
Alexandra Manes
Já escrevi acerca do facto de vivermos tempos de escárnio e maldizer sem precedentes, devido às potencialidades das redes sociais. Sempre que alguém acorda com uma indisposição, é a sanidade coletiva que sofre com os humores do reino.
Todavia, há momentos que continuam a surpreender, pela forma como somos confrontados/as com o que algumas pessoas chamariam de ‘escasso’, que é como quem diz infelicidade de pensamento.
Conheço Joel Neto de forma periférica. Nos últimos anos, aproximamo-nos, fruto de uma amizade e respeito que cresceu pelas posições que assumiu, enquanto acérrimo defensor de mais bom senso junto dos/as governantes da direita nos Açores. Com o tempo, o jornalista e escritor tornou-se num dos pilares do combate ao conservadorismo que cresce entre nós. Sem receio, nem rodeio, chateou amizades antigas e enfrentou poderes vigentes. Pelo meio, ainda houve tempo para ajudar a criar uma das mais importantes estruturas culturais da Região, na Lar Doce Livro.
Por isso mesmo, o primeiro conselho deste texto é para o Joel. É um alerta de que a página de Wikipédia de seu nome está desatualizada. Não só não refere o aumento do número de membros da família, como também afirma que integra o Conselho Regional de Cultura, algo que, tanto quanto me é possível saber, não é verdade.
É que Joel Neto foi parte integrante do começo dessa estrutura, e foi também voz de recomendação nesse setor, em vários momentos da história das nossas ilhas. O reconhecimento veio pelas mãos de quem o afastou, e tentou sanear e censurar, pelas mãos que manuseiam o Palácio Bettencourt, e pelos sussurros das sombras que ali habitam. Foi retirado do Conselho de Cultura, e há até quem diga que houve tentativas de remover os seus livros de lugares-chave da nossa praça.
Nesse mesmo comprimento de onda, voltou recentemente a ser alvo de uma campanha concertada de ataques e escárnios, frequentemente provenientes de vozes que respeito e sei serem melhores do que isso. Nas redes sociais, a crueldade das palavras agravou-se e os espinhos das frases feitas atingiram, em toda a linha, uma família, um homem livre e uma boa vontade de denunciar a injustiça.
Conheço bem algumas das pessoas que agarram a lança que nele se espetou. Transformo-me conselheira, para deixar uma mensagem clara. Este não pode ser o caminho. Nem de quem governa, nem de quem quer governar. Nunca poderá um governante atacar um governado, de cima para baixo, ainda mais quando resulta do ato de assumir as dores de quem, oportunamente, pode espetar a lança no governante.
Voltaire falou, um dia, da impunidade dos tiranos e da mediocridade dos que se fingem inocentados. Sousa Lara, atual ideólogo dos salazaristas, ficou na história pela perseguição infundada que fez no tempo em que era Secretário, ao escritor que foi depois prémio Nobel, José Saramago. D. Duarte, rei quatrocentista, escreveu o Leal Conselheiro para nos avisar sobre a ética, a moral e a falta delas nos corredores do poder.
O conselho, portanto, não pode ser outro senão o do bom senso. Já muito se falou. Se queremos unir o arquipélago nos dias e nas efemérides que se seguem, é preciso afastar desleais conselhos e pensamentos artificiais que nos prejudiquem.
Qualquer outra possibilidade terminará numa terra de cegos. Ainda há tempo para deixar de lado os rancores. Citando Jénifer, ou a Princesa de França: “Numa ilha, as coisas esquecem-se mais depressa.” Que saibam esquecer a guerra, para trabalhar a paz.

O presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, presidiu à cerimónia de inauguração do novo equipamento de Tomografia Axial Computorizada (TAC) da Unidade de Saúde da Ilha de Santa Maria, um investimento de 376.884 euros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que reforça significativamente a capacidade de diagnóstico na ilha.
No âmbito da visita estatutária a Santa Maria, José Manuel Bolieiro visitou a Unidade de Saúde local para acompanhar o funcionamento deste equipamento de última geração, em operação desde novembro de 2025, sublinhando a importância de continuar a dotar todas as ilhas de meios tecnológicos capazes de garantir cuidados de saúde cada vez mais qualificados e próximos das populações.
“O nosso compromisso é assegurar que todos os açorianos tenham acesso a cuidados de saúde de qualidade, independentemente da ilha onde vivem. Este investimento é mais um exemplo dessa prioridade”, afirmou o presidente do governo.
José Manuel Bolieiro destacou que o novo TAC permite realizar exames complementares de diagnóstico com maior rapidez, precisão e fiabilidade, reduzindo a necessidade de deslocações para outras ilhas e proporcionando respostas clínicas mais céleres e eficazes.
“Estamos a investir na modernização do Serviço Regional de Saúde, valorizando os profissionais e oferecendo melhores condições de diagnóstico e tratamento aos utentes”, acrescentou.

A Base Aérea n.º 4, nas Lajes, prepara-se para uma nova fase de operacionalidade com a chegada iminente de drones militares MQ-9 Reaper, no âmbito do prolongado conflito entre os Estados Unidos e o Irão.
Segundo informações avançadas pela estação de televisão SIC, estas aeronaves de última geração (utilizadas tanto para missões de reconhecimento como para ataque) deverão chegar aos Açores desmontadas em contentores já esta segunda-feira, sendo a sua montagem final assegurada nas instalações da base. Este reforço tecnológico surge num momento em que a prontidão operacional é máxima, tendo as autoridades locais, incluindo as corporações de bombeiros, recebido formação específica para responder a eventuais emergências associadas a estes aparelhos.
A intensificação das operações na ilha Terceira tem alterado significativamente o quotidiano dos residentes, que nos últimos trinta dias se viram confrontados com um aumento exponencial de caças e aviões de reabastecimento.
Para o padre Nelson Pereira, pároco das Lajes, a introdução destes novos meios aéreos acentua a perceção de risco na comunidade. “A chegada destes meios torna a ligação da base ao esforço de guerra ainda mais evidente. Isso inquieta as pessoas, mesmo sabendo que, segundo o que é divulgado, não haverá capacidade de atingir esta base diretamente”, afirma o sacerdote, em declarações à agência Igreja Açores, que refletem o sentimento de uma população que, embora habituada à presença militar, encara com apreensão a evolução do conflito.
O cenário nas imediações da base tem oscilado entre a curiosidade inicial, que levou muitos habitantes e visitantes a deslocarem-se ao aeroporto para observar a movimentação, e uma crescente adaptação ao ruído constante. O pároco local recorda que, nas primeiras semanas, a ansiedade era palpável devido ao receio de a base se tornar um alvo estratégico. Contudo, com o passar do tempo, o estrondo das descolagens e aterragens, mesmo em horários de madrugada, passou a integrar a rotina lajense.
Perante esta incerteza, a Igreja nos Açores tem assumido um papel de retaguarda emocional e pastoral, promovendo momentos de reflexão onde os paroquianos podem partilhar os seus medos. “Temos procurado estar presentes, ouvir as preocupações das pessoas e ajudá-las a encontrar serenidade no meio da incerteza. A fé e a comunidade tornam-se pilares importantes nestes momentos”, conclui o padre Nelson Pereira, sublinhando que, mais do que respostas técnicas, a prioridade tem sido oferecer uma presença de esperança num contexto de vigilância armada que já dura há mais de um mês.

O presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, presidiu esta segunda-feira, 19 de janeiro, à cerimónia de entrega de 13 novas habitações multifamiliares na Urbanização de São Brás, na ilha Terceira, numa iniciativa que o governante classificou como a concretização de um compromisso público orientado para o bem-estar social.
Segundo uma nota enviada pelo Governo regional, este novo empreendimento, integrado no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), representou um investimento total de 2,4 milhões de euros e irá beneficiar 13 agregados familiares, num total de 42 pessoas. José Manuel Bolieiro sublinhou, na ocasião, que a responsabilidade do seu executivo passa por “fazer acontecer o desenvolvimento do bem-estar social, o apoio às pessoas e às famílias”, reforçando que estas são o “fim principal da missão governativa”.
As habitações, que incluem tipologias T2, T3 e T4, foram atribuídas em regime de arrendamento com opção de compra, permitindo que os arrendatários adquiram o imóvel após um ano de contrato. Este modelo pretende conferir maior estabilidade às famílias, tendo o concurso público registado uma elevada procura com 257 candidaturas. De acordo com a nota enviada pelo Governo regional, o líder do executivo destacou que a habitação é uma prioridade “absolutamente cristalina”, sendo um fator determinante para a felicidade e para os projetos de vida dos açorianos. “A habitação tem-se afirmado cada vez mais como uma das prioridades”, afirmou o presidente, apontando o PRR como uma “alavanca” distintiva para acelerar as respostas públicas nesta área.
No que diz respeito ao balanço da execução do PRR Habitação na ilha Terceira, o Governo dos Açores informou que todos os procedimentos já foram lançados, somando um investimento final de aproximadamente 25,1 milhões de euros. Atualmente, na ilha, contabilizam-se 37 casas concluídas e 39 em fase de construção, além de 192 intervenções de reabilitação entre obras terminadas e em execução. A nível de todo o arquipélago, os procedimentos para 767 respostas habitacionais já se encontram lançados, envolvendo um investimento global de 65 milhões de euros.

O presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), Luís Garcia, promove esta terça-feira, na ilha do Corvo, o nono e último encontro do roteiro “Açores com Futuro – Jovens que Inspiram”. A iniciativa, que cumpre o propósito institucional de aproximar o parlamento açoriano a todas as ilhas e estabelecer um contacto direto com os cidadãos, terá o seu ponto alto amanhã, às 10h00, com a sessão de abertura na Biblioteca da Escola Básica e Secundária Mouzinho da Silveira.
A agenda no Corvo teve início ainda na tarde desta segunda-feira, com uma visita de Luís Garcia ao projeto empreendedor “Sazorea”, da promotora Catarina Andrade. Já na manhã de terça-feira, após a sessão oficial, decorrerá a palestra subordinada ao tema “Ilha do Corvo: Desafios e Oportunidades”, que contará com a participação dos jovens locais João Estêvão, professor de Educação Física; Ana Pimentel, professora de Educação Básica; Rui Pimentel, Vigilante da Natureza; e a própria Catarina Andrade. O debate, moderado por Carlota da Silva, servirá para partilhar percursos de sucesso e refletir sobre a fixação de talentos na ilha.
O roteiro “Açores com Futuro” pretende destacar e celebrar jovens que, ao regressarem após períodos de estudo fora do arquipélago ou investindo em carreiras profissionais sem passagem pelo Ensino Superior, alcançaram sucesso nas suas áreas. Ao divulgar estes testemunhos, o projeto visa demonstrar que os Açores oferecem oportunidades reais de crescimento pessoal e profissional, reforçando a ligação das instituições democráticas à juventude de todas as ilhas da região.

A mais recente obra de Isabel Nolasco e Cláudia Gomes Ávila sobre a paisagem da cultura da vinha da ilha do Pico foi apresentada na passada sexta-feira, 15 de novembro, na Biblioteca da Madalena.
O livro com título “Da Vinha do Vinho” pretende ser uma homenagem no ano em que se celebram 20 anos da aclamação da paisagem da cultura da vinha da ilha do Pico como Património da Humanidade.
Segundo nota de imprensa enviada pela autarquia da Madalena, a obra resulta de uma exaustiva pesquisa que reúne nas suas 350 páginas um vasto espólio fotográfico, assim como informações diversas sobre a história, a paisagem, a arquitetura e património, os produtores de vinho, as diferentes castas e o enoturismo da ilha montanha, entre outros dados de relevo.
Enaltecendo a importância da obra, a presidente da Câmara Municipal da Madalena, Catarina Manito, felicitou as autoras pela iniciativa e por “preservarem a memória deste serpenteando lávico, onde se esculpe a nossa mais genuína identidade”.
Para a autarca “importa celebrar a Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico, hoje e sempre! Importa valorizar, contínua e permanentemente, a nossa História, a nossa identidade, as nossas gentes! Este Povo, nascido em berço de lava e de sonho, cuja resiliência e a vontade férrea nos devem servir de exemplo e de inspiração para o futuro!”
O serão cultural contou também com a atuação de Márcio Costa, professor do Centro de Formação Artística, terminando com uma sessão de autógrafos e um Pico de Honra, oferecido pelo Município, num brinde ao sucesso da obra e da valorização da paisagem da cultura da vinha da ilha do Pico.