
Júlio Tavares Oliveira
Professor de PLNM
Licenciado em Estudos Portugueses e Ingleses
Pós-Graduado em Português Língua Não Materna
Uma década é muito tempo, são dez anos, mas uma década de serotonina pode parecer tempo a mais na vida de um jovem – na verdade, é o tempo necessário.
Nem por acaso, há uma década que operacionalizo a minha vida pessoal, e profissional, através de ajuda clínica especializada, ajuda que é principalmente para alguém que, devido a problemas de saúde diversos, permanece numa demanda – muitas vezes, bastante solitária – de mudar de vida.
Se não mudarmos de vida, a vida muda-nos. Então, toda a ajuda é bem-vinda
Quando fiz 18 anos, em 2016, devido a vicissitudes várias na vida, comecei a ser seguido clinicamente, e, mais tarde, por outro clínico, com quem estou desde 2018, devido sobretudo à prevalência de problemas ligados à ansiedade bastante desregulada, a episódios recorrentes de depressão, bastante cíclicos e incapacitantes, entre outros fatores que se devem, entre outras causas diversas, a um défice meu na produção do neurotransmissor essencial para a regulação do humor, do sono, do apetite e da digestão, e que pode ter um impacto significativo na saúde física e também mental – a Serotonina.
A falta de Serotonina, ou a sua redução, está intimamente ligado a problemas de saúde mental adjacentes, como: depressão, ansiedade, transtono obsessivo-compulsivo; transtorno de pânico; problemas no sono ou dificuldades digestivas.
Devido a essa “falta” permanente, a esse défice natural, comecei a tomar vários medicamentos, que me compensaram essa lacuna, entre outras – uns mais grandes e mais potentes do que outros, inclusive, e que tornaram, gradualmente, uma pessoa mais saudável mentalmente, mais operacionalizável, mas que, outrora sem peso a mais, ganhou um aumento abrupto de peso e excesso de problemas de saúde física, devido ao seu peso, até atingir mesmo a Obesidade (grau I).
Embora a minha saúde mental tenha melhorado imenso – e até estabilizado de forma positiva -, o que tenho é, contudo, crónico – a Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC), esta resultante por exemplo de um défice de serotonina. É algo que, na minha vida, tem sido recorrente e só tem sido efetivamente controlado, mas não definitivamente curado.
Hoje, 10 anos depois, com 28 anos, assinalo 10 anos de ajuda mental, de acompanhamento clínico especializado – de uma acompanhamento que, na verdade, acompanha tanta gente por esse país, que não se reconhece ou que se reconhece como precisando de ajuda.
Um conselho que dou a quem, como eu, tem algo crónico, para a vida, e que provavelmente precisará de alguma medicação, é este: faz por ti, cuida de ti, ajuda-te muito, quando sentires que precisas dessa ajuda tua, também.
Todavia, nem tudo é por via de medicamentos solucionável, apenas, embora ajudem. Uma coisa que a experiência, e a prática, me ensinou é que podemos regular os níveis de serotonina também fazendo exercício físico regular; atividades ao ar livre e com luz natural; controlando o stress; e comendo, por exemplo, alimentos ricos em triptofano.
Uma reflexão pessoal que deixo a todos os leitores: apenas há 1 mês, em dez anos inteiros de tratamento, é que comecei a trabalhar, realmente com vontade e afinco, na regulação da minha serotonina, não apenas por via medicamentosa, que já o faço há dez anos, mas por via também natural, ou seja, recomecei, de forma permanente, as caminhadas ou corridas ao ar livre, dois a três quilómetros por dia, bem como recomecei a comer de forma mais equilibrada e saudável.
Tudo leva o seu tempo a acontecer. E, agora, tento manter uma postura mais saudável, mais rica, menos dolorosa – também para mim, como para os outros que gostam de mim.

Para celebrar dez anos de edição impressa, o jornal Diário da Lagoa vai transmitir em direto na sua página de Facebook, no próximo dia 17 de outubro, pelas 11h00 locais, um Encontro, em jeito de tertúlia, intitulado “Dos Açores para o mundo”.
A iniciativa, além de celebrar uma década da publicação do jornal em papel, pretende homenagear a diáspora açoriana como público sempre presente e que acompanha o jornal através das plataformas online.
O Encontro conta com a participação de José Andrade, diretor regional das Comunidades do Governo dos Açores; Ígor Lopes, jornalista e escritor luso-brasileiro; Roberto Medeiros, antigo vereador da Cultura que mantém uma forte ligação junto da comunidade açoriana nos Estados Unidos da América; e será moderada por Clife Botelho, diretor do Diário da Lagoa.
A sessão terá lugar na sede da banda Filarmónica Estrela D’Alva, na freguesia de Santa Cruz, na cidade da Lagoa, entidade que apoia e se associa à iniciativa.
Durante a sessão haverá igualmente um momento musical pelo maestro e músico Luís Paulo Moniz.
“Dos Açores para o mundo”, trata-se do terceiro evento organizado pelo jornal com sede na mais jovem cidade açoriana, o primeiro vocacionado para o público online e, por isso, com direito a transmissão em direto.
É possível assistir e participar da sessão mediante inscrição para o e-mail jornal@noticiasquecontam.pt, que deverá ser feita até às 18h00, do próximo dia 15 de outubro.
O jornal Diário da Lagoa foi oficialmente fundado a 21 de fevereiro de 2014, inicialmente publicado unicamente online, mas em outubro desse mesmo ano, há dez anos, viu também a edição em papel ganhar vida.