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Os Açores são um desses lugares

Turismo em tempo de guerra: quando o mundo procura destinos de Paz

Rúben Cabral
Deputado pelo PSD na ALRAA

Vivemos numa época em que a estabilidade internacional já não é garantida.

O Turismo é muitas vezes visto como uma indústria de paz. Viajar aproxima pessoas, culturas e realidades diferentes. Mas é também um dos setores que mais rapidamente reage quando o mundo entra em tensão.

As tensões geopolíticas regressaram ao centro do debate internacional e conflitos como a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, a tensão na Faixa de Gaza e a guerra no Irão lembram-nos que a estabilidade global não é um dado adquirido.

Quando o mundo muda, mudam também os comportamentos das pessoas — e o Turismo é dos primeiros setores a sentir esses sinais. Alteram-se rotas aéreas, aumentam custos, cresce a prudência nas decisões e muda a forma como os viajantes escolhem os seus destinos.

A literatura sobre turismo e crises mostra-nos algo importante: as pessoas raramente deixam de viajar, mas tendem a escolher de forma diferente.

Quando o mundo parece mais incerto, procuram destinos que transmitam confiança e estabilidade, lugares onde seja possível abrandar e sentir alguma distância do ruído das tensões globais.

Mas há também desafios claros. Em contextos de instabilidade internacional, os turistas tendem muitas vezes a privilegiar viagens mais curtas e destinos mais próximos. Ao mesmo tempo, conflitos geopolíticos costumam provocar aumentos no preço da energia e do petróleo, o que pressiona diretamente os custos da aviação e, consequentemente, o preço dos bilhetes.

Para destinos insulares e mais distantes, como os Açores, esta realidade coloca uma exigência adicional. A distância é parte da nossa identidade atlântica, mas também obriga a uma competitividade reforçada: quando viajar se torna mais caro, os turistas escolhem ainda com mais critério, procurando destinos que inspirem confiança e ofereçam experiências que marcam uma vida.

E como temos desvantagem no que às distâncias diz respeito, a qualificação do destino torna-se, absolutamente, decisiva. Num setor cada vez mais exigente, destacam-se os destinos que investem continuamente na qualidade da experiência que oferecem.

Significa formar melhor, organizar melhor e preservar melhor. Significa garantir que quem visita os Açores não encontra somente paisagens extraordinárias, mas também serviços de qualidade, mobilidade eficiente e uma experiência coerente com a sustentabilidade que o arquipélago tem afirmado.

A competitividade turística dos Açores não se constrói apenas com promoção. Constrói-se com qualidade e credibilidade. Com confiança.

É precisamente aí que está o grande desafio dos Açores: continuar a afirmar-se não pela quantidade, mas pela qualidade. Não pela pressa, mas pelo equilíbrio.

Porque, quando o mundo parece mais turbulento, há lugares que se tornam ainda mais valiosos.

Os Açores são um desses lugares.

Júlio Tavares Oliveira lança novo livro de poesia «Por ser Árvore»

Obra será apresentada no dia 30 de maio, na Biblioteca Municipal Tomaz Borba Vieira, com prefácio de Gabriela Silva

© DIREITOS RESERVADOS

O jovem autor e professor lagoense Júlio Tavares Oliveira, de 28 anos, prepara-se para lançar a sua mais recente obra poética, intitulada «Por ser Árvore». O evento de lançamento terá lugar no próximo dia 30 de maio, pelas 18h30, na Sala de Leitura da Biblioteca Municipal Tomaz Borba Vieira, e contará com a apresentação do poeta e escritor Pedro Paulo Câmara.

Após um interregno de três anos sem eventos literários presenciais, o autor, que soma já dois prémios de poesia, regressa com uma obra sob a chancela da editora Reticências. O livro congrega uma seleção de poemas inéditos e alguns dos seus melhores textos já publicados.

Segundo o autor, em declarações ao Diário da Lagoa, a obra “reflete uma atitude de aceitação perante o mundo e as circunstâncias pessoais de cada um”, descrevendo-a como o espelho de uma vida jovem, mas “repleta de luzes e de sombras”. A capa, que ilustra uma flor de outono a cair sobre a palma da mão, simboliza essa “aceitação plena e grata do nosso Destino”.

Com prefácio da escritora florentina Gabriela Silva, antes do lançamento oficial haverá uma pré-abordagem apresentacional a 17 de abril, na Escola Básica Integrada de Água de Pau, em contexto escolar, também com a presença de Pedro Paulo Câmara.

Licenciado em Estudos Portugueses e Ingleses, pós-graduado em Português Língua Não Materna (PLNM) e atualmente mestrando em Estudos de Língua Portuguesa pela Universidade Aberta de Lisboa, Júlio Tavares Oliveira possui uma vasta formação em áreas como Escrita Criativa, Educação Não Formal e Inclusão. Após ter exercido funções como docente de PLNM no Colégio do Castanheiro, em Ponta Delgada, no ano letivo 2024/2025, o autor dedica-se atualmente à certificação de estrangeiros em diversos pontos do globo, promovendo a Língua e Cultura Portuguesas para fins de obtenção de nacionalidade.

Álvaro Borges viajou até um país em guerra, a Ucrânia

A experiência é inesquecível pelo que se vive e pelas histórias que se encontram num país que vive o terror da guerra. Álvaro Borges conta-nos como foi a sua viagem à Ucrânia, em setembro passado, nesta entrevista ao Diário da Lagoa

Álvaro Borges é natural da Vila de Água de Pau © DIREITOS RESERVADOS

Tem 25 anos, é licenciado em Direito e mestre em Direito Administrativo e Administração Pública. É natural da Vila de Água de Pau e encontra-se atualmente a viver no Livramento. Embarcou na aventura de viajar até à Ucrânia e conta-nos como foi enriquecedora a experiência que viveu.

DL: Como é que surgiu a oportunidade de viajar até à Ucrânia?
Tudo começou porque vi uma notícia no jornal Público. Várias entidades estavam a organizar este grande evento internacional, que era levar 20 jovens portugueses, em conjunto com 20 jovens da Ucrânia, a Lviv, a capital europeia da juventude 2025. Enviei a candidatura e fui selecionado.
Partimos da Polónia, de Cracóvia, para a Ucrânia, com as recordações que levámos. Consegui levar uma carta escrita pelo presidente do Governo Regional dos Açores, uns lembretes da Câmara Municipal de Ponta Delgada e um crachá do Santa Clara.
Nós chegámos primeiro à fronteira com a Polónia, não saímos do autocarro, do qual era suposto sair. Apenas veio um agente ver os nossos passaportes e passámos. Depois houve a fronteira com a Ucrânia. No total, esperámos, mais ou menos, uns 45 minutos. Depois, quando estávamos já mesmo perto da Ucrânia, os militares entraram dentro do autocarro para carimbar os passaportes. Avançámos com escolta policial até Lviv.

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DL: Recorda-se da paisagem ao entrar na Ucrânia?
Havia logo na entrada, quando entrámos na Ucrânia, campos muito grandes com casas dispersas. Passados 15 minutos, surgiu um pequeno cemitério com umas bandeiras e ficámos arrepiados. Inicialmente, estávamos num entusiasmo, mas depois, naquele instante, ficámos todos em silêncio. A nossa primeira iniciativa foi na Câmara Municipal de Lviv, onde fomos recebidos pelos organizadores, pelo presidente da Câmara de Lviv e pela embaixadora da Ucrânia em Portugal. Tivemos uma sessão de cumprimentos para nos conhecermos uns aos outros. No total foram cinco dias na Ucrânia. Vimos também o cemitério de Lviv, onde estão enterradas mil e duzentas pessoas.

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DL: Foi uma chegada de choque em que a segurança era relativa?
Exato. Tínhamos protocolos de emergência em todos os nossos telemóveis: em caso de ataque aéreo, disparava os alarmes, também nas ruas, e íamos para um bunker. Se acontecesse alguma coisa, tanto podia ser durante a noite como de dia. Mas eu dormi completamente bem.

DL: Houve algum momento em que tenha sentido perigo?
Foi no penúltimo dia, quando tínhamos um plano de contingência em que, em última instância, se houvesse bombardeamentos à cidade, teríamos que sair de imediato para a Polónia. Estávamos numa espécie de conferência entre os jovens da Ucrânia e, a meio do evento, os nossos telemóveis tocaram devido a um alerta aéreo. A comunicação social tem muita frieza, e a primeira reação deles foi erguer as objetivas para capturar o momento. Havia um bunker para onde recolher, mas os ucranianos demonstravam que já estão habituados. É normal para eles. Então, nesse instante, estávamos com um ataque iminente e não sabíamos o que estava a acontecer ao certo. Fomos todos para o abrigo e lá, com mais calma, apercebemo-nos de que eram dois caças russos que tinham entrado no espaço aéreo da Ucrânia. Passados 30 minutos, recebemos outro aviso a dizer que estávamos seguros. Éramos um alvo porque a primeira-ministra estava no evento. E, passadas 12 horas, todo o edifício sofreu um ataque. Nessa altura, já estava no meu quarto, na cama, e por duas vezes ouvi a sirene. Tive que vestir uns calções e uma t-shirt à pressa e ir para o piso do abrigo. Ficámos quase uma hora dentro do abrigo, à espera de informações para sair em segurança. Acabámos por sair e despedimo-nos dos colegas ucranianos, com emoção. Estávamos em Lviv.
Depois dormimos no autocarro até acordar na fronteira com a Polónia e demorámos imenso tempo, talvez umas três horas, na fronteira, pois havia imensos carros.

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DL: Pessoas a sair da Ucrânia?
Sim, pessoas a sair da Ucrânia. Demorámos imenso tempo para entrar na Polónia. Tivemos que sair do autocarro, tivemos que levar todas as nossas bagagens e fomos revistados. Nessa altura, não tínhamos qualquer passe diplomático, como tínhamos antes. É mais fácil entrar do que sair. Já dávamos o avião como perdido. Mas depois o autocarro arrancou a correr e deu tempo. Chegámos à Polónia e voámos para Portugal tranquilamente.
Conhecemos uns 20 jovens e, obviamente, existem alguns com quem criámos amizade. Há um jovem que conheci que é oriundo de Mariupol, que fica mesmo junto à fronteira com a Rússia. Uma zona complicada e que foi anexada em 2022. Ele fugiu com a família e pegaram fogo à casa dele. Perdeu tudo. Ele agora vive em Kiev e estuda lá. Ele contou-nos que alguém foi à casa dele e tirou fotografias, e que já estava reconstruída, mas que estava ocupada pelos russos. Era até tipo uma espécie de colonização.

DL: Como encara agora a resiliência das pessoas afetadas pela guerra?
Não sei como é que é possível. Por exemplo, conheci um jovem ucraniano na minha segunda residência universitária, em 2022. O nome dele é Rostyslav Ruslanovich Hutsol e chegou com 17 anos a Portugal como refugiado de guerra. E depois, numa conversa com ele, é que descobri a profundidade da história dele. Ele tem mais uma irmã, o pai é militar reformado e a mãe dele também era militar. Só que a mãe morreu no primeiro dia de guerra, no primeiro dia da invasão russa à Ucrânia. A sensação de ver aquele jovem e estar em contacto com ele, todos os dias, fez-me pensar que tenho de fazer alguma coisa por ele. Então, convidei-o para vir aos Açores no Natal, e ele veio em 2023, e no ano passado também. E vai passar o próximo.

DL: A ligação à Ucrânia continua?
Continua, e eu fiz-lhe a promessa de voltar à terra dele e ir à casa dele conhecer a família.

Cineteatro Lagoense recebe seminário «A literatura na infância»

© CM LAGOA

O Cineteatro Lagoense Francisco D’Amaral Almeida vai receber um seminário intitulado «A literatura na infância», que terá lugar no dia 27 de maio, no âmbito do inicio da terceira edição da Semana da Criança.

Trata-se de uma iniciativa da Câmara Municipal da Lagoa, através da Biblioteca Municipal Tomaz Borba Vieira, num encontro dirigido, preferencialmente, a profissionais que exercem funções na área da infância e estudantes, embora possa ser frequentado por todos os interessados.

O seminário inicia-se com uma conferência «Ler na infância – a importância da leitura para o desenvolvimento da criança», a cargo da professora universitária Maria Madalena Teixeira da Silva e contará com apresentação de Paulo Bulhões.

Seguem-se três painéis temáticos: o primeiro centra-se na literatura infantil e aborda obras, técnicas de mediação e questões de diversidade na literatura infantil. O segundo explora a interligação entre literatura e outras expressões artísticas, como a música, a ilustração, e a expressão corporal; O terceiro, com uma componente mais prática, apresenta recursos educativos e estratégias para incentivar hábitos de leitura entre os mais novos. Durante o evento, será feita uma evocação especial à memória de Leonardo Sousa com a projeção de um vídeo que regista uma das suas intervenções num projeto da autarquia com excertos ainda não divulgados. Esta projeção pretende assinalar o legado e o contributo que deixou na área, homenageando, simbolicamente, a sua presença através das suas próprias palavras e agradecendo toda a colaboração prestada. Foi também um dos oradores convidados na edição formativa na I edição da semana da Criança.

Relativamente à responsável pela conferência de abertura, Maria Madalena Teixeira da Silva possui doutoramento em Literatura Portuguesa e licenciatura em Português/Francês, pela Universidade dos Açores. Publicou 14 artigos em revistas especializadas e possui 40 capítulos de livros. Organizou 26 eventos e participou em 48. Atua na área de Humanidades, com ênfase em Línguas e Literaturas, Literaturas Específicas e Teoria Literária.

Todos os restantes oradores, em diferentes áreas, têm-se destacado na promoção da leitura, podendo-se referenciar qual em cada um deles. Assim o seminário conta no I painel com: Anabela Cura, Rosa Cardoso e Mónica Domingues. No II Painel, Alda Casqueira, Alda Félix, Ana Rita Vieira. No terceiro, Sofia Fragoso, Sandra de Sousa Bairos e Miguel Esteves. A apresentação dos diferentes painéis está a cargo de Diana Oliveira (creche e jardim de infância «O Ninho»); João Oliveira (Solidaried’Arte); Vera Libório (Casa do Povo de Água de Pau).

Esta seminário carece de inscrição que pode ser feita junto da Bibilioteca Tomás Borba Vieira.

Lagoense sagra-se campeão mundial de aves de gaiola

Considera-se um “pequeno criador”, mas, mesmo com 27 aves, Frederico Pires já coleciona um vasto número de prémios. É apaixonado pelos seus pássaros, tem o sonho de aumentar as suas criações e de obter mais títulos

Frederico, 33 anos, vive na Ribeira Grande mas é natural da freguesia de Nossa Senhora do Rosário da Lagoa © DL

Natural da freguesia do Rosário, na Lagoa, Frederico Pires, 33 anos, conta ao Diário da Lagoa (DL) que sempre apreciou animais, especialmente aves. “Com 11 anos já tinha cerca de 100 aves, mas agora é que levo isto mais a sério”, refere ao nosso jornal e explica que cresceu neste ambiente com pais e um avô que partilhavam, igualmente, da grande paixão pelos pássaros. “Vem de família, sempre fui habituado assim e foi uma coisa que sempre fez parte de mim”, acrescenta.

Há precisamente dez anos Frederico Pires decidiu fazer da criação de aves de gaiola mais do que um passatempo e, desde então, faz parte da Associação de Avicultores de São Miguel que tem sede nos Arrifes e é é filiada da Federação Ornitológica Portuguesa. Já quanto ao “mundial”, que este ano se realizou em Santa Maria da Feira, foi organizado pela FONP – Federação Ornitológica Nacional Portuguesa juntamente com a COM – Confederação Ornitológica Mundial.

Preparar uma ave vencedora

© DL

Atualmente, cria “agapórnis roseicollis” que, identificados com uma “anilha da federação oficial”, podem ser levados a concursos, onde as suas “caraterísticas” são avaliadas por um “júri”, que “dá uma pontuação à ave”. A dedicação de Frederico Pires na preparação das crias para os campeonatos é visível. Estudou, por si próprio, muito do que sabe sobre pássaros e descreve a importância de trabalhar os atributos da ave. A “plumagem”, a “cor” o “porte” e até as “unhas” e “postura” são fundamentais para uma boa pontuação e as melhores aves nascem de um estudo adequado da “genética”.

No final de janeiro, Frederico venceu, em Santa Maria da Feira, o primeiro lugar no Campeonato Mundial de Ornitologia, juntamente com a “ave fêmea” que afirma ter-lhe “saltado à vista desde que era bebé”, pelas suas “caraterísticas muito boas”. A sua ave obteve quase pontuação máxima, com um resultado de 93 pontos em 95 possíveis.

“É um sonho tornado realidade”

Frederico afirma que “viver no meio do Atlântico” traz algumas dificuldades aos criadores de aves, principalmente devido aos custos de transporte do animal. A “insularidade” torna mais difícil levar as aves às grandes exposições. O criador, no entanto, demonstra fazer tudo para que seja possível levar as suas criações a outros lugares e o orgulho que sente, por ter sido declarado campeão mundial, é mais do que evidente. “Já comecei há dez anos e isso foi a cereja no topo do bolo”, diz ao DL.

Futuramente, Frederico Pires deseja levar outras aves à “Bélgica”, onde se realiza aquilo que é a “liga dos campeões” para os criadores de “agapórnis roseicollis”. Atualmente já iniciou, igualmente, a criação de papagaios, mas dedicar-se às catatuas, araras e aves de grande porte é, também, um dos seus sonhos.

Mundial Santa Maria da Feira 2025

Lagoa com ciclo de sessões de cinema dedicado aos óscares

© CM LAGOA

É já no próximo dia 8 de março, que arranca na Lagoa um ciclo de cinema, com filmes nomeados para os Óscares de 2025, com entrada gratuita, no Cineteatro Lagoense Francisco d’Amaral Almeida.

Segundo nota de imprensa enviada ao nosso jornal pela autarquia lagoense, a estreia será no próximo sábado, pelas 21h00, com o filme «Gladiador II». Trata-se de um filme de ação e aventura, para maiores de 18 anos, realizado na sequência do Gladiador (2000), dirigido por Ridley Scott, com um elenco que incluí atores como Paul Mescal e Denzel Washington. Conta a história de Lúcio, o antigo herdeiro do Império Romano, que se torna um gladiador após a sua casa ter sido invadida pelo exército romano, liderado pelo general Marco Acácio.

No domingo, dia 9 de março, pelas 15h00, o cinema da Lagoa apresentará o filme de animação infantil, agraciado com um Óscar, «Flow – à Deriva». Dirigido por Gints Zibalodis, conta a história de um mundo que parece ter acabado, coberto apenas por vestígios da presença humana, mas sem nenhum humano por perto. No dia 2 de março, «Flow» venceu o Óscar de melhor filme de animação.

No dia 15 de março, pelas 21h00, será exibido o filme, também vencedor de um Óscar de melhor filme internacional, «Ainda estou aqui», de Walter Salles, com um elenco composto por Fernanda torres, Selton Mello e Fernanda Montenegro. Baseado numa história verídica, retrata a autobiografia de Marcelo Rubens Paiva, com foco na vida da sua mãe, Eunice Paiva, uma advogada que acabou se tornando ativista política.

No sábado seguinte, 22 de março, a sala de cinema do cineteatro lagoense exibirá o filme «A Complete Unkonwn». Protagonizado pelo ator Timothée Chalamet, no papel de Bob Dylan, o filme de James Mangold, conta a história verídica e eletrizante por detrás da ascensão de um dos mais icónicos cantautores de sempre.

No dia 29, o ciclo de cinema do mês de março encerra com o filme «Conclave», um triller com suspense e mistério, protagonizado por Ralph Fiennes, Stanley Tucci, John Lithgow, Sergio Castellitto e Isabellla Rossellini. No filme, o cardeal Thomas Lawrence organiza um conclave para eleger o próximo papa e vê-se investigando segredos e escândalos sobre vários candidatos. «Conclave» foi nomeado para os Óscares de 2025 nas categorias de melhor filme e melhor ator.

Este ciclo de cinema contará com sessões todos os sábados, pelas 21h00, e, no primeiro domingo do mês, pelas 15h00, com um filme infantil. Esta é uma iniciativa da Câmara Municipal de Lagoa com o objetivo de dinamizar o cineteatro lagoense Francisco d’Amaral e proporcionar uma oferta cultural diversificada à população lagoense.

A música “significa poder ser livre”: João Ponte, uma vida dedicada ao canto

O coralista tenor João Ponte ressoa com intensidade no mundo da música. Natural do Rosário da Lagoa e ainda com 26 anos, seja nos palcos, como intérprete, seja na sala de aula, como formador, tem trilhado o caminho desde tenra idade

João acredita que o equilíbrio entre as várias atividades é o que o permite viver de forma mais intensa © JOÃO FERREIRA

A relação de João Ponte com a música começou muito cedo. Aos cinco anos, já se destacava no Coro Vozes de Maria, onde iniciou a sua formação artística. Esse foi apenas o primeiro passo de uma jornada que o levaria a explorar diferentes instrumentos e técnicas vocais. Além do coro, também se dedicou ao estudo do trompete no Conservatório e ao piano.

João sempre teve um ambiente familiar favorável à música. Cresceu num contexto em que a igreja e o coro desempenhavam um papel central, o que o motivou a buscar mais. “A música sempre foi um hobby para mim, uma maneira de fugir à realidade, de me desconectar”, revela. Embora nunca tenha visto a música como uma profissão no início, o talento e a dedicação começaram a dar frutos.

Durante a semana, é formador na Escola Profissional de Nordeste, tendo já passado por diversos estabelecimentos de ensino. É também professor de canto e técnica vocal e de coro na Academia de Música da Povoação. Nos fins de semana, é organizador de eventos. Para além destas atividades, aposta na sua carreira como solista, participando em vários eventos. É também membro de várias academias e instituições culturais, nomeadamente a academia Musical de Lagoa.

Além da sua formação na música, João também investiu na sua educação académica. A sua paixão pela comunicação era evidente desde os tempos de escola, quando começou a escrever um blog. João, inicialmente, sonhava ser hospedeiro de bordo. No entanto, a sua vida tomou rumos diferentes. Após licenciar-se em Comunicação Empresarial, no Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto, em 2019 seguiu para o mestrado em Comunicação, Redes e Tecnologias, também no Porto. Porém, nunca abandonou a música. Ainda em 2016, frequentou o Conservatório de Vozes e Artes Performativas do Porto, no Curso de Canto e Técnica Vocal.

Foi nesse ambiente que João começou a integrar diversos coros, como o Coro Litúrgico Universitário do Porto, o Magma Gospels, Vocare Gospel Choir, entre outros. Esses projetos deram-lhe visibilidade como intérprete e abriram portas para a sua carreira solo.

Foi também naquela cidade do norte que o cantor açoriano teve oportunidade de ser por duas vezes protagonista do musical “Beauty and the Beast”, apresentado no auditório da Biblioteca Almeida Garrett, destaca João Ponte.

A atuação em 2023, como solista na gala de aniversário do Jornal LusoPresse, em Montral, no Canadá, foi também outro momento importante na sua carreira, mas no seu portfólio constam dezenas de atuações como cantor.

A música como liberdade

Apesar da sua idade, o jovem cantor, natural do Rosário, diz-se grato por tudo o que conseguiu até hoje © JOÃO FERREIRA

Para o jovem tenor lagoense, a música é uma forma de liberdade: “a música significa poder ser livre. Posso criar o que quiser, sem ter que seguir uma linha rígida”, afirma. Esse desejo de liberdade é o que o impulsiona a explorar diversos estilos e formatos dentro da música, como ópera e musicais.

João também se destaca no teatro musical, uma área que começou a explorar mais recentemente, em parte graças ao trabalho com a professora Isabel Maia e o diretor Paulo Ferreira. “Foi aí que as portas realmente começaram a se abrir para mim no meio artístico”, comenta.

Quando questionado sobre com que área mais se identifica, João Ponte responde de forma sincera: “não me conseguiria desprender de nenhuma delas. Vivo da música, mas o trabalho como formador dá-me uma segurança financeira.” Acredita que o equilíbrio entre as várias atividades é o que o permite viver de forma mais intensa e gratificante.

João Ponte observa na sua carreira multifacetada como uma forma de se manter em constante evolução: “não tenho um único caminho. A música, os eventos, o ensino, tudo isso ajuda-me a crescer e a desafiar-me”.

O futuro e a gratidão pelo caminho percorrido

Apesar da sua idade, o jovem cantor diz-se grato por tudo o que conseguiu até aqui e pela oportunidade de explorar tantas áreas: “em 26 anos, já fiz tanta coisa, e sou muito grato por isso”.

O cantor também reconhece a responsabilidade que essa notoriedade traz. A ligação com sua cidade é forte, e ele sente que tem de representar a sua comunidade de forma digna. “Ser natural do Rosário tem me dado muito peso nos ombros, mas no bom sentido. Sinto que tenho uma responsabilidade para com a minha terra”, afirma. É também a Lagoa que lhe tem proporcionado várias oportunidades na música, destaca ainda o cantor.

Com um futuro promissor pela frente, João Ponte continua a viver a música como uma verdadeira forma de expressão e liberdade.

Júlio Oliveira publica livro de reflexões pessoais e ensaísticas

Escritor lagoense tinha anunciado em janeiro “uma pausa” nas suas lides “literárias”. Pausa que decidiu agora “dar por terminada” com a publicação do livro «Não se encontra o que se procura»

© D.R.

O escritor lagoense, Júlio Tavares Oliveira, está a comercializar e a publicar, este mês de julho, o livro de reflexões pessoais e ensaísticas «Não se encontra o que se procura».

O escritor, de 26 anos, vê agora concretizado mais um título, depois de «Presidências» e de «O Sargento Tavares – As Memórias do Meu Avô».

Segundo o autor lagoense, o livro, agora tornado público em Edição do Autor, “tem por base a máxima de que o Amor, esse sentimento, não é um lugar de encontro; mas um lugar que vem sempre ao nosso encontro”, complementando que “este livro, de reflexões sobre o Amor, sentimento antitético e contraditório por natureza, base inspiracional de inúmeras metáforas/recursos estilísticos e de uma poética secular generalizada, é tanto nosso quanto dos outros, numa partilha que deve ser sempre total e consentida, nunca forçada ou imposta”.

Em nota de imprensa enviada à redação, Júlio Tavares Oliveira fala do processo de “virtualização amorosa”, enquanto conceito novo, precedendo sempre um processo de “desvirtualização ou de desilusão amorosa”. O autor refere que neste livro introduz conceitos que considera inovadores, como os de “necessidade coletiva” ou do elemento intitulado de “perturbador” na relação amorosa.

“Este, em suma, é um livro de reflexão sobre um sentimento: o amor. O amor-romântico, por base tido, mas também pegando noutras sub-tipologias. Porque, por definição, só podemos amar quem nos pode amar também – ou tem, justamente, essa capacidade de nos amar -, parto desse princípio, que explico no livro/artigo, e faço toda uma obra em torno de um conjunto de conceitos, uns novos e, outros, já trabalhados”, aponta o escritor.

Júlio Tavares Oliveira tinha anunciado em janeiro “uma pausa” nas suas lides “literárias”. Pausa que decidiu agora “dar por terminada”. O autor explica, ainda, que regressa porque “foram várias, e por várias formas, as motivações, internas e externas, para que voltasse a publicar mais um livro, facto que agora ocorre”.