
O novo Centro de Atividades para Capacitação e Inclusão (CACI) da Santa Casa da Misericórdia de Santo António, na cidade da Lagoa, é a grande aposta da instituição para 2026. Com um custo de 5,7 milhões de euros, as obras, que decorrem desde fevereiro de 2024, tinha a conclusão prevista para este mês de agosto. O novo espaço, situado na rua da Quintã, em Santa Cruz, tem uma área de 1886 m² e terá duas valências: uma com capacidade para 18 utentes e outra para acolher 30 utentes.
O Diário da Lagoa visitou a obra na companhia do diretor técnico da valência do lar de idosos, Tiago Almeida, que explicou as mais-valias do investimento e mostrou o trabalho em curso. A conclusão das obras está agora prevista para o final deste ano e o Centro deverá entrar em funcionamento no início do próximo, respondendo a uma já elevada lista de espera.
Ao Diário da Lagoa, o provedor da Santa Casa, António Augusto Borges, descreve o projeto como um “sonho”. O CACI está a ser construído para integrar duas valências que irão complementar os serviços já existentes da instituição. E diz que tem “esperança de inaugurar a obra no aniversário dos 25 anos da Santa Casa, a 12 de janeiro de 2026”.
“Os pais, hoje em dia, têm uma grande preocupação: ter um filho com alguma deficiência e não ter sítio para o deixar”, afirmou o provedor, destacando a ansiedade das famílias e a importância de oferecer uma resposta “fantástica” a essa procura. A lista de espera já conta com cerca de 15 pessoas, o que demonstra a necessidade urgente do novo equipamento. O projeto, que irá aproveitar e ampliar um edifício já existente no local, será um “espaço nativo, bastante bonito”, com áreas verdes e jardins para os utentes, explica o responsável. A obra integra-se na estratégia do Governo dos Açores de expandir a rede de equipamentos sociais na região.
Segundo o executivo açoriano, o novo CACI irá disponibilizar duas novas respostas sociais essenciais: um Centro de Atividades para Capacitação e Inclusão (CACI), destinado a pessoas com deficiência a partir dos 18 anos, que se vai focar em atividades ocupacionais para promover a autonomia e a inclusão e um Lar Residencial, para acolhimento temporário ou permanente de pessoas com deficiência.
A secretária regional da Saúde e Segurança Social, Mónica Seidi, sublinhou em março passado a importância do projeto para “reforçar a inclusão e o apoio social” na região. “Este investimento resulta de um processo de diálogo e parceria com várias entidades e reflete o compromisso do Governo dos Açores com políticas de inclusão”, disse na altura a governante. Este equipamento irá centralizar no concelho da Lagoa serviços que até agora não existiam, “encerrando um circuito de ofertas sociais essenciais para a população”, sublinhou Mónica Seidi.
O projeto é uma iniciativa da Santa Casa da Misericórdia de Santo António da Lagoa, uma instituição que apoia 108 utentes. A obra está a cargo da empresa AFAVIAS Açores, com a fiscalização da GAB 118, e o prazo de execução previsto inicialmente era de 540 dias.

O programa “Novos Idosos” da Santa Casa da Misericórdia de Santo António, na Lagoa, já alcançou as 50 pessoas, mas a sua expansão e sustentabilidade estão em risco devido à escassez de cuidadores com contrato estável, uma vez que a maioria opera através de recibos verdes. A preocupação foi manifestada por António Augusto Borges, provedor da instituição, que destacou a necessidade urgente de apoio governamental para garantir a continuidade do projeto.
Em entrevista ao DL, António Augusto Borges sublinha que a falta de estabilidade laboral dos cuidadores é o principal entrave para que o programa atinja o seu potencial máximo. “O problema é o recibo verde”, afirmou o provedor. “Temos muita dificuldade. Se não, já teríamos atingido os 50 [idosos], mas o problema é que não existem cuidadores disponíveis.”
Apesar das dificuldades, o provedor destacou o sucesso do projeto, que tem uma lista de espera de oito pessoas, depois de 104 inscrições iniciais. “Há muita gente, ainda tem outros na lista de espera”, frisou. “Desistências, até hoje, nunca se verificaram, ou seja, as desistências são pessoas que, na realidade, não podem mesmo continuar em casa”. O provedor revelou ainda que a questão será um dos temas a levar à sua próxima audiência com o Presidente do Governo Regional dos Açores.

No final da entrevista, o provedor fez questão de realçar o papel fundamental da equipa da Santa Casa da Misericórdia de Santo António que considera a maior riqueza da instituição. “A gente pode estar falando aqui de tudo o que a gente puder falar”, disse. “E, acima de tudo, a maior riqueza são os recursos humanos”.
António Augusto Borges salientou que a missão de trabalhar com idosos e pessoas com deficiência exige vocação e sacrifício, mas que a equipa da Misericórdia da Lagoa demonstra um grande espírito de entrega. “Tentamos criar aqui um ambiente familiar, um espírito de missão, um espírito de entrega”, concluiu.