
A falta de abastecimento marítimo regular na ilha do Corvo, que se arrasta há cerca de três semanas, levou o presidente do PS/Açores, Francisco César, a criticar fortemente a atuação do executivo açoriano. Numa nota de imprensa divulgada pelo PS, o líder socialista classificou a situação como “absolutamente inaceitável” e apontou falta de planeamento na gestão da paragem do navio Thor B. Em resposta, a Secretaria Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas emitiu um esclarecimento técnico no qual detalha os constrangimentos meteorológicos e as diligências em curso para abastecer a ilha.
Segundo o dirigente socialista, o atraso no transporte marítimo está a causar falhas de bens de primeira necessidade no comércio e a colocar em risco o funcionamento do único restaurante da ilha, numa fase em que o Corvo recebe visitantes para a observação de aves. Francisco César alertou também para a situação dos agricultores locais, que aguardam há semanas pelo escoamento de mais de 100 animais, exigindo medidas concretas imediatas ou o recurso à Força Aérea Portuguesa para o transporte de emergência de bens essenciais.
Por seu lado, a Secretaria Regional explicou que o navio Thor B cumpre uma manutenção programada obrigatória para assegurar a sua certificação operacional. O plano alternativo previa a utilização de navios de tráfego local, mas a ondulação forte tem impedido a atracagem no Porto da Casa. O Governo dos Açores adiantou que já viabilizou o envio de mais de 1,3 toneladas de produtos essenciais através da lancha Ariel, da Atlanticoline, e que solicitou o apoio da Força Aérea para transportar três toneladas de mercadorias — operação que acabou cancelada devido a uma avaria na aeronave. A tutela assegura que continua a procurar alternativas por via aérea e marítima, condicionadas pela evolução do tempo.

O presidente do PS/Açores, Francisco César, defendeu a ativação de um mecanismo previsto no contrato de concessão da ANA Aeroportos para captar novas ligações aéreas para a região. O dirigente anunciou também que o partido vai promover, na próxima semana, um debate de urgência no parlamento regional para exigir respostas sobre as acessibilidades aéreas e a situação do turismo, após cerca de 11 meses consecutivos de quebra no setor.
De acordo com a nota de imprensa enviada ao Notícias que contam, o presidente falava à margem de uma reunião com a Câmara do Comércio e Indústria dos Açores, a Associação do Alojamento Local dos Açores e a Associação da Hotelaria de Portugal- Açores. O mecanismo proposto permite criar sociedades comerciais maioritariamente detidas pela ANA, com participação do Governo regional, e recorrer a fundos da concessionária para captar operações aéreas para os aeroportos açorianos. O líder socialista defendeu que o executivo regional deve exigir a concretização deste instrumento, que, segundo afirmou, nunca foi utilizado.
Francisco César classificou a quebra no turismo como “muito preocupante” e “alarmante”, alertando para os efeitos na atividade das empresas e no emprego. O dirigente considera que o debate de urgência deverá permitir obter esclarecimentos e medidas do Governo regional para responder às preocupações dos empresários e das entidades do setor.
O presidente do PS/Açores pediu ainda explicações sobre a execução e o destino das verbas anunciadas para reforçar o investimento no turismo, questionando se serão aplicadas em infraestruturas, promoção ou iniciativas com a Visit Azores. Anunciou também que, enquanto deputado à Assembleia da República, irá pressionar o turismo de Portugal para que a situação dos Açores receba atenção e apoio.
Quanto às acessibilidades aéreas, Francisco César responsabilizou o Governo açoriano pela perda de ligações low cost e pela redução da promoção turística. O dirigente exigiu igualmente informações sobre o fundo de rotas, questionando o ponto de situação do processo junto de Bruxelas e pedindo um calendário para a entrada em funcionamento do instrumento.
O líder socialista alertou, por fim, para a possibilidade de a situação se agravar durante a próxima época baixa, com consequências nos contratos de trabalho, nos rendimentos e na manutenção do emprego em hotéis, alojamentos locais, restaurantes e empresas prestadoras de serviços ao turismo.

O transporte escolar desajustado da realidade das aulas e a escassez de assistentes operacionais estão a prejudicar o funcionamento das escolas e o quotidiano dos alunos na ilha de São Miguel. O alerta parte do PS/Açores, que defende uma revisão urgente dos horários e paragens dos autocarros e a adequação dos rácios de funcionários às reais necessidades dos estabelecimentos de ensino da região, informou o partido em nota de imprensa enviada às redações.
As preocupações foram expressas pelo líder socialista, Francisco César, à margem de um encontro com o Conselho Executivo da Escola Básica e Secundária Armando Côrtes-Rodrigues, em Vila Franca do Campo. Em causa estão falhas decorrentes da implementação do novo sistema de transporte coletivo de passageiros na ilha, que eliminou a paragem junto ao recinto escolar e definiu horários incompatíveis com as rotinas dos estudantes.
“Se as escolas começam as aulas às oito e meia, não faz sentido ter o autocarro que chega às oito e meia a um ponto de autocarros a 15 minutos daqui”, exemplificou o presidente do PS/Açores, assinalando que a situação resulta em atrasos diários para as crianças. O problema estende-se ao final das aulas, onde a desfasagem dos autocarros obriga os alunos a esperas prolongadas. Francisco César rejeitou qualquer responsabilização dos estabelecimentos de ensino no processo, sublinhando que o transporte escolar existe rigorosamente para servir as escolas e adaptar-se às suas exigências.
A par do transporte, o défice de assistentes operacionais é apontado como um fator crítico para a estabilidade do ano letivo. O líder partidário criticou o facto de as unidades de ensino funcionarem no limite mínimo de recursos humanos e defendeu a alteração dos critérios de rácio definidos pela Secretaria Regional da Educação, de forma a considerar a dispersão por polos e as especificidades dos edifícios. Na Escola Básica e Secundária Armando Côrtes-Rodrigues, a previsão atual fixa-se em 44 funcionários, um número considerado insuficiente para assegurar o funcionamento dos vários espaços e cobrir eventuais baixas médicas.
Neste âmbito, o dirigente sublinhou que têm sido as autarquias locais a colmatar as falhas da administração regional através do envio de trabalhadores próprios para os estabelecimentos de ensino. Francisco César apontou ainda a falta de resposta da Direção Regional da Educação em relação a obras pendentes na infraestrutura de Vila Franca do Campo, nomeadamente a reparação de um telhado identificada há mais de um ano, exortando o Governo Regional a focar a sua ação na resolução dos problemas concretos que afetam as famílias e os profissionais de educação da ilha.

O presidente do PS/Açores, Francisco César, defendeu esta segunda-feira, 21 de setembro, a necessidade urgente de reforçar o investimento em toda a fileira da carne da região. A posição foi assumida após uma visita ao Centro de Fabrico dos Açores e ao Matadouro de São Miguel, em Ponta Delgada, numa iniciativa contextualizada pela redução de atividade que o setor atravessa atualmente no arquipélago.
Segundo as declarações transmitidas em nota de imprensa pelo Grupo Parlamentar do PS/Açores, o dirigente socialista alertou para indicadores preocupantes na transformação e exportação pecuária regional. “Nós temos um decréscimo de perto de 20% do abate de bovino, temos uma exportação após abate também a cair e temos, inclusive, aquilo que deveria ser valor acrescentado a esse produto, ou seja, o envio do gado abatido para salas de desmancha, para que possam ter mais valor acrescentado na sua venda posterior, que também diminuiu”, afirmou Francisco César.
A estratégia proposta pelo líder partidário passa por modernizar as infraestruturas de abate, incentivar a criação de unidades de processamento e assegurar ligações logísticas que permitam integrar a produção das nove ilhas num mercado açoriano coeso e vocasionado para a exportação. O objetivo central assenta na retenção de valor económico no território regional, evitando a dependência excessiva do encaminhamento de gado vivo para fora do arquipélago.
“Nós abatemos aqui o nosso gado, transformamos essa matéria-prima para que depois possa ser valorizada da melhor forma e, na sua origem, fique maior rendimento. Isto não está a acontecer. Ele está a ser exportado em vida. Quer dizer que há falhas nessa cadeia”, sustentou o presidente do PS/Açores, reconhecendo contudo a fase conjuntural de maior procura por gado em vida, a qual considera que deve ser aproveitada sem descurar o investimento estrutural interno.
Para além do reforço logístico e industrial, o líder da oposição açoriana apontou a certificação da carne e o apoio à melhoria dos processos produtivos como eixos fundamentais para garantir a competitividade dos lavradores locais. “Investir em toda a rede, em toda a fileira da carne, investindo mais nos matadouros, incentivando a criação de salas de desmancha, criando condições de logística para que o mercado açoriano não funcione com cada ilha por si, mas trabalhando todas para um mercado único, para exportação”, concluiu.

O Partido Socialista dos Açores defendeu a adoção de medidas imediatas para responder ao aumento das listas de espera para cirurgia e à quebra na produção hospitalar no Serviço Regional de Saúde. A posição foi assumida pelo líder regional do partido, Francisco César, após uma reunião com a Ordem dos Enfermeiros, na qual apontou a contratação de profissionais de enfermagem, a maximização da capacidade instalada e a resolução dos casos de internamento social como prioridades centrais para a gestão da saúde na Região Autónoma dos Açores.
A tomada de posição surge numa altura em que os dados revelam um crescimento de 8,3% na lista de espera para cirurgia, o que corresponde a mais de mil doentes a aguardar intervenção cirúrgica no arquipélago. O PS/Açores sustenta que este cenário não decorre apenas do aumento de diagnósticos, mas também de uma redução na atividade cirúrgica mensal, agravada por uma taxa de cancelamento de cirurgias programadas próxima dos 40%, situação que o partido atribui a falhas de eficiência e de capacidade de resposta do sistema público.
Entre os principais fatores apontados para os constrangimentos na prestação de cuidados está a escassez de recursos humanos. De acordo com os cálculos apresentados pelo partido, faltam cerca de 250 enfermeiros no arquipélago, dos quais aproximadamente 78 dizem respeito à ilha de São Miguel, registando-se um equilíbrio negativo ou nulo entre as saídas por aposentação e as novas entradas de profissionais no Serviço Regional de Saúde.
No âmbito infraestrutural, a estrutura socialista contrapõe os planos do Governo regional para novos investimentos com a necessidade de rentabilizar os recursos atualmente disponíveis. Foi destacada, a título de exemplo, a existência de duas salas de cirurgia inativas no Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, enfatizando-se que a aquisição de equipamentos técnicos exige a prévia afetação das equipas de profissionais necessárias ao seu funcionamento.
A par da gestão dos blocos operatórios, o líder socialista alertou para o impacto dos internamentos sociais, contabilizando cerca de 55 casos na ilha de São Miguel respeitantes a doentes com alta clínica que continuam a ocupar camas hospitalares por escassez de respostas na rede de apoio social, comprometendo a libertação de vagas para o internamento cirúrgico.
“Nós temos de contratar enfermeiros para que as instituições possam dar resposta. Temos de operacionalizar e maximizar os meios que estão disponíveis”, afirmou Francisco César, frisando que “se não há profissionais para operarem estas novas máquinas, elas não servem para absolutamente nada” e que “tem que haver aqui uma gestão e é isso que o Partido Socialista tem proposto: maior eficiência”.

O preço do gasóleo agrícola nos Açores vai registar uma subida de 16,3 cêntimos por litro a partir de 1 de setembro, passando a custar 1,585 euros por litro. O aumento foi criticado esta quarta-feira, 26 de agosto, pelo Partido Socialista dos Açores, através de uma nota de imprensa enviada às redações, na qual o líder da estrutura regional, Francisco César, associa este agravamento ao atraso no pagamento de cerca de 26 milhões de euros de apoios prometidos à produção agrícola açoriana.
O impacto deste encargo incide sobre os trabalhadores da terra na ilha de São Miguel e no resto do arquipélago numa fase em que decorrem os trabalhos de colheita de milho e a preparação de novas sementeiras. Segundo a nota divulgada pelo partido, em causa estão cerca de 23 milhões de euros previstos no Orçamento do Estado e até três milhões de euros destinados a compensar os custos com combustíveis e fertilizantes, montantes que continuam sem ser transferidos para a região.
“Quando é para aumentar, é já. Quando é para pagar aos agricultores, nunca mais chega. A partir de setembro, o gasóleo agrícola sobe 16,3 cêntimos por litro, a associar a esse problema os agricultores continuam à espera de cerca de 26 milhões de euros que lhes foram prometidos. Isto é cada vez mais difícil de aceitar e para os agricultores mais difícil de suportar”, afirmou Francisco César.
O presidente do PS/Açores referiu que a subida dos fatores de produção tem sido assinalada ao longo dos últimos meses e defendeu o cumprimento das transferências sob responsabilidade do Governo da República. “Há meses que venho a dizer que o aumento dos combustíveis está a atingir diretamente a agricultura açoriana. Os agricultores sentem esses aumentos todos os dias, no gasóleo, nos fertilizantes, nas rações e nos restantes custos da exploração. O que não podem é continuar a ouvir promessas enquanto as despesas aumentam e os apoios não chegam”, sustentou.
Na perspetiva da estrutura partidária, cabe também ao Governo regional assumir uma postura de exigência junto das instâncias nacionais para a resolução dos pagamentos. “O Governo regional tem de deixar de ser apenas o mensageiro dos atrasos. Tem de exigir, com firmeza, que o Governo da República cumpra. Os agricultores não querem assistir a uma troca de responsabilidades entre governos. Querem saber quando é que recebem aquilo que lhes foi prometido”, apontou Francisco César, adiantando que continuará a recorrer a instrumentos políticos e parlamentares para exigir uma calendarização dos repasses e uma reavaliação das medidas de mitigação dos custos energéticos na região.

A Secretaria Regional da Saúde e Segurança Social veio a público esclarecer que a não abertura do novo Centro de Atividades e Capacitação para a Inclusão (CACI) e Lar Residencial da Santa Casa da Misericórdia de Santo António da Lagoa se deve a um impedimento legal e não à ausência de um acordo de cooperação. A reação do executivo surge na sequência das críticas do presidente do PS Açores, Francisco César, que, após uma visita à infraestrutura no concelho da Lagoa, denunciou que o espaço de sete milhões de euros continuava de portas fechadas por falta de articulação governamental para a contratação de profissionais.
Em nota de imprensa enviada às redações, a tutela assegura que “encontra-se por concluir o processo de certificação energética do edifício, requisito obrigatório para a tramitação subsequente do processo”. O Governo dos Açores sublinha que este é um procedimento técnico que “depende da intervenção de um perito qualificado contratado para o efeito”, escapando à esfera de atuação direta dos serviços executivos regionais. Dessa forma, a secretaria regional contesta o líder dos socialistas açorianos, afirmando que “não corresponde à realidade a afirmação de que a não abertura do equipamento resulta da falta de acordo de cooperação ou da contratação de recursos humanos”, existindo sim um entrave burocrático e legal prévio que inviabiliza a luz verde.
Esta tomada de posição contrasta com o cenário traçado ontem por Francisco César. O dirigente socialista tinha lamentado o facto de a ilha contar com “uma infraestrutura pronta, que custou cerca de sete milhões de euros, com material no local, mas ainda por desempacotar”, apontando a assinatura do acordo de cooperação valor cliente como o passo urgente em falta. Na altura, o líder do PS defendeu que os 48 utentes previstos são quem mais perde com o impasse, aproveitando para alertar para a “asfixia financeira” que afeta as IPSS da região devido a apoios governamentais que diz estarem abaixo dos custos reais de funcionamento.
Por seu lado, o executivo açoriano garante que a Direção Regional da Solidariedade Social e o Instituto da Segurança Social dos Açores têm acompanhado o caso “de forma próxima e permanente” junto da Santa Casa da Misericórdia local para acelerar os trâmites. A tutela conclui reforçando que a entrada em funcionamento desta resposta social exige o cumprimento integral de todas as normas “em salvaguarda da segurança, da qualidade do serviço e dos futuros utentes”, assumindo o compromisso de abrir o espaço assim que os requisitos técnicos obrigatórios estejam formalmente reunidos.

O presidente do PS Açores, Francisco César, defendeu esta segunda-feira, 22 de junho, na cidade da Lagoa, a necessidade urgente de um “novo compromisso” com o setor social, assente na previsibilidade e num financiamento justo para as instituições.
As declarações foram feitas à margem de uma visita ao novo Centro de Atividades e Capacitação para a Inclusão (CACI) e Lar Residencial da Santa Casa da Misericórdia de Santo António da Lagoa. O teor destas reivindicações foi publicado na página oficial do PS Açores na Internet.
Segundo a estrutura socialista, a nova infraestrutura lagoense, que tem capacidade para acolher cerca de 48 utentes, representou um investimento de aproximadamente sete milhões de euros de dinheiros públicos.
Apesar de as obras estarem totalmente concluídas e de o equipamento já se encontrar no local, o espaço permanece de portas fechadas. De acordo com o dirigente, a paragem deve-se à ausência de assinatura do acordo de cooperação valor cliente com o Governo regional, um passo indispensável para avançar com a contratação dos profissionais necessários.
“Temos uma infraestrutura pronta, que custou cerca de sete milhões de euros, com material no local, mas ainda por desempacotar. Falta assinar o acordo de cooperação valor cliente que permitirá contratar os profissionais necessários”, lamentou Francisco César.
Para o líder dos socialistas açorianos, “quem perde não é a instituição”, mas sim “os 48 utentes que aguardam por uma resposta que merecem”. O dirigente defendeu que cada obra social financiada publicamente deve ter, desde o início, um calendário de abertura e recursos garantidos, sublinhando que “o investimento social só cumpre o seu objetivo quando abre portas e responde às famílias”.
O líder do PS Açores aproveitou ainda a passagem pelo concelho da Lagoa para alertar para a asfixia financeira que afeta várias Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) da região. O socialista afirmou convictamente que as instituições “não podem continuar a servir de banco ao Governo regional”.
De acordo com os dados apresentados, há respostas sociais cujo custo real é muito superior ao valor transferido pelo executivo. Francisco César deu como exemplo os lares residenciais para idosos, onde o apoio ronda os 1.580 euros por utente, quando o custo real se situa nos 1.800 euros, chegando mesmo aos 2.200 euros nalgumas ilhas.
Como alternativa para solucionar este subfinanciamento, o líder partidário propôs uma estratégia assente na estabilidade. “O que faríamos era simples: dar previsibilidade às IPSS desde o início do ano, garantir que nenhuma resposta social é contratada abaixo do seu custo real e criar acordos plurianuais que permitam às instituições planear, contratar e prestar serviços com estabilidade”, afirmou.
A salvaguarda dos direitos dos trabalhadores do setor social também foi um dos pontos focado pelo dirigente, que preconizou a criação de um mecanismo transitório de apoio à tesouraria para as instituições em maior dificuldade. O objetivo é garantir o pagamento atempado de salários, subsídios de férias e de Natal, porque “quem cuida dos nossos idosos, das nossas crianças e das pessoas com deficiência merece respeito, estabilidade e segurança”.
A terminar, o presidente do PS Açores reiterou a posição do partido no sentido de se proceder à separação das áreas da Saúde e da Solidariedade Social na orgânica do Governo regional, considerando que “concentrar tudo na mesma tutela é um erro de base”.
“A boa política social não se mede apenas por inaugurações. Mede-se pela capacidade de transformar investimento em respostas concretas para quem precisa”, concluiu Francisco César.

Desde cedo ligou-se à política por ser a política o assunto mais falado em casa. Francisco César, 46 anos, nasceu em Lisboa e veio para São Miguel com três anos. É economista, adepto fervoroso do Sporting, presidente do PS Açores e deputado na AssembleIa da República. Numa breve história pelo seu percurso, conta-nos o que pensa do presente e do futuro da região, não esquecendo o passado.
DL: O seu pai está ligado à política, sempre viveu num ambiente familiar ligado à política. Como é que foi crescer nesse ambiente?
Desde que me lembro, atuo neste ambiente. Eu cresci no meio de campanhas políticas, desde miúdo. O meu pai e a minha mãe conheceram-se na política. A minha mãe trabalhava no PS Nacional e o meu pai estava aqui no PS regional e conheceram-se. Nas reuniões, eu ficava na reunião, sentado, a ouvir, caladinho, na altura. Fiz um estúdio de rádio na minha casa em que eu lia os manifestos políticos do partido e gravava, compunha música. Gravava tempos de antena e a minha mãe gozava comigo, porque eu chamava aquilo de rádio Feteiras, porque na altura os meus pais tinham uma casa nas Feteiras.
DL: E era lá que fazia isso?
Sim, a política acabou por ser uma coisa natural. A minha casa sempre foi uma casa cheia de livros. E hoje, tanto que assim seja, também, para o meu filho.
DL: Nunca se sentiu obrigado a ler?
Antes do contrário, eu gostava. Eu até acho que os meus pais preferiam que eu não me tivesse metido nisso. Eu acho que é o sentimento de qualquer pai, porque eu próprio, eu olho para o meu filho, que vai fazer 13 anos, e vamos ver… Isto da política tem a sua graça, mas dói, não é fácil. A política implica nos sujeitarmos a um escrutínio e a uma apreciação da parte de terceiros, que é, ao mesmo tempo, gratificante, mas é também muito cruel.
DL: Como é que se protege a família disso?
Isto é um processo. Os meus pais, e eu, fui particularmente afetado pela questão da família na política. E isso dói, ou seja, as pessoas fazem uma valorização dos outros com base em pressupostos ou preconceitos que as pessoas têm em relação aos outros. E nós somos sempre julgados. Tento proteger a minha família, através de um bom núcleo familiar.
DL: Quem é o homem por detrás do político?
Essa é das perguntas mais interessantes, mas, no entanto, das mais difíceis. Eu verdadeiramente gostava de ter sido economista. Economista, ou seja, praticar. Eu sou muito impaciente. Mas eu sou profundamente normal nas minhas coisas. Gosto de ler, gosto de sair, até gosto de cantar. Mal. Eu sou muito distraído, as pessoas não sabem. Eu, às vezes, desligo. É uma das coisas boas que consigo. E estou no meu mundo, com o meu filho, a fazer a minha vida, com a minha família. Gosto de fazer praia, gosto de fazer boxe, gosto de fazer exercício físico, gosto de ir ao supermercado. Gosto de fazer aquilo que as pessoas normais gostam de fazer. E gosto de experimentar coisas novas.
DL: Quais são os principais desafios da região?
O primeiro desafio que nós temos é o desafio do conhecimento, da qualificação. Eu costumo dizer, o comboio da competitividade já saiu. Há muito tempo, nestas regiões, e a locomotiva dos Açores ainda está no apeadeiro. E, portanto, para nós conseguirmos lá chegar, temos que colocar a qualificação dos açorianos como uma prioridade. O mercado interno é bom que funcione, mas não dá para sobreviver. O meu receio é que as grandes empresas não apostam no internacional. Como é que isso é possível? Em primeiro lugar, nós temos de ajudar as nossas empresas a apostar. Tem que haver uma sensibilidade. Nós temos de lhes diminuir o risco da aposta. Mas, sobretudo, nós temos de trazer empresas para cá.
DL: O mar é o futuro?
O mar é um dos setores. O mar, a energia. O primeiro de todos é o conhecimento. Porque a única forma é que nós não temos continuidade territorial. A região pode entrar numa situação quase de insolvência ou de resgate financeiro. Eu acho que se apostar na economia e se tiver cuidado com o orçamento, eu acho que isto é possível resolver.
DL: Qual é a posição do PS face ao hospital modular?
A opção neste momento é o da construção de um hospital novo, mas o que é um hospital novo? É alterar 80% do que está e acrescentar mais outro tanto. Quem paga isto? Quem sustenta? Nós neste momento não temos capacidade financeira para suportar o atual Serviço Regional de Saúde. Não temos. Todos os hospitais são subfinanciados. Quem o diz é o Governo, não sou eu. Todos os hospitais são subfinanciados. Portanto, se nós duplicarmos o tamanho do hospital, alguém acha que ele vai ficar mais barato?
As decisões que são tomadas, são tomadas em nome do povo, porque nós somos os seus representantes. Quando tomamos uma decisão que poderá comprometer o Serviço Regional de Saúde, ou pelo menos, tem um impacto tão grande do ponto de vista do Serviço Regional de Saúde na comunidade. Isto não pode ser discutido por técnicos. Os técnicos dão os seus pareceres, mas quem decide são os políticos. Porque os políticos são os únicos num sistema democrático que estão mandatados para o fazer. Porquê? Porque aos técnicos ninguém vai pedir contas. Os estudos técnicos podem achar muita coisa, mas é a democracia quem decide, são os responsáveis políticos e representantes do povo. Mas tenho esperança, senão eu não estava aqui.

O presidente do PS/Açores, Francisco César, afirmou esta quarta-feira que o Governo regional do PSD/CDS-PP/PPM não sabe bem “qual o caminho que quer tomar” em relação ao futuro do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), segundo nota de imprensa do partido socialista.
Para Francisco César, que falava à margem de uma reunião com o Conselho de Administração do HDES, “este é um Governo muito rápido a tentar fazer propaganda e muito lento a tentar resolver aquilo que são as suas funções”, lê-se.
“O que nos preocupa nesta matéria é termos uma infraestrutura que está em parte paralisada, em que não foram feitas obras e termos soluções de recurso que estão, neste momento, a prestar um serviço à população que não é bom”, terá assegurado, na ocasião.
O socialista considerou haver muita coisa que ainda não se sabe o que é que é para fazer, reforçando que: “neste momento há um edifício modular que está em construção e que já vai ser ampliado porque se percebeu que a capacidade para aquilo para que foi projetado não era suficiente para as necessidades da ilha”, lê-se ainda, na mesma nota.
Conforme o líder socialista, “optaram por tentar fazer um novo hospital sem se perceber bem que tipo de hospital é que nós queremos”.
“Só vale a pena tomar decisões quando nós sabemos o que é que queremos fazer”, admitiu o socialista, para reafirmar que o Governo “não sabe bem qual é o caminho que quer tomar”.
“Desde o início deste processo que foi dito que era necessária uma ajuda de Bruxelas, que acabou por não acontecer, porque o montante da reparação do hospital era demasiado elevado”, frisou Francisco César, citado na mesma nota, alertando ainda que quando se pergunta o montante da reparação, o Governo diz “não saber qual é o valor”, lê-se.
“Ora, se não sabe o montante, como é que sabia que não se poderia candidatar?”, questionou o socialista, na mesma reunião. “Se não fosse o facto de nós termos perguntado à União Europeia se efetivamente isso tinha acontecido, estaríamos, até hoje, na ilusão de que o Governo tinha feito uma candidatura que na verdade não fez”, acrescentou Francisco César.