
A atleta micaelense Sofia Botelho conquistou a medalha de ouro nos campeonatos nacionais de sub-16 ar livre, nos 300 metros sub-16 feminino. Trata-se da sua melhor marca de sempre. A prova decorreu este domingo, 7 de junho, no Seixal.
Ao Diário da Lagoa, a jovem de 14 anos, natural da freguesia de Santo António, em Ponta Delgada, explica que esta foi uma vitória “muito especial” já que “estava a tentar há algum tempo e quando finalmente consegui fiquei muito grata pelo meu esforço ter valido a pena”.
Sofia Botelho diz que ficou “surpreendida e orgulhosa” já que estava à espera de um segundo lugar “porque havia uma atleta com um tempo muito melhor que o meu e eu estava-me a sentir cansada”. Mas isso não foi impedimento para conquistar o ouro nacional.
A jovem conta que o atletismo despertou-lhe o interesse uma vez que “algumas pessoas diziam que devia experimentar porque tinha boas classificações no mega sprint e quando experimentei percebi que era aquilo que realmente queria fazer”.
Sofia Botelho é atleta do Juventude Ilha Verde, natural de Santo António, em Ponta Delgada, e conquistou até ao momento 24 medalhas, sendo quatro de provas nacionais.

Não é sobre estatísticas. Não é sobre o peso do metal das medalhas ou as datas precisas de campeonatos regionais. O projeto que nasceu de um convite para o álbum dos 500 anos do Concelho de Lagoa transformou-se em algo muito mais profundo: uma radiografia da alma de um povo. “O meu propósito era humanizar a informação”, explica o autor, Marcelo Borges, que dedicou quase dois anos a escavar memórias que o betão do tempo ameaçava enterrar.
“O meu pai, desde de cedo, levou-me para o desporto, acompanhava-me muito. Quando me fizeram o convite, disse que aceitaria ir nesse propósito, mas num propósito mais de humanizar a informação”, explica o autor.
A história do desporto na Lagoa começa com um ato de sobrevivência psicológica. Em 1522, após o terramoto devastador que arrasou Vila Franca do Campo, o capitão donatário Luís Gonçalves encontrou no “jogo de canas” — uma disputa de perícia a cavalo — a forma de demover as pessoas de abandonarem a ilha. O desporto foi, ali, a primeira ferramenta de reconstrução social.
Recorda os tempos idos em que em 1905 foi instalado um campo de cricket no jardim do Rosário, pela câmara municipal.
Em 1917, foi criado o Eden Park. Onde antes se empilhava carvão para a Fábrica do Álcool, nasceu um espaço de lazer vanguardista com o primeiro ginásio público ao ar livre. Foi ali que as famílias se reuniam, onde as senhoras faziam renda enquanto assistiam aos primeiros jogos de futebol, e onde a dinâmica social da rua ganhou uma nova vida.
O livro “Breve História da Cultura Desportiva na Lagoa”, editado pela Câmara da Lagoa, destaca um período áureo: a era das grandes indústrias. A Fábrica do Álcool e a Fábrica do Sabão (Provimi) não eram apenas polos económicos, mas o coração pulsante do desporto. Os operários terminavam turnos exaustivos e corriam para os treinos. O autor recorreu sobretudo a testemunhos orais, a livros e à imprensa da época.
“O que mais me agradou foi confirmar a resiliência dos lagoenses”, afirma Marcelo Borges. As histórias de bastidores são comoventes: dirigentes que transformavam as suas próprias casas em sedes de clubes e treinadores “vanguardistas” que, perante a escassez, davam “quadradinhos de marmelada” aos atletas para garantir que tinham calorias para competir. É este “ADN” de sacrifício que explica como clubes com poucos recursos conseguiram, tantas vezes, bater-se contra gigantes.
Se outrora era preciso esperar horas para conseguir um lugar nos polidesportivos de Santa Cruz ou do Rosário, hoje o silêncio nas ruas preocupa. O autor aponta para um “desligamento” das novas gerações, provocado não só pelos ecrãs, mas por uma alteração na dinâmica familiar.
“Eu não ouço as bolas a baterem na rua”, lamenta, recordando o tempo em que o sentido de pertença era tão forte que os próprios alunos tomavam a iniciativa de decorar os pavilhões escolares com azulejos. Para o autor, o desporto não é apenas exercício físico; é uma lição de cidadania e de dever sobre o direito.

A obra, que agora integra a coleção da Biblioteca Tomás Borba Vieira, não pretende ser um ponto final. Com atletas como Natacha Candé e Apollo Caetano a reescreverem a história no presente, o livro serve como um estandarte para que os clubes não deixem perder os seus arquivos orais, sendo a história atual um desenrolar constante de novos marcos. “O livro já está desatualizado”, diz Marcelo Borges, assumindo que é a própria história a acontecer. O autor espera que este trabalho incentive outros a escreverem sobre modalidades específicas antes que a memória dos dirigentes mais antigos se perca.
Numa altura em que a informação digital é efémera, este resgate das fontes orais e dos periódicos antigos (como “O Lagoense” de 1905) é um presente para a Lagoa de amanhã eternizando assim a história da cultura desportiva no concelho.

Cerca de duas centenas de atletas participaram este sábado, 28 de março, na VI edição do “Desafio Vertical 0/947”, um evento de trail running que percorreu os trilhos e caminhos do concelho da Lagoa. Organizada pelo Morcegos Trail Clube, com o apoio da Câmara Municipal da Lagoa e da Junta de Freguesia de Água de Pau, a prova consolidou a sua posição no calendário desportivo regional e nacional, atravessando pontos estratégicos das freguesias de Água de Pau, Ribeira Chã e Santa Cruz. Segundo nota de imprensa enviada pela autarquia lagoense, a competição distinguiu-se uma vez mais pelo seu formato de partida em contrarrelógio, uma particularidade pouco comum na modalidade, onde os atletas iniciam o percurso individualmente em horários distintos.
A cerimónia de entrega de prémios contou com a presença do presidente da Câmara da Lagoa, Frederico Sousa, e da presidente da Junta de Freguesia de Água de Pau, Vanessa Silva. Na ocasião, Frederico Sousa sublinhou que “esta é uma prova diferenciadora que se enquadra na dinâmica pretendida para o desporto municipal, representando o expoente máximo das potencialidades do desenvolvimento desportivo do concelho e alicerçando-se no seu lema do desporto «do mar à montanha»”. O autarca agradeceu e valorizou ainda a colaboração do Morcegos Trail Clube na dinamização deste que é o município destino desportivo do ano a nível nacional.
O desafio técnico dividiu-se em várias distâncias, adaptadas a diferentes níveis de preparação. A prova rainha, o DV Trail, contou com um percurso de 37,9 km, unindo a Ponta da Galera, na Caloura, ao Pico da Barrosa, com meta no Polidesportivo de Água de Pau. Já o DV Sprint cobriu uma distância de 25,6 km. O evento incluiu ainda o DV Mini Trail, uma caminhada de 9,4 km com partida na Casa da Água Trail Point, nos Remédios, e uma vertente dedicada aos mais novos, o DV Kids, num trajeto de 1,5 km. Atualmente, o Desafio Vertical integra o calendário da International Trail Running Association, atribui pontos para o Ultra Trail Mont Blanc Index e pontua para os circuitos nacionais da Associação de Trail Running de Portugal e para o Campeonato de Trail de Ilha de São Miguel.

A ilha de São Miguel prepara-se para acolher, no próximo dia 22 de março, a XX Meia Maratona de São Miguel, um evento que volta a colocar o desporto adaptado e a inclusão social no centro das atenções. Segundo informação enviada pela autarquia de Ponta Delgada, a prova, que percorre uma distância de 21,1km, terá a sua partida agendada para as 10h00 no Campo de São Francisco, em Ponta Delgada, com a meta instalada junto aos Paços do Concelho da Ribeira Grande. O evento, organizado pelo Núcleo do Sporting Clube de Portugal da ilha de São Miguel em colaboração com a Associação de Atletismo de São Miguel, conta este ano com cerca de 150 inscritos, dos quais uma centena viaja propositadamente do continente português para participar nesta emblemática travessia entre o sul e o norte da ilha.
Durante a conferência de imprensa de apresentação do evento, Pedro Furtado, vice-presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, sublinhou que “é um orgulho para a nossa autarquia apoiar a Meia Maratona de São Miguel, uma prova que se distingue pela diferença, promovendo o desporto como uma forma de inclusão”. O autarca destacou que a iniciativa vai ao encontro das diretrizes estratégicas do regulamento municipal de apoio ao desporto, focadas no desporto inclusivo e adaptado. “Sentimos a responsabilidade social de continuar a apoiá-la”, reforçou o responsável, aproveitando a ocasião para enaltecer o trabalho de Carlos Melo, diretor da prova, e do Núcleo leonino local pelo contributo persistente ao desenvolvimento do atletismo e do xadrez na região.
A colaboração entre os dois maiores municípios da ilha foi também um dos pontos destacados, com Pedro Furtado a deixar palavras de apreço ao novo executivo da Ribeira Grande pela disponibilidade em manter este investimento conjunto. Por sua vez, a vice-presidente da Câmara da Ribeira Grande, Délia Melo, afirmou que este “já é um evento de referência na ilha de São Miguel”, justificando o apoio público com o papel social e a causa do desporto adaptado que a prova defende. Duarte Alves, presidente do Núcleo do Sporting, fechou as intervenções agradecendo a ambas as autarquias, notando que, sem este suporte institucional, seria impossível realizar uma prova com mais de duas décadas de história e que continua a registar uma trajetória de crescimento e afirmação no calendário desportivo açoriano.

A atleta lagoense Natacha Candé, do Clube Desportivo e Cultural Juventude Ilha Verde de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, alcançou um feito histórico para o desporto nacional ao sagrar-se Campeã Nacional de Pentatlo, no escalão de Sub-20. A conquista ocorreu durante os Campeonatos Nacionais de Provas Combinadas, realizados no Fórum Braga, no passado dia 24 e 25 de janeiro, onde a jovem atleta demonstrou um domínio absoluto ao longo das cinco disciplinas que compõem a modalidade.
Com uma prestação marcada pela regularidade, Natacha Candé somou um total de 4.197 pontos. Este resultado permitiu-lhe não só garantir o lugar mais alto do pódio, como também estabelecer um novo recorde nacional nas categorias de Sub-20 e Sub-23. A marca agora alcançada supera o seu anterior recorde pessoal de 4.094 pontos, obtido em março de 2025, o que confirma uma trajetória de evolução sustentada e de afirmação no panorama do atletismo em Portugal.
O desempenho da campeã nacional foi pautado por resultados de elevado nível técnico em todas as frentes, registando 8,82 segundos nos 60 metros barreiras, 1,76 metros no salto em altura e 13,33 metros no lançamento do peso. A fechar a sua participação, Natacha registou ainda 5,87 metros no salto em comprimento e completou os 800 metros em 2 minutos, 24 segundos e 59 centésimas, números que espelham uma preparação física e mental de rigor. Este novo título vem reforçar o currículo de uma atleta que é já uma referência na região.

Já perdeu a conta às medalhas que ganhou e que guarda em casa. Só mais tarde, é que nos soube dar um número. Natacha Candé, 18 anos, ganhou 263 medalhas em sete anos de atletismo. É isso mesmo, conquistou mais de duas centenas de medalhas em menos de uma década e o número vai subir, não tem dúvidas.
A conversa com o Diário da Lagoa (DL) acontece antes do seu treino diário, no Complexo Desportivo das Laranjeiras, em Ponta Delgada, ilha de São Miguel.
Ao DL conta como tudo começou. “Eu fazia desporto escolar e um professor de Educação Física viu que eu era muito boa a fazer desporto, então contactei o Clube Juventude Ilha Verde. Fiz os meus primeiros treinos e confesso que no início não estava a ser grande coisa mas depois havia os saltos, as barreiras e gostei mais, então decidi ficar porque é um desporto diferente”.
Barreiras é aquilo que Natacha mais gosta dentro do leque de modalidades que existem no atletismo. E gosta sobretudo de provas combinadas que incluem, por exemplo, saltos, lançamentos, velocidade e resistência.
O currículo de Natacha Candé é longo e soma muitos primeiros lugares. Só este ano já conquistou quatro medalhas de ouro e uma de prata em provas nacionais de heptatlo, salto em altura e pentatlo, esta última num torneio ibérico de provas combinadas.
No ano passado, a atleta natural da Lagoa, conquistou seis medalhas de ouro e em 2023, conseguiu também conquistar outras seis medalhas, todas de ouro.

A lagoense revela o segredo do seu sucesso: “muita persistência e treinar bastante”. Ela treina todos os dias duas horas, seis dias por semana. E há meses, antes das provas, em que os treinos são bi-diários, ou seja, acontecem duas vezes por dia. Natacha Candé diz mesmo que o mais difícil é “conciliar os estudos com os treinos”.
O seu maior sonho é “ir aos olímpicos em 2028”. “Estou a trabalhar para isso”, assegura. Mas antes disso, tem os europeus de atletismo, este verão, estando já qualificada para a competição.
Para José Neves, o treinador, Natacha “é uma atleta muito empenhada e devido ao seu empenho tem os resultados que tem, que são extraordinários”. O técnico diz que é fácil trabalhar com Natacha porque “ela sabe gerir bem os treinos”. Destaca um defeito, que também pode ser uma qualidade: “é muito teimosa”. José Neves não tem dúvidas: “na modalidade, ela é, neste momento, a melhor do país no seu escalão”. E para Natacha, “ter aquela adrenalina dos saltos, da competição” é o que mais a fascina.

Mas a atleta lamenta que não haja uma pista coberta em São Miguel onde os desportistas possam treinar durante o inverno e sobretudo nos dias em que chove — e nos Açores são muitos. Dá o exemplo do treino a que assistimos: “hoje, por exemplo, não vou fazer altura, vou fazer barreiras por causa do vento”. Para a lagoense, a inexistência de uma pista coberta” limita muito a evolução dos atletas que podiam ir ainda mais longe”.
O treinador, José Neves, corrobora as palavras da sua atleta e alerta: “se chove, o ginásio fica cheio e não se consegue treinar em condições. Para quem está no alto rendimento é prejudicial porque fica com o treino condicionado”.

Para além disso, o técnico também explica que nas Laranjeiras “quando há futebol, durante a época, não se pode lançar martelo e disco. Temos atletas no top cinco que se treinassem o ano inteiro podiam estar no top três, mas infelizmente não”.
Perguntámos a Natacha o que mais gosta de fazer nos tempos livres. A atleta respondeu que não lhe sobra muito tempo livre, para além dos treinos e dos estudos. Mas não tem dúvidas de que quer continuar a perseguir o sonho de seguir o atletismo no futuro de forma exclusiva. E não restam muitas dúvidas de que é um sonho que facilmente se tornará realidade.

O Clube Desportivo e Cultural Juventude Ilha Verde (JIV), de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, esteve em destaque no Campeonato Nacional de Sub-18, realizado este fim de semana na cidade de Beja, ao conquistar nove medalhas e alcançar vários resultados de relevo, numa competição marcada por temperaturas acima dos 40 graus, que colocaram à prova a resistência dos jovens atletas.
Segundo comunicado do JIV, a comitiva açoriana “apresentou-se com 10 atletas, demonstrando não só qualidade competitiva como também um elevado espírito de entrega e superação”.
A atleta Anamar foi uma das figuras da competição ao conquistar duas medalhas: ouro no triplo salto, com um novo recorde da prova (12,53m), e prata no salto em comprimento (5,61m). Na marcha atlética, Celestino Pacheco dominou os 5000 metros, vencendo com o tempo de 24:21 minutos, enquanto Helena Rodrigues garantiu o bronze com 26:17 minutos; Afonso Cordeiro terminou em sétimo lugar no salto em comprimento (6,58m) e conquistou bronze no triplo salto (13,62m). A estafeta medley masculina, composta por Gustavo Alves, Afonso Cordeiro, André Duarte e Afonso Eiró, obteve também o bronze, com um tempo de 2:03 minutos.
Outros resultados de relevo, foram o de Diana Franco ao alcançar o quarto lugar nos 3.000 metros com 10:07 minutos, enquanto André Duarte destacou-se com o quarto lugar nos 400 metros barreiras (56,78s), nos 100 metros (11,34s). Já Afonso Eiró terminou os 400 metros em quinto lugar com 51,10s. Gustavo Alves correu os 100 metros em 11,86s e Isabel Melo participou nos lançamentos: fez 23,63 metros no disco e 34,92 metros no martelo. A atleta iniciada Sofia Botelho participou nos 100 metros, mas foi desclassificada por falsa partida. Coletivamente ficaram em sexto lugar em masculino e feminino.
Apesar das duras condições meteorológicas, o JIV salienta que demonstrou mais uma vez “a força da sua formação, com resultados que refletem trabalho, dedicação e ambição. Esta participação confirma o clube como uma das referências do atletismo jovem em Portugal”.

Venicio da Costa Ponte
Vice coordenador da iniciativa Liberal Açores
Se és daqueles que gosta de calçar os ténis, sentir a liberdade do vento na cara e correr sem restrições, lamento informar-te: a Federação Portuguesa de Atletismo (FPA) decidiu que isso já não pode ser assim tão espontâneo. Porque, pelos vistos, correr não é apenas pôr um pé à frente do outro – é também abrir a carteira e pagar um imposto encapotado, perdão, uma “filiação por um dia”. Afinal, a burocracia nunca descansa, nem sequer no desporto.
A mais recente ideia brilhante da FPA é a imposição de uma licença obrigatória para quem quiser participar em provas de atletismo pagas e classificadas. Ou pagas, mas não classificadas, dependendo do valor da inscrição. Se já estás confuso, bem-vindo ao labirinto regulatório onde correr livremente se tornou uma questão de carimbos e transferências bancárias.
A Federação justifica a medida com o argumento da segurança e regulamentação. Mas vamos ser realistas: isto é um claro entrave à liberdade dos atletas e organizadores. O atletismo sempre foi um desporto democrático – um par de sapatilhas e um caminho bastavam. Agora, adiciona-se um bilhete de entrada obrigatório, porque aparentemente a FPA quer ter controlo sobre quem corre e a que velocidade.
A petição contra esta medida não tardou a aparecer, e com razão. Argumenta que a exigência da licença vai contra princípios constitucionais e legais, criando barreiras económicas desnecessárias. O desporto deve ser acessível a todos, e não um clube fechado onde só entra quem paga a mensalidade da burocracia.
A taxa de 3€ por prova ou os 35€ por ano não parecem muito? Pois, depende da perspetiva. Para quem participa ocasionalmente em provas populares, este valor pode ser o suficiente para repensar se vale a pena. E se achavas que ias pagar por um serviço inovador, enganas-te: pagas basicamente pelo direito de continuares a fazer aquilo que já fazias antes, sem qualquer melhoria garantida. Veremos se no futuro será um desporto para atletas de alto rendimento ou com altos rendimentos.
A FPA diz que esta receita servirá para desenvolver infraestruturas e fomentar a modalidade. Traduzindo: compensar o desinvestimento estatal. Então, porque não arranjar patrocínios privados? Por que razão a solução passa sempre por taxar quem já pratica o desporto? Os liberais tem uma abordagem clara, menos taxas, menos burocracia e mais liberdade de escolha.
A ironia máxima é que esta medida surge num contexto em que se fala da importância da prática desportiva para a saúde pública. A Direção-Geral da Saúde, a Organização Mundial da Saúde e todos os especialistas apontam o desporto como essencial na prevenção de doenças. Mas em Portugal, ao que parece, há quem prefira criar obstáculos em vez de incentivos.
Se esta tendência pega, não estranhem se daqui a uns anos precisarem de uma licença para dar uma corrida no parque ou subir escadas sem registo prévio. Quem sabe, talvez voltemos aos tempos áureos do Estado Novo, quando até para acender um cigarro era necessário pagar a famosa taxa do isqueiro. Sim, porque o Estado tinha que ter a certeza de que só se queimava tabaco devidamente autorizado! O tempo passa, mas a criatividade para arranjar formas de taxar os cidadãos mantém-se.
Porque o desporto deve ser para todos… mas só se pagarem a devida taxa. Por isso, fia-te na Virgem e não corras – pelo menos, até garantires que a tua licença está em dia.

Natacha Candé “começou a época demonstrando excelente ritmo” e “não dando qualquer hipótese à sua concorrência”, escreve a Associação de Atletismo de São Miguel numa nota publicada online.
A atleta, natural da cidade da Lagoa, “estabeleceu um novo recorde dos campeonatos de sub-20 com 3.972 pontos”, apenas superada pelas seniores Jessica Barreira e Mariana Bento.
A prova decorreu em Braga, no último fim de semana do mês passado, onde se sagrou campeã nacional no Pentatlo, no escalão de sub-20, representando o Juventude Ilha Verde.
A atleta de alta competição, que tem somado títulos a cada ano, correu os 60m barreiras em 8,67 segundos; saltou em altura 1,77m; lançou o peso a 11,61 metros; saltou 5,69m em comprimento e fechou os 800 metros em 2m 32s65.

A atleta lagoense Natacha Candé recebeu um voto de congratulação da Câmara da Lagoa, anunciou esta quinta-feira, 11 de abril, a autarquia. O voto foi aprovado em reunião de câmara e entregue numa cerimónia que teve lugar no salão nobre do edifício dos Paços do Concelho.
Recentemente, em Ourense, durante a Taça Ibérica de Provas Combinadas, a atleta do Clube Juventude Ilha Verde (JIV) tornou-se a primeira sub-18 portuguesa atingir a marca acima de 4000 pontos no Pentatlo e venceu a competição com 4040 pontos, ultrapassando Marisa Vaz de Carvalho que detinha o recorde desde 2016 com 3992 pontos.
No passado mês de fevereiro também se sagrou campeã nacional do Pentatlo, em pista coberta, nos escalões de Sub-18 e Sub-20.
De acordo com nota de imprensa enviada pela autarquia lagoense, a presidente da Câmara da Lagoa, Cristina Calisto, evidenciou que “estas duas conquistas, a par das demais que já fazem parte do currículo desta atleta lagoense, são de enaltecer, pois são fruto do trabalho árduo, e ganham uma maior importância quando se trata do desporto feminino, que se encontra em ascendência na região e também no país”.
A atleta do JIV, no pasado dia 28 de março, foi também distinguida na sétima edição da Gala do Desporto de Ponta Delgada que decorreu no Coliseu Micaelense. Na gala deste ano foram distinguidos os melhores atletas, treinadores, clubes, associações e dirigentes da época desportiva de 2022/2023. A atleta da freguesia de Nossa Senhora do Rosário, na Lagoa, arrecadou o prémio de Jovem Promessa do Ano.