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Campanha de solidariedade quer imortalizar o papel das mulheres nas tradições de São Jorge

Projeto “A Costela de Lilith” lançou um apelo público para transformar a curta-metragem “Domingo a Domingo” num documentário de longa duração sobre as guardiãs do Espírito Santo

© PAULO FAGUNDES

A associação cultural 9’Circos, sediada em São Miguel, deu início a uma campanha de angariação de fundos para expandir a investigação artística e social sobre a identidade feminina na ilha de São Jorge.

O projeto, que já conta com o apoio do programa internacional Iberescena, foca-se nas figuras que asseguram a continuidade da maior tradição açoriana, mas que raramente ocupam o centro das atenções. Segundo a organização, o objetivo central desta nova etapa é claro: “Queremos dar visibilidade e voz a estas mulheres, elevando o seu trabalho dos bastidores para o grande ecrã e para o palco”.

O documentário original de Liliana Janeiro revelou as mãos que amassam e as vozes que rezam, e a nova fase do projeto pretende agora envolver comunidades desde a Cooperativa de Lacticínios até à Fábrica de Conservas Santa Catarina. Apesar do protocolo com a Câmara Municipal da Calheta, a produção necessita de recursos adicionais para concretizar a longa-metragem e uma peça de teatro comunitária.

A campanha decorre na plataforma PPL com uma meta de três mil euros, funcionando sob o sistema de “tudo ou nada”. A associação sublinha a importância da participação cívica nesta missão de salvaguarda do património, convidando todos os açorianos a serem “co-produtores desta obra que honra o passado e projecta o futuro da alma jorgense”.

As contribuições para esta missão podem ser efetuadas a partir de cinco euros através do endereço eletrónico oficial da campanha.

Alunos americanos fazem documentário sobre a Viola da Terra

Documentário vai ser exibido em Nova Iorque, nos Estados Unidos, havendo captação de material em São Miguel e Terceira.
© DIREITOS RESERVADOS

Cerca de duas dezenas de alunos e dois professores da Pace University de Nova Iorque, Estados Unidos, encontram-se nos Açores para a realização de um documentário sobre a Viola da Terra.

Este projecto inserido nos “Pace Docs”, desloca-se a um país, anualmente, numa visita de estudo prática para desenvolvimento de um documentário acerca de determinado local, produto ou herança cultural. Sob a orientação dos professores, são os alunos que têm a tarefa de montar o material técnico, recolher as imagens, o áudio, preparar os conteúdos das entrevistas e, no regresso a casa, proceder à pós-produção de finalização do documentário.

Em 2025 a escolha para o “Pace Docs”, intitulado “Harmony of the Azores” foi a Viola da Terra, com um trabalho de campo de decorre em São Miguel e Terceira, de 16 a 20 de Março. O documentário tem a noite de estreia, em Maio, num Anfiteatro em Nova Iorque para o público em geral.

Os alunos já visitaram o Museu Municipal de Vila Franca do Campo e a sua exposição de Violas e “A Arte do Violeiro”, a oficina do Luthier Hugo Raposo e a Exposição “Viola da Saudade”, no Museu da Ribeira Grande, dedicada a Miguel de Braga Pimentel.

Tiveram, ainda, a possibilidade de concretizar uma entrevista com o músico e professor açoriano Rafael Carvalho, no salão nobre da Junta de Freguesia da Fajã de Baixo, que explicou o contexto e caraterísticas da viola bem como o seu percurso pessoal, terminando com um pequeno momento musical. Assistiram a uma aula de uma das turmas da Escola de Violas da Fajã de Baixo, registando momento musical com os alunos mais velhos da escola e colocando algumas questões sobre a sua iniciação no instrumento, e estiveram com tocadores e cantadores do rancho folclórico Santa Cecília para um serão musical.

Na ilha Terceira irão ter contacto com a viola de 15 cordas e continuarão a desenvolver entrevistas com diversos tocadores de Viola da Terra e, ainda, professor e alunos do curso de Viola da Escola Tomás de Borba (antigo Conservatório de Angra). Está agendada uma receção ao grupo pelo presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo na tarde do dia de chegada à ilha.