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Nordeste assinala Dia Internacional da Mulher com duas atividades

© CM NORDESTE

O município do Nordeste assinalou o Dia Internacional da Mulher com a realização de uma caminhada pelo trilho do Forno da Cal. Apesar das condições atmosféricas não serem as melhores, cerca de metade das pessoas inicialmente inscritas compareceram à chamada.

Foram cumpridos os cerca de 4,5 quilómetros de distância do trilho em aproximadamente duas horas, tendo a caminhada contado com alguns participantes da Associação RunforVasco e do Active Club. No final, foram oferecidos um lanche e uma flor a cada participante.

A vereadora com o pelouro de Ação Social, Sara Sousa, integrou a caminhada através da qual pretendeu-se assinalar a efeméride através do exercício físico e do lazer como práticas importantes para a saúde da população em geral e dirigida em especial ao público feminino.

A Câmara Municipal do Nordeste também assinalou a data com as utentes do Cartão Municipal do Idoso distribuindo cerca de duzentas flores e uma mensagem por todas as utentes ao longo das freguesias do concelho.

Ribeira Grande promove primeira edição do “Fórum Mulheres” para assinalar o 8 de março

Iniciativa dedicada ao empreendedorismo e à valorização feminina reuniu centenas de participantes na incubadora de empresas InWave

© CM RIBEIRA GRANDE

O Dia Internacional da Mulher foi assinalado no concelho da Ribeira Grande, ilha de São Miguel, pela Câmara Municipal com a realização da primeira edição do “Fórum Mulheres (Que criam, partilham e transformam)”. O evento teve lugar no passado sábado nas instalações da InWave – Incubadora de Empresas da Ribeira Grande.

De acordo com nota de imprensa enviada às redações pela autarquia ribeiragrandense, a iniciativa foi concebida como um espaço de valorização e reconhecimento do papel feminino na sociedade, reunindo centenas de pessoas provenientes de vários pontos da ilha de São Miguel. O programa do evento pautou-se pela diversidade, integrando painéis de partilha sobre empreendedorismo no feminino, workshops dedicados à imagem pessoal e maquilhagem, um desfile de moda e diversos momentos musicais. Segundo o comunicado, o presidente da autarquia, Jaime Vieira, destacou que o evento representa um marco para o concelho ao celebrar a figura feminina em múltiplas vertentes. “Este fórum foi pensado para celebrar a mulher em todas as suas dimensões: a mulher trabalhadora, a mulher mãe, a mulher criativa e a mulher que cuida de si”, afirmou o autarca.

Durante a sua intervenção, Jaime Vieira sublinhou a importância de honrar a determinação e as conquistas femininas, reiterando o compromisso do poder local na promoção da igualdade de género. “Queremos honrar os direitos das mulheres, a sua coragem, iniciativa e determinação, bem como celebrar as suas conquistas e despertar consciências contra qualquer forma de discriminação”, reforçou o presidente, acrescentando que cabe às autarquias “criar condições para que todas as mulheres tenham oportunidades justas, sintam segurança, tenham mais respeito e mais espaço para participar nas decisões que moldam o futuro da nossa comunidade”.

Face ao interesse demonstrado pelo público e à elevada adesão registada nesta estreia, o presidente da câmara comprometeu-se a repetir a iniciativa em edições futuras. O autarca aproveitou ainda a ocasião para deixar uma mensagem de reconhecimento a todas as gerações, concluindo que “a todas as mulheres que contribuíram para a nossa história, que hoje constroem o presente e às que irão moldar o nosso futuro, deixo uma palavra de profunda gratidão e admiração”.

Lagoa homenageia profissionais do apoio domiciliário e promove saúde no Dia da Mulher

Iniciativa da autarquia reuniu mais de uma centena de participantes numa manhã que aliou o reconhecimento social à prática desportiva e ao bem-estar

© CM LAGOA

O Dia Internacional da Mulher foi assinalado na cidade da Lagoa este domingo, 8 de março, pela Câmara Municipal. De acordo com nota de imprensa enviada às redações pela autarquia lagoense, tratou-se de um programa que combinou a homenagem ao trabalho feminino com o incentivo a estilos de vida saudáveis. O evento, realizado pelo segundo ano consecutivo, contou com a participação de mais de uma centena de pessoas provenientes de todas as freguesias do concelho e de fora dele para participar numa caminhada e em aulas de atividade física.

Segundo a nota da autarquia, a manhã começou com um momento de forte carga simbólica nos Paços do Concelho: o reconhecimento público de nove colaboradoras do Centro Sócio Cultural de São Pedro. Estas profissionais, que integram o serviço de apoio domiciliário, foram destacadas pelo impacto direto e muitas vezes silencioso que o seu trabalho diário tem no conforto e na dignidade das famílias lagoenses.

Na ocasião, a vereadora com o pelouro da Ação Social e da Saúde, Graça Costa, aproveitou para sublinhar que esta data simboliza “a luta, a coragem e as conquistas das mulheres ao longo da história”, recordando todas aquelas que “desafiaram barreiras e reivindicaram direitos fundamentais como o acesso à educação, ao voto, ao trabalho digno e à igualdade de oportunidades”. A autarca destacou ainda que, além das figuras que transformaram o mundo na ciência ou na política, importa celebrar as mulheres que, de forma anónima, como mães, trabalhadoras e cuidadoras, “constroem diariamente o futuro com resiliência, sensibilidade e força”. Num agradecimento direto às nove homenageadas — Etelvina Coelho, Cidália Baganha, Diana Andrade, Cátia Matos, Graça Silva, Carolina Andrade, Adriana Tavares, Neuza Oliveira e Débora Coelho — Graça Costa afirmou, de acordo com a fonte municipal, que estas profissionais “fazem, diariamente e de forma silenciosa, a diferença na vida de tantas famílias lagoenses”.

© CM LAGOA

Após este momento de homenagem, os participantes seguiram em caminhada de Santa Cruz em direção ao polidesportivo da Atalhada, na freguesia de Nossa Senhora do Rosário. O percurso culminou num lanche-convívio que reforçou os laços de proximidade entre a comunidade, seguido de dois momentos de exercício: uma aula de atividade física orientada pela professora Fátima Peixoto e uma sessão de ioga dinamizada pela professora Carolina Dourado.

Joice Yane: A liderança feminina e a reinvenção profissional no Dia da Mulher

Em entrevista, a ex-profissional de aviação internacional explica como transformou uma transição de carreira num projeto dedicado ao autoconhecimento e à liderança consciente

Líder do ‘TheProjectJoy’, Joice Yane partilha o seu percurso de transição entre a lógica operacional e a arquitetura da consciência © AGÊNCIA INCOMPARÁVEIS

No Dia Internacional da Mulher, a trajetória de Joice Yane surge como estudo de caso sobre reinvenção profissional e reposicionamento pessoal. Depois de anos na aviação internacional, num setor marcado por exigência operacional e rigor comunicacional, decidiu interromper um percurso considerado estável para liderar o “TheProjectJoy”, iniciativa centrada no autoconhecimento e na expansão da consciência. A mudança não foi apenas de carreira. Foi, como a própria define à nossa reportagem, um reposicionamento existencial que transformou crise em estrutura e introspeção em projeto com identidade própria.

A líder do “TheProjectJoy” estará em Portugal para participar no Congresso Internacional Metamorfose da Alma, onde conduzirá, a 17 de abril, um workshop sobre arquitetura da consciência, ao lado de Cátia Simionato. No dia seguinte apresentará uma palestra dedicada às realidades paralelas e à manifestação da realidade, culminando, a 19, com a exposição dos seus quadros no hall da Torre de Águila. No momento em que o debate sobre liderança feminina ganha novos contornos, Joice Yane afirma-se como exemplo de transição estratégica entre mundos distintos, assumindo-se hoje como ponte entre lógica e intuição, ciência e mistério, numa abordagem que procura traduzir conceitos complexos em linguagem acessível e aplicável.

DL: Ao olhar para a sua trajetória, que passa da aviação internacional para a liderança do “TheProjectJoy”, de que forma o reposicionamento de carreira se tornou um exercício de afirmação pessoal e profissional enquanto mulher?
O meu reposicionamento não foi apenas profissional, foi existencial. Durante anos, tive de aprender a comunicar, a posicionar-me e a lidar com o mundo externo. Mas a verdadeira afirmação aconteceu quando tive coragem de escutar o mundo interno. Assumir a mudança de rumo significou confiar na minha própria perceção, mesmo quando ela não correspondia aos caminhos considerados “seguros”. Para uma mulher, isso é um ato de soberania. É reconhecer que o sucesso não é apenas aquilo que se vê de fora, mas aquilo que se sustenta por dentro.

DL: Num mercado que ainda valoriza percursos lineares, como foi assumir uma mudança profunda de rumo e transformar uma crise pessoal e global num projeto estruturado com identidade própria?
Foi um salto de consciência. A pandemia obrigou o mundo a parar, e a mim obrigou-me a olhar. O que parecia interrupção revelou-se alinhamento. Em vez de resistir à crise, usei-a como portal de reinvenção. O “TheProjectJoy” nasceu desse momento de silêncio e observação, como uma escola de pensamento dedicada a introduzir uma nova lógica de compreensão da realidade. O percurso pode não ter sido linear, mas foi coerente, e coerência interna vale mais do que linearidade externa. E mais tarde percebi também que a linearidade é uma ilusão criada pela mente humana, que foi designada para identificar harmonia e coerência nos padrões da natureza, mesmo sabendo que vem e vive no meio do caos.

DL: A sua história envolve silêncio, introspecção e reconstrução interna. Que competências desenvolvidas nesse processo considera hoje decisivas para a afirmação feminina em contextos de pressão, exposição e tomada de decisão?
Clareza interna, autoconsciência e estabilidade emocional. Quando uma mulher desenvolve essas três competências, ela deixa de reagir ao mundo e passa a responder a partir de si. A pressão externa perde força quando a referência interna é sólida. A introspeção ensinou-me que a verdadeira autoridade não nasce da validação, nasce do alinhamento.

DL: A experiência na aviação foi um ponto de viragem na sua comunicação e posicionamento. Que aprendizagens desse período continuam a influenciar a forma como lidera e comunica hoje?
A aviação foi um ponto de viragem na minha comunicação e no meu posicionamento. Esse período ensinou-me presença, precisão, inteligência emocional e responsabilidade. Num avião, comunicar não é apenas falar; é observar, sentir o ambiente e agir com consciência. Servir não é simplesmente entregar uma refeição, mas saber ler o que cada passageiro precisa, mesmo quando ele próprio ainda não percebeu. Trabalhar em equipa não é apenas saber delegar, é cuidar de cada membro como se fosse a pessoa que poderia salvar a sua vida, porque, de facto, pode ser necessário. Levo esses princípios para tudo o que faço hoje. Liderar um projeto exige exatamente as mesmas competências: capacidade de leitura humana, clareza na mensagem, responsabilidade na informação transmitida e serenidade diante de contextos imprevisíveis.

DL: O “TheProjectJoy” nasceu de uma lógica não convencional. Como é gerir um projeto liderado por uma mulher num campo que ainda enfrenta resistência institucional e preconceito simbólico?
Gerir um projeto inovador implica aceitar que resistência faz parte do processo. Sempre que surge uma ideia nova, ela primeiro é questionada, depois testada e só depois compreendida. Ser mulher nesse contexto acrescenta responsabilidade, porque a presença feminina em espaços de pensamento ainda em expansão representa abertura de caminho para outras. Não vejo a resistência como obstáculo, mas como indicador de fronteira. E fronteiras são exatamente os lugares onde nascem novas visões.

DL: Em 2025, falar de carreira feminina implica também falar de coragem para parar e redefinir prioridades. Que mensagem considera essencial para mulheres que sentem sucesso externo, mas desalinhamento interno?
Se existe desalinhamento interno, o sucesso externo não é sustentável. A mensagem é simples: parar não é falhar, é recalibrar. A pausa consciente é um ato de inteligência, não de fraqueza. Toda mulher que tem coragem de se escutar dá início a um processo de transformação que nenhuma validação externa consegue substituir.

DL: Num Dia Internacional da Mulher marcado por debates sobre liderança e propósito, que responsabilidade sente enquanto mulher empreendedora ao influenciar outras trajetórias femininas?
Sinto a responsabilidade de mostrar que autenticidade é estratégia, não risco. Quando uma mulher se permite existir sem se moldar ao que esperam dela, ela autoriza outras a fazer o mesmo. Influenciar, para mim, não é criar seguidoras. É despertar líderes.

DL: Explique o projeto que lidera hoje…
O “TheProjectJoy” é uma escola do pensamento dedicada à introdução de uma nova lógica de compreensão da realidade, funcionando como uma ponte entre ciência, consciência e percepção. O projeto parte da premissa de que aquilo que muitas vezes é rotulado como irracional pode, na verdade, ser observado, analisado e até quantificado, o que abre um novo campo de exploração em todos os níveis da experiência humana. Atualmente, o foco está cada vez mais direcionado ao ensino e à mentoria, formando pessoas para expandirem a forma como interpretam a realidade, a si mesmas e o universo.

DL: Quais as suas expetativas em relação à sua participação no Congresso Internacional Metamorfose da Alma? O que o público pode esperar?
Será uma participação multidimensional, alinhada com a essência do meu trabalho. No dia 17 de abril conduzirei um workshop, juntamente com Cátia Simionato, dedicado à arquitetura da consciência. No dia 18 apresentarei uma palestra sobre realidades paralelas e manifestação da realidade. E no dia 19 estarão expostos os meus quadros de pintura canalizada no hall da Torre de Águila. O público pode esperar profundidade, clareza e expansão de perceção.

“Não tive apoio do meu ex-namorado que chegou a chamar-me de avariada porque tinha o peito retalhado”

Helena Sousa, 44 anos, é um entre muitos exemplos de mulher que sobreviveu praticamente sozinha às amarguras da vida. De reanimada aquando do nascimento da filha à superação de um cancro da mama, a segurança privada de profissão curou-se “praticamente sozinha”

Helena Sousa diz que só quer paz, viver para si e reconhecer-se como mulher © ACÁCIO MATEUS

Dia 8 de março. Dia Internacional da Mulher. Mais do que uma data para homenagear as mulheres que viram o seu papel na sociedade desvalorizado, este é um momento para valorizar quem, por sua conta e risco, enfrentou a morte depois de receber um diagnóstico de cancro, mas recusou desistir e continua presente para contar a sua história de vida.

Helena Sousa, 44 anos, natural da freguesia do Pico da Pedra, é um exemplo de mulher que ofereceu o peito às balas e recusou desistir perante um diagnóstico que abala qualquer pessoa. A irmã mais nova de quatro filhas não teve uma adolescência/início de vida adulta fácil, pois só concluiu o 9.º ano antes de emigrar para o Canadá, país onde conheceu o ex-namorado.

Poucos meses depois da experiência em solo canadiano, regressou a São Miguel, tendo engravidado para o filho mais velho. Mais tarde foi mãe pela segunda vez, de uma menina. Com pouco mais de vinte anos de idade já tinha dois filhos à sua responsabilidade e um futuro ex-namorado pouco solidário, entregue ao álcool e à droga.

A história de vida de Helena Sousa é contada na primeira pessoa. “Cresci na infância com mais três irmãs, todas mais velhas. Atualmente vivo em Ponta Delgada. Estudei no Pico da Pedra e depois fiz o Liceu até ao 9.º ano. Emigrei para o Canadá onde conheci o meu ex-marido, pai dos meus filhos. Não correu muito bem. Voltei a São Miguel para morar em casa da minha mãe, grávida do meu filho mais velho. Ele veio comigo, moramos ambos em casa da minha mãe. Ainda tivemos uma filha, atualmente com dezasseis anos. Depois comprei uma casa na Lagoa”, resumiu.

Do sonho ao pesadelo

O sonho de uma vida a dois estava prestes a esfumar-se. “A crise entre 2012/2013 colocou-me no desemprego e fomos todos para casa. O meu ex-namorado também perdeu o emprego porque era segurança e com os problemas de alcoolismo que ele começava a evidenciar não ajudou. Tivemos de entregar a casa ao banco, mas ainda ficou uma dívida para pagar. Divorciamo-nos… Voltei para casa da minha mãe. Quando consegui uma casa mais barata mudei-me para Ponta Delgada e dei uma segunda oportunidade ao meu ex-namorado. Mas ele já estava nos vícios e depois andou na droga, alcoolismo e tudo se complicou”, recordou.

O pior veio depois. “Em 2024 decidi tirar o curso de segurança. Nessa altura já evidenciava alguns sintomas como o peito inchado. Antes do incêndio no Divino Espírito Santo tive febres muito altas e fui ao hospital. Parecia que ia morrer. A minha médica estava de serviço e mandou-me fazer antibiótico. Levou um bocado de tempo a passar, mas a massa dura persistia. Voltei uns tempos depois e voltei ao antibiótico. Ela pediu uma mamografia de urgência, mas com o incêndio tudo se complicou e, em junho, apareceu nova infeção. Acabei por pagar tudo do meu bolso na CUF e foi lá que foi detetada uma pequena suspeita. Fiz uma biopsia”.

A consulta agendada para 20 de agosto foi antecipada duas semanas. “Chamaram-me para o dia 4 de agosto e, nessa altura, percebi qual seria o resultado. A médica informou-me que era um tumor maligno, mas que era localizado, pelo que iria apenas fazer cirurgia e radioterapia. Mas, nessa altura, já estava a trabalhar e voltou tudo para trás. Tive de colocar baixa médica e fiquei sem receber qualquer apoio porque não tinha seis meses de trabalho para ter direito a apoio da Segurança Social. Foi muito complicado…”, assumiu.

Helena Sousa foi operada pela primeira vez a 5 de setembro de 2024. “Correu tudo bem”, disse. Dois dias depois teve alta, mas dois meses volvidos a médica “disse-me que tinha dois tipos de cancro: um intradutal e outro invasivo, sendo que o invasivo é mais complicado porque espalha-se para outros órgãos através das células”. Solução? “Tive de ser novamente operada para limpar o cancro invasivo e tive de fazer quimioterapia. Nessa altura não aguentei o choro porque o meu cabelo era comprido e sabia que iria cair. Para a imagem da mulher é algo difícil. Quando fui operada ao peito e olhei-me ao espelho e vi que me falta um mamilo também não é fácil”.

Com um tumor com cerca de 7,5 centímetros, Helena Sousa não tinha muitas opções. “No espaço de um mês fui operada por duas vezes. Correu tudo bem, mas depois fui encaminhada para a oncologia para a quimioterapia. Foram dezasseis sessões durante cinco meses. Mexeu comigo. Só queria deitar-me. O cansaço extremo quase não dava para subir as escadas de casa”, recordou.

Depois da quimioterapia veio a radioterapia e uma injeção hormonal de três em três meses para reduzir as células malignas. “Esta medicação é para reduzir o estrogénio para que o cancro não volte”, acrescentou.

Sou uma grande mulher”

Depois de dois anos a lutar pela vida, Helena Sousa voltou ao trabalho, como segurança, mas como uma mulher diferente. “A vida ensinou-me a pensar mais em mim. Sempre dei muito de mim aos outros, sempre lutei pelos meus filhos porque o pai ou está internado numa clínica ou está na rua. Quando os meus sogros faleceram ele recebeu a herança, mas não deu nada aos filhos. Os meus filhos só têm a mim e à minha mãe que também lida com cancro de pâncreas”.

“Sinto-me uma mulher diferente, mais madura. Conseguir colocar um travão numa relação tóxica, narcisista, durante a qual fui maltratada. Curei-me praticamente sozinha. Não tive apoio do meu ex-namorado que chegou a chamar-me de avariada porque tinha o peito retalhado. Depois de tudo o que já passei – inclusivamente duas reanimações quando a minha filha nasceu porque apanhei uma bactéria no hospital – só quero é paz, viver para mim e reconhecer-me como mulher. Sei que sou uma grande mulher!”

Mónica Seidi assinala Dia da Mulher com foco na redução das desigualdades salariais na região

Governante apela ao reforço das políticas públicas e da sensibilização para garantir uma sociedade açoriana livre de discriminação e mais equitativa

Momento reuniu mais de uma centena de trabalhadoras da tutela para assinalar Dia da Mulher © SRSSS

A secretária regional da Saúde e Segurança Social, Mónica Seidi, assinalou o Dia Internacional da Mulher através de uma iniciativa simbólica no Solar dos Remédios, em Angra do Heroísmo, no passado dia 6 de março. O momento reuniu mais de uma centena de trabalhadoras da tutela numa fotografia conjunta que, segundo nota enviada pela Secretaria Regional da Saúde e Segurança Social, visou reconhecer o contributo diário das mulheres para o desenvolvimento dos Açores e renovar o compromisso do Governo regional com a promoção da igualdade, tanto no mercado de trabalho como na sociedade em geral.

Durante a iniciativa, a governante destacou que a data constitui uma oportunidade para valorizar o papel feminino no crescimento social, económico e institucional do arquipélago açoriano, reforçando a importância de políticas que garantam uma igualdade efetiva de oportunidades. De acordo com os dados partilhados pela Secretaria Regional da Saúde e Segurança Social, baseados no Barómetro das Diferenças Remuneratórias, os Açores registam atualmente um gender pay gap de 11,3% na remuneração base e de 13,3% no ganho médio. Estes indicadores, referentes a 2023 e publicados este ano, revelam-se inferiores à média nacional (12,5% e 15,4%, respetivamente).

No que diz respeito à presença feminina em funções de liderança, a secretaria regional da Saúde e Segurança Social detalha que as mulheres representam já 53% dos cargos de direção intermédia na Administração Pública Regional, ao passo que nos cargos de dirigente superior de 1.º grau a representação fixa-se nos 43,7%. No entanto, e apesar dos progressos estatísticos, Mónica Seidi reconhece que ainda persistem desafios estruturais. “Apesar dos progressos registados, continua a ser necessário reforçar a sensibilização, a monitorização e as políticas públicas que promovam uma igualdade efetiva entre mulheres e homens”, afirmou a secretária regional, citada no comunicado da sua tutela.

A responsável concluiu a sua intervenção reforçando a vertente política e social da data, sublinhando que “assinalar o Dia Internacional da Mulher é também reafirmar o compromisso do Governo dos Açores com uma sociedade mais justa, equitativa e livre de discriminação”.

A agricultura também tem rosto de mulher

Patrícia Miranda
Deputada pelo PS na ALRAA

Celebramos o Dia Internacional da Mulher.
Este ano com um significado ainda mais especial: 2026 foi declarado, pela ONU, como o Ano Internacional da Mulher Agricultora.

É uma oportunidade importante para reconhecer algo que sempre esteve presente, mas que muitas vezes passou despercebido.

A agricultura sempre teve mãos de mulher. Hoje começa, finalmente, a ter voz.

Talvez por isso seja tão importante dizê-lo de forma simples, mas clara: a agricultura também tem rosto de mulher.

Tem o rosto das mulheres que acordam cedo para ajudar na ordenha, que tratam dos animais, que cuidam das culturas, que plantam vinhas e colhem as uvas, que acompanham as contas da exploração e que equilibram o trabalho no campo com a vida familiar. Mulheres que, muitas vezes sem grande visibilidade, foram sempre uma parte essencial da vida agrícola.

Nos Açores, essa realidade é particularmente evidente. Em muitas explorações, as mulheres estão presentes nas decisões, nas tarefas diárias e também nos momentos difíceis que o setor enfrenta. São parte da força silenciosa que sustenta muitas famílias e muitas comunidades rurais.

Durante muito tempo, o papel das mulheres na agricultura foi visto como um complemento. Hoje sabemos que não é assim. As mulheres são cada vez mais agricultoras, gestoras, técnicas, empreendedoras e líderes no setor.

Mas, acima de tudo, são pessoas profundamente ligadas à terra e ao que ela representa.

A agricultura ensina-nos muitas coisas: a paciência, a persistência e o respeito pelos ciclos da natureza. Quem vive da terra sabe que nada se constrói de um dia para o outro e que o futuro depende das decisões que tomamos hoje.

Talvez por isso muitas mulheres tragam também para a agricultura uma forma particular de olhar para o trabalho agrícola: com sentido de cuidado, de responsabilidade e de continuidade.

Mulheres que não pedem privilégios, pedem apenas reconhecimento, condições e oportunidades.

Mas falar das mulheres na agricultura não é apenas reconhecer o passado. É, sobretudo, pensar o futuro.

Quando falamos do futuro da agricultura, falamos da necessidade de atrair jovens para o setor. E isso é verdade. Mas esse futuro também passa por criar condições para que mais mulheres possam escolher a agricultura como projeto de vida.

Isso significa reconhecer o valor do seu trabalho, garantir melhores condições para quem produz e dar espaço para que as mulheres possam também participar nas decisões sobre o futuro do setor.

No fundo, trata-se de algo simples: valorizar quem trabalha a terra. Sem isso, falar de rejuvenescimento do setor é apenas retórica.

Eu própria cresci ligada à agricultura e sei bem o que ela representa para muitas famílias.
Foi na agricultura que aprendi o significado da persistência, da responsabilidade e da ligação profunda entre trabalho e vida.

Sei também que por trás de muitas explorações agrícolas existe sempre uma mulher que ajuda a manter tudo de pé, muitas vezes com discrição, mas com uma força enorme.

A política ensinou-me outra coisa: que liderar é também abrir caminhos para os outros.

E é por isso que acredito que o futuro da agricultura deve ser construído com mais mulheres a decidir, a inovar, a produzir e a liderar.

Porque quando uma mulher ocupa o seu lugar, não transforma apenas a sua própria vida.

Transforma também a comunidade que a rodeia.

Por isso, neste Dia Internacional da Mulher, e neste Ano Internacional da Mulher Agricultora, vale a pena lembrar algo que sempre esteve diante de nós:

A agricultura não se faz apenas com máquinas, terras ou números.

Faz-se sobretudo com pessoas. E muitas dessas pessoas são mulheres.

Mulheres que trabalham, que cuidam, que resistem e que continuam, todos os dias, a ajudar a construir o futuro da nossa agricultura.

Talvez por isso seja tão importante dizê-lo de forma simples, mas clara: a agricultura também tem rosto de mulher.

Tem o rosto das nossas avós, das nossas mães, das nossas filhas, das agricultoras que hoje continuam a escolher a terra como caminho.

E reconhecer esse rosto é também reconhecer uma verdade essencial: valorizar as mulheres agricultoras não é apenas fazer justiça. É investir no futuro da agricultura e no futuro da nossa sociedade.

Bombeiros de Vila Franca do Campo assinalam 38.º aniversário

Programa comemorativo inclui a bênção de uma nova viatura, a assinatura de um protocolo institucional e uma homenagem ao Dia Internacional da Mulher

© CM VILA FRANCA DO CAMPO

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vila Franca do Campo celebra, no próximo domingo, dia 8 de março, o seu 38.∘ aniversário. A data será assinalada com um conjunto de iniciativas, organizadas em parceria com a Câmara Municipal, que visam prestar homenagem ao trabalho e dedicação dos soldados da paz ao serviço da comunidade.

O programa tem início agendado para as 9h30, com a celebração de uma Missa Solene na igreja de São Pedro, presidida pelo padre André Resendes. Segue-se, pelas 10h30, um momento de reconhecimento e respeito no cemitério, em memória de todos aqueles que fizeram parte da história da corporação e que já partiram.

As cerimónias prosseguem às 11h00 no quartel dos Bombeiros Voluntários, onde decorrerá uma sessão solene. O ato contará com a presença da presidente da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, Graça Ventura Melo, sendo recebida com a habitual formatura de receção.

Um dos momentos centrais da manhã será a assinatura de um protocolo entre a autarquia e a Associação Humanitária. Além das intervenções institucionais dos presidentes de ambas as entidades, o evento ficará marcado pela bênção de uma nova viatura e a respetiva entrega oficial aos bombeiros.

Aproveitando a coincidência de datas, a Câmara Municipal promoverá ainda uma homenagem relativa ao Dia Internacional da Mulher durante a cerimónia. As celebrações terminam com um momento de convívio e o tradicional corte do bolo de aniversário.

Segundo a autarquia vilafranquense, esta iniciativa pretende reconhecer publicamente o espírito de missão, coragem e dedicação dos homens e mulheres que diariamente protegem a população.

Lagoa assinala Dia Internacional da Mulher com homenagem e caminhada no próximo domingo

© CM LAGOA

O Dia Internacional da Mulher será assinalado na cidade da Lagoa, na ilha de São Miguel, no próximo domingo, 8 de março, com uma homenagem a colaboradoras locais, seguida de uma caminhada e aulas de atividade física, anunciou a Câmara da Lagoa.

De acordo com nota de imprensa enviada pela autarquia lagoense às redações, a iniciativa visa valorizar o papel da mulher na comunidade e incentivar hábitos de vida saudáveis. O programa começa com uma sessão dedicada ao reconhecimento profissional e social de nove mulheres que trabalham no Centro Sócio Cultural de São Pedro, integradas no serviço de apoio domiciliário. Esta homenagem destaca o trabalho discreto mas impactante que estas mulheres realizam diariamente, promovendo conforto, dignidade e qualidade de vida a muitas famílias do concelho.

Após esta cerimónia simbólica, será entregue uma t-shirt comemorativa a cada participante. A caminhada tem início às 9h00, com partida dos Paços do Concelho, na freguesia de Santa Cruz, até ao polidesportivo da Atalhada, na freguesia de Nossa Senhora do Rosário.

No destino final, será realizado um lanche-convívio para fomentar o espírito de partilha e proximidade entre os participantes. Seguir-se-ão duas aulas abertas: uma de atividade física, orientada pela professora Fátima Peixoto, e outra de ioga, dinamizada pela professora Carolina Dourado, proporcionando momentos de energia, equilíbrio e bem-estar.

A autarquia refere ainda que, com esta iniciativa, pretende não só assinalar simbolicamente o Dia Internacional da Mulher, mas também “promover a igualdade, reconhecendo o contributo feminino na construção da comunidade e incentivando a participação ativa da população”.

A participação na atividade é gratuita, sendo recomendada a inscrição prévia através do QR Code disponibilizado nas redes sociais e no portal da Câmara Municipal da Lagoa.