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Karaté açoriano no nacional de formação em Albufeira

© CM LAGOA

A Associação de Karaté dos Açores (AKA) vai marcar presença no campeonato nacional de Karaté para os escalões de formação — infantis, iniciados e juvenis — que se realiza nos dias 2 e 3 de maio, no pavilhão desportivo municipal de Albufeira.

A representação açoriana será assegurada por três clubes filiados na AKA, nomeadamente o Clube de Karaté-do Shotokan de Angra do Heroísmo (CKSAH), o Clube de Karaté-do Shotokan da Horta (CKSH) e o Clube de Karaté Shotokan da Povoação (CKSP). No total, a comitiva contará com vinte e um atletas, distribuídos por vários escalões etários, que irão competir nas disciplinas de kata e kumite.

Integram a equipa os atletas Madalena Antunes, Francisco Costa, Tiago Pontes, Carminho Laranjeira, Mateus Pimentel, Mariana Pires, Clara Antunes, Vicente Lima, Teresa Fraga, Duarte Rico, Henrique Silva, Joana Castro, Maria Santos e Simone Resendes (CKSAH), Maria Cruz e Núria Peixoto (CKSH), e Francisca Magalhães, Matilde Pacheco, Laura Medeiros, Marcos Sousa e Santiago Cabral (CKSP).

A comitiva açoriana será acompanhada pelos treinadores André Garcia, João Castro, Luís Castro, Marco Maciel e Vítor Pereira, que assegurarão a orientação técnica dos atletas nesta participação fora da região.

A prova é organizada pela Federação Nacional de Karaté de Portugal e reúne os melhores atletas nacionais destes escalões, constituindo um momento de elevado nível competitivo.

A participação açoriana resulta do apuramento regional realizado no passado dia 28 de fevereiro, no concelho da Lagoa, refletindo o trabalho desenvolvido pelos clubes e pela AKA na formação e desenvolvimento desportivo dos jovens praticantes.

Lagoa renova apoios aos clubes desportivos

© CM LAGOA

O município da Lagoa assinou contratos-programa de desenvolvimento desportivo com várias coletividades do concelho, reforçando o apoio à atividade regular anual dos clubes e reconhecendo o seu papel na dinamização desportiva e social.

Na reunião com o presidente da autarquia, Frederico Sousa, marcaram presença o Clube Desportivo Operário, a Associação Cultural e Desportiva de Santa Cruz, o Clube de Ténis Cidade da Lagoa e o Clube de Pesca Desportiva da Lagoa.

A reunião constituiu, também, uma oportunidade para o executivo municipal ouvir diretamente os dirigentes associativos, recolhendo contributos sobre as principais dificuldades e aspirações destas entidades, num espírito de proximidade e colaboração contínua.

Durante a sessão, foram ainda apresentados dados atualizados relativos à prática desportiva no concelho. Em 2026, Lagoa regista um número recorde de 1755 praticantes, o que representa um crescimento de 15% face ao ano anterior.

A análise destes dados permitiu identificar áreas prioritárias de intervenção, com especial enfoque nos grupos atualmente sub-representados, nomeadamente o género feminino, que representa 37% dos praticantes, o desporto adaptado, com 0,46%, o escalão etário dos 16 aos 18 anos, com 5,3%, e a população com mais de 65 anos, que corresponde a 1,08% do total.

Neste contexto, foi lançado o desafio aos clubes para a dinamização de iniciativas que promovam uma maior inclusão e diversidade na prática desportiva.

Lagoa atribui voto de louvor a Gilberto Borges

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A Câmara Municipal da Lagoa distinguiu Gilberto Sousa Borges, natural do concelho, com um voto de louvor em reconhecimento pelo seu percurso como dirigente desportivo e pelo seu contributo para o desenvolvimento do desporto e da comunidade lagoense. A atribuição do voto de louvor foi aprovada, por unanimidade, na reunião de câmara de 12 de março.

Ao longo de 25 anos, Gilberto Borges dedicou-se à presidência da Associação Juvenil Clube Operário Desportivo, distinguindo-se pelo seu empenho, liderança e profundo compromisso com a formação desportiva e cívica de centenas de jovens. Durante este período, o clube formou mais de 3500 atletas, promovendo valores fundamentais como o respeito, a disciplina, o espírito de equipa e a superação.

Sob a sua orientação, a Associação Juvenil do Clube Operário Desportivo alcançou resultados de grande relevo, nomeadamente a conquista de 39 campeonatos de São Miguel, 14 campeonatos regionais e um honroso 3.º lugar na Taça Nacional, feitos que dignificam o clube e projetam o nome do concelho de Lagoa e da região no panorama desportivo.

Para além dos êxitos competitivos, a autarquia destacou igualmente o importante papel social desempenhado por Gilberto Borges, marcado pela proximidade à comunidade, pelo apoio a jovens e famílias e pela dinamização de iniciativas que reforçam o desporto como instrumento de inclusão, educação e desenvolvimento pessoal.

Câmara da Lagoa e Governo regional alinham prioridades para o desporto no concelho

Reunião entre o executivo municipal e o diretor regional do Desporto focou-se na requalificação de infraestruturas escolares e no apoio ao movimento associativo, com a autarquia a reiterar a disponibilidade para assumir a gestão de equipamentos estratégicos

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O presidente da Câmara Municipal da Lagoa, Frederico Sousa, e o vice-presidente, Nelson Santos, reuniram-se ontem com o diretor regional do Desporto, Ricardo Matias, para definir as prioridades estratégicas do setor desportivo na Lagoa. Segundo nota enviada pela autarquia, o encontro serviu para analisar as carências das instalações desportivas locais, os mecanismos de apoio ao associativismo e os principais desafios enfrentados pelos clubes e dirigentes do concelho. Durante a sessão, Frederico Sousa sublinhou o investimento contínuo do município, destacando a intervenção desenvolvida “quer no apoio regular às coletividades, quer na disponibilização de meios e equipamentos”, reforçando a importância do movimento desportivo local e da plena utilização das infraestruturas municipais.

Um dos pontos centrais da discussão prendeu-se com a necessidade urgente de qualificação de espaços que apresentam limitações de praticabilidade e problemas estruturais, com particular enfoque nos equipamentos desportivos da Escola Secundária da Lagoa e da Escola de Água de Pau. O executivo municipal aproveitou a ocasião para reiterar a sua posição quanto à gestão do Pavilhão da Escola Básica Integrada Padre João José do Amaral. A autarquia manifestou-se novamente disponível para assegurar diretamente a conservação e manutenção daquele pavilhão, defendendo que tal medida não só faz sentido por “razões de racionalidade económica”, como é fundamental para a “prática desportiva na ilha, permitindo reforçar a capacidade de resposta existente e promover uma distribuição mais equilibrada das diferentes modalidades”.

Para além das infraestruturas gerais, a reunião abordou temas específicos como a melhoria das condições para a prática do judo no concelho, modalidade que requer uma articulação conjunta entre as entidades para garantir o seu crescimento. No encerramento dos trabalhos, os responsáveis municipais reafirmaram a total disponibilidade para colaborar com a Direção Regional do Desporto, visando a valorização do desporto como um pilar estruturante na vida dos lagoenses e na coesão social do concelho.

Chega exige cautela e transparência na cedência do pavilhão da Escola Padre João José do Amaral

Partido alerta para a necessidade de um debate aprofundado sobre a transferência da infraestrutura para o Município da Lagoa, defendendo que a pressa legislativa não pode comprometer o acesso de todas as modalidades desportivas ao recinto

© CHEGA AÇORES

A cedência do Pavilhão Desportivo da Escola Padre João José do Amaral ao Município da Lagoa, nos Açores, está no centro do debate político regional, com o Chega a manifestar-se contra a urgência de tratamento do processo proposta pelo PS. Através de uma nota de imprensa enviada à nossa redação, o partido defende que a relevância desta infraestrutura para a comunidade lagoense exige um “trabalho sério” e um escrutínio detalhado, recusando que uma decisão desta magnitude seja tomada num prazo de apenas duas ou três semanas. Para o Chega, o pavilhão representa um ativo estratégico para o concelho, não devendo a sua gestão ser discutida de forma precipitada antes do plenário de maio.

A deputada Olivéria Santos reforçou que a preocupação central reside na garantia de um acesso equitativo ao espaço, sublinhando que o pavilhão não pode tornar-se exclusivo de uma única entidade desportiva. A parlamentar recorda que aquela infraestrutura é a única no concelho com as condições específicas de segurança exigidas para a prática da patinagem, conforme estipulado legalmente. “Estamos disponíveis para debater o tema – sabemos das dificuldades por que passam entidades, importância da associação – mas duas ou três semanas para discutir este assunto, até ser discutido já no plenário de maio, é pouco tempo”, alertou Olivéria Santos na nota enviada pelo partido.

Além da questão da utilização desportiva, o Chega levanta dúvidas quanto à articulação desta cedência com os planos de investimento público para a zona. Olivéria Santos aponta que o Governo regional tem previsto um projeto de requalificação para a Escola Padre João José do Amaral que contempla a construção de um novo pavilhão. Segundo a deputada, é fundamental clarificar o futuro planeamento urbanístico e desportivo da Lagoa antes de avançar com a transferência de competências: “temos de perceber se vamos ficar com dois pavilhões ou só com um. Tudo isso não se consegue fazer em duas ou três semanas”, argumentou a parlamentar, apelando ao rigor e à transparência num processo que terá impacto direto nos atletas e clubes locais.

ADC Santa Cruz celebra aniversário com novidades autárquicas

© DIÁRIO DA LAGOA

A Associação Desportiva e Cultural de Santa Cruz celebrou o terceiro aniversário com uma gala de reconhecimento que teve lugar no Convento de Santo António, naquela freguesia.

Presidida por Mário Luís Pereira, o líder da agremiação desportiva aproveitou a celebração para realizar um balanço do trabalho desenvolvido pelo clube desde a sua fundação, realçando o seu papel na comunidade lagoense enquanto dinamizador social e cultural, com especial dedicação aos mais jovens.

A efeméride permitiu reforçar o compromisso da Câmara Municipal da Lagoa com o movimento associativo do concelho através de uma estratégia de proximidade e de colaboração contínua com as coletividades locais.

O presidente autarquia, Frederico Sousa, marcou presença nas comemorações que reuniram diversas entidades oficiais, patrocinadores, membros da Direção, atletas e famílias, num momento marcado pela homenagem a todos aqueles que têm contribuído para o crescimento e sustentabilidade do clube ao longo dos últimos três anos.

Durante o evento, Frederico Sousa anunciou que a Câmara Municipal da Lagoa irá organizar, já no próximo ano, uma gala bienal dedicada ao desporto no concelho.

“Mais do que um apoio financeiro, a autarquia tem vindo a afirmar-se como um parceiro ativo, disponibilizando meios logísticos, recursos humanos e condições para a concretização de projetos que promovem o desporto, a cultura e a coesão social. A gala do desporto surge, neste contexto, como mais um passo na valorização do trabalho desenvolvido pelas associações e no reconhecimento do seu papel fundamental na dinamização da comunidade”, adiantou o autarca lagoense.

Frederico Sousa sublinhou ainda a importância do envolvimento coletivo no desenvolvimento do desporto local, referindo que “importa reconhecer não apenas o trabalho desenvolvido no seio das associações, mas também o empenho de todos os atletas das diversas modalidades do concelho, cujo esforço e dedicação dignificam a Lagoa. Uma palavra de apreço igualmente para os pais e encarregados de educação, pelo apoio constante, bem como para os patrocinadores, cujo contributo é essencial para a continuidade e crescimento do movimento associativo”.

Pavilhão dos Remédios acolhe Torneio de Judo Cidade da Lagoa em dia de Feriado Municipal

Evento organizado pelo Judolag reúne mais de 150 participantes e destaca-se pela estreia do judo adaptado, reforçando o estatuto da Lagoa como “Destino Desportivo do Ano”

© CM LAGOA

O Pavilhão Professor Jorge Amaral, no lugar dos Remédios, volta a ser o epicentro do desporto regional este sábado, dia 11 de abril. Coincidindo com as celebrações do feriado municipal, o recinto acolhe o Torneio de Judo Cidade da Lagoa, uma organização do Judo Clube da Lagoa (Judolag) que conta com o apoio direto da autarquia lagoense e da Associação de Judo do Arquipélago dos Açores. Segundo nota de imprensa enviada pela autarquia lagoense, a prova mobilizará mais de 150 pessoas, entre atletas, técnicos e equipas de arbitragem, consolidando o judo como uma das modalidades com maior expressão e número de praticantes no concelho.

A competição, que cumpre a sua quarta edição consecutiva naquele pavilhão, terá lugar durante o período da manhã e será dividida em três momentos distintos de acordo com as idades dos judocas. O primeiro grupo a entrar no tatami será composto pelos atletas nascidos a partir de 2017, seguindo-se o escalão dos jovens nascidos entre 2014 e 2017. O encerramento das competições caberá aos atletas nascidos a partir de 2013, englobando escalões que vão desde os benjamins aos juniores. O evento culminará com a entrega de troféus, cerimónia que contará com a presença do vice-presidente da Câmara Municipal da Lagoa, Nelson Santos.

A edição de 2026 traz consigo uma novidade de relevo na vertente da inclusão: a participação de atletas de desporto adaptado, provenientes do clube anfitrião e da Academia de Judo Samurai. No total, marcarão presença quatro emblemas da ilha de São Miguel: o Judolag, o Judo Clube de Ponta Delgada, o Clube de Judo da Ribeira Grande e a Academia de Judo Samurai. Esta iniciativa surge num momento de particular reconhecimento para o concelho, que foi recentemente galardoado com o título nacional de “Destino Desportivo do Ano”, prémio que distingue a estratégia local de valorização da atividade física e o papel fundamental de eventos desta natureza na dinamização da economia e comunidade do lugar dos Remédios.

PS defende manutenção de pavilhão para salvar patinagem em Santa Cruz

Grupo Parlamentar socialista alerta para o risco de desaparecimento da modalidade no concelho da Lagoa e propõe a cedência da infraestrutura da Escola Padre João José do Amaral ao Município

© PS AÇORES

O Grupo Parlamentar do PS/Açores defendeu publicamente, em visita à Lagoa, a necessidade urgente de assegurar a continuidade da atividade do Clube de Patinagem de Santa Cruz, face à ameaça de demolição do pavilhão da Escola Padre João José do Amaral.

Segundo uma nota de imprensa enviada pela estrutura partidária, a ausência de uma alternativa viável para os treinos diários coloca em risco real a sobrevivência desta modalidade no concelho. A posição foi assumida pela deputada Cristina Calisto após uma reunião com os responsáveis do clube, onde foram manifestadas preocupações sobre a perda do espaço que tem sido o pilar do sucesso da coletividade.

Para a parlamentar, este é um desporto de “uma modalidade de grande prestígio para o concelho da Lagoa e para a região”, sublinhando o currículo de relevo nacional e internacional da instituição, que soma participações em competições como a Taça de Portugal e o Campeonato Europeu de Patinagem Artística.

A memória de um passado recente agrava o receio da comunidade desportiva local, uma vez que, entre 2021 e 2023, o clube atravessou um período de carência de instalações que forçou a deslocação de atletas para fora do concelho e resultou no abandono da prática por parte de vários jovens. Para evitar a repetição deste cenário, os socialistas anunciaram que vão avançar com um projeto de resolução que propõe a cedência definitiva do pavilhão ao Município da Lagoa, permitindo a gestão local do espaço e a salvaguarda da sua utilização desportiva.

Cristina Calisto reforçou que o crescimento populacional da Lagoa e a sua elevada taxa de natalidade exigem a manutenção e o reforço das infraestruturas existentes, especialmente num concelho com mais de duas dezenas de clubes no ativo. “Este é um equipamento essencial, não só para aumentar a oferta desportiva disponível, mas sobretudo para manter vivo um dos maiores clubes desportivos da Região”, afirmou a deputada, apelando à sensibilidade do Governo regional para uma solução que permita compatibilizar novos investimentos com a preservação do atual pavilhão.

“Esta é a iniciativa que o Grupo Parlamentar do Partido Socialista vai entregar para que seja possível manter-se o pavilhão atual e garantir que esta modalidade não desapareça”, concluiu.

Natacha Candé recebe voto de congratulação pela revalidação do título ibérico de pentatlo

© CM PONTA DELGADA

A Câmara Municipal de Ponta Delgada aprovou, em reunião ordinária e por unanimidade, um voto de congratulação à atleta Natacha Candé, do Clube Desportivo e Cultural Juventude Ilha Verde, pela revalidação do título ibérico de pentatlo, no escalão de sub-20.

O título de campeã ibérica de pentatlo foi conquistado no Torneio Ibérico de Provas Combinadas, realizado em Zaragoza, Espanha, onde a atleta representou a seleção nacional e alcançou uma extraordinária pontuação total de 4257 pontos, superando as suas próprias marcas.

Importa recordar que, já no corrente ano, Natacha Candé havia conquistado o título de campeã nacional de pentatlo nos campeonatos nacionais de provas combinadas, ao somar 4197 pontos, numa competição em que estabeleceu, em simultâneo, os recordes nacionais dos escalões de sub-20 e sub-23.

Tal como se lê no voto de congratulação aprovado, “a progressão desportiva da atleta, marcada pela constante melhoria dos seus resultados – incluindo a superação da anterior marca pessoal de 4094 pontos no Torneio Ibérico de 2025 – constitui um exemplo de rigor, disciplina e compromisso com a excelência, projetando o nome de Ponta Delgada e dos Açores além-fronteiras”.

Recorde-se que Natacha Candé foi distinguida na Gala do Desporto de Ponta Delgada com o título de “Atleta Feminina do Ano”, reconhecimento que sublinha o mérito do seu percurso e o seu papel enquanto referência para a juventude.

O ADN de um povo e a memória coletiva do desporto na Lagoa

Da resiliência dos operários da Fábrica do Álcool ao primeiro “jogo de canas” em 1522, um novo livro de Marcelo Borges resgata a alma do desporto lagoense, provando que o carácter de uma cidade se molda muito além dos troféus

Marcelo Borges é natural da freguesia de Nossa Senhora do Rosário, na Lagoa © CM LAGOA

Não é sobre estatísticas. Não é sobre o peso do metal das medalhas ou as datas precisas de campeonatos regionais. O projeto que nasceu de um convite para o álbum dos 500 anos do Concelho de Lagoa transformou-se em algo muito mais profundo: uma radiografia da alma de um povo. “O meu propósito era humanizar a informação”, explica o autor, Marcelo Borges, que dedicou quase dois anos a escavar memórias que o betão do tempo ameaçava enterrar.

“O meu pai, desde de cedo, levou-me para o desporto, acompanhava-me muito. Quando me fizeram o convite, disse que aceitaria ir nesse propósito, mas num propósito mais de humanizar a informação”, explica o autor.

A história do desporto na Lagoa começa com um ato de sobrevivência psicológica. Em 1522, após o terramoto devastador que arrasou Vila Franca do Campo, o capitão donatário Luís Gonçalves encontrou no “jogo de canas” — uma disputa de perícia a cavalo — a forma de demover as pessoas de abandonarem a ilha. O desporto foi, ali, a primeira ferramenta de reconstrução social.

Recorda os tempos idos em que em 1905 foi instalado um campo de cricket no jardim do Rosário, pela câmara municipal. 

Em 1917, foi criado o Eden Park. Onde antes se empilhava carvão para a Fábrica do Álcool, nasceu um espaço de lazer vanguardista com o primeiro ginásio público ao ar livre. Foi ali que as famílias se reuniam, onde as senhoras faziam renda enquanto assistiam aos primeiros jogos de futebol, e onde a dinâmica social da rua ganhou uma nova vida.

O livro “Breve História da Cultura Desportiva na Lagoa”, editado pela Câmara da Lagoa, destaca um período áureo: a era das grandes indústrias. A Fábrica do Álcool e a Fábrica do Sabão (Provimi) não eram apenas polos económicos, mas o coração pulsante do desporto. Os operários terminavam turnos exaustivos e corriam para os treinos. O autor recorreu sobretudo a testemunhos orais, a livros e à imprensa da época. 

“O que mais me agradou foi confirmar a resiliência dos lagoenses”, afirma Marcelo Borges. As histórias de bastidores são comoventes: dirigentes que transformavam as suas próprias casas em sedes de clubes e treinadores “vanguardistas” que, perante a escassez, davam “quadradinhos de marmelada” aos atletas para garantir que tinham calorias para competir. É este “ADN” de sacrifício que explica como clubes com poucos recursos conseguiram, tantas vezes, bater-se contra gigantes.

Se outrora era preciso esperar horas para conseguir um lugar nos polidesportivos de Santa Cruz ou do Rosário, hoje o silêncio nas ruas preocupa. O autor aponta para um “desligamento” das novas gerações, provocado não só pelos ecrãs, mas por uma alteração na dinâmica familiar.

“Eu não ouço as bolas a baterem na rua”, lamenta, recordando o tempo em que o sentido de pertença era tão forte que os próprios alunos tomavam a iniciativa de decorar os pavilhões escolares com azulejos. Para o autor, o desporto não é apenas exercício físico; é uma lição de cidadania e de dever sobre o direito.

Um contributo para o futuro

O livro “Breve História da Cultura Desportiva na Lagoa” destaca o período das grandes indústrias © CM LAGOA

A obra, que agora integra a coleção da Biblioteca Tomás Borba Vieira, não pretende ser um ponto final. Com atletas como Natacha Candé e Apollo Caetano a reescreverem a história no presente, o livro serve como um estandarte para que os clubes não deixem perder os seus arquivos orais, sendo a história atual um desenrolar constante de novos marcos. “O livro já está desatualizado”, diz Marcelo Borges, assumindo que é a própria história a acontecer. O autor espera que este trabalho incentive outros a escreverem sobre modalidades específicas antes que a memória dos dirigentes mais antigos se perca.

Numa altura em que a informação digital é efémera, este resgate das fontes orais e dos periódicos antigos (como “O Lagoense” de 1905) é um presente para a Lagoa de amanhã eternizando assim a história da cultura desportiva no concelho.