
O jornal “As Notícias”, com sede no Reino Unido, lançou oficialmente, dia 5 de maio, no âmbito das comemorações pelo Dia Mundial da Língua Portuguesa, o “Grande Prémio da Literatura Portuguesa na Diáspora”, uma iniciativa com inscrições gratuitas e de âmbito internacional destinada a “reconhecer, valorizar e promover a criação literária de autores portugueses residentes fora de Portugal”, em duas categorias: Prosa e Poesia. As obras a concurso devem ter sido publicadas entre 5 de maio de 2024 e 6 de setembro de 2026.
De acordo com os seus organizadores, “com periodicidade anual, o prémio pretende afirmar-se como uma referência cultural da diáspora portuguesa, distinguindo obras de elevada qualidade escritas em língua portuguesa e incentivando a produção literária das comunidades portuguesas espalhadas pelos cinco continentes”, tendo como objetivo ainda “valorizar a ligação à língua e à cultura portuguesas através da escrita”.
A iniciativa, que conta com inscrições gratuitas, contempla duas categorias: Prosa e Poesia, e destina-se a cidadãos com nacionalidade portuguesa residentes atualmente no estrangeiro, com idade mínima de 18 anos.
As obras a concurso devem ter sido publicadas entre 5 de maio de 2024 e 6 de setembro de 2026, não podem estar vinculadas a outros concursos nem tampouco terem sido já premiadas noutras oportunidades. Não são elegíveis autores residentes em Portugal, ainda que tenham sido emigrantes no passado. O encerramento das candidaturas acontece dia 6 de setembro 2026.
Serão atribuídos prémios pecuniários para os vencedores em cada categoria, no valor de 500 libras. Os trabalhos serão avaliados por um júri composto por personalidades de reconhecido mérito no panorama literário e cultural português.
“Mais do que um concurso literário, o projeto pretende dar visibilidade a autores que, muitas vezes longe dos grandes circuitos editoriais, contribuem de forma significativa para a riqueza e diversidade da literatura em português”, disseram os responsáveis.
Segundo apurámos, a primeira edição culminará com a cerimónia de entrega dos prémios em Thetford, na Inglaterra, dia 6 de novembro de 2026, integrada nas celebrações do 20.º aniversário do jornal “As Notícias”, quando “deverão estar presentes os concorrentes ou se fazerem representar”.
“Ao longo de décadas de emigração, milhões de portugueses construíram histórias de vida que fazem parte da memória coletiva do país. O “Grande Prémio da Literatura Portuguesa na Diáspora” nasce precisamente para preservar esse património humano, cultural e histórico, incentivando a escrita como veículo de memória, identidade e aproximação entre Portugal e as suas comunidades no estrangeiro”, afirmaram esses mesmos responsáveis pelo jornal localizado no Reino Unido, que sublinharam que, numa primeira fase, o projeto conta com a colaboração de vários órgãos de comunicação social da diáspora portuguesa, entre os quais “Agência Incomparáveis”, “RádioTV Lusa”, “Bom Dia”, “Gazeta Lusófona” e “LusoJornal”, além do apoio da Direção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas (DGACCP).
As candidaturas devem ser feitas on-line em: https://premio-literatura.com/candidaturas
O regulamento pode ser consultado em: https://premio-literatura.com/regulamento
Saiba mais sobre o “Grande Prémio da Literatura Portuguesa na Diáspora” em: https://premio-literatura.com/
Dúvidas podem ser enviada para o e-mail: joaonoronha@asnoticias.co.uk ou joaomarianoronha@yahoo.com

O Rock in Rio Lisboa 2026 encerrou no passado dia 28 de junho, a sua 11.ª edição, realizada no Parque Papa Francisco, com um balanço de cerca de 330 mil visitantes provenientes de 127 países ao longo dos quatro dias de evento (dois deles esgotados), anunciou a vice-presidente executiva do festival, Roberta Medina, durante a conferência de imprensa de encerramento, na qual confirmou também que o festival regressará ao mesmo recinto nos dias 17, 18, 24 e 25 de junho de 2028.
Ao apresentar o balanço final do certame, Roberta Medina reconheceu, contudo, que o público estrangeiro continua a representar apenas cerca de 8% da assistência.
“A gente não tem a intenção de que o Rock in Rio Lisboa deixe de ser um festival dos portugueses, feito pelos portugueses, para os portugueses, mas estamos prontos para receber a Europa toda“, frisou Medina, que realçou também que um dos objetivos futuros do evento passa precisamente por “aumentar esse número de visitantes internacionais”, considerando que isso significa “alimentar restaurantes, transportes e hotelaria” em Lisboa e contribuir para “posicionar Portugal entre os grandes destinos mundiais de cultura, turismo e entretenimento“.

Em declarações exclusivas à Agência Incomparáveis, Cora Souza, que integrou a organização da ativação da Embratur, do Ministério do Turismo do Brasil, no Rock in Rio Lisboa, explicou que o principal objetivo passou por aproximar o público europeu da diversidade turística brasileira.
“A principal função da Embratur é mostrar o Brasil para os mercados estrangeiros e a gente conseguir ter mais turismo no mercado brasileiro. Então, a gente faz uma ativação em que evidenciamos um pedacinho do nosso grande Brasil dentro de um evento como o Rock in Rio Lisboa, que gera oportunidade para as pessoas conhecerem e desejarem conhecer o Brasil pessoalmente“, sustentou.
Questionada sobre o impacto da iniciativa ao longo dos quatro dias do festival, a responsável afirmou que a reação do público superou as expetativas.
“Todas as pessoas que veem os vídeos que a gente sobre os destinos no Brasil pela realidade virtual, ou que escutam a nossa música, conseguem perceber um pouquinho dessa nossa alma brasileira”, ressaltou.
“Primeiro, eles saem daqui anestesiados, no sentido de maravilhados, de muita beleza que a gente tem, de muita animação, de muita vida, muita cultura; segundo, eles saem daqui com a viagem marcada. Todos já querem visitar o Brasil“, enfatizou.
Cora Souza referiu que muitos visitantes descobriram destinos que inicialmente não estavam nos seus planos.
“A gente tem vários pontos turísticos, mas o Brasil é muito grande, a gente tem muito mais para oferecer e muitas vezes a gente consegue mostrar outras possibilidades nesse tipo de ativação“, declarou.
Sobre a escolha do Rock in Rio Lisboa para a ação promocional, Cora Souza considerou que o festival reúne condições únicas para divulgar o destino Brasil junto de diferentes nacionalidades.
“A ligação entre Lisboa e Rio de Janeiro já é grande, então, o Rock in Rio, principalmente nessa edição, trouxe muitos artistas brasileiros. A Embratur apoiou também a vinda de artistas brasileiros para estar aqui nessa edição. A gente está a mostrar mais da cultura brasileira aqui em Portugal e a gente sabe que não são só portugueses que estão no evento, nós temos turistas de várias regiões da Europa também. E acho que faz a gente crescer o brilho”, afirmou.
No espaço da Embratur, os visitantes puderam ainda experimentar um totem interativo, disponível em português, espanhol e inglês, onde, através de auscultadores, ouviam uma música brasileira escolhida aleatoriamente e indicavam o sentimento que essa canção lhes transmitia. A partir dessa escolha, o sistema sugeria diferentes experiências turísticas relacionadas com o Brasil, incluindo paisagens naturais, gastronomia, património, cultura, povos originários e roteiros temáticos, disponibilizando ainda um QR Code que dava acesso a playlists como “Belezas Naturais”, “Brasil Rural”, “Música e Gastronomia”, “Património, História e Cultura”, “Sons Amazónicos”, “Rio-Samba-Bossa-Funk”, “Trilha dos Orixás” e “Sambas Enredos”.
Outra das experiências mais procuradas foi a realidade virtual, que permitiu aos visitantes conhecer diferentes regiões brasileiras através de óculos imersivos.
“Nos quatro dias de evento, nós tivemos aqui óculos de realidade virtual com cinco experiências em que passavam pelo Pantanal, pelo Rio de Janeiro, pela Amazônia, pelos Lençóis Maranhenses e por Fernando de Noronha, para que as pessoas conseguissem ter não só as paisagens, mas também sentir como é estar nesse lugar, conviver com as pessoas dessa região“, explicou Cora Souza.
Relativamente ao que mais desperta o interesse do público português, esta responsável revelou que existe “muita curiosidade sobre a Amazônia, que eu acho que é mais diferente para os portugueses, mas eu acho que todas as paisagens naturais trazem essa curiosidade para que eles visitem, mas eu diria sobretudo o mar com a água quentinha, que os portugueses não têm aqui”.
Ao longo de quatro dias, o Rock in Rio Lisboa 2026 recebeu atuações de Katy Perry, Linkin Park, Rod Stewart, Cyndi Lauper, Joss Stone, Pedro Sampaio, Matuê, Rema, Central Cee, 21 Savage, Carlão, Dennis, Ceelo Green, Valete, Lola Índigo e Karetus, entre muitos outros artistas.
Entre os momentos mais marcantes estiveram o regresso dos Linkin Park, perante uma Cidade do Rock lotada, os espetáculos de Katy Perry e de Rod Stewart, o maior “cavalinho” do mundo protagonizado por Pedro Sampaio, a curadoria especial dos Xutos & Pontapés com o projeto “Classe de 79”, o espetáculo aéreo The Flight, o Stage for a Better World, as transmissões dos jogos da Seleção Nacional portuguesa na Arena do Futebol e os espetáculos audiovisuais e pirotécnicos que encerraram cada noite, reforçando aquela que a organização classificou como a “maior edição da história do festival”.

A rede de instituições da diáspora açoriana conta, a partir desta semana, com um novo e estratégico ponto de apoio em território nacional. O secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão, enalteceu esta terça-feira, 21 de abril, em Ponta Delgada, a assinatura do termo de cooperação que formaliza a criação da Delegação Oficial da Casa dos Açores de Minas Gerais (CAMG) em Portugal continental. Segundo uma nota de imprensa enviada às redações, o documento foi subscrito pelo presidente da referida Casa, Claudio Luciano Valença Motta, e pelos representantes da entidade parceira NEW-New Economy World, Alexandre Brodheim e Pedro Gouveia, estabelecendo as bases para promover as atividades da instituição mineira junto da comunidade residente no continente.
Para o governante, este passo é um reflexo claro da vitalidade das nossas comunidades, classificando a Casa de Minas Gerais como uma entidade “recente, mas com um grande grau de criatividade, de competência e com um dinamismo extraordinário”. Paulo Estêvão sublinhou a importância estratégica de estreitar relações com Minas Gerais, lembrando tratar-se de um estado com mais do dobro da população portuguesa. “É vital ter um conjunto de relações de caráter cultural e institucional cada vez mais intensas”, defendeu o secretário regional, traçando um paralelo com o trabalho histórico já desenvolvido com outras Casas dos Açores no Brasil.
Esta iniciativa surge num contexto de afirmação da identidade açoriana à escala global, onde o Executivo açoriano apoia atualmente uma rede de 20 Casas dos Açores espalhadas pelo mundo, desde o Uruguai ao Canadá, com forte presença no Pacífico. “Os açorianos não se resumem aos 244 mil habitantes destas nove ilhas, pelo contrário, somos uma grande região cultural com mais de quatro milhões de açorianos e descendentes”, afirmou Paulo Estêvão, reforçando que estes vínculos intercontinentais superam hoje o tradicional “turismo de saudade”, atraindo projetos conjuntos que beneficiam diretamente a Região Autónoma.
A oficialização desta delegação ocorreu durante a visita oficial que uma comitiva da Casa dos Açores de Minas Gerais realiza ao arquipélago até à próxima sexta-feira. Com passagens previstas por São Miguel e pelo Faial, o programa inclui reuniões com autoridades autárquicas e membros do Governo, além de momentos culturais de relevo. Entre as iniciativas destacam-se a apresentação do livro “Somos Açores – Um arquipélago vivo pela ação das Casas dos Açores”, do jornalista Ígor Lopes, e a encenação da peça “Quando o Mar Galgou a Terra”, pela atriz brasileira Eleonora Marino Duarte, consolidando a união entre a raiz insular e a expansão mineira.

Entre os dias 7 e 14 de abril, o jornalista e escritor luso-brasileiro Ígor Lopes vai estar presente no arquipélago açoriano para apresentar a sua mais recente obra. Trata-se da segunda edição, revista e ampliada, de: “Somos Açores – Um Arquipélago Vivo pelas Ações das Casas dos Açores no Brasil”, que será lançado em três cenários distintos: Corvo, Flores e Ponta Delgada. Escrito no formato livro-reportagem, o livro oferece uma visão única sobre como as ilhas dos Açores são retratadas e mantidas vivas além-mar, com especial destaque para o papel das Casas dos Açores em vários Estados do Brasil, como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Maranhão, Bahia, São Paulo, Espírito Santo e Santa Catarina. A novidade desta edição é a inclusão das informações, após entrevistas, da Casa dos Açores de Minas Gerais, recentemente criada.
Este projeto literário foi apoiado pelo Governo Regional dos Açores, através da Direção Regional das Comunidades, e editado pela Amazon.
“Somos Açores – Um Arquipélago Vivo pelas Ações das Casas dos Açores no Brasil”, segunda edição, revista e ampliada, conta com José Andrade, diretor Regional das Comunidades, e Adélio Amaro, escritor e responsável pela BibliRuralis, como prefacistas. Também José Manuel Bolieiro, presidente do governo regional dos Açores, participa com uma mensagem aos açordescendentes. Daniel Evangelho Gonçalves, historiador, assina o posfácio, por sua vez, a jornalista Paula Machado, da RDP Internacional, é autora de um texto sobre o escritor luso-brasileiro.
Ao longo de 138 páginas estão entrevistas aos presidentes das Casas dos Açores no Brasil, num período entre 2022 e 2026, com o intuito de revelar os contornos que levaram à criação dessas entidades açorianas no maior país da América do Sul. É também examinado o importante trabalho dessas instituições que, há décadas, preservam e promovem a cultura açoriana no Brasil, fortalecendo os laços históricos e culturais entre o arquipélago e a nação irmã de Portugal. Ao ler este livro, mergulhamos na rica história dessas casas, explorando as suas ações e contribuições para fortalecer os laços culturais entre os açorianos e os seus descendentes em solo brasileiro.
“A ideia é que seja um livro vivo, dinâmico, que ganhe novas páginas sempre que o movimento associativo açoriano no Brasil se desenvolve e crie raízes. Por outro lado, mantemos uma memória da criação de cada entidade, com os seus contornos, desafios e ações”, explicou Ígor Lopes
A apresentação de “Somos Açores – Um Arquipélago Vivo pelas Ações das Casas dos Açores no Brasil”, segundo edição revista e ampliada, estará integrada no âmbito do IV Fórum das Migrações 2026, organizado pelo Governo Açoriano.
Por desejo do autor, esta nova edição será apresentada nas ilhas do Corvo e das Flores, ambas pertencentes ao Grupo Ocidental do arquipélago, caracterizando-se pelo seu isolamento, beleza natural, paisagens vulcânicas exuberantes e uma forte ligação ao oceano. Enquanto o Corvo é a menor e mais isolada, marcada pela simplicidade, as Flores destacam-se pela abundância de água e vegetação.
“Por essas razões, decidi levar a visão dos brasileiros e açordescendentes às duas ilhas. Estou feliz por poder, primeiro, conhecer essas duas comunidades e, depois, levar cultura e um pouco de luso-brasilidade, com sabor a Açores, aos corvinos e florenses”, sublinhou Ígor Lopes.
A agenda está organizada da seguinte maneira:
08/04 – Corvo – Salão Nobre da Câmara Municipal do Corvo – 18h30 – Apresentação: Dr. José Andrade, Diretor Regional das Comunidades – Governo dos Açores;
09/04 – Flores – Salão Nobre da Câmara Municipal de Santa Cruz das Flores – 18h30 – Apresentação: Dr. José Andrade, Diretor Regional das Comunidades – Governo dos Açores;
13/04 – Ponta Delgada – Livraria Letras Lavadas – 18h – Apresentação: Dra. Andrea Moniz DeSouza – Presidente da Associação dos Emigrantes Açorianos (AEA).
A primeira edição deste livro passou por diversas ilhas açorianas e pelo Brasil. Esta nova edição teve um pré-lançamento junto da comunidade açoriana e açordescendente no Uruguai e na Argentina, nos últimos dias.
Segundo o autor, “ao escrever “Somos Açores”, senti-me com uma grande responsabilidade de dar voz à resiliência da cultura açoriana longe do seu território de origem”.
“As Casas dos Açores no Brasil são guardiãs de uma identidade coletiva que sobrevive ao tempo e à distância. Espero que este livro inspire um novo olhar sobre a importância dessa preservação cultural. “Somos Açores” faz o caminho inverso de “Açores em Cores”. Este último, lançado em diversas cidades, procurou mostrar o arquipélago para o mundo, com foco também nos lusodescendentes. Agora, “Somos Açores” cruza o oceano saindo do Brasil para desembarcar nos Açores com boas novas. Sim, a açorianidade está viva em outras muitas paragens”, afirmou Ígor Lopes.

À margem do Prémio “Aproxima Portugal–Brasil”, o secretário de Estado da Cultura de Portugal, Alberto Santos, defendeu, em entrevista à Agência Incomparáveis — parceira do Diário da Lagoa —, que a cultura continua a ser o elo mais sólido entre portugueses e brasileiros, funcionando como uma ponte sem fronteiras num contexto de crescente mobilidade humana, cooperação institucional e afirmação da língua portuguesa no mundo.
Para o governante, a cultura é “a primeira ponte de ligação entre os povos, porque tem uma vantagem: não tem fronteiras, estabelece pontes”, sobretudo entre dois países que, embora separados pelo Atlântico, estão unidos por uma “grande história”.
Apesar de momentos de aproximação e também de algum distanciamento ao longo de mais de cinco séculos, o governante português considera que Portugal e Brasil sempre mantiveram elementos estruturais em comum, com especial destaque para a capacidade de comunicar e de cooperar através da língua portuguesa.
Segundo este responsável, a vitalidade da língua resulta da sua diversidade e da sua miscigenação.
“É a nossa base comum”, sublinhou, acrescentando que os fluxos migratórios históricos – primeiro de portugueses para o Brasil e, mais recentemente, de brasileiros para Portugal – reforçam a necessidade de investir na cultura como fator de integração, identidade e criatividade partilhada.
O secretário de Estado português destacou ainda a dimensão demográfica e geopolítica da língua portuguesa, recordando que o Brasil é o país do mundo com mais falantes de português e que, à escala global, o idioma ocupa hoje um lugar de relevo entre as línguas mais faladas, sendo dominante no hemisfério sul.
Para Alberto Santos, este capital linguístico deve ser usado de forma estratégica nas relações multilaterais, reforçando o posicionamento internacional conjunto de Portugal e do Brasil.
Questionado, enquanto escritor e profundo conhecedor da realidade brasileira, sobre que história ainda falta escrever entre os dois países, Alberto Santos sublinhou que “falta escrever o futuro”, acrescentando que esse futuro não apenas deve assentar na valorização do que une e não do que separa como também deve afastar leituras superficiais ou conjunturais.
No plano europeu e sul-americano, o governante português manifestou expetativa quanto ao avanço do acordo entre a União Europeia e o Mercosul, considerando que esse entendimento poderá abrir novas oportunidades também na área da cultura, o que reforça a ideia de que Portugal e Brasil funcionam como embaixadas naturais um do outro: o Brasil como grande plataforma da língua portuguesa nas Américas e Portugal como porta de entrada privilegiada na Europa.
Recorrendo a Fernando Pessoa (“A Península Ibérica é a cabeça da Europa e Portugal é a coroa”), Alberto Santos concluiu que Portugal, com a sua fachada atlântica, continua a ser uma ponte natural entre continentes, uma imagem que, segundo sublinhou, simboliza a centralidade cultural e estratégica da relação luso-brasileira num mundo cada vez mais interligado.
A entrevista enquadra-se no âmbito de mais uma edição do “Prémio Aproxima Portugal-Brasil”, que reconhece várias personalidades, nas mais variadas categorias, pelos seus contributos para o fortalecimento da cooperação entre Portugal e Brasil, uma iniciativa promovida pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira, liderada por Otacílio Soares, que, este ano, decorreu no Tivoli Kopke Porto Gaia Hotel, na cidade do Porto, Norte de Portugal.

A Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas apresentou a iniciativa “Portugal, Nação Global”, um modelo que pretende afirmar a diáspora portuguesa como um ativo estratégico para o desenvolvimento económico do país, reforçando a ligação entre municípios, empresários no exterior e o tecido empresarial nacional.
A proposta parte da ideia de que os territórios portugueses devem assumir um papel mais ativo na economia global, adotando uma estratégia mais proativa na identificação de oportunidades, na promoção dos ativos regionais e na atração de investidores.
Para operacionalizar esta estratégia, o projeto prevê a criação de três funções-chave nas políticas territoriais: os promotores territoriais serão responsáveis por apresentar oportunidades de investimento de forma estruturada, com análises de viabilidade, business cases e condições claras para investidores.
Já os curadores de oportunidades terão a missão de identificar projetos com maior potencial de impacto económico e alinhamento estratégico com os territórios, enquanto os embaixadores económicos representarão os municípios em redes internacionais e junto de comunidades empresariais no exterior, reforçando a reputação e a credibilidade dos territórios portugueses.
A iniciativa inclui ainda a criação de uma plataforma digital permanente, concebida para manter ao longo do ano a ligação entre territórios portugueses e empresários da diáspora.
A ferramenta integra uma base de dados global de investidores, organizada por setor de atividade, geografia e capacidade de investimento, assegurando simultaneamente privacidade e conformidade com o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD).
Entre as funcionalidades estão sistemas de comunicação direta entre territórios e investidores, repositórios para business plans e estudos de viabilidade, dashboards com métricas em tempo real e mecanismos de matchmaking inteligente, capazes de cruzar perfis de investimento com oportunidades concretas apresentadas pelos municípios.
A plataforma permitirá ainda o agendamento de reuniões, visitas técnicas, webinars setoriais e encontros empresariais, garantindo um acompanhamento contínuo das oportunidades de negócio.
De acordo com os promotores da iniciativa, este acompanhamento é particularmente relevante, uma vez que processos de investimento internacional podem demorar entre 18 e 24 meses desde o primeiro contacto até à decisão final.
A primeira edição do fórum “Portugal, Nação Global” está marcada para 29 e 30 de abril, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, e deverá reunir mais de 300 empresários nacionais e da diáspora provenientes de mais de 40 países, além de representantes institucionais e entidades empresariais.
O encontro contará ainda com a participação de cerca de 50 câmaras de comércio e mais de 20 entidades supramunicipais, envolvendo diferentes níveis de governação, desde o governo da República e governos regionais até áreas metropolitanas, comunidades intermunicipais e municípios.
Durante o fórum estão previstas mais de 200 reuniões empresariais, organizadas através de uma plataforma de inscrição online criada para facilitar o contacto direto entre investidores, empresas portuguesas e representantes de territórios interessados em captar novos projetos.
Além das reuniões empresariais, o programa inclui mesas redondas, palestras e momentos de networking, destinados a fortalecer relações institucionais, mobilizar a comunidade empresarial e promover a projeção internacional das empresas portuguesas.
O evento conta ainda com o apoio de instituições estratégicas do ecossistema económico português: o Banco Português de Fomento participa como parceiro estratégico, enquanto a AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal integra a comissão executiva, contribuindo para o mapeamento da diáspora empresarial e para a promoção de oportunidades de investimento e internacionalização.
Com mais de cinco milhões de portugueses e lusodescendentes distribuídos por 178 países, a diáspora portuguesa representa uma das maiores redes globais de ligação ao país e um potencial estratégico para reforçar a competitividade económica nacional.

As ilhas do Pico e do Faial recebem mais uma edição do «Encontro Açores Brasil», nos próximos dias 14 e 15 de outubro. Trata-se de uma iniciativa da Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, através da Direção Regional das Comunidades.
A sétima edição desta iniciativa que visa dinamizar a especial relação histórica entre os Açores e o Brasil vai ser promovida num novo formato, com uma sessão para os alunos do ensino secundário e outra destinada ao público em geral.
Na segunda-feira, 14 de outubro, na ilha do Pico, realiza-se a sessão escolar no auditório da Escola Secundária da Madalena, às 14h30, e a sessão pública na Biblioteca Municipal da Madalena, às 18 horas.
Na terça-feira, 15 de outubro, na ilha do Faial, a sessão escolar tem lugar na Escola Secundária da Horta, às 12h00, e a sessão para o público em geral decorre na Biblioteca Pública e Arquivo Regional João José da Graça, às 18 horas.
As quatro sessões contam com a participação do diretor regional das Comunidades, José Andrade, e dos dirigentes das Casas dos Açores do Rio de Janeiro, João Leonardo Soares, de São Paulo, António Arruda, de Santa Catarina, Sérgio Ferreira, do Estado do Rio Grande do Sul, Viviane Peixoto Hunter, do Maranhão, Paulo Matos, e do Espírito Santo, Nino Moreira Serôdio.
As duas sessões para o público em geral incluem ainda a apresentação do novo livro “Somos Açores – Um arquipélago vivo pelas ações das Casas os Açores no Brasil”, da autoria do jornalista brasileiro Ígor Lopes.
O primeiro Encontro Açores Brasil teve lugar em outubro de 2021, na cidade de Ponta Delgada, e as cinco edições seguintes realizaram-se em Angra do Heroísmo (março de 2022), no Rio de Janeiro (julho de 2022), em Florianópolis (dezembro de 2023), em Ponta Delgada (maio de 2024) e no Rio de Janeiro (setembro de 2024), associadas à realização de outros eventos.
O Brasil foi o primeiro destino da emigração açoriana e os brasileiros são a maior comunidade imigrada nos Açores.
Com a realização dos Encontros Açores Brasil, o Governo regional dos Açores diz, em comunicado, que tem como objetivo “reforçar e valorizar os laços sociais, culturais e económicos entre a Região Autónoma e as comunidades açordescendentes no Brasil”.

Entre os dias 10 e 17 de outubro, o jornalista e escritor luso-brasileiro Ígor Lopes vai estar presente no arquipélago açoriano para apresentar a sua mais recente obra. “Somos Açores – Um Arquipélago Vivo pelas Ações das Casas dos Açores no Brasil” será lançado em diversas ilhas do arquipélago: Terceira, São Jorge, Pico, Faial e São Miguel. Escrito no formato livro-reportagem, o livro oferece uma visão única sobre como as ilhas dos Açores são retratadas e mantidas vivas além-mar, com especial destaque para o papel das Casas dos Açores em vários Estados do Brasil, como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Maranhão, Bahia, São Paulo, Espírito Santo e Santa Catarina.
O projeto literário foi apoiado pelo Governo regional dos Açores, através da Direção Regional das Comunidades, e editado pela Amazon.
“Somos Açores – Um Arquipélago Vivo pelas Ações das Casas dos Açores no Brasil” conta com José Andrade, diretor Regional das Comunidades, e Adélio Amaro, escritor e responsável pela BibliRuralis, como prefacistas. Também José Manuel Bolieiro, presidente do governo regional dos Açores, participa com uma mensagem aos açordescendentes.
Ao longo de 122 páginas estão entrevistas aos presidentes das Casas dos Açores no Brasil, num período entre 2022 e 2023, com o intuito de revelar os contornos que levaram à criação dessas entidades açorianas no maior país da América do Sul. É também examinado o importante trabalho dessas instituições que, há décadas, preservam e promovem a cultura açoriana no Brasil, fortalecendo os laços históricos e culturais entre o arquipélago e a nação irmã de Portugal. Ao ler este livro, mergulhamos na rica história dessas casas, explorando as suas ações e contribuições para fortalecer os laços culturais entre os açorianos e os seus descendentes em solo brasileiro.
Segundo o autor, “ao escrever “Somos Açores”, senti-me com uma grande responsabilidade de dar voz à resiliência da cultura açoriana longe do seu território de origem”.
“As Casas dos Açores no Brasil são guardiãs de uma identidade coletiva que sobrevive ao tempo e à distância. Espero que este livro inspire um novo olhar sobre a importância dessa preservação cultural. “Somos Açores” faz o caminho inverso de “Açores em Cores”. Este último, lançado em diversas cidades, procurou mostrar o arquipélago para o mundo, com foco também nos lusodescendentes. Agora, “Somos Açores” cruza o oceano saindo do Brasil para desembarcar nos Açores com boas novas. Sim, a açorianidade está viva em outras muitas paragens”, afirma Ígor Lopes.
A apresentação de “Somos Açores – Um Arquipélago Vivo pelas Ações das Casas dos Açores no Brasil” estará integrada no âmbito do programa do XXVI Conselho Mundial das Casas dos Açores e do VII Encontro Açores Brasil.
Agenda:
10/11 – Angra do Heroísmo – Salão Nobre da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, pelas 20h00, evento promovido pela Câmara Municipal local;
13/10 – Velas de São Jorge – ilha de São Jorge, pelas 18h00;
14/10 – Biblioteca Municipal da Madalena – ilha do Pico, pelas 18h00;
15/10 – Biblioteca Pública e Arquivo Regional João José da Graça – ilha do Faial, pelas 18h00;
16/10 – Atelier Angela Fernandes – ilha de São Miguel, pelas 18h;
17/10 – Sede da Filarmónica Estrela D´Alva, na Lagoa – ilha de São Miguel, pelas 11h00, durante tertúlia promovida pelo Diário da Lagoa.