Log in

Diretor regional das Comunidades sublinha imigração como “oportunidade estratégica” para o futuro dos Açores

José Andrade, diretor regional das Comunidades do governo dos Açores, afirmou que o crescimento da imigração no arquipélago “é bom para os Açores”, destacando o impacto dos cidadãos estrangeiros na evolução demográfica, económica e social da região

© ÍGOR LOPES

Em declarações ao Diário da Lagoa, durante o 4.º Fórum das Migrações, realizado entre 8 e 10 de abril nas ilhas do Corvo e das Flores, este responsável referiu que a realidade migratória açoriana tem vindo a crescer de forma consistente e já representa uma componente estrutural da sociedade regional.

“Temos, nos Açores, mais de oito mil cidadãos estrangeiros, provenientes de 97 países diferentes, que estão em todas as nove ilhas, em todos os 19 concelhos e em muitas das 155 freguesias”, afirmou José Andrade, que explicou também a distribuição das principais comunidades estrangeiras no arquipélago, sublinhando o peso de países como Brasil, Alemanha, Cabo Verde, Estados Unidos e Espanha. Segundo acrescentou, esta população representa já uma parcela relevante da sociedade açoriana, ainda que abaixo de outros territórios nacionais.

“Correspondem, já, a cerca de 3,5% da população dos Açores, menos do que os 7% da Madeira, muito menos do que os 15% do continente português”, declarou.

Para o governante, esta evolução deve ser encarada como “positiva e estratégica” para o futuro da região.
“De ano para ano, temos vindo a verificar um aumento significativo de imigrantes, e isso é bom para os Açores”, sublinhou José Andrade.

No plano demográfico, o diretor regional destacou o papel da imigração na compensação do envelhecimento populacional.

“É bom por causa da demografia, porque o saldo migratório é que tem ajudado a compensar o saldo natural negativo”, referiu.

No plano económico, Andrade salientou a importância da mão de obra estrangeira em setores essenciais.
“Graças aos imigrantes, nós temos capacidade de resposta em áreas crescentes, como a restauração, a hotelaria, a construção, e mesmo a agricultura e as pescas”, destacou.

Já na vertente cultural, considerou que a diversidade migratória representa um ganho para a identidade açoriana.

“É bom, também, por causa da cultura, porque a vinda dessa diversidade cultural acrescenta valor à sociedade açoriana”, afirmou.

José Andrade defendeu também uma visão mais aberta para o futuro da região.

“Queremos que seja cada vez mais cosmopolita, não apenas multicultural, mas até intercultural, e, portanto, isso é bom para todas as partes”, declarou, lembrando ainda a história migratória dos Açores como elemento de responsabilidade coletiva no presente.

“Sempre fomos um povo emigrante, e agora temos a obrigação também de bem acolher e de bem integrar na nossa terra”, sublinhou.
Entre as medidas em curso, destacou o protocolo entre o governo dos Açores e a AIMA – Agência para a Integração, Migrações e Asilo, operacionalizado através da RIAC.

“Está a ser possível, progressivamente, em todas as lojas da RIAC, e são 55 nos 19 concelhos”, explicou, acrescentando que este modelo permite maior proximidade e simplificação administrativa.

“A partir daqui qualquer cidadão emigrado, a partir da sua própria ilha, consegue resolver localmente o seu processo administrativo de regularização, sem ter necessidade de se deslocar a outra ilha ou até ao continente”, referiu.

Na sua perspetiva, este sistema coloca os Açores na linha da frente em matéria de apoio à integração.

“Isso faz dos Açores a região com a maior e a melhor resposta de proximidade no âmbito da regularização dos processos dos imigrantes que escolhem os Açores para desenvolverem aqui connosco o seu projeto de vida”, afirmou.

Sobre o 4.º Fórum das Migrações, considerou que a edição “não podia ser melhor”, destacando o crescimento da iniciativa desde 2023.

“Desta vez, quisemos assumir o exemplo máximo da descentralização regional”, disse este governante, que sublinhou também o simbolismo das ilhas anfitriãs.

“O conjunto dessas duas ilhas, que simbolicamente representam o extremo ocidental dos Açores, de Portugal e da Europa, personifica, por si só, o tema central deste 4.º Fórum das Migrações, que é contextualizar as migrações num quadro de ultraperiferia”, explicou.

Depois de passar pelas ilhas do Faial e do Pico (2023), da ilha de São Miguel (2024) e da ilha da Terceira (2025), o diretor regional defendeu a continuidade do Fórum das Migrações no futuro.

“Este Fórum das Migrações merece continuar, porventura, prosseguindo esse esforço de descentralização para as demais ilhas dos Açores”, referiu.

José Andrade salientou ainda a crescente relevância institucional do evento.

“Nós, de ano para ano, de fórum para fórum, temos sido cada vez mais ambiciosos, com entidades cada vez mais representativas, de âmbito regional e nacional”, afirmou, salientando a presença nesta 4.ª edição de “nomes de reconhecida competência e autoridade em matéria de migrações”, tais como “o presidente da AIMA, Pedro Portugal Gaspar, ou o chefe da missão em Portugal da Organização Internacional para as Migrações, Vasco Malta”.

Em tom de conclusão, deixou uma mensagem de envolvimento coletivo na integração dos imigrantes que vão viver para os Açores.

“Essa integração, para ser bem-sucedida, não pode ser apenas a responsabilidade do governo. Ela deve ser a responsabilidade da sociedade em geral e de cada cidadão em particular”, declarou.

“A causa é comum, que é o desenvolvimento dos Açores, quem quer que venha por bem será recebido de braços abertos e ficará para sempre no nosso coração”, concluiu José Andrade.

José Andrade defende Açores como eixo estratégico da diáspora

© AGÊNCIA INCOMPARÁVEIS

O diretor regional das Comunidades, José Andrade, defendeu o papel estratégico do arquipélago na ligação histórica entre Portugal e as comunidades portuguesas da América do Norte e do Sul, sublinhando o contributo singular da emigração açoriana para a projeção internacional da identidade portuguesa e para a preservação da açorianidade, da portugalidade e da lusofonia junto das novas gerações da diáspora.

Em declarações exclusivas à nossa reportagem, no âmbito da iniciativa “Portugal Nação Global”, realizada no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, José Andrade começou por sublinhar que o envolvimento dos Açores neste fórum era “obrigatório” tendo em conta o peso histórico e identitário da emigração açoriana na construção das comunidades portuguesas além-fronteiras.

“Eu diria que era obrigatório assegurar a presença dos Açores neste primeiro fórum Portugal Nação Global”, afirmou. O responsável recordou que, em várias geografias da América do Norte, a presença portuguesa está profundamente associada à identidade açoriana, uma realidade que, na sua visão, representa simultaneamente motivo de orgulho e responsabilidade institucional.

“Se estivermos a falar da América do Norte, nos Estados Unidos, no Canadá, na Bermuda, Portugal escreve-se com a palavra Açores”, sustentou. José Andrade destacou que grande parte das comunidades portuguesas presentes em regiões como a Califórnia, a Nova Inglaterra, a província do Quebec, o Ontário ou as Bermudas são constituídas essencialmente por açorianos ou descendentes de açorianos, uma realidade que, segundo defende, obriga a região a assumir um papel ativo na preservação dessa herança.

“Para nós é um orgulho, mas é também uma responsabilidade não apenas assegurarmos a açorianidade, mas também a portugalidade e, em alguns casos, até a lusofonia”, afirmou.

Além da dimensão simbólica e comunitária, José Andrade sublinhou que os Açores marcaram presença no fórum com uma representação institucional alargada, envolvendo diferentes áreas estratégicas do governo regional.

Ilhas do Corvo e Flores acolhem quarta edição do Fórum das Migrações

O Governo dos Açores promove, entre os dias 8 e 10 de abril, um debate alargado sobre os desafios da mobilidade humana na ultraperiferia, reunindo especialistas e comunidades no Grupo Ocidental do arquipélago

© SANDRINA MALTEZ/DL

As ilhas do Corvo e das Flores preparam-se para ser o centro da reflexão sobre o fenómeno migratório nos Açores. Segundo uma nota de imprensa enviada pela Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, a quarta edição do Fórum das Migrações terá como tema central “Migrações na Ultraperiferia Atlântica: Desafios, Oportunidades e Futuro da Mobilidade Humana na Ultraperiferia”. O evento, que sucede a edições realizadas no Faial, Pico, São Miguel e Terceira, pretende aproximar as instituições das realidades específicas das ilhas mais isoladas, contando com a participação de académicos, entidades públicas e organizações da sociedade civil. A iniciativa é de entrada livre para o público local e terá transmissão direta através da página de Facebook “Comunidades Açores”.

O arranque do programa acontece na quarta-feira, 8 de abril, pelas 14h30, no Pavilhão Multiusos do Corvo. A sessão inaugural contará com as intervenções de Marco Silva, presidente da Câmara Municipal do Corvo, e de Paulo Estêvão, secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades. Um dos destaques do primeiro dia será a conferência de Pedro Portugal Gaspar, presidente do Conselho Diretivo da AIMA – Agência para a Integração, Migrações e Asilo, que abordará o papel desta nova instituição na realidade açoriana. Ainda no Corvo, uma mesa de diálogo analisará como um território de pequena escala pode implementar práticas inovadoras de acolhimento. A jornada na ilha mais pequena do arquipélago encerra com a vertente cultural, através da apresentação do livro “Somos Açores – Um arquipélago vivo pelas ações das Casas dos Açores no Brasil”, do jornalista Ígor Lopes, no Salão Nobre dos Paços do Concelho.

No segundo dia, 9 de abril, o fórum desloca-se para a ilha das Flores, com sessões no Auditório Municipal das Lajes. O programa da tarde foca-se na coesão social e na integração laboral, destacando-se a presença de Vasco Malta, Chefe de Missão da Organização Internacional das Migrações (OIM) em Portugal. O debate incluirá também a perspetiva de associações como a AIPA e a Associação dos Emigrantes Açorianos, bem como um painel dedicado à educação intercultural, onde professores e alunos migrantes discutirão a adaptação curricular e as barreiras linguísticas nas escolas das Flores.

O encerramento do evento terá lugar em Santa Cruz das Flores, na sexta-feira, 10 de abril. A manhã será dedicada aos testemunhos reais de imigrantes e regressados, explorando o sentimento de pertença e os desafios do isolamento insular. A conferência final será proferida pelo professor Paulo Vitorino Fontes, da Universidade dos Açores, que apresentará uma visão prospetiva sobre os direitos humanos e a transatlanticidade para as próximas décadas. A fechar o ciclo de debates, os autarcas Beto Vasconcelos e Elisabete Nóia juntam-se ao Secretário Regional Paulo Estêvão para o balanço final desta edição.

Paralelamente aos debates, o Fórum das Migrações deixa uma marca logística importante no Grupo Ocidental. No dia 10 de abril, às 14h30, será oficialmente inaugurado o serviço da AIMA no balcão da RIAC em Santa Cruz das Flores. Esta medida visa facilitar o acesso dos cidadãos migrantes a serviços essenciais, reforçando a estratégia de descentralização e proximidade que o Governo Regional tem vindo a implementar na gestão das políticas de integração e apoio às comunidades.

Governo regional reforça laços históricos no Brasil com inauguração de praça e museu no Maranhão

Secretário regional Paulo Estêvão iniciou este sábado uma visita oficial que percorre o Rio Grande do Sul e o Maranhão, assinalando os 50 anos da autonomia com o lançamento de uma obra literária e o reconhecimento de Porto Alegre como a maior cidade do mundo fundada por açorianos

© JF/GRA

A diáspora açoriana no Brasil está no centro da agenda política regional nos próximos dias, com o secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão, a dar início a uma visita oficial de alto significado simbólico. Segundo a nota enviada pelo executivo açoriano à nossa redação, a deslocação ocorre num momento de particular relevo histórico, coincidindo com as celebrações dos 50 anos da Autonomia dos Açores. O governante, acompanhado pelo diretor regional das Comunidades, José Andrade, e pela investigadora Susana Goulart Costa, tem como objetivo estreitar os laços com as comunidades lusodescendentes nos estados do Rio Grande do Sul e do Maranhão, num périplo que combina diplomacia cultural, apresentações académicas e a inauguração de novos espaços de memória.

O roteiro arrancou este sábado, 21 de março, em Gravataí, no Rio Grande do Sul, onde a comitiva visitou a Casa dos Açores local para celebrar o 23.º aniversário da instituição. O programa em terras gaúchas ganha especial contorno em Porto Alegre, cidade que detém o título de maior metrópole do mundo fundada por açorianos. No Teatro da Santa Casa, inserido nas festividades da “Semana de Porto Alegre”, será lançada a obra “Açores: Nove Ilhas, Nove Histórias”, da autoria de Susana Goulart Costa. Este livro, editado pela Secretaria Regional em parceria com a Casa dos Açores local, pretende ser uma ferramenta de proximidade e conhecimento sobre a realidade atual e histórica do arquipélago junto dos descendentes de terceira e quarta gerações.

A segunda etapa da viagem foca-se no Nordeste brasileiro, especificamente em São Luís do Maranhão, onde a agenda institucional atinge o seu ponto alto na segunda-feira, 23 de março. Antes dos atos protocolares, Paulo Estêvão realizará uma visita de cortesia ao antigo Presidente da República do Brasil, José Sarney, seguindo-se uma apresentação académica da obra de Susana Goulart Costa na Universidade Estadual do Maranhão. O culminar da visita oficial acontecerá durante a tarde, com o governante açoriano e o Governador do Estado do Maranhão a presidirem à inauguração oficial da “Praça dos Açores” e do “Museu Açoriano”. Estas novas infraestruturas representam um marco decisivo na preservação do legado cultural dos nossos antepassados naquela região, garantindo que a identidade açoriana permaneça viva e visível no quotidiano brasileiro.

Primeiro Encontro Nacional de Casas dos Açores reuniu líderes associativos em Lisboa

Encontro em Lisboa reuniu as quatro associações existentes e as duas em formação com o objetivo de criar uma rede nacional de cooperação

© SRAPC

No âmbito do primeiro Encontro Nacional de Casas dos Açores, realizado no sábado, dia 24, na Casa dos Açores de Lisboa, o secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão, reiterou o compromisso do governo regional com as Casas dos Açores sediadas em território nacional, sublinhando a importância do reforço da cooperação e da criação de sinergias entre estas entidades.

A iniciativa, promovida pelo governo açoriano, contou igualmente com a presença do secretário regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura, e do diretor regional das Comunidades, José Andrade, que mencionou à nossa reportagem que o encontro reuniu, pela primeira vez, as quatro associações atualmente existentes: Casa dos Açores de Lisboa (1927), Casa dos Açores do Norte (1980), Casa dos Açores da Madeira (2019) e Casa dos Açores da Região Centro (2024), bem como duas outras que se encontram em fase de constituição: a Casa dos Açores do Algarve e a Casa dos Açores do Alentejo.

A iniciativa visa dois objetivos concretos e imediatos: por um lado, criar uma rede nacional de Casas dos Açores, que facilite a realização de iniciativas conjuntas e a implementação de atividades em itinerância (por exemplo, uma exposição sucessivamente apresentada em todas elas); por outro lado, aproveitar a localização estratégica das Casas dos Açores, que já preenchem quase todo o território português, para uma verdadeira promoção nacional dos produtos regionais que se encontram certificados com a Marca Açores”, explicou José Andrade, que sublinhou ainda que, “desta forma, as Casas dos Açores em território português reforçam a sua vocação estratégica de promover e valorizar a identidade cultural e a capacidade económica das nossas ilhas no nosso país”.

Por sua vez, e durante a sua intervenção, Paulo Estêvão destacou que “a criação e potenciação de encontros da rede nacional das Casas dos Açores permitirá fomentar sinergias e ampliar a capacidade de projeção e execução das ações que cada uma das casas desenvolve ao longo do ano”, defendendo uma atuação mais articulada e estratégica entre as diferentes entidades.

Ainda no seu discurso, Paulo Estêvão voltou a apelar à colaboração das Casas dos Açores na preparação e planificação das comemorações dos 600 anos da descoberta dos Açores, cuja organização está a ser desenvolvida pela Secretaria Regional desde 2024 e que serão assinaladas em 2027.

O responsável governamental valorizou ainda o “enorme apoio” que os Açores estão a receber de entidades nacionais, da diáspora e de países e regiões com forte presença açoriana, sublinhando que esse envolvimento resulta do prestígio da Região e das suas comunidades.

Durante o primeiro Encontro Nacional de Casas dos Açores, foi também realizada uma ação de formação sobre a Marca Açores, com o objetivo de “capacitar as Casas para a promoção nacional dos produtos regionais, permitindo aos participantes conhecer as estratégias associadas à marca e refletir sobre formas de valorização e divulgação dos produtos açorianos”.

A este primeiro encontro poderão seguir-se outros em Portugal e este modelo poderá mesmo ser aplicado também a outros países, como, por exemplo, o Brasil, onde existe o maior número atual de Casas dos Açores: Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Maranhão, Espírito Santo e Minas Gerais”, finalizou José Andrade.

CCP, Açores e Madeira avançam com “acordo inédito” de cooperação

© AGÊNCIA INCOMPARÁVEIS

Um protocolo tripartido de colaboração foi assinado neste mês pelo presidente do Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Portuguesas, Flávio Martins; pelo diretor Regional das Comunidades do Governo dos Açores, José Andrade; e pelo diretor Regional das Comunidades e Cooperação Externa do Governo da Madeira, Sancho Gomes.

Segundo apurámos, com a assinatura, os dirigentes estabeleceram, “além de reuniões regulares e um relatório anual público de verificação do progresso, elos de cooperação para a valorização da diáspora portuguesa no mundo, o fortalecimento dos laços entre as comunidades, com o Estado português e as regiões autónomas dos Açores e da Madeira”.

O acordo também prevê iniciativas em áreas como a juventude lusodescendente e a participação cívica, além de outras ações estratégicas conjuntas.

Estão sobre a mesa ainda ações como a “participação de representantes dos departamentos e conselhos em eventos promovidos pelos signatários, o fortalecimento da comunicação externa por meio da divulgação coordenada de iniciativas institucionais, a articulação conjunta de plataformas de comunicação e a promoção da marca e da imagem institucional de cada entidade junto às comunidades, autoridades locais e ao público”.

Paulo Estêvão valoriza criação de rede de apoio social para os Açores e a diáspora

© SRAPC

O secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão, declarou, no passado dia 14 de abril, que a Rede Internacional de Organizações de Serviço Social dos Açores e da Diáspora, cujo protocolo de constituição foi assinado por cerca de duas dezenas de entidades, representa um “momento histórico” para os Açores e as suas comunidades.

“Estamos a enfrentar uma situação sem precedentes. Os últimos números do Governo português são que o país tem um milhão e meio de imigrantes. Trata-se de um crescimento muito significativo. Um país de emigrantes transformou-se num país que acolhe. Ao mesmo tempo, continuamos a ter uma população emigrante muito significativa. É uma conjuntura única”, declarou o governante, em Ponta Delgada, na sessão de encerramento de um seminário internacional dedicado à constituição da Rede.

Para o secretário regional com a tutela das comunidades, “esta situação extraordinária e histórica levanta desafios ao país” e aos Açores.

“Há uma conjuntura recente que tem a ver com a política de emigração da nova administração norte-americana. Neste momento, tendo em conta não propriamente as ações em relação à comunidade portuguesa, mas sobretudo o discurso, não há um número de deportações superior ao normal, essa situação não aconteceu. Se há neste momento um regresso em número significativo de açorianos é um regresso voluntário que tem a ver com o impacto do discurso da administração [norte-americana] e o medo que esse discurso possa ter consequências práticas”, assinalou.

Paulo Estêvão lembrou ainda os conflitos bélicos atualmente existentes, reconhecendo ser “muito difícil planificar seja o que for”, e dando exemplos como os números de exportações ou indicadores macroeconómicos.

“O que estamos aqui a fazer é contracorrente: juntar um conjunto de instituições regionais e da diáspora, no âmbito do serviço social, para partilharem conhecimento e juntos fazerem mais”, frisou, contrastando esta ideia com a do protecionismo político e económico de algumas democracias.

“Este protocolo tem essa importância de estarmos aqui todos com o espírito de ajudar, termos um apoio social cada vez mais alargado, que possa atingir mais gente. Estou verdadeiramente impressionado com o trabalho de todas estas instituições”, valorizou, depois de ter assistido à apresentação do conjunto de atividades de várias entidades da diáspora e parceiras neste projeto de cooperação.

A Rede Internacional de Organizações de Serviço Social dos Açores congrega associações e/ou outras organizações que desenvolvem atividades de índole social junto das comunidades açorianas nos Estados Unidos da América, Canadá e Bermuda e na qual a Direção Regional das Comunidades assume o papel de promotor e coordenação.

Segundo comunicado da Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, a entidade visa, entre outros objetivos, “promover a troca de informação permanente, promover um conjunto de respostas de suporte sociocultural que permitam, através da cooperação entre diferentes entidades, contribuir para a integração efetiva dos açorianos emigrados e açorianos regressados à Região, ou integrar na ação de intervenção social a envolvente imediata, família e comunidade do emigrante e do emigrante regressado, sempre que possível”.

José Andrade valoriza ligação açoriana às comunidades lusófonas

Presença açoriana no mundo e interação do Governo dos Açores com a comunidade estrangeira residente no arquipélago foram abordadas durante Gala Beneficente da Associação “Mais Lusofonia”, em Castelo Branco. Diretor regional das Comunidades, José Andrade foi homenageado pela entidade

José Andrade com a presidente da Associação Mais Lusofonia, Sofia Lourenço © DIREITOS RESERVADOS

A identidade açoriana está profundamente ligada à diáspora e às comunidades lusófonas que, ao longo dos séculos, têm encontrado nos Açores um ponto de encontro entre culturas e tradições. O Governo da Região Autónoma dos Açores, através da Direção Regional das Comunidades (DRC), tem desempenhado um papel fundamental no fortalecimento destes laços, tanto no apoio aos imigrantes lusófonos que vivem no arquipélago, como na valorização da vasta diáspora açoriana espalhada pelo mundo.
Em entrevista à nossa reportagem, José Andrade, diretor regional das Comunidades do Governo da Região Autónoma dos Açores, falou sobre o trabalho desenvolvido nos Açores e a importância de iniciativas como esta Gala Beneficiente da Associação “Mais Lusofonia” para a união e cooperação entre povos que partilham uma história e um idioma em comum, além de enumerar os projetos futuros.

DL: Esteve no continente a participar numa Gala promovida pela Associação Mais Lusofonia, com sede em Castelo Branco, que foca as suas ações na comunidade lusófona. Qual o nível de parceria entre a DRC dos Açores e a referida associação?
A Direção Regional das Comunidades do Governo da Região Autónoma dos Açores e a Associação Mais Lusofonia partilham objetivos coincidentes na sua missão estratégica, designadamente, ao nível da ligação às comunidades lusófonas. Por isso, temos um promissor caminho a percorrer, com possíveis iniciativas conjuntas ou atividades partilhadas, no âmbito de uma parceria que se quer crescente e mutuamente vantajosa. 

DL: Como avalia o evento e o que pôde experienciar?
Fiquei muito bem impressionado com o espírito voluntarioso e a capacidade empreendedora dos seus dirigentes e associados, mas sobretudo com a liderança inspiradora da sua fundadora e presidente, Sofia Lourenço. Ela própria é um exemplo notável de solidariedade ao serviço da lusofonia, porque nasceu no Brasil, vive em Portugal e trabalha em benefício do desenvolvimento social dos países africanos de língua oficial portuguesa. Destaco aqui o trabalho solidário que tem vindo a desenvolver em Cabo Verde, a que nos ligam especiais relações de cumplicidade. Nos extremos da Macaronésia, Açores e Cabo Verde partilham o mesmo oceano Atlântico, a mesma condição arquipelágica, o mesmo número de ilhas habitadas, a mesma história, a mesma língua, a mesma cultura e, até, a mesma vocação emigratória – somos muitos mais na nossa diáspora do que nas nossas ilhas – com comunidades comuns na costa Leste dos Estados Unidos. Portanto, Cabo Verde é uma das causas comuns que o Governo dos Açores partilha com a associação “Mais Lusofonia” e isso mesmo tive ocasião de confirmar em contatos desenvolvidos com autoridades cabo-verdianas, igualmente presentes nesta Gala da Lusofonia.

DL: As comunidades lusófonas têm auxiliado no desenvolvimento económico dos Açores? Tem números atualizados dos imigrantes e as suas nacionalidades residentes na região?
As comunidades lusófonas em geral – e, em especial, a comunidade brasileira, mas também, por exemplo, a comunidade cabo-verdiana – são parte integrante e interessante do desenvolvimento dos Açores, a nível cultural, social e económico. Brasileiros, cabo-verdianos, angolanos, são-tomenses, moçambicanos ou guineenses, como a generalidade dos imigrantes nos Açores, mas com a facilidade acrescida da cumplicidade linguística, contribuem para reforçar e valorizar a diversidade cultural, para compensar a erosão demográfica e para ultrapassar as carências locais de mão-de-obra adequada, designadamente, na hotelaria, na restauração e na construção. Segundo o mais recente relatório da AIMA – Agência para a Integração, Migrações e Asilo, relativo ao ano de 2023, residem oficialmente na Região Autónoma dos Açores mais de seis mil cidadãos estrangeiros provenientes de 98 países. Destes cidadãos ainda sem cidadania portuguesa, 1.834 são naturais de outros países lusófonos: 1.351 do Brasil, 315 de Cabo Verde, 58 de Angola, 43 de Guiné Bissau, 34 de São Tomé e Príncipe, 31 de Moçambique e 2 de Timor Leste.

DL: Por fim, como carateriza o trabalho desenvolvido pela Direção Regional das Comunidades e qual a importância de se valorizar e promover iniciativas tendo em vista a comunidade lusófona residente no arquipélago e a diáspora açoriana?
A Direção Regional das Comunidades do Governo dos Açores tem uma dupla missão, que cumpre com gosto: fomentar a Açorianidade, com os açorianos e açordescendentes residentes no exterior da Região, e facilitar a Interculturalidade, com os imigrantes que se encontram radicados nas nossas ilhas. Em ambos os casos, a língua portuguesa é um instrumento importante, seja através da sua preservação junto das novas gerações da diáspora açoriana, seja através da sua aprendizagem por parte dos “novos açorianos” que nos chegam de países não lusófonos. Na diáspora, apoiamos o funcionamento de organizações comunitárias, como, por exemplo, a escola oficial portuguesa da Bermuda. Nos Açores, promovemos Cursos de Português para Falantes de Outras Línguas, já com 36 turmas em 12 anos envolvendo 690 formandos de 55 nacionalidades diferentes.

José Andrade no Brasil para agenda cultural e política em cinco estados

Responsável pela pasta das Comunidades do Governo dos Açores está em deslocação oficial ao Brasil para realizar reuniões com as autoridades brasileiras, além de conversar com a comunidade açoriana e açordescendentes

© DIREITOS RESERVADOS

No programa, um encontro com o governador do Estado do Maranhão, no Palácio do Governador, e visita à futura “Praça Açores”, em São Luiz. O novo espaço público será uma realidade já em 2025 com o intuito de homenagear os colonos açorianos que organizaram a cidade há mais de 400 anos. Uma iniciativa que é seguida de perto pelo Governador do Maranhão, Carlos Brandão, que lidera um Estado de cerca de sete milhões de habitantes no nordeste brasileiro.

“Imaginem a emoção de ouvir o Hino dos Açores interpretado pela Banda Juvenil de Icatú, outra cidade brasileira fundada por açorianos, numa sessão pública de divulgação açoriana promovida pela Casa dos Açores do Maranhão”, frisou Andrade, que esteve também nas futuras instalações da Casa dos Açores do Maranhão, em São Luiz, onde houve uma sessão pública sobre a relação histórica entre Açores e Maranhão, no Espaço Cultural do Shopping São Luiz.

Já em São Paulo, maior cidade da América Latina, Andrade participou, no dia 25, na sessão comemorativa dos 50 anos da Festa do Divino da Casa dos Açores de São Paulo, com a entrega de diplomas de reconhecimento do Governo dos Açores aos seus 50 sucessivos Mordomos do Espírito Santo.

“A relação histórica entre Açores e Maranhão é fundamental, tanto para os Açores quanto para o Maranhão”, disse.

Em Minas Gerais, o programa prevê, no dia seguinte, visita ao Instituto Histórico e Geográfico, em Belo Horizonte, bem como uma sessão impulsionadora da constituição da Casa dos Açores de Minas Gerais, na sede da Associação Comercial e Empresarial de Minas Gerais, em Belo Horizonte, com diversas entidades representativas, tais como membros do Governo do Estado de Minas Gerais, Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais, Câmara de Vereadores de Belo Horizonte, Cônsul Geral de Portugal em Belo Horizonte, Associação Comercial e Empresarial de Minas Gerais, Câmara Portuguesa de Minas Gerais, Centro da Comunidade Portuguesa de Minas Gerais, Conselho Estadual de Cultura e Federação das Câmaras Portuguesas de Comércio no Brasil.

No dia 27, o diretor regional das Comunidades inaugurou a exposição comemorativa dos 70 anos do Grupo Folclórico Padre Tomaz Borba, na Casa dos Açores do Rio de Janeiro, onde houve a sessão solene de abertura do XIX Encontro Cultural Açoriano da Casa dos Açores na cidade maravilhosa. Um documentário intitulado “O que fomos, o que somos e o que queremos ser – 70 anos de história do Grupo Folclórico Padre Tomaz Borba”, foi exibido.

Ainda no Rio, Andrade marcou presença no VI Encontro Açores Brasil, dedicado ao folclore açoriano em terras brasileiras, com representantes de quatro grupos: Grupo Folclórico da Casa dos Açores do Rio de Janeiro, Grupo Folclórico da Casa dos Açores de São Paulo, Grupo Folclórico da Casa os Açores de Santa Catarina e Grupo Folclórico da Casa dos Açores do Estado do Rio Grande do Sul.

No domingo, dia 29, decorre um almoço com a comunidade açoriana e açordescendente do Rio de Janeiro comemorativo dos 70 anos do Grupo Folclórico Padre Tomaz Borba – o grupo folclórico mais antigo da diáspora açoriana, na Casa dos Açores do Rio de Janeiro. Destaque para a estreia do Grupo Folclórico “Amigos do Tomaz Borba” formado por componentes dos grupos folclóricos das Casas dos Açores de Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que estarão no primeiro Encontro de Folclore Açoriano, que conta com intercâmbio de modas do folclore açoriano entre elementos dos referidos grupos.

Ao Sul do país, no dia 30, Andrade visita a Casa dos Açores do Estado do Rio Grande do Sul, em Gravataí.

No dia 1 de outubro, o diretor regional continua no Rio Grande do Sul para visitar, de forma solidária, o Governo do Estado do Rio Grande do Sul, com direito à audiência com o secretário de Estado do Desenvolvimento Económico, no Centro Administrativo do Estado. Outra visita está agendada à Prefeitura Municipal de Porto Alegre, também em tom de solidariedade, incluindo uma audiência com o vice-prefeito, no Paço Municipal.

A deslocação oficial termina nesse mesmo dia com chegada à Ponta Delgada no dia 2 de outubro.