
Nádia Franco, estudante da licenciatura em Serviço Social, foi a grande vencedora do Prémio de Mérito de Ingresso na Universidade dos Açores. A distinção destina-se a reconhecer o melhor desempenho académico entre os alunos residentes no concelho da Lagoa, na ilha de São Miguel, Açores.
A entrega do prémio ocorreu esta quarta-feira, 4 de março, durante a cerimónia do 27.º aniversário da Fundação Gaspar Frutuoso, realizada no campus universitário.
O galardão, no valor global de 1.000,00 euros, resulta de uma parceria entre a autarquia lagoense e a fundação. O montante é atribuído ao estudante que, após concluir o ensino secundário na região, obtenha a nota de candidatura mais alta no concurso nacional de acesso ao ensino superior.
Para a vereadora Albertina Oliveira, presente no ato oficial, este reconhecimento é um estímulo fundamental ao sucesso escolar. A autarca sublinhou a importância de valorizar o esforço individual como um motor de desenvolvimento para o concelho.
Este prémio integra-se numa estratégia municipal de apoio à educação mais abrangente. Para o ano letivo de 2024/2025, a Câmara Municipal da Lagoa investiu cerca de 70.000,00 euros em bolsas de estudo.
No total, foram atribuídas 100 bolsas a estudantes do concelho: 60 destinadas a alunos deslocados e 30 bolsas de mérito, reforçando o compromisso da autarquia com a continuidade do percurso académico dos jovens lagoenses.

Júlio Tavares Oliveira
Professor de PLNM
Licenciado em Estudos Portugueses e Ingleses
Pós-Graduado em Português Língua Não Materna
A Licenciatura. Esse grau, do espírito e da valentia, da virtude e da honra, que nos deveria meter num local de orgulho e lisonja, nos catapultar para o estrelato dos deuses, para o Olimpo do “grande” conhecimento académico. Ou para o primeiro degrau, aceitável, do Olimpo dos deuses, do qual o último talvez seria um conhecimento acima da média para mediana inteligência dos homens “banais”.
Faz um ano que me Licenciei, mas nos últimos anos, passei todos os Bojadores, os Mostrengos e as Boas Esperanças. As Tormentas, assim, renomeadas em Boas Esperanças que, sem fé, se renomearam, de novo, em Tormentas e, de novo, em Boas Esperanças. Fui, eu mesmo, Vasco da Gama; fui um Infante sem vento que me soprasse as velas apagadas, sem mar que me valesse para o casco frágil da vontade de continuar seguindo na turbulência dos dias e dos acontecimentos e da ausência.
Li livros, escrevi outros; rascunhei, fiz exames, frequências às várias dezenas e dezenas, ansiei saber mais do que soube; menos do que sabia e, tantas vezes, percebi que sabia menos do que pensava saber. Ou, às vezes, que saber muito só me fazia mal à cabeça, também. A Licenciatura, em qualquer curso, não é um grau, é um degrau – e podemos tropeçar nele, se não formos bons e humildes o suficiente para não enxergar o degrau no tamanho do seu tamanho.
Sou, hoje, licenciado, certo, mas sem esquecer, hoje também, que o que fica das nossas maiores conquistas são as nossas maiores derrotas. As derrotas fazem, fizeram a pessoa que sou hoje. A ansiedade, a nervosura imensa de um dia passado a contar as horas lentas, tantas vezes, fez com que nada, já, me assuste de morte.
A licenciatura não é, assim, um relevo de superioridade, nem um superlativo. A licenciatura é um (de)grau que nos capacita, dá licença, ao trabalho numa área, mas, e isso garanto, não nos torna melhores pessoas, nem mais humanos do que ninguém. Não é a credenciação que nos dá mais lustro ou brilho; é o nosso imenso coração. É a maneira como agimos, diariamente, perante as adversidades, perante o nosso irmão, que faz toda a diferença.
Os “envernizados” pelos créditos do conhecimento, assim se dizem, podem seguir sozinhos. Eu seguirei o mesmo, seja quando for: o Júlio, sempre igual a mim mesmo, sem honras, sem pompas, sem festas, nem roqueiras. E eu sugiro, leitores, que façam o mesmo. Não se deslumbrem. A vida é tão pequena, tão frágil, tão inconsequente, para nos distrairmos com pequenas coisas materiais que, afinal de contas, não nos adiarão a morte nem, tampouco, prolongarão a nossa vida junto dos nossos amigos.
O conhecimento é fundamental, sim. Os graus também. A educação é a base da sociedade. Mas nem tudo, nem todos, são frutos da mesma árvore. Da minha parte, só quero que a boa pessoa dentro de mim se revele hoje e sempre. Que a criança que eu fui nunca se desiluda da pessoa que eu sou hoje.