
DL: Quais os principais indicadores que definem o desempenho do turismo nos Açores nos últimos dois anos, nomeadamente em termos de dormidas, receitas e sazonalidade?
Atendendo a uma perspetiva meramente quantitativa, percebemos que o crescimento das dormidas (13,6% em 2024 e 4,3% em 2025) e das receitas (18,6% em 2024 e 9,5% em 2025) traduz um desempenho positivo do turismo nos Açores. Com estes dados, podemos constatar que temos crescido mais em receitas, ou seja, em valor, do que em quantidade de dormidas, o que nos dá a certeza de incremento da valorização do destino e a perspetiva de sustentabilidade do setor do turismo. Em 2025, superámos, pela primeira vez na nossa história, as 4,5 milhões de dormidas e os 206 milhões de proveitos de hotelaria. E, de facto, desde 2022, temos crescido todos os anos e superado as melhores marcas em todos os indicadores de desempenho turístico. Temos também vindo a reduzir a taxa de sazonalidade (42,6% em 2025) de forma paulatina, sistemática e segura, sobretudo com o crescimento da shoulder season, quer antes quer depois do pico do verão.
DL: Que mercados emissores registaram maior crescimento recente e quais lideram atualmente o volume de visitantes nas ilhas?
Pela juventude do destino Açores e pela própria dimensão atual do mercado turístico na Região, temos mercados emissores onde ainda se registam números muito voláteis e que apresentam taxas de crescimento muito grandes. Em 2025, o nosso principal mercado emissor estrangeiro foi a Alemanha, que cresceu 12%. Em segundo lugar, ficaram os EUA, que cresceram muito nos últimos anos (37,5% em 2023 e 14,5% em 2024), mas que se retraíram muito em 2025 e apenas cresceram 1%, em virtude da alteração do perfil da política interna e externa desse país. O Canadá também é um mercado que está a ganhar muita expressão nos Açores, pois cresceu 11,9% em 2025 e beneficia agora de mais ligações aéreas diretas com a Região. Para além de Espanha (+3,4%) e França (+ 6,3%), que são tradicionalmente importantes mercados emissores para os Açores, há ainda outros países a crescer de forma significativa e com potencial para intensificar essa evolução, como Suíça (+10,1%), Reino Unido (+12,3%), Áustria (24,6%) ou Noruega (+25,8%).
DL: No caso específico do Brasil, que evolução tem sido observada no fluxo de turistas, quais as principais cidades de origem e que perfil caracteriza estes visitantes?
O mercado brasileiro tem crescido de forma irregular nos últimos anos, tendo registado, por exemplo, um incremento de 30,4% em 2023 e apenas 4,7% em 2025. Não é um dos mercados tradicionalmente mais fortes no fluxo de turistas para os Açores, até porque não há ligações aéreas diretas entre os Açores e o Brasil. Porém, figura no top 20 dos mercados emissores estrangeiros e representa um mercado com grande potencial, sobretudo considerando as ligações históricas que existem com a emigração dos Açores para vários estados brasileiros, como é o caso de Santa Catarina.
DL: Entre os residentes açorianos, quais são as ilhas mais procuradas para turismo interno e que fatores explicam essas preferências?
O Governo dos Açores implementou, em 2021, a ‘Tarifa Açores’, que permite que cada residente na Região viaje para outra ilha por apenas 60€ (ida e volta). Isso estimulou muito a mobilidade interna e circulação de pessoas nas nossas ilhas, com impacto direto no turismo interno. Por esse motivo, todas as nove ilhas têm, hoje, uma dinâmica turística significativa. Naturalmente que ilhas maiores, como São Miguel, Terceira, Faial e Pico, têm capacidade de acolher mais visitantes, mas recursos distintivos como os que existem, por exemplo, na ilha das Flores, também induzem muito as viagens de turismo interno. A ilha de Santa Maria é a única ilha onde atualmente a proporção de visitantes portugueses é maior que os visitantes estrangeiros e isso deve-se muito ao turismo interno.
DL: Que investimentos em infraestruturas turísticas e acessibilidades têm sido considerados prioritários para responder ao aumento da procura?
Os Açores são uma região ultraperiférica da União Europeia, localizados em pleno Oceano Atlântico, e compostos por nove ilhas dispersas e muito heterogéneas em dimensão. Isso implica uma dependência total (não há outra opção) do sistema de transporte aéreo para a chegada e partida de passageiros, sejam residentes ou turistas. Logo, as acessibilidades aéreas são um desafio constante, o que levou a um investimento na promoção turística e na atração de companhias aéreas que operassem rotas diretas desde a Europa e a América do Norte. Em 2025, temos 16 companhias aéreas a operar na Região, o que contrasta com apenas sete em 2019. Temos, também, investido muito nos nossos portos e nos aeroportos sob a responsabilidade do Governo Regional, com o intuito de melhorar as nossas portas de entrada, mas também as condições de operação da iniciativa privada. Em termos públicos, temos investido, ainda, nas várias valências de turismo de natureza, que é o nosso produto turístico prioritário, incluindo trilhos pedestres, circuitos de BTT, canyoning, birdwatching, entre outros, para além de termos promovido a evolução dos modelos de qualificação do turismo de wellbeing e da valorização de instâncias termais distintivas nas nossas ilhas. Por outro lado, em termos privados, temos assistido a uma grande dinâmica de investimento, em toda a cadeia de valor do turismo, e o surgimento de inúmeros negócios e empresas, com um destaque muito particular para o volume de investimento associado à atividade de alojamento turístico, cuja oferta cresceu mais de 30% em apenas quatro anos (2022-2025).
DL: Como avalia a atual capacidade de resposta das ilhas em termos de alojamento, transportes e serviços turísticos face ao crescimento da procura?
O crescimento da procura turística nos Açores foi muito rápido nos últimos anos. Em 2015, deu-se a liberalização parcial do espaço aéreo da Região e isso permitiu o início de operação de companhias áreas low cost, que dinamizaram o mercado e trouxeram um grande incremento da procura. Os Açores não tinham uma oferta hoteleira que permitisse absorver essa procura e foi por via do Alojamento Local – pequenos alojamentos particulares de pessoas singulares – que se deu o crescimento e a diversificação da oferta de alojamento na Região. Entretanto, com a consolidação do crescimento turístico, foram surgindo sucessivamente novos empreendimentos turísticos, incluindo muitos hotéis. Atualmente, a Região já apresenta uma oferta de alojamento muito expressiva e ainda em evolução. O Alojamento Local ainda predomina, assumindo protagonismo, sobretudo em ilhas de menor dimensão onde a oferta hoteleira é diminuta. Paralelamente, registou-se um grande crescimento e uma importante diversificação na oferta de animação turística, que hoje disponibiliza experiências de grande qualidade, em mar ou em terra, na natureza ou nas cidades, a quem nos visita. Os serviços de restauração também evoluíram muito, enfrentando ainda alguns desafios setoriais que os vão conduzir, certamente, a patamares ainda mais elevados de qualidade, assim como várias outras atividades de suporte, como é o caso dos serviços de transporte. Em termos gerais, está a haver uma progressão sustentada, que nos dá confiança e boas perspetivas agora e no futuro.
DL: Que programas de apoio, incentivos ou produtos turísticos estão disponíveis para reforçar a qualificação da oferta e apoiar operadores locais?
A Região Autónoma dos Açores, no âmbito do quadro financeiro plurianual 2021-2027 da União Europeia, dispõe de um sistema de incentivos ao investimento denominado Construir 2030, visando a dinamização da atividade privada, incluindo a qualificação de várias atividades da cadeia de valor do turismo. Do mesmo modo, a Região possui vários incentivos à formação profissional e ao emprego, que permitem apoiar a qualificação e a contratação de recursos humanos. Há, ainda, incentivos destinados a entidades sem fins lucrativos, visando a organização e a dinamização de eventos e de iniciativas de promoção do destino Açores. Ao nível dos produtos turísticos, há várias iniciativas e medidas lideradas pelo Governo dos Açores, que têm potenciado a valorização e o aproveitamento de recursos turísticos locais por empresas e outras entidades, incluindo a Rede Regional de Percursos Pedestres, a rede Cycl’in Azores, as Rotas Açores – Itinerários Culturais e Paisagísticos, e a concessão de estabelecimentos termais e serviços de shuttle em determinadas atrações turísticas.
DL: Quais são as principais linhas estratégicas definidas para o futuro do turismo nos Açores, tendo em conta a sustentabilidade, diversificação de mercados e equilíbrio territorial?
Aquilo que temos defendido e que está inscrito no Plano Estratégico e de Marketing do Turismo dos Açores (PEMTA 2030) é que os residentes devem estar no centro da estratégia de desenvolvimento turístico. O turismo só será bom enquanto for bom para quem nos visita, mas sobretudo, para quem reside nos Açores. Essa premissa é fundamental para determinar a capacidade de acolher turistas e garantir a sustentabilidade da nossa economia, sistema social e ambiente. O facto de sermos nove ilhas traz uma dimensão acrescida a esta premissa, mas também permite-nos perceber que temos condições para dispersar os turistas por mais parcelas de território e durante mais tempo. O nosso propósito é ter turismo todo o ano e em todas as ilhas, criando as condições para um desenvolvimento equilibrado e que crie valor para todos os Açorianos. Para atingir esse grande desígnio, temos quatro objetivos fundamentais: 1) consolidar internacionalmente os Açores enquanto destino turístico sustentável, liderando pelo exemplo; 2) Reduzir a sazonalidade e distribuir os fluxos turísticos, gerindo as capacidades de carga; 3) Elevar os padrões de qualidade e gerar mais valor, modernizando práticas, criando sistemas de informação, qualificando a mão de obra, evoluindo no enquadramento das atividades turísticas; e 4) Alavancar a notoriedade junto do consumidor final, apostando na digitalização da promoção e na disseminação internacional do destino Açores.

O Grupo Bensaude acaba de chegar a um acordo para a integração do Caloura Hotel Resort no portfólio da Bensaude Hotels Collection, segundo comunicado do grupo.
O Caloura Hotel Resort está localizado na costa sul da ilha de São Miguel, na baía da Baixa da Areia, em Vila de Água de Pau, concelho de Lagoa, numa área natural protegida, com acesso direto ao mar e às piscinas naturais. Dispõe de piscina exterior, ginásio, sauna, campo de ténis, restaurante e 80 unidades de alojamento, entre quartos duplos, familiares e suites, todos com vista privilegiada para o mar.
Segundo o Grupo Bensaude, trata-se de “uma aposta estratégica que consolida a presença hoteleira do grupo nos Açores, onde agora detém seis unidades hoteleiras na ilha de São Miguel, duas na ilha Terceira e uma na Ilha do Faial”. A Bensaude Hotels Collection também está presente na capital portuguesa com um hotel.
O acordo estabelecido entre as entidades Caloura Hotel Resort, S.A e Bensaude Turismo, SGPS reforça o compromisso da Bensaude Hotels Collection em expandir a sua oferta de alojamento nos Açores, respondendo à crescente procura turística.
Segundo o Serviço Regional de Estatística dos Açores, nos primeiros nove meses do ano, os Açores registaram cerca de 3,5 milhões de dormidas, representando um acréscimo 11,2 por cento face ao período homólogo, refere ainda a nota.
O grupo acredita que esta unidade hoteleira, com a sua localização privilegiada e reputação, vai ser um complemento perfeito para o seu portefólio nos Açores.
Ao adquirir o Caloura Hotel Resort, a Bensaude Hotels Collection refere que assume o compromisso de preservar o legado daquela unidade, bem como a continuidade das suas equipas, elemento central do seu projecto de desenvolvimento futuro.
A Bensaude Hotels Collection – Azorean Hospitality é, atualmente, composto por seis hotéis na ilha de São Miguel: Grand Hotel Açores Atlântico, Terra Nostra Garden Hotel, Hotel Marina Atlântico, São Miguel Park Hotel, NEAT Hotel Avenida e o Caloura Hotel Resort. Dois na ilha Terceira: Terceira Mar Hotel e Hotel do Caracol. Um na ilha do Faial: Hotel do Canal. E um em Lisboa: Hotel Açores Lisboa, somando um total de dez hotéis.

O Hotel DoubleTree by Hilton, situado na Avenida da Inovação, na cidade da Lagoa, abre portas esta quarta-feira, 19 de junho, com inauguração marcada para as 18h00.
O hotel tem 101 quartos e 189 camas, e cria quase 60 postos de trabalho. Inclui SPA, piscina coberta e ao ar livre, ginásio, restaurante, bar interior e exterior, carregamento de veículos elétricos e salas de reunião e eventos.
Há quatro anos que se aguardava a conclusão da construção do novo hotel e a sua abertura. O projeto foi apresentado em 2018 e a primeira pedra lançada a 21 de novembro de 2019. Previa-se a abertura no terceiro trimestre de 2020. No entanto, no inicio da pandemia, em março de 2020, as obras foram suspensas. Uma notícia do jornal Público, de 2 de dezembro de 2020, lançava a abertura para 2022, mas não se chegou a concretizar.
Mais recentemente, João Henriques, da Let’s Sea Azores, numa entrevista ao programa “Açores hoje”, de dezembro de 2023, afirmou que o hotel estava “praticamente pronto”, e que abriria portas a 1 de maio.
Aproximando-se o dia, o Diário da Lagoa (DL), no mês de abril, verificou no site do hotel que só era possível realizar reservas para estadias a partir de 19 junho, o que suscitou dúvidas sobre se a data de abertura ainda se mantinha. O DL foi saber junto do grupo hoteleiro se a abertura do DoubleTree ainda se confirmava. Segundo fonte do grupo Hilton, a abertura confirmava-se para maio. Todavia, não avançou o dia exato, sendo que a abertura só veio a acontecer agora em junho.
Primeira unidade hoteleira do grupo multinacional nos Açores, o DoubleTree Lagoa foi considerado Projeto de Interesse Regional (PIR). É um investimento da empresa Let´s SEA Azores – Sociedade de Investimentos e Turismo S.A., que candidatou o projeto ao Sistema de Incentivos para a Competitividade Empresarial Competir +. Trata-se de um investimento de cerca de 21 milhões de euros, segundo o Governo Regional.

Há quatro anos que a Lagoa aguarda a abertura do hotel DoubleTree by Hilton, de quatro estrelas, o primeiro empreendimento, nos Açores, do grupo Hilton, empresa internacional de hotelaria com 18 marcas e mais de seis mil propriedades.
A abertura estava marcada para 1 de maio, mas, aproximando-se o tão aguardado dia, o Diário da Lagoa (DL) verificou no site do hotel que só era possível realizar reservas para estadias a partir de 19 junho, o que suscita dúvidas sobre se a data de abertura ainda se mantém.
O DL foi tentar saber, junto do grupo hoteleiro, se a abertura ainda se confirma. Segundo fonte do grupo Hilton, a abertura confirma-se para maio. Todavia, não se sabe o dia exato, segundo a mesma fonte.
O hotel terá 101 quartos e 189 camas. Deverá criar 60 postos de trabalho. Terá SPA; piscina interior e exterior; ginásio; um restaurante, bar interior e exterior; carregamento de veículos elétricos e salas de reunião e eventos.
Recuando na história, o projeto foi apresentado em 2018 e a primeira pedra lançada a 21 de novembro de 2019. Previa-se a abertura no terceiro trimestre de 2020. No entanto, quando a pandemia rebentou, em março de 2020, as obras foram suspensas. Uma notícia do jornal Público, de 2 de dezembro de 2020, lançava a abertura para 2022, mas não se chegou a concretizar. Mais recentemente, João Henriques, da Let’s Sea Azores, entidade promotora, numa entrevista ao programa “Açores hoje”, de dezembro de 2023, afirmou que o hotel estava “praticamente pronto”, e que abriria portas a 1 de maio.
O DoubleTree Lagoa é um hotel de quatro estrelas e representa um investimento de cerca de 12 milhões de euros. Está situado na Avenida da Inovação, no tecnoparque da Lagoa, junto do hospital CUF, sendo vocacionado para o turismo de saúde.