
O Conselho Económico e Social dos Açores (CESA), através da Comissão Especializada Permanente de Educação e Formação, apresentou a iniciativa “Qualificações 2036”, uma proposta estratégica de ação pública articulada, destinada a promover a qualificação e a inclusão educativa e profissional de jovens açorianos em situação de maior vulnerabilidade.
Com um horizonte temporal alargado (2027-2036), a iniciativa propõe uma abordagem estrutural e de longo prazo aos fenómenos do insucesso escolar, do abandono escolar precoce e da exclusão do mercado de trabalho, com particular atenção aos jovens que não estudam, não trabalham nem se encontram em formação (NEET), aos jovens inativos, aos desencorajados e aos que necessitam de orientação para a construção de um projeto de vida e profissional.
Partindo de indicadores preocupantes — como uma taxa de abandono escolar precoce de 21,1% (2025) nos Açores, significativamente acima da média nacional e europeia, e a existência de cerca de 7800 jovens NEET na região — a iniciativa “Qualificações 2036” defende a necessidade de sistematizar a deteção precoce do insucesso e do abandono escolar e de garantir um acompanhamento individualizado, contínuo e integrado de cada jovem.
A proposta estrutura-se em vinte e uma medidas, que incluem, entre outras, a deteção sistemática dos jovens fora da educação, formação ou emprego, o mapeamento e balanço de competências, o reforço da orientação profissional, a ampliação da oferta formativa alinhada com as necessidades do mercado de trabalho, a criação de mecanismos de apoio financeiro à qualificação, a valorização de profissões em tensão, o envolvimento dos parceiros sociais e a constituição de equipas pluridisciplinares de acompanhamento.
O CESA sublinha que a qualificação é uma questão que exige a mobilização do Estado, das escolas, das empresas, dos sindicatos e da sociedade civil organizada, promovendo uma cultura de participação cívica e de corresponsabilização na definição e implementação das políticas públicas.
A iniciativa estabelece metas ambiciosas a alcançar até 2036, nomeadamente a redução da taxa de abandono escolar precoce para cerca de 6%, a diminuição da taxa de jovens NEET para valores semelhantes, uma taxa de desemprego regional inferior à média nacional e um reforço do PIB per capita regional, contribuindo para um desenvolvimento económico e social mais inclusivo e sustentável nos Açores.

O Hospital CUF Açores passou a dispor de um aparelho para realização de biópsias do gânglio sentinela, um exame fundamental para definir os passos a seguir no tratamento do cancro da mama.
Este novo equipamento, aliado à experiência e diferenciação da equipa clínica, permite um acompanhamento mais completo e diferenciado aos doentes oncológicos.
De acordo com nota enviada pelo hospital, o gânglio sentinela é o primeiro gânglio linfático com maior probabilidade de receber células tumorais oriundas da lesão inicial na mama. Através da sua biópsia, é possível verificar a presença ou ausência de células malignas. Quando não são detetadas alterações nesse gânglio, é provável que os restantes também não estejam comprometidos.
Sendo o tumor mamário um dos mais prevalentes em Portugal, com cerca de 9 mil novos casos e perto de 2 mil mortes anuais, este equipamento possibilita a realização de uma biópsia essencial para o tratamento da doença, recorrendo a um procedimento minimamente invasivo que permite localizar com precisão o gânglio sentinela.
De acordo com o cirurgião geral Luís Bernardo, responsável por este procedimento no Hospital CUF Açores, este exame permite aceder diretamente ao ponto chave, “evitando a remoção de todos os gânglios para verificar se estão metastatizados e preservando as defesas da mama, da axila e do ombro”.
Em vez de utilizar substâncias radioativas, como acontece na Medicina Nuclear, a biópsia do gânglio sentinela realizada com o equipamento agora adquirido pela CUF utiliza um composto especial, chamado imunofluorescência, que, ao ser injetado no corpo, incide diretamente no gânglio que os médicos querem observar.
O hospital refere que, “com recurso a este equipamento, os cirurgiões conseguem tomar decisões mais precisas e ajustadas à necessidade de cada doente, permitindo um acompanhamento personalizado a cada caso”.