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Crónica de um Licenciado

Júlio Tavares Oliveira
Professor de PLNM
Licenciado em Estudos Portugueses e Ingleses
Pós-Graduado em Português Língua Não Materna

A Licenciatura. Esse grau, do espírito e da valentia, da virtude e da honra, que nos deveria meter num local de orgulho e lisonja, nos catapultar para o estrelato dos deuses, para o Olimpo do “grande” conhecimento académico. Ou para o primeiro degrau, aceitável, do Olimpo dos deuses, do qual o último talvez seria um conhecimento acima da média para mediana inteligência dos homens “banais”.

Faz um ano que me Licenciei, mas nos últimos anos, passei todos os Bojadores, os Mostrengos e as Boas Esperanças. As Tormentas, assim, renomeadas em Boas Esperanças que, sem fé, se renomearam, de novo, em Tormentas e, de novo, em Boas Esperanças. Fui, eu mesmo, Vasco da Gama; fui um Infante sem vento que me soprasse as velas apagadas, sem mar que me valesse para o casco frágil da vontade de continuar seguindo na turbulência dos dias e dos acontecimentos e da ausência.

Li livros, escrevi outros; rascunhei, fiz exames, frequências às várias dezenas e dezenas, ansiei saber mais do que soube; menos do que sabia e, tantas vezes, percebi que sabia menos do que pensava saber. Ou, às vezes, que saber muito só me fazia mal à cabeça, também. A Licenciatura, em qualquer curso, não é um grau, é um degrau – e podemos tropeçar nele, se não formos bons e humildes o suficiente para não enxergar o degrau no tamanho do seu tamanho.

Sou, hoje, licenciado, certo, mas sem esquecer, hoje também, que o que fica das nossas maiores conquistas são as nossas maiores derrotas. As derrotas fazem, fizeram a pessoa que sou hoje. A ansiedade, a nervosura imensa de um dia passado a contar as horas lentas, tantas vezes, fez com que nada, já, me assuste de morte.

A licenciatura não é, assim, um relevo de superioridade, nem um superlativo. A licenciatura é um (de)grau que nos capacita, dá licença, ao trabalho numa área, mas, e isso garanto, não nos torna melhores pessoas, nem mais humanos do que ninguém. Não é a credenciação que nos dá mais lustro ou brilho; é o nosso imenso coração. É a maneira como agimos, diariamente, perante as adversidades, perante o nosso irmão, que faz toda a diferença.

Os “envernizados” pelos créditos do conhecimento, assim se dizem, podem seguir sozinhos. Eu seguirei o mesmo, seja quando for: o Júlio, sempre igual a mim mesmo, sem honras, sem pompas, sem festas, nem roqueiras. E eu sugiro, leitores, que façam o mesmo. Não se deslumbrem. A vida é tão pequena, tão frágil, tão inconsequente, para nos distrairmos com pequenas coisas materiais que, afinal de contas, não nos adiarão a morte nem, tampouco, prolongarão a nossa vida junto dos nossos amigos.

O conhecimento é fundamental, sim. Os graus também. A educação é a base da sociedade. Mas nem tudo, nem todos, são frutos da mesma árvore. Da minha parte, só quero que a boa pessoa dentro de mim se revele hoje e sempre. Que a criança que eu fui nunca se desiluda da pessoa que eu sou hoje.

Vila Franca atribui 47 bolsas de estudo por mérito escolar e carência económica familiar

© CM VILA FRANCA DO CAMPO
A autarquia de Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel, atribuiu 47 bolsas de estudo por mérito escolar e por carência económica familiar, das quais 24 são novas bolsas de estudo e 23 dizem respeito a renovações, num investimento total superior a 22 mil euros.
 
A sessão de entrega das bolsas para o ano letivo 2024/2025, decorreu esta sexta-feira, 20 de dezembro, no Salão Nobre dos Paços do Concelho.
 
De acordo com nota de imprensa enviada às redações pela autarquia vilafranquense, às 24 novas bolsas de estudo, cinco são por mérito escolar e 19 são por carência económica. Já no que diz respeito a renovações, das 23 atribuídas, quatro são por mérito escolar e 19 por carência económica.
 
As Bolsas de Estudo de Apoio ao Ensino Superior destinam-se aos estudantes economicamente carenciados que ingressem ou frequentem o ensino superior, cujo agregado familiar tenha residência no concelho, como previsto no Programa Municipal de Atribuição de Bolsas de Estudo.
 
O documento considera também a atribuição de bolsas de estudo por mérito escolar, independentemente das condições económicas e financeiras do agregado familiar do aluno.
 
Com a atribuição de bolsas de estudo, a Câmara Municipal de Vila Franca do Campo salienta que “está a contribuir para proporcionar a todos os jovens alunos do concelho igualdade de oportunidades na prossecução de estudos, premiando também o esforço e a dedicação dos estudantes na obtenção de boas notas”.