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Consulta do Viajante: um passo importante para uma viagem mais tranquila

Laura Sá
Especialista em Doenças Infecciosas
e responsável pela Consulta do Viajante no Hospital CUF Açores

Viajar tornou-se mais acessível e comum do que nunca. Contudo, no meio da correria para reservar voos e planear o itinerário, algumas pessoas esquecem-se da importância da marcação de uma consulta do viajante, um procedimento importante sobretudo quando se viaja para destinos exóticos ou com condições sanitárias diferentes das do país de origem.

E porque é que é tão complexo navegar o mar de informação disponível sobre saúde em viagem? Porque não existe um tamanho que sirva a todos. Isto é, se existem recomendações básicas que podem ser generalizadas tais como, o que fazer para mitigar o jet lag, para prevenir a picada de mosquitos ou que precauções ter com a água e com os alimentos, existem recomendações e prescrições que têm de ser individualizadas.

Assim, uma das grandes vantagens da consulta do viajante é o acesso a um aconselhamento personalizado. Para tal, o médico faz uma avaliação do risco tendo em conta o destino, o itinerário, a duração da viagem, as condições particulares do viajante, as atividades planeadas, o tipo de viagem e o tipo de alojamento. Feito este levantamento, o médico é capaz de oferecer recomendações e prescrições à medida.

Por exemplo, uma viagem para um país tropical poderá implicar aconselhamento sobre a prevenção da Malária, uma doença potencialmente fatal, sendo que, nalguns casos pode ser indicada uma medicação, enquanto noutros casos as medidas gerais de prevenção da picada de mosquito serão suficientes, já que a intensidade de transmissão da Malária poderá não ser uniforme em determinado território. São muitas as medicações que podem ser usadas na prevenção da Malária e, para decidir que medicamento usar, o médico terá em conta todos os fatores acima, além do custo da medicação.

Mesmo quando não são necessárias vacinas ou medicação para prevenir a Malária, pode ser indicado fazer uma avaliação de risco no âmbito da consulta do viajante para pessoas com condições especiais, tais como idosos, imunodeprimidos, grávidas, crianças ou quem viaja para destinos de grande altitude.Na consulta do viajante é feito também um levantamento sobre as vacinas já realizadas – tanto as de rotina, como aquelas habitualmente prescritas no âmbito das viagens. Como tal, é muito importante trazer o boletim de vacinas para a consulta, caso contrário só será possível especular sobre o seu estado de atualização e sobre a necessidade de reforços.

Quanto às vacinas habitualmente prescritas no âmbito das viagens, é importante distinguir o que é um requisito de o que é uma recomendação. Podemos dar o exemplo de Angola, onde é requisito ter feito a vacina da Febre Amarela para entrar no país. No entanto, crianças com menos de nove meses e pessoas com mais de 65 anos, ou pessoas num estado de imunodepressão, apresentam contraindicações importantes para esta vacina. Já para países como o Brasil, a vacina da Febre Amarela não é obrigatória, mas poderá ser fortemente recomendada.

Num mundo digital, saturado de informações de origem incerta, a consulta do viajante oferece orientações com rigor que maximizarão a segurança e o prazer de viajar.