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Cube de Astronomia realiza observações astronómicas

© ESL

O Clube de Astronomia da Escola Secundária da Lagoa realizou no passado mês de outubro uma sessão de observações astronómicas, com o seu telescópio, no Observatório Astronómico de Santana Açores (OASA).

O objetivo inicial deste evento era realizar o registo do trânsito de um exoplaneta, relativo à missão Ariel da Agência Espacial Europeia (ESA), através do “programa” ExoClock. Todavia tal não foi possível devido às condições atmosféricas. Assim, os elementos do Clube presentes, realizaram a observação do cometa Swan, tendo obtido várias astrofotografias deste cometa.

© ESL

O cometa C/2025 R2 (SWAN) é um corpo estelar recém-descoberto, em setembro de 2025, que é visível com telescópios, mas não a olho nu. Este “visitante” é um cometa não periódico, com um período orbital de mais de 20.000 anos e tendo o seu periélio a 12/09/2025, tendo alcançado o seu ponto mais próximo da Terra a 20 de outubro, passando a cerca de 0,5 unidades astronómicas do Sol. O seu brilho máximo foi cerca de 4 de magnitude. O cometa C/2025 R2 SWAN foi descoberto por meio de imagens do instrumento Solar Wind Anisotropies (SWAN) a bordo da sonda SOHO. A descoberta foi feita pelo astrônomo amador ucraniano Vladimir Bezugly, que notou o movimento do cometa no campo de visão do SWAN.

O Clube de Astronomia agradece a colaboração do OASA e dos astrónomos amadores João Porto e Valter Reis.

Clube de Astronomia da Escola Secundária da Lagoa descobre asteroides

Luís Filipe Machado, professor responsável pelo clube de astronomia da Lagoa, fala sobre a surpreendente descoberta de um asteroide feita por dois dos seus alunos. O acontecimento tornou-se no complemento perfeito para a exposição que o clube prepara

Miguel Medeiros e Joana Raposo, de 16 anos, foram autores da descoberta de um asteroide © DL

Foi a convite do “astrónomo amador”, Válter Reis, que 25 alunos e professores da Escola Secundária da Lagoa se inscreveram, através da entidade NUCLIO (Núcleo Interativo de Astronomia e Inovação em Educação), na “segunda campanha” da chamada “caça aos asteroides”, explica o professor Luís Filipe Machado. Designado por projeto IASC (International Astronomical Search Collaboration), para além de “mapear a trajetória dos asteroides já conhecidos”, o objetivo passa por descobrir os ainda não identificados, contribuindo para a diminuição do seu risco de colisão com a Terra. O responsável refere que, dos inscritos, “19 trabalharam mesmo no projeto”, após receberem uma “formação” pela Universidade de Coimbra, “via Zoom” para conseguirem trabalhar com os softwares adequados.

Com o telescópio da escola, adquirido com o apoio da Câmara Municipal de Lagoa, do grupo Bensaúde e da Anacom, os alunos e professores conseguem alcançar uma distância que os permite observar a “cintura de asteroides” que se encontram a uma distância do Sol “relativamente parecida à dos planetas do nosso Sistema Solar”. Os asteroides encontrados terão surgido nessa zona.

À escola, foram disponibilizados “dois pacotes de 50 ficheiros” pelo IASC, dos quais apenas um terá sido necessário para a grande descoberta. “O ficheiro permite-nos identificar os asteroides já nomeados e registar as posições deles em 15 minutos. Ora, quando não aparece o nome, cuidado que podemos ter tido sorte de encontrar um não referenciado e foi o que aconteceu.”, declara o professor.

Luís Machado demonstra o seu orgulho, não só pelo clube de astronomia ter feito uma descoberta de “dois asteroides não identificados”, mas pelo facto de esta ter sido feita por dois alunos “sozinhos em casa, sem o envolvimento de nenhum professor”.

Joana Raposo e Miguel Medeiros, de 16 anos, fizeram a descoberta “sem se aperceberem” do sucedido e suspeita-se que “possa haver mais do que dois asteroides”. A felicidade dos alunos é visível e o fenómeno só aumentou o entusiasmo que sentem pela atividade.

Só dentro de cerca de cinco anos é que a Escola Secundária da Lagoa (ESL) terá a oportunidade de atribuir um nome aos asteroides encontrados. O processo demorado, passa por uma série de investigações por parte de várias entidades que deverão traçar e verificar a trajetória dos asteroides. “Só quando houver dados suficientes para poder ter uma trajetória minimamente definida é que se pode batizá-lo”, explica Luís Filipe Machado.

Exposição de astrofotografias inicia nos finais de fevereiro

Será a 28 de fevereiro que o clube de astronomia vai promover um evento que contará com a exposição de “16 astrofotografias”, das quais 12 são “propriedade do OASA (Observatório Astronómico de Santana)”, e quatro terão sido “capturadas pelo telescópio” da ESL, as quais ficarão em exibição permanente no hall de entrada da escola, explica o professor. A exposição engloba, ainda, arte alusiva ao espaço criada pelos alunos de Educação Visual.

A cerimónia contará com a participação dos astrónomos amadores João Porto e Válter Reis, como forma de agradecimento, por parte do clube, à ajuda prestada e com uma palestra lecionada por Pedro Machado, cuja temática será os asteroides.

Esta conferência, que já se encontrava planeada antes da grande descoberta do clube de astronomia, tornou-se ainda mais especial e será complementada com a entrega ao clube de um “certificado da NASA”.

Os anos que se seguem prometem trazer novidades para o clube de astronomia, que tem vindo a participar em diversas atividades que ajudam os alunos a se “sentirem motivados” na sua integração.