
O auditório do Colégio do Castanheiro, em Ponta Delgada, foi o palco da oitava edição do Desafio Kahoot – Cultura Geral dos Açores (Fase de Ilha de São Miguel), realizada esta quinta-feira, 19 de março. A competição, que já se tornou um marco nos planos de atividades das escolas açorianas, contou com a participação de 96 alunos provenientes de 15 unidades orgânicas da ilha, além de duas instituições de ensino privado, todos unidos pelo objetivo de demonstrar conhecimentos sobre a história, geografia e etnografia do arquipélago.
No primeiro ciclo, o pódio foi liderado por Henrique Câmara (EBI Roberto Ivens), seguido de Lourenço Sousa (EBI de Arrifes) e Alexandre Pereira (EBI Canto da Maia). No segundo ciclo, o primeiro lugar coube a Guilherme Vicente (EBS Armando Cortes Rodrigues), com Francisco Mota (EBI Roberto Ivens) e Núria Azevedo (Colégio São Francisco Xavier) a completarem as posições cimeiras. Já no terceiro ciclo, a EBS do Nordeste dominou os dois primeiros lugares com Marcelino Cabral e Simão Soares, respetivamente, ficando Camila Medeiros, do Colégio do Castanheiro, na terceira posição. Na categoria secundária, disputada em inglês sob a designação “Azores Quiz”, Tomás Elói (Colégio do Castanheiro) garantiu a vitória, acompanhado por Luís Barbosa e Carlos Sousa, ambos da EBS da Povoação.
Segundo a organização do evento, esta edição é especialmente dedicada à comemoração dos 50 anos da autonomia regional. Através da plataforma digital Kahoot, os jovens são desafiados a explorar temáticas que vão da botânica à literatura das nove ilhas. Para o diretor pedagógico do colégio anfitrião, João Miranda, este desafio é uma prova de que a tecnologia “também pode servir para educar os jovens de forma pedagógica e lúdica”, estimulando o brio e o conhecimento pela terra natal num ambiente de saudável competição.
O evento, que incluiu momentos musicais protagonizados por alunos locais e a entrega de prémios aos melhores classificados, serve de antecâmara para a grande decisão. Os vencedores desta etapa micaelense juntar-se-ão agora aos representantes das restantes ilhas para disputar a fase regional, que terá lugar no dia 30 de abril, na ilha do Faial.

A Escola Básica Integrada (EBI) de Ponta Garça, no concelho de Vila Franca do Campo, prepara-se para transformar o quotidiano dos seus alunos e da comunidade local com a realização de mais uma Semana Cultural, que decorrerá entre 23 e 27 de março. Sob o lema “Explorar, Criar e Aprender”, a iniciativa, comunicada pela própria instituição, pretende reforçar os laços entre o estabelecimento de ensino e a sociedade civil, contando com a colaboração de diversas entidades ligadas à ciência, ao ambiente e à cultura açoriana. O arranque das atividades destaca-se pela vertente prática e formativa, incluindo a II edição da Feira de Empregabilidade, Formação e Educação, que reunirá várias escolas profissionais da ilha de São Miguel para apresentar soluções de futuro aos jovens estudantes.
A programação deste ano assume uma forte componente de identidade regional, estando patente uma exposição comemorativa dos 50 anos da Autonomia Regional, organizada pelo Departamento de Ciências Sociais e Humanas da escola. A inovação tecnológica e o conhecimento científico também marcam presença através de um atelier de robótica e da instalação de um planetário, este último sob a responsabilidade do Observatório Astronómico de Santana Açores (OASA). No campo da literatura, a Biblioteca Escolar será o palco do evento “Chá com Letras”, onde serão apresentadas as obras “O Ciclo do Leite”, de Mariana Magalhães e Cristina Quental, e “Aqui Nasceu Ponta Garça”, da autoria de Renato Nunes, além da leitura de “Contos com Garça” por Rosa Cardoso e da partilha digital de cerca de 100 recomendações de livros no formato booktoker.
O cartaz cultural estende-se ainda à música e à criatividade artística, com um concerto do grupo “Pura Folia” e atuações dos músicos emergentes Tomás Sampaio e Marta Tavares. Ao longo da semana, os alunos participarão em oficinas de artesanato, pintura de murais, feiras de plantas e atividades físicas, não esquecendo a vertente ambiental com a plantação de espécies endémicas.
O encerramento da Semana Cultural, agendado para o último dia, será marcado pelo sentido de pertença e tradição: a Associação de Pais organiza uma Romaria que levará toda a comunidade educativa até à Igreja de Nossa Senhora da Piedade para uma celebração eucarística, terminando com um lanche convívio que celebra os costumes enraizados na freguesia de Ponta Garça.

A secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, manifestou publicamente o seu “desagrado” face às novas regras do Subsídio Social de Mobilidade, recentemente promulgadas pelo Presidente da República. A governante garante que o Governo dos Açores não foi devidamente ouvido sobre o conteúdo final do Decreto-Lei, tendo sido apenas consultado sobre questões administrativas específicas, como o comprovativo de ausência de dívidas ao Fisco.
Em nota de imprensa enviada às redações esta terça-feira, 6 de janeiro, pela Secretaria Regional, Berta Cabral defende que o diploma “desconsidera as legítimas expectativas dos açorianos e não reconhece, de forma adequada, a natureza estrutural da condição ultraperiférica”. Segundo a governante, a solução adotada pelo Governo da República fragiliza a função essencial do subsídio como instrumento de correção de desigualdades territoriais.
O executivo regional levanta ainda dúvidas sobre a legalidade das novas normas. Berta Cabral refere que “o modelo agora consagrado representa um recuo face a entendimentos anteriormente firmados e introduz exigências que, pela sua natureza e alcance, colocam obstáculos acrescidos a um direito que deve ser garantido de forma clara, simples e previsível”. Neste sentido, o Governo dos Açores entende que as regras aprovadas podem violar princípios da Constituição da República Portuguesa, nomeadamente os de igualdade, proporcionalidade e o respeito pela autonomia das Regiões Autónomas.
“A Autonomia não é um mero recurso retórico nem uma concessão circunstancial, mas sim um pilar constitucional do Estado português e um património político que o Governo dos Açores continuará a defender com firmeza, em consonância com a vontade maioritária dos açorianos”, afirmou Berta Cabral, reforçando que o modelo promove a discriminação entre cidadãos.
Apesar da contestação, a secretária regional mantém a porta aberta para um “diálogo institucional responsável”, mas deixa o aviso final: “Esse diálogo não pode ocorrer à custa da Autonomia Regional nem da salvaguarda dos direitos dos cidadãos insulares.”