Log in

Lançada infraestruturação de 36 lotes para habitação nas Capelas

Investimento superior a 2,2 milhões de euros, financiado pelo PRR, pretende reforçar a oferta de habitação acessível no concelho de Ponta Delgada através da cedência de terrenos para autoconstrução

© SRJHE

A Vila das Capelas, na ilha de São Miguel, foi palco, no passado dia 20 de fevereiro, da cerimónia de lançamento da primeira pedra da empreitada de execução das infraestruturas de 36 lotes no loteamento de Nossa Senhora do Rosário.

De acordo com a nota de imprensa enviada pela Secretaria Regional da Juventude, Habitação e Emprego, a obra representa um investimento superior a 2,2 milhões de euros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). A intervenção, adjudicada à empresa Albano Vieira, S.A., tem um prazo de execução de 240 dias e visa a posterior cedência dos terrenos, via concurso público, a 36 famílias para a construção de habitação própria permanente, reforçando a oferta habitacional em Ponta Delgada.

Durante a cerimónia, a secretária regional da Juventude, Habitação e Emprego, Maria João Carreiro, enalteceu o início da construção desta nova resposta, destacando o impacto na qualidade de vida dos cidadãos. Segundo a governante, “um lote infraestruturado é a base que permite que a construção avance com rapidez, segurança e menor custo”, sendo que, através deste investimento público, o executivo açoriano está a “reduzir obstáculos, a dar previsibilidade aos investimentos e a criar confiança para quem quer construir a sua habitação”.

Maria João Carreiro assinalou ainda que esta é a última empreitada lançada no âmbito do investimento programado no PRR para a infraestruturação de 145 lotes na região, sublinhando que “infraestruturar terrenos é criar condições reais para que a oferta aumente e para que o sonho de uma casa própria deixe de ser adiado”.

A titular da pasta da Habitação explicou que as condições de acesso ao programa foram revistas para incluir jovens anteriormente excluídos, permitindo a acumulação da cedência dos lotes com outros apoios financeiros. Os beneficiários podem usufruir de uma comparticipação até cinco mil euros para projetos de arquitetura e de um apoio à autoconstrução que pode chegar aos 75 mil euros.

A governante aproveitou, por fim, a ocasião para vincar o esforço financeiro em curso, defendendo que “nenhum outro Governo colocou tanto esforço público na habitação pública”.

Ponta Delgada aprova criação de mercado de artesanato para valorizar tradições e dinamizar economia local

Iniciativa aprovada em reunião descentralizada nas Capelas pretende transformar o artesanato num motor de atratividade turística e de reforço da identidade das freguesias

© CM PONTA DELGADA

A Câmara Municipal de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, aprovou em reunião realizada esta quarta-feira, 18 de fevereiro, na Vila das Capelas, a criação do Mercado de Artesanato de Ponta Delgada. A medida foi proposta pelo “Movimento Ponta Delgada para Todos” e tem como objetivo dinamizar o comércio tradicional, reforçar o dinamismo das várias freguesias do concelho e acentuar a atratividade turística, colocando o trabalho dos artesãos locais no centro da estratégia de valorização cultural.

Para o presidente da Câmara Municipal, Pedro Nascimento Cabral, a medida aprovada por unanimidade materializa um compromisso com a identidade local. “Os nossos artesãos materializam a nossa tradição e o saber que passa de geração em geração”, disse o autarca, destacando que cada peça produzida carrega “história, memória e identidade”.

O novo mercado, que terá um funcionamento regular, será concebido para ser mais do que um ponto de venda, assumindo-se como um local de encontro entre a tradição e a contemporaneidade. A autarquia pretende que funcione como um instrumento de incentivo à circulação de pessoas, tanto no centro histórico como nas freguesias onde a iniciativa venha a ter lugar, criando espaços “mais vivos e dinâmicos”.

Durante a apresentação da medida, Pedro Nascimento Cabral reforçou que o artesanato do concelho é a expressão viva dos usos, costumes e vivências da terra e do mar. “Valorizar o artesanato é valorizar a nossa história coletiva e projetá-la no futuro”, acentuou o autarca, realçando o trabalho manual minucioso e a criatividade inspirada nos elementos naturais da região.

Com a criação deste mercado regular, a Câmara espera não só promover o talento dos artesãos locais, mas também fortalecer a economia do concelho através da dinamização do comércio de proximidade e da oferta de produtos com selo de autenticidade aos residentes e visitantes.

Loja Para Si: do online à rua na vila das Capelas

Da venda online à física, a Loja Para Si marca agora presença nas Capelas como lavandaria e loja de revenda de diversos produtos. O projeto, idealizado por Verónica Gonzaga e Nuno Simão, promete trazer conveniência e inovação à vila da costa norte

Verónica Gonzaga tem 27 anos e é natural da vila das Capelas © DL

A abertura da loja em 2024 marca um novo capítulo, mas a “Para Si” nasceu muito antes, através do digital. “A ´Para Si` já existia, mas com a aquisição deste espaço conseguimos tornar físico o que já existia online”, conta a proprietária, 27 anos, natural das Capelas. O negócio tem presença no Facebook, Instagram e TikTok, destacando-se sobretudo no Facebook, onde reúne quase cinco mil seguidores. As novas tecnologias tiveram um papel determinante neste negócio, “comecei com os diretos e a partir do momento que começo com os diretos, começo também a ter mais clientes. Sempre ajudaram a ter mais alcance”, diz.

Verónica Gonzaga, e Nuno Simão, sócio-gerente, 28 anos, natural do Pico da Pedra, estão juntos desde 2012, conheceram-se na escola Domingos Rebelo em Ponta Delgada. 11 anos depois, em 2023, o desejo de criar algo maior cresceu e tornou-se o motor que impulsionou esta nova jornada, a conquista de um espaço físico. 

A aquisição do espaço próprio

Loja encontra-se aberta de segunda a sexta-feira das 9h00 às 18h30 e sábados das 9h30 às 13h00 © DIREITOS RESERVADOS

“Inicialmente isto era para ser uma lavandaria self-service”, afirma Verónica. No centro de Ponta Delgada encontraram um espaço, mas os custos eram elevados e exigiam um investimento pessoal muito grande. “Para uma lavandaria self-service o investimento é muito grande” e, por isso, “decidimos que íamos abrir uma lavandaria mais tradicional e profissional, em que o cliente deixa os seus artigos, nós fazemos o serviço e depois o cliente vem buscar”, continua.

A procura continuou na vila das Capelas e “um dia, a passar aqui na rua, eu vejo que esse espaço estava sem ninguém, fui à procura do proprietário e em conversa com ele perguntei se ele teria disposto a alugar”, recorda.

Por se tratar de um espaço amplo, os proprietários decidiram transformá-lo num “dois em um”, criando uma lavandaria e, ao mesmo tempo, tornar a “Para Si” uma loja física. E assim nasceu o conceito atual.
Questionada sobre a forma como os seus clientes reagiram à transição para o espaço físico, a gerente garante que “reagiram muito bem”.

“Eu tinha muitos clientes de Ponta Delgada, nas Capelas tinha menos”, explica. Ainda assim, sublinha que tudo é “uma questão de publicitar e informar sobre o espaço. As próprias pessoas passam aqui na rua e começam a ver que existe um novo negócio”. A curiosidade foi também um fator preponderante “muitas vezes estávamos aqui dentro ainda a fazer algumas remodelações e as pessoas perguntavam o que é que iria ser e felicitaram pelo negócio”, afirma.

Em pouco tempo já preencheram a loja de produtos e isso é resultado das opiniões e necessidades dos clientes, “vamos percebendo o que é que os clientes vão pedindo, o que é que faz mais sentido, o que é que tem mais procura e vamos sempre à procura de satisfazer as necessidades dos clientes”, nota. Detergentes, amaciadores de roupa, branqueadores, tira-nódoas são alguns dos artigos com mais procura. Uma recente aposta foram as toalhas de banho. “Muitos clientes nossos de alojamento local perdem a roupa todos os anos por causa das águas férreas, as toalhas vão sempre se perdendo, ficam muito amareladas e decidimos apostar neste produto. Temos também aqui à disposição para o cliente particular que vem à loja poder comprar”, revela Verónica.

Apesar da expansão do negócio para o espaço físico, a presença no digital continua. “No verão torna-se mais complicado, devido ao maior fluxo de trabalho e aumento da procura na lavandaria, torna-se mais difícil acompanhar tudo”, explica, afirmando que “no inverno, como há uma quebra de lavandaria, naturalmente, de alojamentos locais que são os nossos maiores clientes, consigo voltar aos diretos”.

A loja encontra-se aberta de segunda a sexta-feira das 9h00 às 18h30 e sábados das 9h30 às 13h00. Aos sábados, durante o mês de novembro e dezembro, é feito o horário completo.

Consignada empreitada de construção da variante às Capelas

© FILIPE MELO

O Governo dos Açores acaba de assinar o auto de consignação da “Construção da Variante a Capelas, na Ilha de S. Miguel”, um investimento ancorado no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) superior a 45 milhões de euros (45.792.214 milhões de euros), de acordo com comunicado do governo, de sábado, 24 de agosto.

A obra foi adjudicada, após concurso público, ao Consórcio Marques, SA e Tecnovia – Açores, Sociedade de Empreiteiros SA.

A secretária regional com a tutela das infraestruturas, Berta Cabral, defende que esta obra de grandes dimensões é de extrema importância, uma vez que procurará mitigar inundações como as que atingiram várias freguesias do concelho de Ponta Delgada no último ano, lê-se, na mesma nota.

A obra visa permitir a ligação entre as vertentes norte e sul da ilha de São Miguel, através da conexão dos principais aglomerados populacionais localizados entre a cidade de Ponta Delgada, onde se encontram as mais importantes infraestruturas de transporte como o porto e aeroporto, e a parte noroeste do concelho.

Com esta ligação, explica ainda a nota, “confere-se maior mobilidade e facilidade de acesso a serviços especializados que apenas se encontram disponíveis nos grandes centros urbanos da ilha”.

A variante terá uma extensão de 8,3 quilómetros, a que acresce uma ligação denominada ligação a Capelas, com a extensão de 1,4 quilómetros, com início no nó de Capelas e fim na zona central da vila.

A via terá início na Estrada Regional 1-1.ª na freguesia de Santo António e termina na zona do Cerrado da Cova, onde está prevista a criação de uma rotunda na ligação às estradas existentes (Estrada 4-1ª e a EM 510).

Padre Hélio Soares lança livro sobre história e património da paróquia das Capelas

© DR

“Paróquia das Capelas — História, Património e Vivências” é o mais recente livro coordenado por Hélio Soares, actual pároco desta vila, que concilia investigação académica e testemunhos revelando aspectos da vida e da história desta comunidade, uma das mais antigas da ilha de São Miguel, de acordo com nota de imprensa da Livraria Letras Lavadas e Igreja Açores (IA).

O lançamento do livro está marcado para dia 24 de julho, quarta-feira, pelas 20h00, na Igreja de Nossa Senhora da Apresentação (Igreja Matriz das Capelas).

A apresentação da obra vai ficar a cargo de Fátima Eusébio, directora do Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja, que também colabora na publicação com um estudo iconográfico da pintura das Almas do Purgatório.

“Ao longo dos já 432 anos temos gerações e gerações de capelenses que celebraram e continuam a viver a sua Fé nesta comunidade”, prossegue explicou o sacerdote, em entrevista à IA, que justifica a iniciativa como a materialização do reconhecimento dessa história, composta por “diferentes dimensões das nossas vivências colectivas”.

O livro é composto por duas partes: estudos e testemunhos e integra um amplo conjunto de textos que explora a intersecção entre história, arte, património e vivências religiosas da paróquia. “Por isso, constitui-se também como uma forma de celebração dos elementos identitários que moldam e enriquecem esta comunidade secular ao longo do tempo. Ao nível dos estudos, há dez textos escritos por autores, com vínculos institucionais distintos” lê-se, na mesma nota.

O intuito destes textos é estudar, mesmo que numa primeira abordagem, as potencialidades do nosso património edificado, integrado, móvel e arquivístico que nos foi legado e podemos apreciá‐lo na nossa Paróquia”, refere o padre Hélio Soares à IA, ressalvando que “todos os estudos revelam investigação
nova ou uma nova abordagem às investigações já realizadas”. A segunda da parte do livro é composta por vinte e três testemunhos.

“Estes vinte e três textos têm um grande pendor testemunhal. No entanto, conseguem fazer retratos subjectivos da vida paroquial dos últimos cinquenta anos” acrescenta o coordenador, sublinhando que, em muitas situações, estes testemunhos “são a única fonte para perceber a vida paroquial nos diferentes
períodos, desde o final do séc. XX à actualidade”.

O sacerdote espera que este livro estimule o “sentido de pertença à comunidade cristã das Capelas” e que cada um “se sinta como seu herdeiro e construtor”.

“Não se trata apenas de um rico e digno património religioso e cultural. Aqui há um notável esforço de relatar o passado, mas também de leitura do presente em todas as expressões humanas das pessoas que habitaram e habitam este território. Há ainda sonho de futuro” afirma D. Armando Esteves Domingues, Bispo de Angra, no prefácio do livro, em que expressa também o desejo de que “este livro traga à Igreja das Capelas o zelo apostólico capaz de conversão pastoral aos adormecidos ou envelhecidos na sua fé”.

A publicação insere-se nos objectivos gerais do Projecto DIO 500: História Religiosa dos Açores, que visa estudar a presença cristã nestas ilhas dos Açores desde o povoamento ao início do séc. XXI, preparando a celebração dos 500 anos da criação da Diocese de Angra (1534‐2034), do qual faz parte. O projecto é liderado pela historiadora Susana Goulart Costa, também ela autora de um texto desta publicação.