
A Escola Secundária da Lagoa, através do Clube de Astronomia, tem participado, desde o primeiro ano, no projeto CanSat Júnior Açores. Este ano não fugiu à regra e, recentemente, a ilha de Santa Maria foi palco da final regional do projeto.
O evento, intensamente focado no setor aeroespacial, dividiu-se em etapas cruciais: o primeiro dia foi dedicado às apresentações iniciais perante o júri, enquanto o segundo concentrou os lançamentos dos microssatélites, seguidos do tratamento dos dados recolhidos e das defesas finais dos projetos.
Embora o local oficial para os lançamentos estivesse delineado para Malbusca, as condições atmosféricas forçaram uma reviravolta de última hora. A falta de visibilidade, devido ao forte nevoeiro e à intensa humidade, obrigou a organização a alterar os planos por motivos de segurança. A solução alternativa passou por realizar os lançamentos no complexo da RAEGE (Rede Atlântica de Estações Geodinâmicas e Espaciais).
Para a equipa Asc3nd1o SPCI, da Escola Secundária de Lagoa, a aventura começou muito antes de aterrar em Santa Maria. O primeiro grande desafio surgiu logo na fase de candidatura, em que os alunos tiveram de idealizar e produzir um vídeo explicativo onde defendiam as razões e a forte motivação que os levavam a querer concorrer ao CanSat Júnior Açores.
Após a aceitação do projeto, seguiu-se uma verdadeira maratona de desenvolvimento que arrancou no início do mês de março. Desde então, o grupo dedicou-se intensamente à montagem integral do microssatélite, à construção do paraquedas, da antena e montagem da respetiva da estação.
Todo este esforço fez jus ao lema do grupo. Um dos maiores destaques na final foi precisamente a antena desenvolvida pela equipa, cujo material não metálico, foi totalmente produzido numa impressora 3D, uma inovação técnica que mereceu rasgados elogios e forte reconhecimento por parte dos presentes e do júri do evento.
De salientar que, e desde a primeira participação, que o professor David Rosa, que é um dos professores integrantes do Clube de Astronomia, tem colaborado e orientado toda a componente de impressão 3D, o que tem sido uma mais-valia.
A prestação dos jovens estudantes superou todas as expectativas. Sendo alunos do 8.º ano de escolaridade, o ponto de partida era, por si só, um enorme desafio, uma vez que os conceitos envolvidos iam muito além dos conteúdos curriculares da sua idade.
A isto somou-se o fator tempo: o prazo para dominar a tecnologia do CanSat, fazer a programação e estruturar todo o trabalho foi extremamente curto. Ainda assim, sob a cuidadosa orientação e apoio da professora Neide Pimentel, a comitiva mostrou uma maturidade, resiliência e foco exemplares.
O grupo que provou que as ideias ganham altitude foi composto pelos alunos Enzo Costa, Francisco Miguel, Gonçalo Matias, Leandro Coelho, Martinho Cimbron e Tomás Ricardo.

Já são conhecidas as equipas vencedoras da 13.ª edição do CanSat Portugal, que decorreu entre os dias 22 e 26 de abril no aeródromo municipal de Ponte de Sor, em Portalegre. A equipa Astros Nó Atlântico, da escola básica e secundária da Madalena, na ilha do Pico, arrecadou o primeiro prémio do concurso escolar do ESERO Portugal, e vai representar o país no evento Space Engineer for a Day da ESA – Agência Espacial Europeia.
A missão secundária da equipa vencedora consistiu em transformar o CanSat no último meio de comunicação viável para catástrofe, enquanto realiza o mapeamento tridimensional do voo, incluindo dados sobre a turbulência e a entropia termodinâmica da atmosfera.
Em declarações à Ciência Viva/Diário da Lagoa, no rescaldo após a vitória, Sara Oliveira, porta-voz da equipa Astros Nó Atlântico, disse: “Sentimo-nos muito realizados. Éramos a única equipa dos Açores, e estamos a representar as nossas ilhas. O mais importante, além dos prémios, é o conhecimento que adquirimos, as conexões que fizemos e as pessoas que conhecemos”. Da equipa vencedora fizeram também parte Rui Batista, Paulo Gabriel Medeiros, Martim da Costa, Maria Medeiros e Gil Gaspar, estudantes do ensino secundário.
Ao longo dos cinco dias do CanSat Portugal, as quinze equipas participantes, compostas por cerca de oitenta estudantes e vinte docentes de todo o país, finalizaram os seus projetos, naquele que foi o resultado de meses de trabalho.
“Tivemos missões secundárias muito criativas e exigentes. Desde o projeto da equipa vencedora, que veio de tão longe, e cuja mensagem captada pelo seu CanSat chegou a cinco pontos do país, passando pelo desenvolvimento de um modelo de inteligência artificial capaz de analisar as imagens do território em tempo quase real, até à construção de um dispositivo de estabilização da queda do CanSat. Houve, realmente, muita inovação nesta edição do CanSat Portugal”, referiu Ana Noronha, diretora executiva da Ciência Viva e membro do júri do concurso.