
Um projeto do Centro de Oncologia dos Açores (COA) foi um dos vencedores do primeiro Concurso National Cancer Hub-PT (NCH-PT) 2024, referente a financiamento de projetos de Investigação Clínica e Inovação Biomédica (IC&IB) na área do cancro.
Este é o resultado do projeto piloto para um programa de rastreio da infeção que causa cerca de 90 por cento dos cancros gástricos.
Segundo nota de imprensa enviada pelo Governo regional dos Açores às redações, o programa foi implementado na Terceira com a coordenação do COA, que colaborou com as farmácias comunitárias da ilha, e teve o apoio da Associação Nacional de Farmácias e Associação de Farmácias de Portugal, bem como do Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira.
O programa permitiu rastrear cerca de dois mil utentes e proceder ao acompanhamento e possível erradicação da bactéria nos casos identificados como positivos, o que é particularmente importante porque a eliminação desta infeção pode reduzir o risco do cancro gástrico.
Posteriormente, o projeto também permitirá a recolha de evidências científicas que serão úteis para a concretização de uma estratégia de prevenção primária de cancro gástrico em Portugal, alinhando-se com os objetivos da Estratégia Nacional de Luta Contra o Cancro e do Plano Europeu de Luta Contra o Cancro.
Além de apoios e patrocínios de parceiros privados, e das instituições já referidas, o projeto conta com a parceria de diversas instituições, tais como o Ipatimup, Universidade Fernando Pessoa, IPO Coimbra, Centro Hospitalar Lisboa Ocidental EPE, EuropaColon e o Grupo de Abordagem de Lesões Percursoras e Cancro Precoce do Centro de Investigação do IPO do Porto.
O NCH-PT contou com uma taxa de sucesso de 20 por cento das candidaturas elegíveis, correspondendo a um financiamento total de 103.626,76 euros distribuídos por projetos de Investigação Clínica e Inovação Biomédica (IC&IB), coordenados por instituições em Portugal continental e ilhas.
O NCH-PT é um projeto coordenado pela AICIB – Agência de Investigação Clínica e Inovação Biomédica e pela Direção-Geral da Saúde através do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas da DGS (PNDO).

Arrancou a 4 de março, em 11 das 12 farmácias da ilha Terceira, o programa para a prevenção do cancro gástrico, através de um rastreio gratuito da bactéria “helicobacter pylori”, que representa um importante fator de risco para o cancro do estômago e está na origem de 80% destes casos.
O projeto-piloto, intitulado “Programa de Rastreio Oportunista de Helicobacter pylori (POHp)”, está a ser implementado a nível nacional, através das farmácias, tirando partido da aproximação destes estabelecimentos aos utentes e prolonga-se até 5 de julho na ilha açoriana. A Farmácia São Bento, em Angra do Heroísmo, na Terceira, é uma das aderentes ao programa.
Mariana Sousa Dias, farmacêutica substituta na Farmácia São Bento, defende que a proximidade da farmácia aos utentes pode aumentar a adesão aos rastreios e traz benefícios para a deteção da bactéria e implementação das respostas do programa. “Na farmácia, servimos como o ponto onde podemos interagir com o utente, para prepará-lo e informá-lo das vantagens do rastreio e para promover esta iniciativa”.

Sobre a metodologia, Mariana Dias explica que quando o utente se desloca à farmácia, é abordado ao balcão sobre a eventualidade de realizar o rastreio. Podem realizá-lo utentes assintomáticos que estejam inscritos nos centros de saúde, maiores de idade e que cumpram alguns critérios. São excepção as grávidas, pessoas que tenham tido diagnóstico de cancro gástrico ou que tenham feito o teste há pouco tempo.
Posteriormente, “entregamos um kit para o utente fazer a recolha da amostra fecal, que depois é entregue na farmácia, para posterior recolha.” De seguida, a amostra é enviada e analisada no laboratório do hospital. “A partir daqui, a farmácia não tem qualquer tipo de ação no desenrolar da resposta do resultado”, explica a farmacêutica. No caso de ser confirmada a presença da bactéria, é prescrito ao doente o antibiótico para a erradicar.
“O que temos notado é que a passagem da palavra tem feito com que muitas pessoas, que não são utentes frequentes, nos procurem para também serem incluídos no rastreio”
Mariana Sousa Dias
Até àquela data, a Farmácia São Bento já tinha conseguido coletar e enviar para laboratório cerca de 100 amostras, sendo o balanço positivo: “Através da nossa conversa no balcão, conseguimos facilmente recolher bastantes utentes que são de presença frequente aqui na farmácia. O que temos notado é que a passagem da palavra tem feito com que muitas pessoas, que não são utentes frequentes, nos procurem para também serem incluídos no rastreio. Está a correr bastante bem”, conta a colaboradora da Farmácia São Bento.
A profissional de saúde apela à adesão: “Quanto mais cedo for diagnosticada a presença da bactéria, mais facilmente é erradicada. O tratamento desta infeção pode reduzir o risco de cancro gástrico em 46%. Não é um rastreio invasivo nem doloroso e é gratuito”.
O “Programa de Rastreio Oportunista de Helicobacter pylori (POHp)” resulta do trabalho desenvolvido pelo Grupo de Trabalho de Prevenção do National Cancer Hub PT, criado pela Agência de Investigação Clínica e Inovação Biomédica (AICIB) e pela Direção-Geral da Saúde (DGS), em linha com o Plano Nacional de Luta contra o Cancro 2021-2030.
Na região dos Açores, é coordenado pelo Centro de Oncologia dos Açores Prof. Doutor José Conde (COA), em colaboração com a Associação Nacional de Farmácias e o Hospital de Santo Espírito da Terceira.

João Macedo, presidente do conselho de administração do COA, revela ao Diário da Lagoa (DL) que a adesão ao programa tem sido maior do que o esperado: “Tem tido uma adesão bastante elevada, até superior ao que tínhamos estimado inicialmente. Vamos alargar o número de potenciais utentes ao que estava previsto. Tem estado a correr bem e está em curso no terreno”.
Realizar o programa através das farmácias vai permitir “testar se haverá uma taxa de adesão superior com esta abordagem, em comparação com a taxa de adesão das normais convocatórias para rastreios oncológicos,” clarificou João Macedo, que considera as farmácias um agente de saúde pública preferencial. “Há uma relação, não só de proximidade, mas também de confiança das pessoas pela sua farmácia”.