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Santa Cruz das Flores tem agora novo balcão da AIMA

Serviço foi inaugurado na ilha das Flores, nas instalações da RIAC, à margem do quarto Fórum das Migrações, e visa reforçar o apoio aos imigrantes no Grupo Ocidental do arquipélago, além de aproximar processos de regularização administrativa da população estrangeira residente na região, alargando a resposta pública às nove ilhas do arquipélago

Pedro Portugal Gaspar (esq.), presidente do Conselho Diretivo da AIMA; Elisabete Noia, presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz das Flores; José Andrade, diretor regional das Comunidades do governo dos Açores; Carlos Mateus, presidente da RIAC nos Açores © DIÁRIO DA LAGOA

O novo serviço da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) no balcão da Rede Integrada de Apoio ao Cidadão (RIAC) foi inaugurado no último dia 10 de abril, em Santa Cruz das Flores, na ilha das Flores, Açores, à margem do quarto Fórum das Migrações, numa cerimónia com representantes do governo dos Açores, da AIMA, da RIAC e da autarquia local.

No discurso de lançamento do serviço, o diretor regional das Comunidades do governo dos Açores, José Andrade, destacou o alcance territorial da medida, sublinhando que, “pela primeira vez, vai chegar a Santa Cruz, à Ilha das Flores e ao Grupo Ocidental dos Açores, a possibilidade de os imigrantes aqui residentes, e são muitos, como vimos nos últimos dias, quer nas Flores, quer no Corvo, poderem tratar localmente dos seus assuntos de regularização administrativa, sem terem a necessidade, como até agora acontecia, de se deslocarem a outras ilhas dos Açores”.

José Andrade afirmou também que o novo balcão representa a oportunidade de “levarmos a descentralização ao extremo do arquipélago”, prestando, assim, “uma resposta de proximidade sem precedentes”.

Este responsável acrescentou ainda que, quando o serviço estiver disponível nas nove ilhas, os Açores poderão tornar-se “a região do país com melhor capacidade de resposta local aos cidadãos imigrados em Portugal”.

Por sua vez, o presidente do Conselho Diretivo da AIMA, Pedro Portugal Gaspar, salientou a importância dos protocolos celebrados com o governo regional e com a RIAC, enquadrando a iniciativa numa estratégia de “descentralização efetiva de prestação do serviço de apoio ao migrante” e de regularização documental em todo o arquipélago.

Segundo Pedro Portugal Gaspar, a proximidade territorial traduz-se em melhores resultados, defendendo que “a proximidade e a capilaridade são dados importantes para um melhor acolhimento e uma melhor integração do próprio migrante”, acrescentando que os Açores registam já tempos médios de espera “três vezes inferiores à média nacional”, prevendo que o alargamento da rede permita otimizar ainda mais esse desempenho tanto nos Açores como para efeitos de cálculo da média nacional.

Já o presidente da RIAC nos Açores, Carlos Mateus, considerou tratar-se de “um dia marcante” para a entidade, tanto pelo novo serviço agora disponibilizado como pelo reforço da missão da rede pública açoriana.

Carlos Mateus recordou que a instituição tem vindo a adaptar-se aos novos tempos, descentralizando o contact center regional e criando projetos de proximidade, como o RIAC Móvel, destinado a cidadãos com mobilidade reduzida.

Este profissional, diante do olhar atento das duas assistentes técnicas que atuam no RIAC nas Flores, Eliana Sousa e Marta Castro, destacou ainda que a parceria com a AIMA responde a uma necessidade concreta de justiça territorial.

Não era muito digno um cidadão que tivesse, em qualquer ilha, de ter de se deslocar a outra ilha para prestar um serviço”, afirmou, acrescentando a importância do crescimento da procura, uma vez que a RIAC atendeu 119 mil pessoas no primeiro trimestre de 2025, um número que subiu para “mais 30 mil atendimentos em loja” face ao período homólogo do ano passado.

Eliana Sousa e Marta Castro, assistentes técnicas em atuação na RIAC na ilha das Flores © DIÁRIO DA LAGOA

Por sua vez, a presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz das Flores, Elisabete Noia, saudou a instalação da nova resposta pública, considerando que se trata de “um serviço muito importante aqui para a Ilha das Flores”.

A autarca lembrou que, até agora, a agência mais próxima se situava no Faial ou na Terceira, o que implicava custos acrescidos para quem necessitava tratar da sua situação documental.

Só para terem uma ideia, para tratar de qualquer assunto, a agência mais próxima era no Faial ou na Terceira, e isso tinha custos acrescidos a quem queria tratar e legalizar a sua situação”, referiu, defendendo que a integração passa também pelo acesso simplificado aos serviços administrativos, sublinhando que o município de Santa Cruz das Flores está “de braços abertos para acolher e para ajudar”.

Para a presidente da autarquia, facilitar processos de legalização, saúde, escola e trabalho representa “um passo importante” para combater a perda demográfica e criar condições para fixar novos residentes nas Flores.

Antes da abertura desta nova valência, a AIMA contava com três lojas nos Açores, nomeadamente em Ponta Delgada, Terceira e Faial.

Ilhas do Corvo e Flores acolhem quarta edição do Fórum das Migrações

O Governo dos Açores promove, entre os dias 8 e 10 de abril, um debate alargado sobre os desafios da mobilidade humana na ultraperiferia, reunindo especialistas e comunidades no Grupo Ocidental do arquipélago

© SANDRINA MALTEZ/DL

As ilhas do Corvo e das Flores preparam-se para ser o centro da reflexão sobre o fenómeno migratório nos Açores. Segundo uma nota de imprensa enviada pela Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, a quarta edição do Fórum das Migrações terá como tema central “Migrações na Ultraperiferia Atlântica: Desafios, Oportunidades e Futuro da Mobilidade Humana na Ultraperiferia”. O evento, que sucede a edições realizadas no Faial, Pico, São Miguel e Terceira, pretende aproximar as instituições das realidades específicas das ilhas mais isoladas, contando com a participação de académicos, entidades públicas e organizações da sociedade civil. A iniciativa é de entrada livre para o público local e terá transmissão direta através da página de Facebook “Comunidades Açores”.

O arranque do programa acontece na quarta-feira, 8 de abril, pelas 14h30, no Pavilhão Multiusos do Corvo. A sessão inaugural contará com as intervenções de Marco Silva, presidente da Câmara Municipal do Corvo, e de Paulo Estêvão, secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades. Um dos destaques do primeiro dia será a conferência de Pedro Portugal Gaspar, presidente do Conselho Diretivo da AIMA – Agência para a Integração, Migrações e Asilo, que abordará o papel desta nova instituição na realidade açoriana. Ainda no Corvo, uma mesa de diálogo analisará como um território de pequena escala pode implementar práticas inovadoras de acolhimento. A jornada na ilha mais pequena do arquipélago encerra com a vertente cultural, através da apresentação do livro “Somos Açores – Um arquipélago vivo pelas ações das Casas dos Açores no Brasil”, do jornalista Ígor Lopes, no Salão Nobre dos Paços do Concelho.

No segundo dia, 9 de abril, o fórum desloca-se para a ilha das Flores, com sessões no Auditório Municipal das Lajes. O programa da tarde foca-se na coesão social e na integração laboral, destacando-se a presença de Vasco Malta, Chefe de Missão da Organização Internacional das Migrações (OIM) em Portugal. O debate incluirá também a perspetiva de associações como a AIPA e a Associação dos Emigrantes Açorianos, bem como um painel dedicado à educação intercultural, onde professores e alunos migrantes discutirão a adaptação curricular e as barreiras linguísticas nas escolas das Flores.

O encerramento do evento terá lugar em Santa Cruz das Flores, na sexta-feira, 10 de abril. A manhã será dedicada aos testemunhos reais de imigrantes e regressados, explorando o sentimento de pertença e os desafios do isolamento insular. A conferência final será proferida pelo professor Paulo Vitorino Fontes, da Universidade dos Açores, que apresentará uma visão prospetiva sobre os direitos humanos e a transatlanticidade para as próximas décadas. A fechar o ciclo de debates, os autarcas Beto Vasconcelos e Elisabete Nóia juntam-se ao Secretário Regional Paulo Estêvão para o balanço final desta edição.

Paralelamente aos debates, o Fórum das Migrações deixa uma marca logística importante no Grupo Ocidental. No dia 10 de abril, às 14h30, será oficialmente inaugurado o serviço da AIMA no balcão da RIAC em Santa Cruz das Flores. Esta medida visa facilitar o acesso dos cidadãos migrantes a serviços essenciais, reforçando a estratégia de descentralização e proximidade que o Governo Regional tem vindo a implementar na gestão das políticas de integração e apoio às comunidades.