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Famílias, Escola e Mundo Digital: A Urgência de Educar Para Proteger

Márcia Goulart
Deputada pelo PSD na ALRAA

Num tempo em que a tecnologia aproxima continentes, cresce silenciosamente a distância dentro de muitas casas.

Nos Açores, terra marcada pela proximidade humana, multiplicam-se histórias de jovens mergulhados em vidas digitais invisíveis aos olhos das próprias famílias.

O alerta é claro: estamos a correr o risco de criar gerações conectadas ao mundo, mas desligadas de quem lhes está mais próximo.

Escolas dão o exemplo. Mas a proteção começa em casa

A distinção da Escola Secundária Vitorino Nemésio e da Escola Secundária Manuel de Arriaga, com o Selo Protetor representa um marco importante na promoção de ambientes educativos seguros.

Esta certificação nacional valida políticas preventivas, sistemas de gestão de risco e práticas consistentes que reforçam a proteção física, emocional e digital dos alunos.

Contudo, nenhuma certificação, por mais sólida que seja, substitui a presença ativa de um pai, de uma mãe ou de um encarregado de educação. A escola protege durante o dia. A família protege todos os dias.

Durante a iniciativa “Ligados com Segurança! A Internet também é um perigo!”, José Freire, presidente da Associação Desliga, expôs uma realidade perturbadora: o maior perigo digital das crianças não está na escola! Está no quarto delas.

Há jovens que passam horas isolados em “cavernas digitais”, consumindo conteúdos que os pais desconhecem e comunicando com pessoas cuja identidade muitas vezes não é clara.

A maioria, prefere esconder problemas, com medo de perder o telemóvel ou de ser castigada, aumentando o risco de ficarem expostos a situações graves. A tecnologia ajuda, mas é a confiança que protege.

Na Região Autónoma dos Açores, as regras sobre o uso de telemóveis mantêmse distintas da legislação nacional de 2025. Aqui, cabe aos Conselhos Executivos adaptar normas ao contexto local, numa gestão orientada pelo Estatuto do Aluno, que limita o uso de dispositivos apenas durante momentos letivos, salvo quando autorizados para fins pedagógicos.

Esta autonomia torna ainda mais evidente algo fundamental: nenhuma escola, por mais preparada, consegue regular sozinha os comportamentos digitais dos alunos. O envolvimento dos pais é imprescindível, sobretudo em três frentes: regular o acesso às redes sociais e gerir tempos de ecrã e idades mínimas de acesso é responsabilidade familiar; utilizar programas de controlo parental, que são ferramentas úteis, mas nunca substituem diálogo e acompanhamento; garantir coerência entre casa e escola, pois quando a família não reforça regras escolares, qualquer medida perde eficácia.

Vários estudos nacionais apontam que o uso excessivo de dispositivos está a reduzir o tempo de qualidade entre pais e filhos, fragilizando a comunicação e intensificando conflitos. A chamada “tecnoferência parental”. Quando os adultos se deixam absorver pelos seus próprios telemóveis, esse hábito gera frustração e ansiedade nas crianças, que sentem a atenção substituída por um ecrã. O resultado é um afastamento mútuo que corrói o vínculo familiar.

A solução, porém, não é proibir tecnologia. É reencontrar o equilíbrio: menos ecrãs à mesa; mais diálogo; mais presença; mais exemplo.

A segurança digital das crianças é uma responsabilidade partilhada, mas começa no lar. As escolas podem criar ambientes seguros, as associações podem alertar, formar e mobilizar, os governos podem legislar, mas só as famílias podem garantir, na prática do dia a dia, o acompanhamento, a vigilância emocional e a educação digital que as crianças verdadeiramente precisam.

A tecnologia não é um inimigo. O risco está no uso não acompanhado. E a maior ferramenta de proteção continua a ser simples e insubstituível: estar presente.

Esteatose hepática: Um alerta à saúde

Vera Costa Santos
Especialista em Gastrenterologia
Hospital CUF Açores

A esteatose hepática, conhecida como fígado gordo, corresponde à acumulação de gordura no fígado. Já a doença hepática estetatósica associada a disfunção metabólica (previamente conhecida como  fígado gordo não alcoólico), refere-se à presença de esteatose hepática em doentes com fatores de risco cardiometabólicos (como diabetes e obesidade) e surge na ausência de outras causas para a acumulação de gordura no fígado, como o consumo significativo de álcool. Atualmente, é a doença hepática crónica mais frequente.

Por norma, a esteatose hepática não provoca sintomas, sendo diagnosticada através da realização de exames de imagem, como a ecografia. Inicialmente, as análises podem ser normais. Apenas quando a esteatose provoca inflamação do fígado (esteatohepatite) é que os parâmetros hepáticos se mostram alterados, sendo nesta fase que aumenta o risco de progressão para fibrose, cirrose e cancro do fígado.

Quando se deteta esteatose hepática num exame de imagem, é importante investigar a sua causa e realizar exames para avaliar a presença de fibrose hepática. Por outro lado, na população de risco (com diabetes, obesidade ou com alterações nas análises do fígado), deve ser feito o rastreio da esteatose e a avaliação da fibrose.

A presença de fibrose no fígado pode ser estimada, numa fase inicial, através de sistemas de pontuação (scores) nas análises feitas ao sangue, seguindo-se, muitas vezes, da realização de uma elastografia hepática transitória (FibroScan). O Fibroscan é um teste simples, rápido e indolor, semelhante a uma ecografia, que avalia a existência de fibrose ou, em casos mais graves, cirrose hepática. Esta avaliação é muito importante, pois permite determinar o risco de complicações, definir o tipo de acompanhamento e a necessidade de tratamento.

Importa reter que o álcool provoca alterações hepáticas muito semelhantes às encontradas na doença hepática esteatósica metabólica, pelo que é importante excluir, pela história clínica, o consumo excessivo de álcool.

A melhor forma de prevenir a doença hepática esteatósica metabólica e as suas complicações passa pela escolha de uma dieta saudável e pela prática de exercício físico regular, reduzindo assim a prevalência da diabetes mellitus, da obesidade, da dislipidemia e da hipertensão.

Uma vez diagnosticada a doença hepática, importa garantir o seu acompanhamento e controlo das doenças cardiometabólicas associadas. Perder entre 5% a 10% do peso corporal ajuda a reduzir a gordura no fígado e a diminuir o risco de inflamação e fibrose. Em pessoas com diabetes, poderão ser prescritos medicamentos para controlar o açúcar no sangue. Já em casos de obesidade, entre outras terapêuticas, pode ser considerada uma abordagem endoscópica ou cirúrgica para perda de peso. 

Quando a doença hepática evolui para cirrose, poderão ser necessários fármacos para reduzir ou tratar as suas complicações. Em casos mais graves, poderá estar indicado o transplante hepático.

O controlo de fatores de risco e o acompanhamento da doença hepática são fundamentais para evitar a sua progressão para cirrose ou cancro. 

Cuide do seu fígado, mantenha hábitos de vida saudáveis e um seguimento  médico regular.

Alerta à Navegação

André Silveira

A noite eleitoral das Legislativas de domingo trouxe algumas poucas confirmações e uma enorme surpresa: a dimensão do crescimento do Chega, que se tornou a segunda força política nacional, com resultados impressionantes nos Açores, contrariando todas as previsões e sondagens. Olhando para os dados históricos, antecipava-se já que o partido poderia alcançar um resultado em alta, mas nem os mais entusiastas, nem os mais pessimistas, previam que atingisse esta expressão, em particular nos Açores após o triste escândalo que envolve o deputado eleito em 2024 e artigos de viagem. Mais desconcertante ainda foi perceber que, ao contrário do que se dizia, este crescimento não se fez à custa da abstenção, que, aliás, aumentou, mas sim de votos captados diretamente aos partidos tradicionais. PS e PSD perderam terreno, influência e ligação à realidade social e política, e o mapa eleitoral tingido de azul escuro deixa avisos sérios a quem os quiser ler.

Começando pelo PS. Os resultados de ontem são uma catástrofe política, daquelas que não podem passar sem consequências, nem cujas feridas não deixarão profundas cicatrizes. O partido, que há muito se tornou refém das suas próprias estruturas e interesses internos, paga agora o preço de anos de arrogância, de escândalos sucessivos e de uma governação distante da realidade das pessoas. Não basta mudar de líder ou fazer um congresso. O PS precisa de uma verdadeira renovação e refundação se quiser voltar a ser relevante. Cá e lá. Sendo que o risco da irrelevância é real.

O PSD, apesar de ter eleito mais um deputado devido às idiossincrasias do método de Hondt, vive uma situação embaraçosa. Perde votos em toda a linha, perde em freguesias que historicamente controlava e, mais grave, fica atrás do Chega em dois concelhos Açorianos. Em São Miguel, o cenário é particularmente preocupante. Apesar de estes serem resultados de umas legislativas nacionais, e de não se deverem tirar conclusões diretas para o panorama regional ou autárquico, há sinais que não podem ser ignorados. O mapa de São Miguel pintado de azul escuro é um aviso claro de que os partidos ditos tradicionais estão a caminho da irrelevância se não se souberem renovar e, sobretudo, se não começarem a falar a sério para os jovens.

Em São Miguel em particular, a implantação do Chega é surpreendente, não apenas pela expressão que atinge, mas pela forma metódica e persistente como foi construída. Feita através de políticas de base pura e dura, rua a rua, freguesia a freguesia, com candidatos e estruturas locais a assegurarem o trabalho de proximidade que PS e PSD abandonaram há anos. O PS, preso a uma estrutura em ruínas no pós-24 anos de poder absoluto, sem militância ativa e desmobilizado. O PSD, refém de lideranças incompetentes e incapaz de perceber o valor da política de proximidade. Onde uns desapareceram, outros ocuparam o espaço. O resultado está à vista.

Basta ouvir as reações no dia das eleições para perceber que persistirão em negar a realidade, agarrados a uma narrativa de negação que culpa fatores externos pelo desastre eleitoral, ignorando responsabilidades próprias. Reduzir este crescimento do Chega a um mero fenómeno de protesto, ou sugerir que os eleitores não sabem em quem votam, é não apenas um insulto à inteligência coletiva, mas também uma expressão de arrogância política que só contribuirá para aprofundar o fosso entre eleitos e eleitores.

Uma nota positiva para a Iniciativa Liberal, que cresce e consolida a sua posição como quarta força política. É verdade que continua a ser um partido muito urbano e concentrado em algumas ilhas, mas o crescimento consistente mostra que há espaço para um discurso alternativo, liberal nos costumes e na economia. Falha, no entanto, em apresentar um projeto verdadeiramente regional e em dialogar com o eleitorado fora das cidades principais.

Estas eleições deixam um aviso claro: quem não se renovar, quem continuar a ignorar o descontentamento popular, quem persistir nos velhos vícios da política insular, arrisca-se a tornar-se irrelevante. Os partidos tradicionais ainda vão a tempo, mas a janela está a fechar-se rapidamente. Nos Açores, onde o descontentamento é cada vez mais visível, ignorar este sinal seria um erro de consequências históricas.

Autoridades alertam para agravamento da agitação marítima nos Açores

© DL

A Autoridade Marítima Nacional e a Marinha emitiram um alerta quanto à previsão do estado do mar para os próximos dias no arquipélago dos Açores.

De acordo com nota de imprensa enviada às redações pelas autoridades, a previsão aponta para um agravamento considerável das condições meteorológicas e de agitação marítima no arquipélago, entre as 6h00 de amanhã, 2 de abril, e as 12h00 de quinta-feira, 3 de abril.

​A agitação marítima será caraterizada por uma ondulação proveniente do quadrante norte, com uma altura significativa que poderá atingir os seis metros e uma altura máxima de 11 metros, com um período médio a variar entre os nove e os 12 segundos.

São esperados ventos provenientes de norte-nordeste, com uma intensidade média de até 65km/h e rajadas até 117km/h.

As autoridades alertam, ainda, toda a comunidade marítima e a população em geral para terem o devido cuidado, tanto na preparação de uma ida para o mar, como quando estão no mar ou em zonas costeiras.

 

 

Autoridades alertam para agitação marítima nos Açores

© J. EDGARDO VIEIRA
A previsão do estado do mar aponta para um agravamento considerável das condições meteorológicas e de agitação marítima nos grupos Ocidental e Central do arquipélago dos Açores a partir de amanhã, 17 de dezembro. O alerta foi dado esta segunda-feira pela Autoridade Marítima Nacional e Marinha em nota de imprensa enviada às redações.
 
A agitação marítima deverá manter-se até final da próxima quarta-feira, 18 de dezembro e será caraterizada por uma ondulação proveniente do quadrante Noroeste, com uma altura significativa que poderá atingir os sete metros e uma altura máxima de 13 metros, com um período médio a variar entre os 8 e os 12 segundos.
 
São esperados ventos provenientes do quadrante Noroeste, com uma intensidade média de até 84km/h e rajadas até 152km/h.

 

As Autoridades alertam, ainda, toda a comunidade marítima e a população em geral para evitar passeios junto ao mar ou em zonas expostas à agitação marítima.