
O bispo de Angra afirmou, na alocução que fez na Celebração da Paixão do Senhor, na Sé de Angra, que qualquer instrumentalização de Deus para justificar a guerra ou a violência é um “ultraje” e uma “traição blasfema”, recuperando uma ideia repetida pelo Papa Francisco.
Na celebração, também conhecida como Hora Santa por marcar a hora da morte de Jesus, D. Armando Esteves Domingues afirmou que a verdadeira “grandeza e autoridade” residem em servir e proteger a vida, e não em dominar ou destruir.
Na cruz, Cristo entra “na solidão dos inocentes e transforma o desespero em oração”, afirmou destacando que este é “o critério ético maior daqueles a quem se confia a autoridade e o poder nas decisões que têm a ver com todos”.
A instrumentalização de Deus para justificar a guerra, a violência ou a imposição “é uma negação radical e definitiva da sua lição”.
“Não existe Deus da guerra e qualquer violência em nome Dele é um ultraje contra Deus, é uma traição blasfema a Deus”, enfatizou numa alocução muito centrada na necessidade da paz.
“Rezemos pela paz e por quem decide. Façamo-lo unidos ao clamor dos povos feridos, dos jovens enviados para matar e morrer, das mães e pais que enterram filhos, das crianças mortas e feridas”, pediu o bispo de Angra.
O prelado recordou que “mesmo entre ruínas e lágrimas, há sinais de Ressurreição: gestos de proteção, corredores humanitários, voluntários, padres, médicos, famílias que acolhem, comunidades que partilham, pessoas que arriscam a paz, homens e mulheres que escolhem salvar em vez de destruir”.
Sublinhou, por isso, que a hora da crucificação de Jesus é também a hora central da história da humanidade e da nossa própria história.
“É a hora em que, sofrendo livremente na cruz uma morte cruel, Jesus nos diz duas coisas: em primeiro lugar, diz-nos quem é Deus, o Pai, disposto a seguir o filho até ali, até ao alto da cruz, para demonstrar que Ele é todo e só amor e perdão; em segundo lugar, diz que o segredo da justiça, da paz e da fraternidade é dar a vida”, explicou.
“A cruz de Jesus não nos autoriza a colocar Deus no banco dos réus e a perguntar diante do sofrimento: ‘Onde está Deus?’. Ela convida-nos antes a perguntar: onde estamos nós diante do sofrimento, nosso e dos inocentes, e o que fazemos para não acrescentar mais sofrimento e mais morte à morte?” acrescentou, terminando com um apelo à oração pela paz.
No contexto do Ano Jubilar Franciscano, pelos 800 anos da morte de São Francisco, D. Armando Esteves Domingues recordou a oração do santo, pedindo que cada um se torne instrumento de paz, levando amor onde há ódio, perdão onde há ofensa, esperança onde há desespero e luz onde há trevas.
Na sexta feira a coleta da celebração reverteu a favor da Terra Santa. Num contexto de guerra persistente no Médio Oriente, o Dicastério para as Igrejas Orientais renovou o apelo anual à ajuda, convidando à oração intensa pela paz, especialmente após incidentes que ameaçaram a celebração pascal na região.
“As armas continuam a disparar, as pessoas continuam a morrer”, recordou o cardeal Claudio Gugerotti, destacando o sofrimento silencioso das populações locais e o impacto na presença cristã, ameaçada pela instabilidade e pelo radicalismo religioso.
Os fundos recolhidos destinam-se a apoiar projetos em Israel, Palestina, Jordânia, Síria, Líbano e Egito, incluindo distribuição de alimentos, medicamentos, manutenção de escolas, bolsas de estudo e habitação social.

A Base Aérea n.º 4, nas Lajes, prepara-se para uma nova fase de operacionalidade com a chegada iminente de drones militares MQ-9 Reaper, no âmbito do prolongado conflito entre os Estados Unidos e o Irão.
Segundo informações avançadas pela estação de televisão SIC, estas aeronaves de última geração (utilizadas tanto para missões de reconhecimento como para ataque) deverão chegar aos Açores desmontadas em contentores já esta segunda-feira, sendo a sua montagem final assegurada nas instalações da base. Este reforço tecnológico surge num momento em que a prontidão operacional é máxima, tendo as autoridades locais, incluindo as corporações de bombeiros, recebido formação específica para responder a eventuais emergências associadas a estes aparelhos.
A intensificação das operações na ilha Terceira tem alterado significativamente o quotidiano dos residentes, que nos últimos trinta dias se viram confrontados com um aumento exponencial de caças e aviões de reabastecimento.
Para o padre Nelson Pereira, pároco das Lajes, a introdução destes novos meios aéreos acentua a perceção de risco na comunidade. “A chegada destes meios torna a ligação da base ao esforço de guerra ainda mais evidente. Isso inquieta as pessoas, mesmo sabendo que, segundo o que é divulgado, não haverá capacidade de atingir esta base diretamente”, afirma o sacerdote, em declarações à agência Igreja Açores, que refletem o sentimento de uma população que, embora habituada à presença militar, encara com apreensão a evolução do conflito.
O cenário nas imediações da base tem oscilado entre a curiosidade inicial, que levou muitos habitantes e visitantes a deslocarem-se ao aeroporto para observar a movimentação, e uma crescente adaptação ao ruído constante. O pároco local recorda que, nas primeiras semanas, a ansiedade era palpável devido ao receio de a base se tornar um alvo estratégico. Contudo, com o passar do tempo, o estrondo das descolagens e aterragens, mesmo em horários de madrugada, passou a integrar a rotina lajense.
Perante esta incerteza, a Igreja nos Açores tem assumido um papel de retaguarda emocional e pastoral, promovendo momentos de reflexão onde os paroquianos podem partilhar os seus medos. “Temos procurado estar presentes, ouvir as preocupações das pessoas e ajudá-las a encontrar serenidade no meio da incerteza. A fé e a comunidade tornam-se pilares importantes nestes momentos”, conclui o padre Nelson Pereira, sublinhando que, mais do que respostas técnicas, a prioridade tem sido oferecer uma presença de esperança num contexto de vigilância armada que já dura há mais de um mês.

“O serviço aos pobres é o maior desafio colocado aos discípulos.” A afirmação do bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, abriu um encontro promovido pelo Serviço Diocesano da Pastoral Social “Dilexi te- o amor para com os pobres” onde o apelo à urgência da ação dos cristãos foi uma constante. Sublinhando a necessidade de disponibilidade total, o prelado deixou um apelo claro para que ninguém falte na assistência ao irmão, sobretudo na resposta às necessidades concretas dos mais vulneráveis.
Num retrato detalhado da situação nos Açores, a presidente do Conselho Ecomómico e Social dos Açores, Piedade Lalanda, rejeitou uma leitura fatalista da pobreza lembrando que “se trata de um problema estrutural” que deve ser “atacado nas causas” de forma a inverter a tendência dos anos em que “poucos alimentaram a pobreza de muitos”.
A socióloga, que já foi responsável por este serviço da Igreja, destacou indicadores preocupantes, relativos aos Açores.
“Temos uma das mais elevadas taxas de baixa escolaridade do país”, associada à iliteracia e ao abandono escolar precoce. Apesar de medidas como a rede Valorizar, alertou que “mitiga o problema, mas estruturalmente não o resolve”, existindo ainda “um número de jovens que sai do sistema educativo sem a escolaridade obrigatória”.
A pobreza, disse, atinge de forma particularmente dura as famílias.
“Em 2024, incide sobretudo nas famílias monoparentais, com 87,3%”, referiu, acrescentando o paradoxo de os Açores serem uma região “católica” com “a taxa de divórcio mais alta do país”. Também as famílias com crianças enfrentam maior risco, num contexto agravado pela precariedade laboral: “Não se pode pedir a pessoas com instabilidade laboral que tenham filhos”.
Outro dado marcante é o número de trabalhadores pobres: “Temos mais de 11 mil trabalhadores cujos salários não suportam as dificuldades do dia a dia”. A isto juntam-se problemas de habitação, como a sobrelotação, que “pode ser um subproduto do turismo”, e desigualdades de género, com “as mulheres, sobretudo em idades mais avançadas, mais atingidas pela pobreza”.
Apesar de a taxa de risco de pobreza se situar nos 17,3%, Piedade Lalanda alertou: “Se não existissem apoios sociais, seria de 40%”, evidenciando a fragilidade estrutural da sociedade.

Num plano mais pastoral e teológico, o padre José Júlio Rocha aprofundou o significado da pobreza no cristianismo, distinguindo “a pobreza como escolha e modelo de vida” da “pobreza imposta”. A partir da enciclícia Dilexi Te, do papa leão XIV, recordou que “Jesus foi as duas coisas”, nascendo “numa manjedoura porque não havia lugar para ele”, foi migrante e refugiado e viveu sem “onde reclinar a cabeça”.
O sacerdote foi crítico em relação à evolução histórica da Igreja: “Com a ideia de poder, a Igreja deixou de dar testemunho e começou a impor a fé… e perdeu os pobres”. Defendeu que a instituição enfrenta hoje um desafio profundo: “A Igreja precisa de uma conversão estrutural e não está preparada para o fazer”.
Questionando diretamente os presentes, lançou um desafio incómodo: “Estaremos disponíveis para acolher o pobre que está no campo de São Francisco, que rouba para se drogar, e encontrar nele o altar sagrado? Não estamos”. Para o sacerdote, a mudança passa por recentrar prioridades: “A Igreja é toda pastoral social” e deve “debruçar-se sobre os pobres em vez de dar prioridade a outras pastorais, detidas em ritos”.
Também criticou uma visão assistencialista: “O pobre não pode ser objeto da minha esmola”, defendendo uma relação de igualdade e comunhão.
“Quando o pobre for o altar da Igreja e não o barroco ou o incenso, então estaremos no caminho”, afirmou depois de ter alertado para o perigo de um “cristianismo aburguesado” e “por vezes muito afastado das realidades mais duras e periféricas” da sociedade.
Já, no período de debate, Piedade Lalanda retomou esta ideia, reconhecendo que “a Igreja que dava primazia aos mais ricos existiu e continua a existir”, mas alertou: “Isso não combate a pobreza”. Defendeu uma mudança de atitude transversal: “Se um empresário, um professor, um enfermeiro agir de forma diferente, então podemos iluminar o presente”.
A necessidade de uma ação concreta e humanizada foi outro ponto forte, lembrando-se que a prática da compaixão deve ser uma prioridade na pastoral social da Igreja.
“O que dói na dor é não ter um ombro para chorar… a nossa indiferença carrega mais”, rematou o padre José Júlio Rocha.
Durante este encontro, Verónica Rego do Instituto de Segurança Social dos Açores, teve ainda tempo de elencar as linhas mestras da ação social desenvolvida pelo poder público.
No encerramento, Aldina Gamboa, diretora do Serviço Diocesano da Pastoral Social, deixou uma mensagem de esperança e compromisso coletivo: “A vossa presença é um sinal de primavera… que deste encontro brote uma vida nova para a pastoral social”. E concluiu com um apelo direto: “Saibamos estender a mão e abrir o coração… o mundo está a precisar de afeto, e ele não deve impedir-nos de intervir”.

A anteproposta de reforma laboral “Trabalho XXI”, atualmente em discussão na concertação social, está a suscitar sérias reservas no seio da Igreja Católica, que aponta um desequilíbrio entre a procura pela eficiência económica e a salvaguarda da dignidade humana. Em declarações recolhidas pelo sítio Igreja Açores, especialistas e clérigos manifestam preocupação com o espírito do documento apresentado pelo Governo da República, que altera mais de uma centena de artigos do Código do Trabalho para adaptar a legislação à era digital.
Para o padre José Júlio Rocha, assistente da Comissão Diocesana Justiça e Paz, o problema reside na base ideológica da proposta, afirmando que “se o espírito da proposta é mais a produção e o enriquecimento rápido, então parte de um princípio errado”. O teólogo moralista reforça que a Igreja coloca sempre a pessoa acima do capital, lamentando uma tendência de “capitalismo de especulação” que reduz o trabalhador a uma mera “engrenagem do processo produtivo”.
Esta visão é partilhada pelo sociólogo Rolando Lalanda Gonçalves, que identifica na proposta uma orientação excessiva para a eficácia da gestão das empresas em detrimento da valorização de quem trabalha. Segundo o especialista, a legislação deve servir para proteger a “parte mais fraca” de uma relação que é naturalmente desigual, sublinhando que “colocar o trabalho apenas como mais um fator produtivo penaliza definitivamente o trabalhador e a sua dignidade”.
Apesar do tom crítico, ambos os analistas reconhecem avanços em matérias de modernização, nomeadamente no alargamento da licença parental até aos seis meses, nas novas regras para o teletrabalho e no reforço do direito à formação. Contudo, alertam para os riscos do regresso do banco de horas individual e da flexibilização de horários, que podem penalizar grupos mais frágeis, como os jovens e os trabalhadores indiferenciados.
O debate ganha ainda mais peso com a intervenção de D. José Traquina, presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e da Mobilidade Humana. Numa homilia recente, o bispo manifestou profunda preocupação com a “globalização da insegurança” e o impacto da economia nas famílias portuguesas, lamentando as dificuldades no acesso à habitação em contraste com os lucros elevados do setor financeiro. “Há pessoas que trabalham a vida inteira e não conseguem ter casa própria e ficam escandalizadas com a publicação dos lucros anuais dos Bancos”, afirmou D. José Traquina, reforçando que uma sociedade só é desenvolvida se garantir dignidade e distribuição justa da riqueza.
Este posicionamento da Igreja, que ecoa desde a encíclica Rerum Novarum até ao Papa Francisco, reafirma que o trabalho humano deve ser o fundamento da justiça e do bem comum, nunca podendo ser subjugado aos interesses insaciáveis de poder ou lucro.

A ouvidoria de Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel, acolheu no centro paroquial da matriz, a primeira assembleia eclesial destinada a preparar a visita pastoral do bispo de Angra, agendada para o período de 19 a 26 de abril. O encontro foi realizado em parceria com a equipa sinodal diocesana e reuniu representantes de paróquias, movimentos e serviços locais. O objetivo central passou por sensibilizar a comunidade para este momento de “graça”, como descreveu o ouvidor de Vila Franca, padre José Borges, sublinhando a importância de reavivar o compromisso cristão a partir do batismo.
Durante a sessão, o padre José Borges destacou que o percurso da Igreja deve ser feito com a participação ativa de todos, sem exceções. “Todos são importantes: os que estão dentro, os que estão mais afastados, os que chegam e os que estão envolvidos nos sacramentos”, afirmou o sacerdote, defendendo um maior protagonismo dos leigos que vivem a sua fé no quotidiano, desde as famílias às fábricas. Para o ouvidor, a continuidade e a vitalidade das paróquias dependem de pessoas que “não apenas mostram que foram batizadas, mas que vivem o seu batismo” nos mais diversos contextos sociais da ilha.

O encontro dividiu-se entre a reflexão teórica sobre documentos do sínodo e um momento prático de “conversação no espírito”, onde se debateram os obstáculos à participação comunitária. De acordo com a equipa sinodal, embora existam estruturas de colaboração, ainda persiste um compromisso reduzido por parte dos leigos em algumas áreas. O coordenador da equipa, padre José Júlio Rocha, reforçou a visão de uma Igreja menos clerical e mais próxima das pessoas, onde o sacerdote atua como um pastor que caminha junto ao povo. “O que queremos é promover uma igreja aberta ao espírito, que caminha junta na sua diversidade”, concluiu o responsável, sintetizando o espírito de renovação que se pretende para a diocese.

O Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres, em Ponta Delgada, dá início esta quarta-feira, 25 de fevereiro, à tradicional Novena dos Espinhos. As celebrações, que decorrem diariamente às 18h00, mantêm o formato habitual, mas apresentam este ano um aprofundamento especial da espiritualidade da Madre Teresa da Anunciada, figura central da devoção micaelense cujo processo de beatificação foi recentemente impulsionado com a nomeação de uma Comissão Histórica.
A pregação da novena estará a cargo de três ouvidores da ilha de São Miguel. Segundo explica o reitor do Santuário, cónego Manuel Carlos Alves, a escala foi organizada para que cada sacerdote pregue durante três dias consecutivos, assegurando uma maior continuidade temática. O foco principal será a dimensão biográfica da religiosa: “Importa irmos à autobiografia dela para percebermos melhor que aquilo que ela fez foi viver o Evangelho”, sublinha o reitor, destacando a necessidade de redescobrir o testemunho da Madre Teresa como uma encarnação da mensagem cristã.
A iniciativa insere-se num programa quaresmal que o Santuário pretende viver de forma mais intensa. Além da novena, o programa destaca a realização de uma Via-Sacra orante às sextas-feiras, pelas 15h00, e encontros de Lectio Divina às quintas-feiras, promovidos pelas Irmãs Contemplativas de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor.
A escolha da sexta-feira para os momentos fortes de oração não é ocasional e remete diretamente para a vivência da Madre Teresa da Anunciada. “Foi neste dia que o Senhor sofreu a Paixão e morreu na cruz, e ela foi percebendo que era também à sexta-feira que o Senhor concedia maiores graças”, explica o cónego Manuel Carlos Alves, justificando por que razão muitas das novenas promovidas pela religiosa ao longo da sua vida terminavam precisamente nesse dia da semana.
Com esta proposta espiritual, o Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres convida os fiéis a unir-se mais profundamente à Paixão de Cristo, utilizando o exemplo e a memória da Madre Teresa como guia para uma caminhada de renovação da fé durante a Quaresma.

O Santuário de Nossa Senhora da Paz, em Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel, assinalou o primeiro aniversário da sua criação com uma celebração marcada pela gratidão e por um apelo profundo à espiritualidade no primeiro dia do ano. Sob o lema de que “nós e o mundo precisamos de paz como de pão para a boca”, o reitor e ouvidor, padre José Borges, conduziu a cerimónia que juntou a equipa sacerdotal e um coro de toda a ouvidoria de Vila Franca, celebrando o espaço como um lugar vivo de fé e encontro.
Durante a homilia, o reitor enfatizou que o valor do Santuário reside na presença humana e na oração, definindo a instituição como um “espaço vivo de fé e encontro”. “Não são as paredes que tornam este lugar sagrado; são as pessoas”, afirmou, reforçando que os mais de seis mil visitantes que sobem ao monte mensalmente constituem o coração da instituição. Para o sacerdote, a comunidade é o centro da experiência religiosa: “Temos, neste lugar, a possibilidade de fazer parte de algo maior que nós, mas isto, este santuário, não existe sem nós, sem a nossa presença… são as pessoas o tesouro da fé cristã; são os peregrinos e as peregrinas que são o verdadeiro milagre neste lugar”.
Neste primeiro ano, o Santuário tornou-se um porto de abrigo espiritual, recebendo centenas de mensagens com pedidos de oração, especialmente de doentes, emigrantes e pessoas privadas de liberdade. A celebração, que evocou o dogma de Maria como Theótokos (Mãe de Deus), serviu para reforçar a missão de acolhimento. Ao refletir sobre o Dia Mundial da Paz, o padre José Borges recorreu ao pensamento de Tomás Halík para definir a paz como um caminho de paciência: “A paciência connosco chama-se esperança; a paciência com os outros chama-se caridade”.
O aniversário foi apresentado não apenas como a comemoração de um espaço físico, mas como a afirmação de uma missão espiritual: “Este não é apenas o aniversário do espaço físico, mas da fé que nos move, da missão que nos une e da paz que aqui encontramos, uma paz para além do barulho do mundo”. Num contexto global de divisões, o reitor deixou um convite à maturidade e ao respeito mútuo, lembrando que “a paz não é apenas ausência de conflito; é uma opção que exige compromisso”.
A cerimónia terminou com um convite à oração contínua pela reconciliação do mundo, renovando o compromisso dos fiéis com a construção de uma paz quotidiana e duradoura.