
O Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, disponibilizou publicamente o portal do seu Observatório de Enfermagem, acessível através do endereço observatorioenfermagem.hdes.pt. A plataforma é dedicada à análise, planeamento e transparência da gestão dos cuidados de enfermagem na unidade hospitalar de São Miguel.
Com base nos dados apurados por esta nova estrutura, e num trabalho realizado “em estreito entrosamento com a tutela”, o Conselho de Administração do HDES, sob proposta do enfermeiro diretor, Pedro Brázio, submeteu à aprovação governamental uma proposta de reorganização que contempla a abertura de procedimentos concursais que visam integrar 25 enfermeiros na carreira geral. A medida permitirá reduzir em 25% o volume de trabalho extraordinário na instituição, com uma poupança financeira estimada em 422 mil euros. Por outro lado, pretende-se reforçar as dotações nos serviços de maior pressão e diminuir em 10% as folgas e descansos acumulados pelas equipas.
De acordo com as informações divulgadas pela unidade hospitalar, fruto da concertação com a tutela, o plano estabelece a regularização funcional de 10 enfermeiros especialistas e 10 enfermeiros gestores, número que corresponde a cerca de um terço dos profissionais que já asseguram atualmente essas funções.
O projeto prevê igualmente a atualização da Portaria n.º 76/2023 para a regularização formal das prevenções em áreas estratégicas do hospital, designadamente na Hemodinâmica, Câmara Hiperbárica e Hospitalização Domiciliária, uma alteração que não acarreta impacto financeiro acrescido.
Em nota enviada às redações, a direção do HDES sublinha, por fim, que a criação do Observatório e a articulação com a Secretaria Regional da Saúde e Segurança Social e a Direção Regional da Saúde consolidam o compromisso conjunto com a gestão pública, a sustentabilidade e a qualidade dos cuidados prestados à população açoriana.

O Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, disponibilizou esta sexta-feira, 31 de julho, no seu portal oficial, a versão final do seu Programa Funcional para divulgação pública. A medida dá cumprimento à deliberação de tornar acessível o documento estratégico que define as diretrizes para a futura reorganização, ampliação e modernização da instituição de saúde açoriana.
A consulta e participação estão abertas a toda a comunidade até ao próximo dia 15 de setembro. Através de um canal e formulário dedicados no próprio sítio web do hospital, visitantes, utentes e profissionais de saúde podem submeter as suas apreciações, comentários e sugestões relativamente à proposta de desenvolvimento da unidade hospitalar.
De acordo com a nota de imprensa do HDES, todos os contributos submetidos no processo serão recolhidos, analisados e sistematizados pela equipa técnica da instituição. O objetivo passa por assegurar um processo participativo, transparente e rigoroso no planeamento e no desenho dos futuros cuidados de saúde na Região Autónoma dos Açores.
A abertura desta fase de divulgação pública coincide com a reativação do sítio de internet do HDES, iniciativa com a qual o Conselho de Administração pretende reforçar a transparência informativa e a aproximação contínua à comunidade micaelense. O documento e a área destinada à submissão de contributos encontram-se disponíveis no endereço www.hdes.pt.

A secretária regional da Saúde e Segurança Social, Mónica Seidi, afirmou na passada quinta-feira, 30 de julho, que o Governo regional dos Açores está a concretizar “o maior investimento de sempre no setor da saúde”, apontando a ilha de São Miguel como exemplo do reforço nas infraestruturas, equipamentos e recursos humanos do Serviço Regional de Saúde. A governante falava na reunião do Conselho de Ilha de São Miguel, realizada na Biblioteca Municipal Daniel de Sá, na Ribeira Grande, onde apresentou a estratégia governamental para o setor e o ponto de situação do Programa Funcional do novo Hospital do Divino Espírito Santo (HDES).
Durante a intervenção, Mónica Seidi salientou que a estratégia assenta numa visão integrada para responder às necessidades atuais e futuras da população. “Estamos a concretizar o maior investimento de sempre na saúde da Região, com mais infraestruturas, mais equipamentos, mais profissionais e mais capacidade assistencial, com o objetivo de garantir melhores cuidados de saúde aos açorianos”, declarou a titular da pasta da Saúde.
No âmbito dos cuidados de saúde primários, a nota da Secretaria Regional da Saúde e Segurança Social destaca a inauguração, agendada para o próximo mês de agosto, dos novos Postos de Saúde da Maia e de Livramento/São Roque, num investimento conjunto superior a nove milhões de euros, além do avanço do concurso para o novo Centro de Saúde da Ribeira Grande. Foram igualmente elencadas intervenções nos restantes centros de saúde da ilha, designadamente o Centro de Saúde da Lagoa, as obras previstas para este ano no Centro de Saúde da Povoação para reabertura da enfermaria encerrada em 2020, a reabilitação do Centro de Saúde de Vila Franca do Campo, a criação do Serviço de Atendimento Urgente (SAU) no Centro de Saúde de Ponta Delgada e as obras de reabilitação no Nordeste.
Ao nível do investimento tecnológico e de equipamentos através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), o HDES beneficiou de mais de 25 milhões de euros para a aquisição de robótica cirúrgica e ortopédica, sequenciador genético, TAC, Ressonância Magnética, EBUS e ecógrafos. Adicionalmente, a Unidade de Saúde de Ilha de São Miguel (USISM) recebeu cerca de três milhões de euros do PRR para a aquisição de 20 viaturas elétricas, equipamentos de radiologia, cadeiras de medicina dentária e outros dispositivos de apoio assistencial.
Relativamente aos recursos humanos, a governante adiantou que se encontra a decorrer um procedimento concursal na USISM para a contratação de seis médicos de Medicina Geral e Familiar, fixando a taxa de cobertura de médico de família em São Miguel nos 96%. A USISM conta atualmente com 917 colaboradores, mais 152 do que em 2019. No HDES, estão em curso 15 procedimentos concursais para a contratação de 18 médicos internos de especialidades hospitalares, somando a instituição 2431 colaboradores, o que representa um aumento de 447 profissionais em comparação com o ano de 2019.

O presidente do Governo regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, apresentou esta sexta-feira, 17 de julho, no Palácio da Conceição, em Ponta Delgada, o Programa Funcional para a Reparação, Reorganização e Redimensionamento do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES). Ao longo do dia, o líder do executivo açoriano, acompanhado pela secretária regional da Saúde e Segurança Social, Mónica Seidi, reuniu-se sucessivamente com os partidos políticos com assento parlamentar na Assembleia Legislativa Regional, com a Mesa do Conselho de Ilha de São Miguel e com os presidentes das câmaras municipais da ilha. De acordo com as notas de imprensa enviadas à nossa redação, as sessões integram uma estratégia de diálogo institucional e transparência na definição do futuro da maior unidade hospitalar do arquipélago.
O plano de reestruturação prevê uma intervenção profunda na infraestrutura, combinando a construção de novos edifícios em cerca de 60% da área intervencionada com a remodelação dos restantes 40%. Entre as principais alterações técnicas definidas constam o aumento da capacidade de internamento de 437 para 500 camas, com margem de expansão até às 641 camas em caso de necessidade. O projeto contempla ainda a criação de 10 salas de cirurgia programada, a duplicação das salas de parto e o crescimento da consulta externa, que passará de 60 para 139 gabinetes, além de reforços estruturais no serviço de urgência, cirurgia de ambulatório, hospitais de dia e no serviço de hemodiálise, que aumentará de 23 para 35 postos operacionais.
O investimento estimado para a execução das obras ronda os 300 milhões de euros, um valor que será consolidado na fase seguinte de elaboração do Programa Preliminar. Ao abrigo da Resolução do Conselho de Ministros n.º 71/2024, o financiamento da empreitada será assegurado em 85% pelo Governo da República, na sequência do compromisso assumido após o incêndio que afetou gravemente o HDES em maio de 2024. O documento agora apresentado resulta de um trabalho técnico desenvolvido em articulação com o Conselho de Administração da unidade, diretores de serviços clínicos e não clínicos e mais de 75 profissionais do hospital, contando com o enquadramento metodológico da consultora internacional Antares Consulting, especializada em planeamento hospitalar.
As soluções organizacionais e as projeções delineadas no programa visam responder à evolução das necessidades assistenciais da população açoriana até ao ano de 2050, assentando em critérios de otimização de recursos, humanização dos espaços e sustentabilidade ambiental. No início da tarde, José Manuel Bolieiro e a equipa de consultores técnicos estiveram nas próprias instalações do hospital para realizar uma sessão técnica exclusiva direcionada aos colaboradores e à comunidade hospitalar, proporcionando um espaço de enquadramento e esclarecimento direto sobre as soluções de reorganização previstas.
“Este foi mais um momento de transparência e de participação, envolvendo os profissionais de saúde, o Conselho de Administração do HDES, a sociedade civil e agora também os partidos políticos, para que todos possam conhecer e acompanhar este projeto estruturante para os Açores”, afirmou José Manuel Bolieiro. O governante sublinhou que não se trata da construção de uma infraestrutura de raiz, mas sim da oportunidade de criar um hospital praticamente novo, aberto ao escrutínio e ao diálogo com todas as entidades que têm responsabilidades governativas, autárquicas e profissionais na Região Autónoma.
Com a conclusão desta etapa, o Conselho de Administração do HDES recebeu orientações para iniciar a elaboração do Programa Preliminar e das respetivas peças documentais e técnicas. O cronograma oficial estabelece como meta o final do ano de 2027 para que estejam reunidas todas as condições necessárias ao lançamento do concurso público internacional destinado à execução da empreitada. O executivo regional assegurou que todo o processo de transformação física e logística será desenvolvido sem comprometer ou interromper o regular funcionamento dos serviços médicos e a assistência clínica prestada à população.

O Governo regional dos Açores concluiu a apreciação da versão final do Programa Funcional para o Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, um documento estratégico de reestruturação que prevê um aumento substancial da capacidade de internamento para 500 camas, com potencial de expansão até às 641 vagas. O anúncio foi feito pelo presidente do executivo açoriano, José Manuel Bolieiro, na Horta, após a reunião do Conselho do Governo, que autorizou o Conselho de Administração da maior unidade de saúde do arquipélago a iniciar os procedimentos para a divulgação pública do plano e a avançar com as etapas seguintes de reorganização e redimensionamento hospitalar.
De acordo com a nota de imprensa enviada pelo Governo dos Açores, esta profunda remodelação assenta na requalificação do edifício atual e na construção de novas infraestruturas na ilha de São Miguel. O plano detalha uma forte aposta no reforço assistencial, incluindo a ampliação do bloco operatório para dez salas de cirurgia programada, a duplicação das salas do bloco de partos e um crescimento expressivo da consulta externa, que mais do que duplicará a sua capacidade ao passar de 60 para 139 gabinetes de atendimento, com o objetivo de responder de forma eficaz às prementes necessidades da população micaelense e açoriana.
O desenho deste novo figurino para o HDES resultou de um amplo processo participativo e multidisciplinar, que envolveu mais de 75 profissionais e responsáveis ao longo de meia centena de reuniões de trabalho, garantindo que as reais debilidades e desafios da instituição fossem devidamente acautelados. Ao todo, realizaram-se 42 reuniões dedicadas à validação dos circuitos e fluxos clínicos com as diferentes especialidades médicas e outras oi-to sessões focadas nos serviços não clínicos, culminando num projeto que promete modernizar os cuidados de saúde da região.
“O Conselho do Governo concluiu a apreciação da versão final do Programa Funcional desenvolvido para a Reparação, Reorganização e Redimensionamento do HDES, na sequência das orientações dadas pelo Governo Regional e do trabalho da Comissão de Análise, que procedeu à discussão e ponderação daquele documento e da auscultação de todos os diretores dos serviços clínicos e não clínicos do HDES”, afirmou o Presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, assegurando que todas as fases do procedimento futuro continuarão sujeitas à validação do seu executivo através da prestação regular de informação.
Antes da sua implementação no terreno, o documento será alvo de uma ronda de auscultação e partilha política e social com as forças vivas da comunidade açoriana e, em particular, da maior ilha do arquipélago. O líder do executivo revelou que determinou que a empresa de consultoria Antares proceda, previamente, à apresentação do Programa Funcional aos partidos com assento na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, aos Municípios e à Mesa do Conselho de Ilha de São Miguel, garantindo a transparência de um processo vital para o futuro da saúde pública regional.
Além do incremento das camas e consultas, o plano foca-se na otimização de serviços críticos através do reforço dos hospitais de dia, onde a hemodiálise crescerá para 35 monitores e a oncologia para 16 postos, a par do alargamento do Hospital de Dia Polivalente. A futura estrutura hospitalar passará a cumprir as mais exigentes normas e melhores práticas internacionais, destacando-se a criação de novas valências há muito desejadas na região, como uma Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos, uma sala híbrida no bloco operatório, uma unidade dedicada em exclusivo à cirurgia de ambulatório e a ampliação global dos espaços e circuitos de emergência no Serviço de Urgência.

O Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, deu um passo histórico na modernização dos seus serviços de saúde com a realização da primeira cirurgia assistida por um novo robô ortopédico. O presidente do Governo regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, presenciou esta terça-feira, 7 de julho, à sessão inaugural da utilização do novo robô cirúrgico. O chefe do executivo classificou o acontecimento como um marco fundamental para o desenvolvimento do Serviço Regional de Saúde (SRS).
Este equipamento cirúrgico de vanguarda exigiu um investimento de 1,1 milhões de euros no HDES, financiado através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Somando-se ao dispositivo idêntico já operacional no Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira (HSEIT), o investimento global da tutela na modernização tecnológica hospitalar ascende a 2,35 milhões de euros.
O diretor do Serviço de Ortopedia do HDES, António Rebelo, destacou o impacto técnico e clínico da nova tecnologia no tratamento dos doentes, afirmando que “este é um robô cirúrgico ortopédico que nos vai trazer uma performance melhorada a todos os níveis. Vamos conseguir reproduzir tanto quanto possível a anatomia do doente com pós-operatórios mais rápidos, com menos dor”, afirma.
O responsável clínico detalhou ainda o plano de implementação progressiva do equipamento na unidade hospitalar. “Iniciamos com o joelho e a breve trecho anca e para o ano que vem para a articulação do ombro. É um momento marcante para o HDES, estamos na linha da frente com as novas tecnologias”, assegura o clínico.
Na mesma ocasião, José Manuel Bolieiro sublinhou que a dotação destes recursos responde à ambição dos profissionais do setor e posiciona a região na vanguarda da inovação médica: “A robótica cirúrgica representa um futuro de enorme alcance para a saúde nos Açores. Este robô ortopédico será um auxílio decisivo para os profissionais e, sobretudo, para os doentes, permitindo cirurgias mais precisas, tempos operatórios mais curtos, recuperações mais rápidas e menos dolorosas. Estamos a valorizar a capacidade de servir melhor os nossos doentes, mas também a responder a uma ambição legítima dos nossos profissionais de saúde.”
Esta medida integra-se na estratégia global de transformação do SRS promovida pelo executivo. Entre 2021 e 2026, o investimento alocado ao HDES superou os 25 milhões de euros, dos quais cerca de 14 milhões de euros provêm do PRR. Paralelamente, registou-se um reforço do capital humano da instituição, que conta atualmente com 2.418 profissionais (mais 434 do que em 2019), incluindo oito especialistas e sete médicos internos na valência de Ortopedia.
Os indicadores de produtividade formalizados pela direção do hospital validam este trajeto. Em 2025, o HDES registou um aumento de 12% nas consultas, de 10% na atividade cirúrgica global e de 26% nas cirurgias com internamento, tendência que se mantém consolidada no primeiro semestre de 2026.
A modernização da unidade abrange ainda a integração de Inteligência Artificial no apoio ao diagnóstico urgente — como a deteção precoce de Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) — e programas de melhoria clínica contínua, como o projeto “STOP Infeção 2.0”, que evitou 24 óbitos na Unidade de Cuidados Intensivos.
O líder do executivo açoriano enquadrou este esforço numa política global de inovação, concluindo: “Demos prioridade à capacitação tecnológica, digital e robótica do nosso SRS. Estamos a passar das palavras aos atos em várias unidades de saúde dos Açores, construindo um sistema mais moderno, mais qualificado e preparado para responder aos desafios do futuro. A modernização faz-se com tecnologia, mas faz-se, acima de tudo, com pessoas”.

Maria João Pereira
Farmacêutica
A hepatite C é uma infeção causada pelo vírus da hepatite C, responsável por causar inflamação no fígado. É uma doença de resolução espontânea em cerca de 20 a 30% dos casos; no entanto, pode evoluir para uma infeção crónica. Estima-se que cerca de 170 milhões de pessoas no mundo tenham hepatite C crónica, dos quais 40 mil em Portugal.
A hepatite C transmite-se pelo contacto com sangue contaminado, nomeadamente pela partilha de seringas contaminadas, transfusões de sangue realizadas antes de 1992, transmissão da mãe para o filho aquando da gravidez ou parto (transmissão perinatal) e relações sexuais desprotegidas. A hepatite C não se transmite por beijos, abraços, partilha de comida ou talheres, pelo que o estigma não deve existir.
É possível prevenir a hepatite C através da não partilha de seringas e objetos cortantes, garantindo o uso de material esterilizado no caso de tatuagens, piercings e procedimentos médicos, utilização de preservativo, rastreios em grávidas para prevenir a transmissão perinatal. Outra forma essencial de prevenção é o rastreio, em especial nos grupos de risco – consumidores de drogas injetáveis, pessoas que receberam transfusões de sangue anteriores a 1992, indivíduos com múltiplos parceiros sexuais, indivíduos que fizeram piercings e/ou tatuagens sem as devidas condições de higiene.
Por se tratar de uma doença crónica maioritariamente assintomática, o seu diagnóstico torna-se difícil. Os sintomas da hepatite C aguda surgem, geralmente, entre 2 a 12 semanas após a exposição ao vírus e o indivíduo pode apresentar sintomas semelhantes a uma gripe, sintomas gastrointestinais, dores na zona do fígado, problemas de concentração e icterícia – coloração amarelada da pele e dos olhos, um sinal bastante característico. A cronicidade está associada a problemas hepáticos, como cirrose, insuficiência hepática e cancro do fígado.
Os sintomas são frequentemente inespecíficos, podendo instalar-se uma infeção crónica sem que o indivíduo apresente sinais evidentes de doença. Assim, o diagnóstico é feito através da pesquisa de anticorpos contra o vírus da hepatite C e, posteriormente, pela confirmação da presença do vírus através de análises mais específicas.
Portugal dispõe de medicamentos inovadores para o tratamento da hepatite C, com taxas de cura entre 95 e 97%. Estes tratamentos consistem em antivirais de ação direta, medicamentos com esquemas terapêuticos simples, curtos e eficazes. Na maioria dos casos, o tratamento dura entre 8 a 12 semanas, especialmente quando a doença é diagnosticada precocemente.
Pelo menos uma vez na vida, todos deveriam realizar o teste de rastreio para a hepatite C. Um resultado positivo não significa o fim: felizmente, dispomos de um sistema de saúde que disponibiliza gratuitamente tratamentos altamente eficazes e potencialmente curativos.
Apesar de muitas vezes silenciosa, a hepatite C continua a afetar milhares de pessoas que desconhecem viver com a infeção. Falar sobre esta doença, promover o rastreio e combater o estigma são passos fundamentais para a sua erradicação. Um simples teste pode significar um diagnóstico precoce, acesso a tratamento e a possibilidade real de cura. Ninguém deve sentir vergonha ou medo de procurar ajuda: a hepatite C é uma doença como qualquer outra e merece ser encarada com informação, empatia e responsabilidade. Consciencializar é proteger — e diagnosticar atempadamente pode salvar vidas.

O Serviço Regional de Saúde deu um passo histórico na modernização tecnológica e na diferenciação dos cuidados prestados aos utentes açorianos. O Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira (HSEIT) acolheu a primeira intervenção cirúrgica com recurso a um robô ortopédico na Região Autónoma dos Açores, assinalando o arranque oficial desta valência médica nas ilhas. De acordo com a nota de imprensa enviada pelo executivo regional, o momento foi presenciado pelo presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, que sublinhou o impacto desta inovação. “Estamos a inaugurar a possibilidade da robótica cirúrgica. Esta era uma necessidade e estamos hoje a celebrar este momento”, afirmou o governante, aproveitando a ocasião para deixar um reconhecimento público à administração hospitalar e aos profissionais do HSEIT pelo empenho em reforçar a capacidade de resposta aos doentes. “Este hospital tem instalações magníficas e profissionais briosos. O objetivo é aumentar a sua diferenciação, as suas capacidades e também torná-lo mais atrativo para mais profissionais”, acrescentou.
A introdução desta tecnologia de ponta resulta de um investimento estratégico global que ascende a 2,35 milhões de euros (acrescidos de IVA), financiado através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), na componente destinada à modernização e requalificação da saúde. Este pacote financeiro permitiu a aquisição de dois sistemas de cirurgia robótica ortopédica: o equipamento agora estreado na Ilha Terceira, orçado em 1,25 milhões de euros, e um segundo sistema, no valor de 1,1 milhões de euros, destinado ao Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, aproximando esta inovação também dos utentes de São Miguel. A cirurgia robótica destaca-se por permitir uma maior precisão nos procedimentos, um planeamento cirúrgico refinado, menor invasividade e uma recuperação pós-operatória visivelmente mais rápida e eficaz. O executivo antecipa elevados ganhos em saúde, traduzidos na redução do tempo de internamento, na diminuição das sessões de fisioterapia necessárias e na quebra de custos sociais indiretos, como o absentismo laboral, estando já previstos estudos específicos para avaliar o impacto clínico e operacional desta tecnologia.
O ato inaugural no bloco operatório contou ainda com a presença da secretária regional da Saúde e Segurança Social, Mónica Seidi, do presidente do Conselho de Administração do HSEIT, Paulo Diz, da diretora clínica, Rute Couto, da diretora do Bloco Operatório, Lisandra Martins, e da responsável pelo Bloco Operatório, Sandra Pavão. Após acompanharem o procedimento cirúrgico, a comitiva governamental e os responsáveis hospitalares prosseguiram com uma visita de trabalho à Unidade de Cuidados Intermédios Cardíacos (UCIC) e avaliaram o andamento das obras de instalação do novo angiógrafo, infraestruturas que complementam o forte investimento em equipamentos no hospital terceirense, que já soma 15 milhões de euros acumulados entre os anos de 2021 e 2026.

O Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, recebeu este sábado, 9 de maio, uma visita de elevada importância institucional e espiritual no âmbito das celebrações em honra do Senhor Santo Cristo dos Milagres. Segundo notícia veiculada pela agência Igreja Açores, a Eucaristia realizada na capela do terceiro piso foi presidida pelo Núncio Apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa Coso, representante do Papa, que visita os Açores pela primeira vez após ter sido nomeado em dezembro passado.
O momento, que marca a passagem das maiores festividades religiosas da região pela unidade de saúde, não se limitou ao altar, estendendo-se numa procissão pelas alas de internamento e pela Ala Poente. O objetivo central desta iniciativa, organizada pela Capelania do Hospital com o apoio de voluntários, foi levar o conforto, a bênção e a imagem do “Ecce Homo” diretamente aos utentes e aos profissionais do Serviço Regional de Saúde que asseguram a missão de cuidar mesmo em dias de festa.
Durante a celebração, o prelado destacou a profunda ligação entre o humanismo e a prestação de cuidados de saúde, reforçando que instituições públicas e religiosas “estão ao serviço das mesmas pessoas”. D. Andrés Carrascosa Coso, que recordou os seus 41 anos de missão e o contacto prévio com a devoção açoriana no Canadá, enfatizou o papel da fé como luz em contextos de fragilidade e incerteza. “A fé em Deus não elimina a dor nem a doença, mas ilumina-as”, afirmou o Núncio Apostólico, sublinhando que o maior milagre reside na compaixão e na certeza de que ninguém está sozinho no sofrimento.
“O objetivo é levar o conforto, a esperança e a bênção diretamente aos nossos utentes e aos profissionais do Serviço Regional de Saúde que, mesmo em dias de festa, mantêm a sua missão de cuidar”, reiterou, consolidando a tradição de proximidade que define a identidade do hospital de Ponta Delgada neste feriado regional.

O Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, deu um passo decisivo na vanguarda da segurança hospitalar ao apresentar, no passado dia 13 de abril, o balanço final do projeto STOP Infeção 2.0. Segundo uma nota de imprensa enviada pela instituição hospitalar às redações, a unidade de saúde açoriana conseguiu eliminar totalmente as bacteriemias por cateter na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) entre 2022 e 2025. Este esforço de melhoria contínua não só elevou os padrões clínicos para níveis superiores à média nacional, como permitiu evitar 141 casos de infeção no triénio, traduzindo-se numa poupança direta de 439 mil euros para os cofres públicos da região.
O sucesso da iniciativa, que se enquadra no Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e Resistências aos Antimicrobianos (PPCIRA), assenta na aplicação da metodologia “Planear-Fazer-Estudar-Agir”. O desempenho mais notável foi registado na UCI, onde a taxa de incidência de bacteriemia associada a cateter venoso central caiu de 2,72% em 2022 para uns absolutos 0,00% nos últimos dois anos. No mesmo período, as infeções urinárias associadas a cateter baixaram 66,5% e as pneumonias associadas à intubação reduziram cerca de 45%. Mais do que estatísticas, estes números representam um impacto humano profundo, com a estimativa de 24 mortes evitadas graças à adoção de protocolos rigorosos, como o uso sistemático de checklists e a padronização de procedimentos clínicos.
Para além de salvar vidas, a eficiência do projeto STOP Infeção 2.0 refletiu-se na gestão de recursos, libertando 1.464 dias de internamento que seriam consumidos por complicações hospitalares. Este resultado é particularmente significativo dado que foi alcançado num período de grandes desafios organizacionais e escassez de recursos humanos, culminando no reconhecimento público dos resultados na Alfândega do Porto. A nota de imprensa do HDES sublinha ainda que a adesão total dos profissionais de saúde aos novos protocolos foi o fator determinante para consolidar esta cultura de segurança, reafirmando o compromisso da maior unidade de saúde dos Açores com a excelência dos cuidados prestados aos utentes.