
Se existem pessoas com uma história de vida cuja atividade profissional muda da noite para o dia e sem qualquer ponto em comum, Catarina Correia é uma delas. Depois de vinte e dois anos a trabalhar no setor do turismo nas mais várias diversas funções (outgoing, incoming, comercial e hotelaria, chefe de reservas e organizadora de eventos), chegou o dia em que decidiu colocar um ponto final e iniciar uma nova vida como padeira.
A transição não encontra qualquer ponto em comum mas deu-se de uma forma simples. “Mudei de vida devido a dois fatores: saúde e cansaço. O turismo é uma área extremamente interessante e apelativa, mas também muito cansativa e stressante porque é tudo para ontem. Ponderei a decisão durante alguns anos, mas chegou a altura que tinha de tomar uma decisão”, explicou.
“Sem saber bem o que ia fazer a seguir, despedi-me. Só sabia que queria trabalhar em algo completamente diferente. Numa primeira fase ajudei uns amigos num bar vegetariano e, depois, quando soube que a Massa Mãe Açores estava à procura de uma pessoa, arrisquei. E assim surgiu a ‘Xuxu Padeira’, que é o meu nickname”, acrescentou.
Apesar de não ter experiência na área, aprender um novo ofício nem foi complicado. “Já tinha algum conhecimento empírico que se aprende no seio familiar, principalmente o que aprendi com uma avó que fazia o seu pão de milho em casa e por uma tia-avó que era uma excelente pasteleira”.
Provavelmente já com o ‘bichinho’ dentro de si, mas sem saber que estava lá, Catarina Correia esboçou um sorriso rasgado: “Passei muitos momentos na cozinha, à volta da mesa, a ver maravilhas deliciosas aparecerem quase do nada. Farinha, açúcar, ovos et voilá: pão, massa sovada, coscorões, biscoitos estavam na mesa”, recordou.
Mulher de espírito livre, desprendida e frontal, Catarina Correia não vê neste emprego um trabalho para a vida porque, explicou, ainda tem sonhos por concretizar. “Adoro o que faço, mas não perco de vista a criação de um negócio próprio. Neste momento, além da padaria, dedico-me a outros prazeres como a jardinagem, outros fermentados ou a criação de peças de presépio”.

A Massa Mãe Açores é uma padaria artesanal que se diferencia das demais por “produzir pão de massa mãe, mais conhecido como sourdough. A massa mãe é o que usamos como fermento e consiste apenas em água e farinha. Através de um conjunto de bactérias e leveduras naturais fazem o pão levedar. Não leva qualquer adição de químicos e para além de ser um pão de elevada qualidade e mais saudável, também é de maior durabilidade”.
Todo o processo obedece ao conceito de fermentação lenta, ou seja, “o pão é feito com massa mãe e é refrigerado durante cerca de dezasseis horas a uma temperatura específica, levedando naturalmente e adquirindo um gosto ligeiramente azedo”, explicou Catarina Correia.
Natural de Ponta Delgada, Catarina Correia estudou até ao 12.º ano na escola secundária das Laranjeiras, mas “a Matemática pregou-me uma partida”, graceja. Assim sendo, optou por “tirar um curso técnico-profissional de Turismo na antiga escola da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada” e foi essa formação que a colocou num avião para a cidade de Bremen, na Alemanha, onde realizou o estágio na companhia de mais sete colegas.
Quando regressou a São Miguel começou a trabalhar numa agência de viagens e depois dessa ainda passou por mais oito empresas diferentes, todas elas ligadas ao setor do turismo, fazendo também uma perninha na promoção do Destino Açores em feiras.

Fundado a 15 de agosto de 2006, o Grupo de Cantares Vozes do Monte Santo anima há 18 anos as festas populares e diversos eventos, não só da freguesia de Água de Pau, como de toda a Ilha de São Miguel. Artur Almeida, responsável pelo grupo, partilha com o Diário da Lagoa (DL) a história e os desafios que enfrentam atualmente.
É em 2006, “pela altura das Festas da Nossa Senhora dos Anjos”, que surge, em sua honra, o Grupo Vozes do Monte Santo. A sua criação veio do intuito de, inicialmente, dar continuidade aos “bailes” populares, que existiam, “antigamente”, durante esta época. Ao longo dos anos, o grupo foi demonstrando uma evolução, voltando-se para os “espetáculos” e “outros eventos”.
Atualmente, integra 11 membros, com idades compreendidas entre os 14 e os 58 anos. É composto por duas vozes principais, “a primeira e a segunda voz” e, para além de cantarem enquanto grupo, tocam também alguns instrumentos, incluindo o acordeão, a guitarra, o cavaquinho e o baixo.
É sempre em conjunto que planeiam o “repertório para todo o ano”, porque gostam de poder decidir “todos juntos” a estrutura dos seus espetáculos. O responsável refere que a “música popular” é o tipo de música que, normalmente, o grupo apresenta, incluindo, também, música típica açoriana.

O grupo Vozes do Monte Santo participa em diversos eventos, sendo convidado, não só para a animação de “missas de casamentos e batizados”, como para “coroações” e celebrações das “Festas do Espírito Santo”, em toda a ilha. A animação trazida pelo grupo, com as músicas que apresenta, é muito requisitada pelos amantes de música portuguesa. “Na altura do Espírito Santo, vamos a casa das pessoas, que nos convidam para ir fazer um serão”, conta Artur Almeida ao DL.
Chegaram a atuar em Santa Maria, “há alguns anos”, pela altura das “festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres”, sendo esta a “única vez” que o grupo se terá apresentado “fora de São Miguel”, acrescenta.
Durante as festividades do Natal, assim como durante a época da tradição de “cantar às estrelas”, o grupo “costuma ser convidado para atuar”, o que não terá sido possível na época natalícia mais recente, devido a alguns problemas que enfrentam.
Artur Almeida ressalva, ainda, que o grupo de cantares “faz questão” de “nunca falhar” na sua atuação durante as festas de Nossa Senhora dos Anjos, em Água de Pau.
O ano passado trouxe algumas dificuldades em termos de horário para o grupo. A falta de compatibilidade entre os horários de ensaio e os horários profissionais de alguns dos “mais importantes” membros, faz com que se torne difícil a existência de ensaios consistentes, sendo este o maior desafio que enfrenta o grupo de cantares.
Esta questão, tornou a sua participação na edição de 2024 do “Natal dos Hospitais”, realizado na Vila de Água de Pau, impossível. “Em tempos normais, costumamos reunir à segunda e sexta-feira para ensaiar na nossa sede, no Centro Comunitário de Água de Pau, cedido pela Câmara Municipal de Lagoa, mas, neste momento, o nosso futuro é incerto, porque não temos nenhum espetáculo marcado nem nada em vista”, acrescenta o responsável.
Apesar das dificuldades, o grupo mantém-se de pé e deseja um dia poder aceitar o convite de “atuar nos Estados Unidos da América”. Levar para outro continente “um grupo sem fins lucrativos de 11 elementos não é fácil, requer muito trabalho e muitas poupanças”, conclui.