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NONAGON reforça aposta na inovação e duplica espaço de coworking em São Miguel

O Parque de Ciência e Tecnologia de São Miguel expandiu a capacidade de acolhimento para dar resposta à procura de novos empreendedores e ao crescimento da comunidade instalada, que já integra 66 empresas com ligação a mercados internacionais

© NONAGON

O NONAGON – Parque de Ciência e Tecnologia de São Miguel, localizado na cidade da Lagoa, ilha de São Miguel, ampliou a sua oferta de coworking com a abertura de uma segunda área dedicada a este regime de trabalho. A expansão surge no seguimento do crescimento sustentado do ecossistema do Parque, que reúne atualmente 66 empresas, entre startups locais, negócios orientados para a exportação e investidores estrangeiros. As informações foram avançadas pela própria instituição através de nota de imprensa.

De acordo com a administração do Parque, a primeira zona de trabalho partilhado serviu de rampa de lançamento para vários projetos que, após uma fase inicial de incubação, expandiram a sua atividade para escritórios próprios na mesma infraestrutura. A subida da procura motivou assim o reforço da capacidade de acolhimento na Região Autónoma dos Açores.

Para Luís de Almeida, presidente do Conselho de Administração do NONAGON, esta aposta traduz o posicionamento estratégico do Parque no arquipélago. “O crescimento do coworking reflete aquilo que queremos construir no NONAGON: um espaço onde as empresas encontram não só infraestrutura, mas também comunidade, conhecimento e talento, que lhes permitam desenvolver atividade a partir dos Açores com ambição internacional”, sublinha.

Entre os casos de consolidação no ecossistema está a valantic, tecnológica dedicada à transformação digital que se instalou em São Miguel em 2018 para operacionalizar a expansão para o mercado norte-americano. A equipa local cresceu de quatro para 25 colaboradores, com forte ligação à academia açoriana. Mónica Furtado, da equipa de Educação da valantic, nota que a localização permite trabalhar para mercados como os Estados Unidos, Europa e Ásia-Pacífico a partir da ilha: “Estar no NONAGON, próximo da Universidade dos Açores e de outras empresas, facilita o contacto com talento qualificado e permite criar oportunidades para que estes profissionais trabalhem em projetos internacionais sem sair dos Açores”.

Já no âmbito da captação de novos serviços, a sociedade de advogados SIGMA é uma das entradas recentes no espaço de coworking, motivada pelo acompanhamento a setores emergentes como a inteligência artificial e a cibersegurança. Carla Naia, managing partner da firma, afasta a visão insular tradicional: “Vemos os Açores de forma diferente da ideia tradicional de região periférica. Para uma sociedade que trabalha com clientes e parceiros em diferentes mercados, a localização no Atlântico cria uma oportunidade de ligação entre geografias e foi também essa visão que esteve na nossa decisão de estar no NONAGON”.

Esta ampliação acompanha o percurso de internacionalização da infraestrutura, que envolveu a presença de startups do Parque no Web Summit, parcerias globais e a operação da incubadora Go-On, vocacionada para o acolhimento de empreendedores estrangeiros ao abrigo do programa StartUP Visa.

Bolieiro destaca papel da cultura na projeção dos Açores

Presidente do Governo regional participou no Encontro Fora da Caixa, em Ponta Delgada, dedicado à Capital Portuguesa da Cultura 2026

© MIGUEL MACHADO

O presidente do Governo regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, destacou o papel da cultura na afirmação da identidade, na criação de valor e na projeção externa da região. No Encontro Fora da Caixa, realizado no Grand Hotel Açores Atlântico, em Ponta Delgada, e subordinado ao tema “Capital Portuguesa da Cultura 2026 | Quando a Cultura Gera Valor”, o governante considerou que a distinção constitui uma oportunidade para reforçar a notoriedade dos Açores nos planos nacional, europeu e internacional.

A sessão foi moderada pela jornalista Magali Pinto e contou com a participação de Kátia Guerreiro, Comissária da Ponta Delgada- Capital Portuguesa da Cultura 2026. Durante a intervenção, Bolieiro recordou que a Capital Portuguesa da Cultura resulta do processo de candidatura a Capital Europeia da Cultura, partindo de uma ambição de projeção nacional, europeia e internacional.

O presidente saudou ainda a criação da iniciativa, pelo Governo da República, manifestando o desejo de que esta tenha continuidade. Para o governante, a iniciativa representa uma vantagem para o país e permite valorizar a qualidade e a diversidade cultural portuguesa.

José Manuel Bolieiro defendeu também que os Açores podem tirar partido da sua posição geográfica, geopolítica e geoestratégica para se afirmarem como espaço de conhecimento, inovação e experimentação, considerando que a região pode ser “um laboratório do futuro”.

O presidente salientou, por outro lado, a capacidade do investimento na cultura para gerar valor económico, através da atração de visitantes e do reforço da identidade e do reconhecimento externo da região.

Sublinhou ainda que a valorização da história e da identidade açorianas deve acompanhar a aposta no conhecimento, na tecnologia e nas capacidades humanas, contribuindo para uma região mais aberta e reconhecida internacionalmente.

CESA aprova por unanimidade parecer à Conta da Região de 2025 e alerta para agravamento do défice e da dívida

Apreciação do Conselho Económico e Social dos Açores reconhece a evolução positiva da economia regional, mas manifesta preocupação com o aumento do défice orçamental para 305,5 milhões de euros e da dívida pública para 3,7 mil milhões

© CESA

O Plenário do Conselho Económico e Social dos Açores (CESA) aprovou esta quarta-feira, 30 de outubro, por unanimidade, em reunião extraordinária, a pronúncia sobre a Conta da Região Autónoma dos Açores de 2025 e o Relatório de Execução do Plano do mesmo ano. A informação foi divulgada pelo próprio CESA através de um comunicado de imprensa emitido a partir de Ponta Delgada.

Na apreciação realizada, o órgão consultivo assinala que a economia açoriana registou uma evolução globalmente positiva ao longo de 2025, o que se traduziu na melhoria de vários indicadores económicos e sociais na Região Autónoma dos Açores. No entanto, o organismo contrapõe com alertas sobre a situação das finanças públicas regionais, sublinhando o agravamento do défice orçamental, que atingiu os 305,5 milhões de euros, e o aumento do endividamento da Administração Pública Regional, fixado em 3,7 mil milhões de euros.

A nota do CESA aponta igualmente matérias de preocupação respeitantes ao mercado de trabalho e ao tecido social arquipelágico, nomeadamente o desemprego jovem, as desigualdades salariais e as assimetrias no nível de qualificações. O documento foca ainda a evolução da despesa corrente e a situação financeira registada no Serviço Regional de Saúde e em entidades do Setor Público Empresarial Regional.

Perante o diagnóstico traçado, o Conselho dirigiu um conjunto de recomendações ao Governo regional dos Açores. Entre as medidas propostas figuram o reforço do rigor na programação orçamental, a contenção do crescimento da despesa corrente, a promoção da sustentabilidade financeira, a redução do passivo e a diminuição dos prazos médios de pagamento a fornecedores. O CESA defende também a continuidade das ações voltadas para a qualificação profissional, a valorização dos salários, a integração dos jovens e o combate à pobreza na região.

O parecer votado e aprovado será agora enviado às entidades competentes com o propósito de servir para o acompanhamento e avaliação das políticas públicas e da gestão orçamental dos Açores. Na mesma sessão extraordinária, o CESA aprovou também a prorrogação da vigência da Comissão Especializada Temporária de Acompanhamento do PRR-Açores até 30 de junho de 2027. Esta extensão visa acompanhar a fase final de execução das verbas do Plano de Recuperação e Resiliência no arquipélago e apreciar o Relatório de Progresso Anual relativo a 2026.

Setores económicos unem-se para exigir medidas urgentes no turismo dos Açores

A Associação do Alojamento Local, a Câmara de Comércio, a Hotelaria e a Federação Agrícola fazem o ponto de situação seis meses após alertarem para o abrandamento do setor e cobram decisões imediatas na acessibilidade aérea e promoção do destino

© ALA

A Associação do Alojamento Local dos Açores (ALA), a Câmara de Comércio e Indústria dos Açores (CCIA), a Associação da Hotelaria de Portugal – Açores (AHP – Açores) e a Federação Agrícola dos Açores (FAA) realizam na próxima quinta-feira, 1 de outubro, às 9h15, uma conferência de imprensa conjunta na sede da CCIPD, em Ponta Delgada.

O convite foi endereçado aos órgãos de comunicação social por João Pinheiro, presidente da direção da ALA, em representação das quatro entidades. O encontro com os jornalistas ocorre exatamente seis meses após a apresentação do memorando conjunto “Reforço da Competitividade do Destino Açores – Medidas Urgentes na Acessibilidade Aérea e Promoção”.

Nesse documento, divulgado há meio ano, as estruturas representativas do tecido empresarial alertavam para o abrandamento da procura turística e para os respetivos impactos na economia, no emprego e na fixação de população na Região Autónoma dos Açores. Na altura, as organizações defenderam como prioridades imediatas a criação de um Fundo de Desenvolvimento de Rotas e o reforço do orçamento destinado à promoção turística do destino.

Na conferência de imprensa de quinta-feira, as quatro entidades farão o ponto de situação sobre a evolução da atividade turística no arquipélago, analisando as respostas dadas até ao momento e os problemas que permanecem sem solução. Serão também apresentadas as preocupações atuais dos setores representados, com a exigência de decisões concretas e imediatas por parte das entidades governamentais e responsáveis pelo setor.

As organizações signatárias, que representam uma fatia expressiva da economia regional, sustentam que a região não pode continuar a adiar medidas estruturais para assegurar a competitividade do destino e a viabilidade das empresas.

Empresários de São Miguel e Santa Maria exigem reforço de apoios perante nova subida nos combustíveis

Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada alerta para o impacto da gasolina nos 1,92 euros e do gasóleo nos 1,93 euros a partir de outubro e pede reavaliação das medidas de mitigação regionais

© DIREITOS RESERVADOS

A Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada – Associação Empresarial de São Miguel e de Santa Maria (CCIPD) manifestou forte preocupação face ao novo agravamento do preço máximo dos combustíveis nos Açores anunciado para 1 de outubro, apelando ao Governo Regional para que reavalie e reforce as medidas de mitigação da crise energética, revelou a associação empresarial em comunicado.

A partir do próximo mês, a gasolina sem chumbo 95 passará a custar 1,924 euros por litro e o gasóleo rodoviário subirá para 1,939 euros por litro na Região. Com este novo aumento, a gasolina acumula uma subida de 18,8% (mais 30,4 cêntimos por litro) face a janeiro de 2026, enquanto o gasóleo regista um crescimento acumulado de 31,5%, traduzindo-se num acréscimo de 46,5 cêntimos por litro desde o início do ano.

A estrutura empresarial reconhece a importância do pacote de apoios adotado pelo executivo açoriano em maio — que reduziu o ISP em 8 cêntimos na gasolina e 13 cêntimos no gasóleo, além de apoios aos setores agrícola, pesqueiro e bombeiros —, mas sustenta que a contínua escalada de preços justifica agora uma comparação e articulação com as soluções aplicadas no território continental. A CCIPD aponta para o mecanismo nacional que compensa a receita adicional do IVA através de descidas no ISP, estimando esse efeito em cerca de 23 cêntimos por litro.

Segundo a associação, empresas do setor da distribuição de combustíveis já reportam uma redução efetiva no consumo, sinal de contenção na mobilidade das famílias e na atividade das empresas micaelenses e marienses. Pela sua transversalidade, a subida dos custos energéticos ameaça repercutir-se nos transportes, construção, agricultura, pescas e turismo, pondo em risco o poder de compra e a competitividade da economia arquipelágica.

Fitch sobe ‘rating’ dos Açores para “BBB+” com saldo operacional positivo e consolidação financeira

A melhoria do perfil de crédito pela agência internacional acompanha a conjuntura nacional e reflete a evolução das receitas regionais e o controlo da despesa pública

© JOÃO FREITAS

A agência de notação financeira Fitch elevou o rating da Região Autónoma dos Açores de “BBB” para “BBB+”, segundo nota de imprensa divulgada pelo Governo regional dos Açores. A decisão da consultora internacional surge na sequência da melhoria da avaliação soberana da República Portuguesa e fundamenta-se nos indicadores orçamentais registados no arquipélago.

Na análise que sustenta a revisão em alta, a Fitch destaca o crescimento das receitas regionais e a melhoria do saldo operacional verificada em 2025. A agência projeta uma evolução favorável desta métrica nos próximos anos, sustentada pelo aumento da arrecadação de receitas e pela contenção da despesa pública.

Esta subida da Fitch sucede à revisão efetuada em maio pela agência DBRS Morningstar, que havia alterado a perspetiva do rating açoriano de “Estável” para “Positiva”. Segundo o comunicado do executivo açoriano, o posicionamento convergente das duas agências de notação consolida a avaliação externa da região e reforça a credibilidade das contas públicas regionais no exterior.

Na nota emitida, o Governo dos Açores congratula-se com a decisão e sublinha que a trajetória traçada reflete a necessidade de conciliar a responsabilidade financeira com o investimento público, o crescimento económico e a sustentabilidade dos serviços prestados às populações. O executivo adianta ainda que pretende rentabilizar esta notoriedade financeira para atrair investimento, apoiar o tecido empresarial e criar melhores condições económicas em todas as ilhas do arquipélago.

Luís Garcia defende novo ciclo da Autonomia focado no conhecimento e na inovação

O presidente da Assembleia Legislativa apela à mobilização de empresas e profissionais para construir uma economia regional mais forte e transformadora nos próximos 50 anos

© ALRAA

O presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), Luís Garcia, defendeu no sábado, na Horta, que os 50 anos da Autonomia devem assinalar “o início de um novo ciclo de desenvolvimento da região”, sustentado numa economia reforçada e assente no conhecimento e na inovação. O responsável discursava durante a Cerimónia de Homenagem a Membros, Reconhecimento da Dedicação de Colaboradores e Receção de Novos Membros, promovida pela Secção Regional dos Açores da Ordem dos Engenheiros Técnicos.

Em nota enviada pelo parlamento açoriano, Luís Garcia sublinhou a transição histórica que a região enfrenta. “Se os primeiros 50 anos foram o tempo de afirmação da nossa Autonomia, temos agora a responsabilidade de iniciar um novo ciclo”, afirmou, ressalvando que este processo não constitui uma competência exclusiva dos órgãos de governo próprio, exigindo o envolvimento ativo de empresas, instituições e de toda a sociedade civil.

Ao dirigir-se aos profissionais presentes, o presidente da Assembleia Legislativa destacou o contributo estratégico dos engenheiros técnicos na superação dos desafios regionais e na modernização do tecido produtivo. “Precisamos de uma economia mais forte, resiliente e transformadora, capaz de produzir mais e criar mais valor. Transformar conhecimento em soluções é, em grande medida, aquilo que fazem. E inovar não é apenas ter boas ideias, é conseguir concretizá-las”, sustentou.

A intervenção ficou igualmente marcada por palavras de reconhecimento aos profissionais homenageados pelos anos de dedicação à carreira e às boas-vindas aos novos membros que agora integram a estrutura representativa da classe. A terminar, Luís Garcia lançou um desafio direto à Ordem dos Engenheiros Técnicos para que assuma um papel interventivo e participe de forma ativa na edificação das respostas para o futuro do arquipélago.

PRR canaliza 150,3 milhões de euros para a competitividade das empresas açorianas

Dados avançados por José Manuel Bolieiro mostram a aplicação das verbas do financiamento europeu em mais de mil empresas e no reforço dos parques tecnológicos regionais

© MARIANA ROVOREDO/NOTÍCIAS QUE CONTAM

A componente empresarial do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) já mobilizou 150,3 milhões de euros para reforçar a competitividade, a capacidade de inovação e o crescimento do tecido produtivo nos Açores. Os dados foram avançados pelo presidente do Governo regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, em nota de imprensa enviada às redações pelo executivo por ocasião da inauguração do Pingo Doce, em Angra do Heroísmo.

Ao enquadrar o investimento público na dinamização do tecido produtivo, o chefe do executivo sublinhou que “o PRR não pode ser visto apenas como um programa de despesa pública ou de execução de obras”, defendendo que o foco dos fundos comunitários deve incidir na capacitação da iniciativa privada para gerar valor económico.

Segundo o balanço apresentado, a execução da verba alocada às empresas permitiu apoiar 1.101 entidades regionais no âmbito do programa de Capacitação Digital e Transformação das Empresas. A par do investimento na transição digital, o financiamento canalizou verbas para 63 empresas através de instrumentos de capital participativo e contemplou 50 projetos no âmbito do Instrumento Financeiro para a Inovação e Competitividade.

O envelope financeiro do PRR incluiu ainda a mobilização de instrumentos de capital de risco e o reforço das infraestruturas do ecossistema de inovação do arquipélago, designadamente o parque científico e tecnológico TERINOV, na ilha Terceira, e o NONAGON, na ilha de São Miguel. Segundo o líder do executivo regional, o volume global de intenções de investimento submetidas pelos promotores privados ao abrigo dos mecanismos financiados e geridos pela região já ultrapassa os mil milhões de euros, o que associou à confiança dos empresários na economia açoriana.

Parlamento dos Açores aprova voto de congratulação pelo cumprimento integral do PRR

A iniciativa, apresentada pela bancada do PSD/Açores, assinala a concretização dos 39 marcos e metas do plano europeu na região, num investimento global que atingiu os 918 milhões de euros e reuniu o apoio da maioria dos partidos representados na Horta

© PSD/AÇORES

A Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores aprovou um voto de congratulação pelo cumprimento integral da totalidade dos marcos e metas definidos no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). A iniciativa parlamentar, submetida pelo PSD/Açores, contou com o voto favorável da maioria das forças políticas representadas no parlamento regional, incluindo o PS.

O documento aprovado destaca os resultados alcançados em benefício das famílias, das empresas e do desenvolvimento socioeconómico do arquipélago. O presidente do Grupo Parlamentar do PSD/Açores, João Bruto da Costa, salientou o cumprimento dos 39 marcos e metas estabelecidos, que correspondem a um volume global de investimento de 918 milhões de euros no território açoriano.

Com o prazo de execução material concluído a 31 de agosto de 2026, a verba total aplicada superou a dotação inicialmente prevista de 697 milhões de euros, registando um acréscimo de 221 milhões de euros. Deste montante global, 725 milhões de euros foram geridos diretamente pela Região e 193 milhões de euros foram captados pelo tecido empresarial local.

A aplicação dos fundos concentrou-se nas áreas da mobilidade, energia e ordenamento do território, que absorveram 233 milhões de euros. Neste âmbito, a bancada social-democrata destacou a adesão ao programa SOLENERGE, cujo orçamento subiu de 19 para 60 milhões de euros, viabilizando a instalação de 40 megawatts em painéis solares fotovoltaicos — distribuídos por 4.583 projetos de famílias e 716 de entidades —, além de 10,5 megawatts em capacidade de armazenamento de energia em 1.340 projetos.

Na habitação, a afetação de 95,4 milhões de euros financiou a construção e reabilitação de 622 fogos e a disponibilização de 145 lotes para autoconstrução. Na vertente da solidariedade social, o plano suportou a aquisição de 130 veículos elétricos para as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) e a expansão do programa “Novos Idosos” a todas as ilhas, servindo 540 utentes.

No setor da saúde, com um investimento de 65,8 milhões de euros, o envelope financeiro permitiu a requalificação e ampliação do Hospital da Horta, a construção das Unidades de Saúde da Maia (Ribeira Grande) e de Livramento/São Roque (Ponta Delgada), a aquisição de 600 equipamentos médico-hospitalares, 75 viaturas elétricas, 21 ambulâncias e o lançamento da aplicação MySaúde.

Os restantes sectores viram também canalizados apoios significativos: a transição digital e a competitividade empresarial absorveram 150,3 milhões de euros; a agricultura, pescas e economia do mar contaram com mais de 90 milhões de euros para infraestruturas de abate e apoio a 4.209 explorações e 301 empresas; e a educação, formação profissional e emprego receberam 59,3 milhões de euros dirigidos à modernização de equipamentos e infraestruturas escolares.

Otacílio Soares: “Acordo Mercosul-União Europeia poderá abrir uma nova etapa nas relações económicas entre Portugal e o Brasil”

Presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira, Otacílio Soares, destaca o impacto do Acordo Mercosul-UE, o papel de Portugal como porta de entrada na Europa e o potencial de cooperação no espaço da CPLP

Otacílio Soares, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira © AGÊNCIA INCOMPARÁVEIS

Otacílio Soares, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira (CCILB), defende que a forte proximidade histórica, cultural e linguística entre Portugal e o Brasil deve ser convertida em relações económicas ainda mais concretas, capazes de gerar mais investimentos, parcerias, negócios e desenvolvimento para ambos os países.

Em entrevista exclusiva à Agência Incomparáveis, parceira do Diário da Lagoa – Notícias que contam, o responsável abordou o papel da CCILB na aproximação entre empresas, investidores e instituições portuguesas e brasileiras, destacando os processos de internacionalização, os setores com maior potencial de cooperação, o posicionamento de Portugal como plataforma de entrada no mercado europeu e as oportunidades de criação de uma rede económica no espaço da língua portuguesa.

Qual tem sido o papel da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira no reforço das relações econômicas e empresariais entre Portugal e o Brasil?
A Câmara procura transformar a proximidade histórica e cultural entre Portugal e o Brasil em relações empresariais concretas. Os dois países têm uma ligação muito forte, mas isso, por si só, não é suficiente para gerar negócios. É preciso aproximar as empresas certas, facilitar o acesso à informação e ajudar os empresários a compreender as particularidades de cada mercado. Nesse sentido, a CCILB atua como uma ponte entre empresas, investidores, associações empresariais e entidades públicas dos dois países. Promovemos encontros, missões, seminários e contactos institucionais, sempre com o objetivo de criar relações de confiança e oportunidades que possam se transformar em investimentos, parcerias e novos negócios. Nosso papel também é ajudar a reduzir a distância prática entre os dois mercados. Embora falemos a mesma língua, existem diferenças na legislação, na tributação, na cultura empresarial e na forma de negociar. Muitas vezes, uma orientação correta no início evita erros, custos e perda de tempo.

Neste período de férias de verão, na Europa, e de inverno, na América do Sul, que ações estão sobre a mesa em termos empresariais por parte da CCILB para aproximar os dois territórios?
O período de férias pode ser um bom momento para refletir e planear. Muitas decisões empresariais importantes começam justamente quando temos mais tempo para avaliar novos mercados, rever estratégias e pensar com um pouco mais de tranquilidade. Na CCILB, estamos trabalhando na preparação de novas iniciativas para o segundo semestre, com encontros empresariais, ações de networking, seminários e atividades voltadas à internacionalização. Também estamos fortalecendo nossos comités, que permitem tratar de forma mais especializada temas como tecnologia, inovação, turismo, comércio exterior, sustentabilidade, arbitragem e investimentos. Queremos ampliar a aproximação com câmaras de comércio, federações empresariais e entidades de promoção de investimentos dos dois países. A ideia é que essas relações institucionais resultem em agendas práticas, com empresas interessadas, oportunidades identificadas e acompanhamento posterior. Também continuaremos dando atenção ao Acordo Mercosul-União Europeia, que poderá abrir uma nova etapa nas relações económicas entre Portugal e o Brasil. Precisamos preparar as empresas, especialmente as pequenas e médias, para entenderem as oportunidades e as exigências desse novo cenário.

De que forma a CCILB apoia empresas portuguesas e brasileiras nos processos de internacionalização, entrada nos respectivos mercados e criação de parcerias?
O primeiro apoio é ajudar a empresa a compreender o mercado no qual pretende entrar. Internacionalizar não significa apenas encontrar um cliente ou distribuidor. É necessário conhecer a legislação, os aspetos tributários, os canais de distribuição, os custos logísticos, a concorrência e a cultura empresarial local. A CCILB procura orientar as empresas e aproximá-las de profissionais, entidades e potenciais parceiros que possam apoiá-las em cada etapa. Não substituímos os especialistas, mas ajudamos o empresário a encontrar as pessoas certas e a chegar ao mercado com mais segurança. Também promovemos encontros empresariais, missões e eventos setoriais, nos quais as empresas podem apresentar seus projetos, conhecer potenciais parceiros e estabelecer relações de confiança. Esse trabalho é especialmente importante para as pequenas e médias empresas, que nem sempre possuem estrutura própria para fazer uma prospeção internacional. Entendemos que o trabalho da Câmara não termina na apresentação entre duas empresas. Sempre que possível, procuramos acompanhar a evolução dos contactos e contribuir para que uma primeira conversa possa se transformar em uma parceria efetiva e duradoura.

Que setores apresentam, atualmente, maior potencial para aprofundar o comércio, o investimento e a cooperação empresarial entre os dois países?
Existem oportunidades em diversos setores. Tecnologia, inovação, energia, infraestrutura, turismo, agronegócio, alimentos e bebidas, saúde, setor farmacêutico, construção civil, mercado imobiliário, logística e serviços financeiros estão entre as áreas com maior potencial. Portugal desenvolveu competências importantes em energias renováveis, turismo, tecnologia, engenharia, gestão de infraestrutura e serviços. O Brasil, por sua vez, possui escala, recursos naturais, capacidade industrial, produção agroalimentar e um mercado consumidor muito expressivo. Quando essas competências são combinadas, surgem oportunidades interessantes para os dois lados. Também vejo grande potencial na economia digital, na inteligência artificial e nos serviços prestados internacionalmente. São áreas nas quais a dimensão geográfica deixou de ser uma barreira tão relevante. O setor de alimentos e bebidas merece atenção especial. Portugal tem produtos de grande qualidade e o Brasil oferece um mercado amplo, embora ainda existam desafios tributários, logísticos e regulatórios. Em sentido inverso, produtos brasileiros podem utilizar Portugal como ponto de entrada e de valorização no mercado europeu.

Como pode Portugal assumir-se como plataforma de entrada das empresas brasileiras na União Europeia e, em sentido inverso, apoiar as empresas portuguesas interessadas no mercado brasileiro?
Portugal reúne condições muito favoráveis para ser uma plataforma de entrada das empresas brasileiras na União Europeia. Há proximidade cultural, facilidade de comunicação, segurança jurídica, boa infraestrutura, profissionais qualificados e acesso a um mercado europeu com centenas de milhões de consumidores. Mas Portugal não deve ser visto apenas como uma porta de entrada. Pode ser uma base para a estruturação, gestão e expansão das operações brasileiras na Europa. Uma empresa pode instalar aqui sua sede europeia, adaptar produtos às normas da União Europeia, contratar profissionais e desenvolver uma estratégia para outros mercados. No sentido inverso, o Brasil oferece às empresas portuguesas escala e acesso a um dos maiores mercados do mundo. É também uma plataforma para outros países da América do Sul. Naturalmente, o mercado brasileiro exige preparação. É necessário compreender a tributação, a regulamentação, as diferenças regionais e a dinâmica comercial do país. A CCILB pode contribuir justamente nessa ligação, aproximando empresas e instituições e ajudando a identificar parceiros locais confiáveis. Em uma internacionalização, escolher bem os parceiros é tão importante quanto escolher o mercado.

De que forma a CCILB tem ampliado a sua atuação à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e que oportunidades identifica no espaço económico da CPLP?
A Língua Portuguesa é um património comum e também pode ser um ativo económico. A CPLP reúne países em diferentes continentes, com recursos, mercados e necessidades muito diversos. Essa diversidade cria oportunidades em áreas como infraestrutura, energia, agricultura, saúde, educação, tecnologia, turismo e serviços financeiros. A CCILB vem procurando ampliar o diálogo com representantes diplomáticos, instituições e empresários dos demais países de Língua Portuguesa. Nosso objetivo é contribuir para que Portugal e o Brasil também funcionem como pontos de conexão para negócios com a África, a Ásia e outras regiões onde a língua portuguesa está presente. Ainda existem desafios importantes, como financiamento, logística, segurança jurídica e conhecimento dos mercados locais. Por isso, é fundamental trabalhar com instituições confiáveis e projetos bem estruturados. Mais do que imaginar um mercado único, devemos construir uma rede económica de língua portuguesa, baseada em informação, confiança, mobilidade empresarial e cooperação. Há um potencial muito grande que ainda não foi plenamente aproveitado.

Quais são as prioridades da CCILB para os próximos anos e que iniciativas estão previstas para aproximar empresários, instituições e investidores de Portugal, do Brasil e dos restantes países da CPLP?
Nossa prioridade é tornar a Câmara cada vez mais útil para seus associados e para as empresas que desejam atuar entre esses mercados. Isso significa oferecer informação relevante, promover encontros objetivos e criar condições para que as relações institucionais gerem resultados empresariais. Pretendemos fortalecer os comités setoriais, ampliar as missões empresariais e realizar eventos sobre temas estratégicos, como o Acordo Mercosul-União Europeia, inovação, tecnologia, sustentabilidade, turismo, comércio exterior, investimentos e arbitragem. Também queremos aumentar a cooperação com câmaras de comércio, federações empresariais, universidades, embaixadas, agências de promoção de investimentos e entidades de apoio à internacionalização. Essa articulação é essencial para dar escala e continuidade às iniciativas. Outro objetivo é ampliar a presença da CCILB junto aos países da CPLP, aproximando empresários e investidores e identificando projetos concretos de cooperação. Em resumo, queremos uma Câmara aberta, dinâmica e próxima das empresas. Portugal, Brasil e os demais países de língua portuguesa possuem relações históricas muito fortes. Nosso desafio é fazer com que essa proximidade se traduza, cada vez mais, em investimentos, empregos, inovação e desenvolvimento para todos.