
Maria Chaves Martins
Lembro-me de o meu Professor de História dizer: a história é cíclica.
Qualquer aluno de História que tenha tido um Professor João Baptista, não ignora os alarmes sociais que ecoam, online e offline, quando são detetados comportamentos idênticos aos que estiveram na origem de grandes convulsões sociais e conflitos armados.
Poucos dias depois da tomada de posse do líder de um país que outrora era visto como a bússola da democracia, e no dia em que se comemoraram os 80 anos da libertação de Auschwitz, vários agentes federais foram de casa em casa deter imigrantes, como uma “caçada”, indissociável da “Noite de Cristal” – o estopim da Segunda Guerra Mundial.
A história é cíclica, mas não exata. Há comportamentos que se repetem, mas de forma hodierna.
Há cem anos a Europa combatia, através da força bélica, o racismo, a xenofobia, o antissemitismo, entre outros comportamentos que desejavam a subjugação das minorias aos pés de um ideal imperialista nacionalista. Foi assim e é assim…
Ressurgem ideologias que sentenciámos como defuntas: movimentos antidemocráticos, portadores de mensagens xenófobas e racistas – ainda que encapotadas, que perseguem, sobretudo, minorias.
Por isso, é importante trazer à memória o Holocausto enquanto produto do ódio racial, religioso, político, gerado pela nacionalidade, etnia, orientação sexual, género ou deficiência.
É urgente recordar a história para evitar que se dê o passo em frente em direção ao abismo social. É premente reeducar para as causas do nazismo e de ideologias misóginas, racistas e xenófobas.
A educação é o caminho para a prevenção.
Urge combater a desinformação e a falsa informação, insistir na aprendizagem democrática da tolerância e respeito pelos direitos humanos. Este é o caminho a trilhar para que o ódio, preconceito e medo não ganhem lugar, adoecendo a democracia.
Não devemos branquear a urgência do combate aos discursos de ódio.
Há que fechar a porta à desumanização, esculpida nos discursos de ódio, que não podem ser vistos como uma mera opinião, camuflados no argumento do direito à liberdade de expressão, sob pena de assistirmos a uma radicalização dos direitos.
Linguagem violenta, mensagens xenófobas, dissimuladas e assentes em estratégias retóricas como a ironia e metáforas, podem configurar a prática do crime de discriminação e incitamento ao ódio e à violência – artigo 240.º do Código Penal.
Apesar de mascarados, os discursos de ódio perpetuam estereótipos, apelam à ação contra minorias ou vulneráveis, sobretudo as sujeitas aos apoios sociais e imigrantes.
Negação do ódio, desumanização, ameaça realista e ameaça simbólica (à segurança, recursos, valores, etc), ou figuras de estilo, são técnicas dos discursos de ódio.
O discurso conspiratório em que há um salvador da pátria que reforça a radicalização e a polarização social, é um sinal.
Há que produzir contra narrativas com informação factual, sobretudo junto da maioria silenciosa com uma gigantesca capacidade e poder de mudança.