
Maria de Deus Frazão de Medeiros, presidente do CSSP, explica ao DL que foi “nos dois primeiros anos da década de 1990” que nasceu a instituição, inicialmente como entidade gestora de um “projeto de intervenção social para a luta contra a pobreza”. A sua história evolui até aos dias de hoje e atualmente o CSSP é uma instituição sem fins lucrativos que se divide em cinco valências.
O seu CATL funciona no Bairro de São Pedro e presta apoio às crianças da comunidade. Para o cuidado aos idosos, foi criado em 2011 o edifício mais recente do CSSP, localizado no coração da cidade da Lagoa. Nele funcionam três valências destinadas à população sénior: O Serviço de Apoio Domiciliário, o Centro de Dia e o Centro de Convívio. O Centro de Atendimento e Acompanhamento Psicossocial é a quinta valência desta instituição.
As crianças do Bairro de São Pedro frequentam o CATL após o horário escolar e durante o período de férias. Tem sido assim há alguns anos e Ana Margarida Rocha, vice-presidente do CSSP, realça o impacto positivo que isso tem trazido a esta zona. “Houve uma evolução enorme nos seus comportamentos e, hoje em dia, estas crianças já estão muito mais integradas na sociedade.” A vice-presidente sublinha que instituições como o CSSP existem “para ajudar quem precisa”. Estas crianças são um exemplo de como, ao longo do tempo, se viu nascer uma mudança. Mas o apoio não se limita à geração mais nova. A população sénior beneficia, diariamente, de um acompanhamento especial.
O centro de dia do CSSP recebe todas as manhãs os idosos que passam lá o dia. “Estes utentes precisam de todos os apoios que são dados, precisam mesmo de estar cá. Ao fim do dia vão para as suas casas”, refere a presidente, acrescentando que é apenas ao domingo que o centro não recebe os utentes. A direção explica que a existência de um centro de dia na Lagoa, é uma das formas de ajudar, não só o utente, como as suas famílias, bem como evitar a “institucionalização dos idosos” e apela à criação de mais instituições deste carácter.
Para além da alimentação fornecida ao utente, “alguns necessitam que seja feita aqui a sua higiene pessoal”, conta ao DL Etelvina Coelho, a funcionária mais antiga da instituição, que não esconde o orgulho que sente no seu trabalho: “Sempre fui muito feliz aqui. Eles são a nossa segunda família”, afirma. As funcionárias passam o dia com os idosos, atendem aos seus cuidados e realizam diversos jogos com e
É após o almoço que abre portas o centro de convívio, para os idosos que lá queiram passar a tarde, o que funciona como uma forma de combate à solidão a todos aqueles que desejam inscrever-se.
Carla Tavares, secretária-geral, assistente social e diretora técnica da instituição explica que os idosos destas duas valências têm uma agenda preenchida. O centro promove passeios-convívio, almoços, exercício físico e atividades alusivas a datas especiais, além de ações de estimulação “cognitiva, de raciocínio, desenvolvimento e mobilidade”. As atividades “intergeracionais”, em conjunto com as “crianças do CATL”, têm lugar uma vez por mês.
“Tudo isto contribui para o desenvolvimento emocional, mental e social deles, que acabam por ter um sentido de pertença a algum sítio”, refere Ana Rocha. Um dos objetivos do centro é proporcionar aos utentes o que eles “nunca poderiam experienciar” estando isolados nos seus lares.

O cuidado à terceira idade estende-se para além do interior do edifício. Cátia Matos, Diana Andrade e Graça Silva, são três das funcionárias do apoio ao domicílio e explicam ao DL que, todos os dias, vários idosos recebem nas sua casas “higiene pessoal, alimentação, lavagem de roupa e higiene habitacional”. É com emoção que nos contam que “aquele é um momento de conforto para os utentes”, o que torna o seu “trabalho gratificante”. O cuidado, muitas vezes, vai além do físico- é também psicológico. “Eles desabafam, eles aprendem e ensinam-nos”, declara Diana Andrade. “O que sentimos é mesmo amor”, acrescenta Graça Silva.
“Este é um serviço que me faz ter vontade de acordar de manhã, porque sei que vou cuidar de quem precisa. Gostávamos de poder ficar mais tempo com eles.”, conclui Cátia Matos.
A falta de mão de obra é um dos grandes problemas da instituição, o que tem consequências no tempo despendido para cada idoso. Beatriz Barbosa, secretária do centro, sublinha que existe uma falta de “recursos humanos” e a impossibilidade financeira de contratar mais pessoas. A direção demonstra uma grande preocupação a este nível: “Fica impossível de admitir outros idosos em lista de espera para o apoio ao domicílio”, completa Carla Tavares. Atualmente, o CSSP tem “um total de 26 funcionárias” e “cuida” de 90 idosos e 25 crianças.
A direção não esconde os problemas financeiros que enfrenta a instituição e admite ser difícil gerir a IPSS. “Estamos evidentemente preocupadas. Fazemos sempre uma gestão meticulosa e é um esforço muito grande”, realçam.
Maria de Deus Medeiros termina a nossa entrevista com um agradecimento pelo esforço, apoio e dedicação dos funcionários do CSSP, da Câmara Municipal de Lagoa e de todos os que, de alguma forma, colaboram. Deixa ainda o apelo: “Ajudem-nos a ajudar”, reforçando que toda a ajuda é bem-vinda.
O desejo da equipa é continuar a proporcionar bem-estar às crianças e idosos, numa casa onde não falta dedicação e gratidão de quem aqui encontra cuidado.