “é preciso não esquecer que nos últimos cinco anos a editora contribuiu “para que se evitasse o desaparecimento não de um, mas de dois jornais”, salienta, acrescentando: “espero que continuem a perdurar, porque o contributo que ambos os jornais dão à sociedade vai além da sua existência. E se a Lagoa é o local que escolhi para viver, a minha casa, já a Vila Franca é aquela família que visito com frequência e que também está sempre presente”, conclui o diretor do jornal lagoense.