
A Festa do Livro está de regresso à livraria Letras Lavadas, que entre 18 e 24 de abril se transforma num espaço de encontro, partilha e celebração da literatura. A edição deste ano apresenta uma programação diversificada, pensada para leitores de todas as idades, com horas do conto, apresentações de livros, oficinas, podcasts em direto, palestras, música e várias iniciativas culturais ao longo de toda a semana.
As atividades começam no dia 18 de abril, sábado, com duas Horas do Conto para famílias, com Ana Catarina Lima (11h00) Sónia Garcia (14h30), seguindo-se, às 16h00, um curso com o escritor Paulo José Miranda dedicado a “As Viagens de Gulliver”.
Na segunda-feira, 20 de abril, a manhã abre com uma sessão sobre contos tradicionais portugueses dinamizada pela Associação da Dor Crónica dos Açores, às 10h00. Às 16h00, decorre uma emissão em direto do podcast “Há Conversa na Livraria”, com Carlos Nuno Granja, transmitida no YouTube e Facebook da Letras Lavadas. O dia termina às 18h00 com uma sessão do Projeto Game On – Histórias em Jogo.
O dia 21 de abril, terça-feira, é dedicado ao público infantil, com duas apresentações do livro “O Barco e o Sonho”, que inclui o livro infantil mais pequeno do mundo, conduzidas por Sandra Bairos, às 10h00 e às 15h30. Às 17h00, o podcast “Há Conversa na Livraria” regressa, desta vez com Marco Neves, novamente em direto. Às 18h00, realiza-se o lançamento de “Mimos”, de Herodas, com tradução, introdução e notas de Rui Tavares de Faria.
Na quarta-feira, 22 de abril, às 10h00, acontece a sessão intergeracional “A Mala de Histórias”. Às 16h00, segue-se uma palestra dedicada aos problemas sociais e ao papel da literatura. O dia encerra às 18h00 com o lançamento da segunda edição da revista “Ilhéu”, de Kathleen McCaul, com a presença de Urbano, no Pico do Refúgio.
A programação continua na quinta-feira, 23 de abril, com uma oficina de criação de marcadores às 10h00, com participação da APPDA Açores. Às 14h30, o podcast “Há Conversa na Livraria” recebe Filipa Fonseca Silva, em direto. Às 17h30, o Bar L’Epicure Azores acolhe o Sarau Poético “Palavras Sentidas”, seguido, às 18h30, do lançamento de “Lin‑Tchi‑Fá/Flor de Lótus”, de Maria Anna Acciaioli Tamagnini, com a presença do editor da N9na Poesia, Henrique Levy, também no L’Epicure Azores.
A sexta-feira, 24 de abril, começa às 10h00 com uma Hora do Conto para escolas, dedicada ao “Dragão Furninhas e o Cozido das Furnas”. Às 14h45, Filipe Bacelo conduz uma sessão para alunos do secundário sobre o seu livro “O meu erro foi não saber amar-te”. Às 17h30, realiza-se o Clube de Leitura, seguido, às 18h30, da apresentação do livro “Lembra-te de mim sob as estrelas”, também de Filipe Bacelo. A noite termina com um concerto intimista de Sara Gago da Câmara e João Cordeiro, às 19h30.
Ao longo de toda a Festa do Livro, o público poderá participar em encontros com autores, atividades para famílias, momentos musicais e usufruir de descontos especiais.

Não é sobre estatísticas. Não é sobre o peso do metal das medalhas ou as datas precisas de campeonatos regionais. O projeto que nasceu de um convite para o álbum dos 500 anos do Concelho de Lagoa transformou-se em algo muito mais profundo: uma radiografia da alma de um povo. “O meu propósito era humanizar a informação”, explica o autor, Marcelo Borges, que dedicou quase dois anos a escavar memórias que o betão do tempo ameaçava enterrar.
“O meu pai, desde de cedo, levou-me para o desporto, acompanhava-me muito. Quando me fizeram o convite, disse que aceitaria ir nesse propósito, mas num propósito mais de humanizar a informação”, explica o autor.
A história do desporto na Lagoa começa com um ato de sobrevivência psicológica. Em 1522, após o terramoto devastador que arrasou Vila Franca do Campo, o capitão donatário Luís Gonçalves encontrou no “jogo de canas” — uma disputa de perícia a cavalo — a forma de demover as pessoas de abandonarem a ilha. O desporto foi, ali, a primeira ferramenta de reconstrução social.
Recorda os tempos idos em que em 1905 foi instalado um campo de cricket no jardim do Rosário, pela câmara municipal.
Em 1917, foi criado o Eden Park. Onde antes se empilhava carvão para a Fábrica do Álcool, nasceu um espaço de lazer vanguardista com o primeiro ginásio público ao ar livre. Foi ali que as famílias se reuniam, onde as senhoras faziam renda enquanto assistiam aos primeiros jogos de futebol, e onde a dinâmica social da rua ganhou uma nova vida.
O livro “Breve História da Cultura Desportiva na Lagoa”, editado pela Câmara da Lagoa, destaca um período áureo: a era das grandes indústrias. A Fábrica do Álcool e a Fábrica do Sabão (Provimi) não eram apenas polos económicos, mas o coração pulsante do desporto. Os operários terminavam turnos exaustivos e corriam para os treinos. O autor recorreu sobretudo a testemunhos orais, a livros e à imprensa da época.
“O que mais me agradou foi confirmar a resiliência dos lagoenses”, afirma Marcelo Borges. As histórias de bastidores são comoventes: dirigentes que transformavam as suas próprias casas em sedes de clubes e treinadores “vanguardistas” que, perante a escassez, davam “quadradinhos de marmelada” aos atletas para garantir que tinham calorias para competir. É este “ADN” de sacrifício que explica como clubes com poucos recursos conseguiram, tantas vezes, bater-se contra gigantes.
Se outrora era preciso esperar horas para conseguir um lugar nos polidesportivos de Santa Cruz ou do Rosário, hoje o silêncio nas ruas preocupa. O autor aponta para um “desligamento” das novas gerações, provocado não só pelos ecrãs, mas por uma alteração na dinâmica familiar.
“Eu não ouço as bolas a baterem na rua”, lamenta, recordando o tempo em que o sentido de pertença era tão forte que os próprios alunos tomavam a iniciativa de decorar os pavilhões escolares com azulejos. Para o autor, o desporto não é apenas exercício físico; é uma lição de cidadania e de dever sobre o direito.

A obra, que agora integra a coleção da Biblioteca Tomás Borba Vieira, não pretende ser um ponto final. Com atletas como Natacha Candé e Apollo Caetano a reescreverem a história no presente, o livro serve como um estandarte para que os clubes não deixem perder os seus arquivos orais, sendo a história atual um desenrolar constante de novos marcos. “O livro já está desatualizado”, diz Marcelo Borges, assumindo que é a própria história a acontecer. O autor espera que este trabalho incentive outros a escreverem sobre modalidades específicas antes que a memória dos dirigentes mais antigos se perca.
Numa altura em que a informação digital é efémera, este resgate das fontes orais e dos periódicos antigos (como “O Lagoense” de 1905) é um presente para a Lagoa de amanhã eternizando assim a história da cultura desportiva no concelho.

O Cineteatro Lagoense Francisco D’Amaral Almeida prepara-se para acolher, na próxima sexta-feira,13 de março, pelas 20h30, a sessão de apresentação do livro «Breve História da Cultura Desportiva na Lagoa». Segundo a nota de imprensa enviada pela Câmara Municipal da Lagoa, esta edição surge através da Biblioteca Municipal Tomaz Borba Vieira e conta com a investigação do lagoense Marcelo Borges. A génese deste projeto remonta a um convite endereçado pela autarquia ao autor para colaborar na obra comemorativa «Os 500 Anos do Concelho da Lagoa – Álbum de Memórias», publicada em abril de 2025. Contudo, perante a extensão do trabalho de pesquisa apresentado, a autarquia propôs que a investigação fosse aprofundada e ganhasse uma autonomia própria, resultando agora numa publicação que abrange diversos momentos históricos e modalidades que moldaram a identidade desportiva do concelho.
De acordo com a autarquia lagoense, a obra não se limita a um registo estatístico, procurando antes um olhar mais sensível sobre as personalidades que construíram este legado. Sobre o processo de escrita, Marcelo Borges revela que o grande objetivo passou por “criar um trabalho que humanizasse as diferentes fontes de informação reunidas e que não se limitasse a datas e números, mas que nele fosse elevado o nome daqueles que, em diferentes funções, contribuíram para a promoção do desporto e da atividade física no concelho”. Este foco na vertente humana e no esforço coletivo da comunidade lagoense é um dos pontos centrais da publicação, que pretende servir como um documento de memória futura para as próximas gerações de atletas e dirigentes locais.
O livro conta com os prefácios de José Carlos Mota, professor na Universidade de Aveiro e coordenador do Laboratório de Planeamento de Políticas Públicas, e de José Raimundo, vice-presidente da Federação Portuguesa de Patinagem e embaixador para a ética no Desporto. Através desta contextualização académica e institucional, a «Breve História da Cultura Desportiva na Lagoa» procura afirmar-se como um contributo relevante para o património cultural da ilha, celebrando o desporto enquanto pilar de coesão social. O lançamento na sexta-feira marca, assim, a entrega oficial deste trabalho de investigação à comunidade, registando em livro o percurso histórico da Lagoa no panorama desportivo regional e nacional.

O Convento de Santo António, na freguesia de Santa Cruz, Lagoa, irá acolher o lançamento do livro «Breve História da Cultura Desportiva na Lagoa», anunciou esta terça-feira, 16 dezembro, a Câmara Municipal. No entanto, a data inicial prevista foi desmarcada após divulgação da notícia, “uma vez que o lançamento da obra (…) foi adiada, por questões de produção, para data a anunciar oportunamente”.
Trata-se de uma edição da autarquia da Lagoa, através da Biblioteca Municipal Tomaz Borba Vieira, com texto de investigação do lagoense Marcelo Borges.
De acordo com a nota de imprensa enviada inicialmente pela autarquia, a publicação resulta de um convite inicial feito pela Câmara ao autor para que realizasse um texto sobre a história do desporto local, com vista à inclusão na obra «Os 500 Anos do Concelho da Lagoa – Álbum de Memórias», a ser publicada pela Câmara Municipal no dia 11 de abril de 2025.
Contudo, o trabalho de Marcelo Borges revelou-se mais extenso do que o previsto, motivando a proposta para que o autor não apenas incluísse a investigação, mas que a aprofundasse, abrangendo diferentes momentos e modalidades da cultura desportiva do concelho. O resultado dessa pesquisa culminou na publicação que será, agora, apresentada à comunidade.
Marcelo Borges revelou ter aceitado o desafio com o objetivo de “criar um trabalho que humanizasse as diferentes fontes de informação reunidas e que não se limitasse a datas e números, mas que nele fosse elevado o nome daqueles que, em diferentes funções, contribuíram para a promoção do desporto e da atividade física no concelho”.
A obra conta com prefácios de José Carlos Mota, professor na Universidade de Aveiro e Coordenador do Laboratório de Planeamento de Políticas Públicas da mesma instituição, e de José Raimundo, vice-presidente da Federação Portuguesa de Patinagem e embaixador para a Ética no Desporto. Será José Raimundo o responsável por apresentar o livro, porém a nova data do lançamento ainda não é conhecida.

A autora lagoense Márcia e Castro vai lançar no próximo domingo, 14 de dezembro, pelas 16h00, a sua nova obra, «Cego por Amor», numa sessão aberta ao público, na igreja do Convento de Santo António, em Santa Cruz.
Segundo nota de imprensa enviada pela Câmara da Lagoa, o livro apresenta uma narrativa marcada por fortes emoções, explorando as complexidades do amor, da entrega e da vulnerabilidade humana. Trata-se de uma obra que convida à reflexão sobre os limites entre paixão, idealização e cegueira emocional. Em «Cego por Amor», Márcia e Castro conduz o leitor por uma viagem íntima, intensa e sensível, revelando personagens marcadas por afetos profundos e desafios emocionais. A escrita combina lirismo e realismo, propondo ao leitor uma experiência literária próxima, humana e envolvente.
«Cego por Amor» trata-se da segunda obra literária de Márcia e Castro, que nasceu em outubro de 1977 e é natural da cidade da Lagoa, mais precisamente do lugar da Atalhada. Desde tenra idade, a lagoense desenvolveu o gosto por criar histórias, condimentadas pela sua imaginação e fantasia, acreditando que tudo era possível. Apaixonada pela escrita, principalmente por romances, considera-se uma romântica por natureza.
A escritora Márcia e Castro lançou, em julho de 2025, também, no convento de Santo António, o livro intitulado «Amores e Desencontros», com a colaboração da Câmara Municipal da Lagoa, e apresentação de Daniel Aguiar.

O livro “Uma família Açoriana” da autoria de Beatriz Moreira da Silva, colaboradora do Diário da Lagoa (DL), vai ser lançado oficialmente no próximo dia 29 de novembro, pelas 15 horas, na Livraria Letras Lavadas, no centro histórico de Ponta Delgada. Vai ser apresentado por Clife Botelho, diretor do DL, e pela lagoense, Marta Ferreira.
Trata-se de uma obra infantil sendo esta a primeira de Beatriz Moreira da Silva. Segundo a autora, “a saudade ensina-nos, o livro é a prova disso. Não se trata de ser fácil, trata-se de fazê-lo com amor e dedicação. Escrever, corrigir, ouvir muitos «não’s» fizeram parte do percurso. Ninguém acreditou mais do que eu e, sobretudo, mais do que quem cá já não está – o meu avô. Transcrever o que sentimos e poder partilhá-lo é a maior benção. Ninguém está sozinho. No fundo somos todos iguais”.
“Porquê falar de sentimentos ou emoções?”, questiona a autora. “Uma criança com três anos tem cerca de 80% do seu cérebro desenvolvido, não tem capacidade para saber gerir frustrações. Dar a conhecer é tão importante como respirar, portanto não nos coibirmos de permitir sentir, demonstrar compreensão, abraçar, ficar apenas ali no chão a dar o conforto. Não se trata de descer ao nível da criança, ela é que está sã e nós só temos de lhes preparar para voar, ainda que com obstáculos pelo percurso”, diz.
O livro infantil “Uma família açoriana” foi escrito em 2015, em Castelo Branco, mas só agora foi editado pela editora Flamingo. Conta a história de uma menina, Violeta, que “tem a sorte de pertencer a dois países. Nascida em Toronto mas com alma açoriana” pode ler-se na sinopse.
O lançamento do livro tem entrada livre.

O Biblioteca Municipal da Madalena, na ilha do Pico, recebe no próximo dia 18 de outubro, pelas 21h00, o lançamento do livro “Um Valonguense nos Açores”, de José R. Pinto Guimarães. A sessão conta com a moderação de José Carlos Costa e a entrada é livre.
José R. Pinto Guimarães, autor de poesia, reformado e natural de Valongo, onde nasceu em 8 de maio de 1958, está radicado na cidade da Lagoa, na ilha de São Miguel, nos Açores. Segundo o prefácio do seu livro, “encontrou na escrita poética a expressão de uma vida marcada por experiências profundas, desafios e reencontros”.
“Poeta desde sempre, só agora, com o apoio da sua companheira e o acolhimento dos Açores, teve a coragem de publicar o seu primeiro livro”, lê-se na nota da obra.
O livro foi apresentado primeiro no Convento de Santo António, na freguesia de Santa Cruz, Lagoa, a 2 de agosto, onde marcaram presença cerca de cinco dezenas de pessoas para testemunhar o momento. Dois dias depois foi a vez da Biblioteca Municipal de Ponta Delgada acolher também o lançamento num ambiente mais intimista. Mais recentemente, foi a vez da terra natal do autor, Valongo, a 19 setembro, ver José Guimarães regressar ao norte do país para partilhar a obra com familiares e amigos.
O autor diz, ao Diário da Lagoa, que está satisfeito a receção do público à sua obra e, porque “parar é morrer” e “não sabe estar quieto”, já se encontra a trabalhar no próximo livro que terá lançamento previsto para o próximo ano.

O município do Nordeste foi palco do lançamento do primeiro livro da Ana Carolina Medeiros e a tradição manteve-se ao acolher o lançamento do segundo livro da autora – O voo da borboleta, A viagem continua” –, evento que teve lugar no Centro Municipal de Atividades Culturais.
O espaço encheu-se para a apresentação da obra por ser uma pessoa com muitas raízes no concelho, assim como pelo lado familiar, em especial a mãe, Serafina Medeiros, conhecida pelo seu dinamismo a nível local, tanto na sua aposentação como enquanto delegada escolar no concelho.
“O voo da borboleta” é uma continuidade do primeiro livro lançado por Ana Carolina Medeiros, em 2020, sendo que, em ambos, verifica-se a procura da liberdade como valor máximo do indivíduo.
A narrativa gira à volta de duas personagens centrais e nos desafios próprios da juventude, sendo o segundo livro a continuidade já em vida adulta com outros desafios ao nível da família, das rotinas, das emoções, adaptações e aceitação dos voos distintos do núcleo familiar.
A apresentação do livro ficou a cargo de uma amiga de infância, da Carolina Ferreira, e contou com outros intervenientes, entre estes, um dos filhos da autora.
Também o vice-presidente da Câmara Municipal do Nordeste, Marco Mourão, marcou presença na cerimónia, destacando, na ocasião, o apoio da autarquia ao trabalho que Ana Carolina Medeiros tem vindo a desenvolver nos últimos seis anos.
Ana Carolina Medeiros nasceu em 1987, é formada em Serviço Social pela Universidade dos Açores e é técnica na sua área de formação na Casa do Povo da Maia.

A freguesia das Sete Cidades, no concelho de Ponta Delgada, vai receber o lançamento do livro «As Novas Lendas das Sete Cidades» no próximo dia 8 de agosto, a partir das 19h30. A apresentação da obra ocorrerá no adro da Igreja Paroquial de São Nicolau.
O evento conduzido pelos próprios autores, Ana Isabel D’Arruda, Carolina Cordeiro, Diana Zimbron e pelo mentor do projeto, Pedro Paulo Câmara, bem como pelo ilustrador Rui Paiva.
De acordo com nota de imprensa enviada ao nosso jornal pelo mentor do projeto, o artista Rui Paiva, ao ilustrar o livro, confere assim “ainda mais dinamismo ao texto literário”.
Esta trata-se de “uma produção literária aguardada que promete encantar leitores de todas as idades com novas histórias inspiradas na mítica freguesia açoriana”.
Editado pela Junta de Freguesia de Sete Cidades, esta nova obra celebra a tradição oral, a imaginação e os valores da comunidade local, oferecendo uma releitura contemporânea das histórias e mistérios do lugar que faz parte do imaginário açoriano.
“Faz-se um convite especial a toda a comunidade e amantes da cultura açoriana para participarem neste momento de celebração, partilha e encanto”, pode ler-se por fim na nota.

DL: Como está a ser a receção ao livro “Antes Que a Memória Se Apague II – Crónicas de Água de Pau”?
Muito boa. Corresponde às minhas expetativas, pois os pauenses têm demonstrado que continuam interessados em conhecer a sua história. E, também, as pessoas que vivem fora de Água de Pau e na diáspora açoriana.
DL: O livro foi também lançado nos Estados Unidos da América.
Sim, fiz três lançamentos. E nos três tive sempre muita gente. Primeiro, no restaurante Cotali Mar, em New Bedford, o segundo, na Portugália Marketplace e o terceiro, na biblioteca Casa da Saudade, em New Bedford, ou seja, duas vezes em New Bedford, duas vezes em Fall River. E tive sempre um público entusiasmado e que queria saber mais alguma coisa. Perguntaram-me quando é que aquele livro seria publicado em inglês, e eu expliquei que, por enquanto, não é publicado na Língua Inglesa, porque as crónicas foram obtidas através de entrevistas orais, a pessoas de certa idade, inclusive algumas centenárias.
DL: Isso revela que há interesse da parte das gerações mais novas?
Sim. Então eu expliquei que é tudo publicado em português, para que essas pessoas que me passaram essas crónicas possam ler ainda o livro na Língua Portuguesa já que foram portugueses, açorianos e pauenses, que me contaram essas histórias, pessoas que estão radicadas na América, no Brasil, na Austrália, na Califórnia…
DL: Onde pode ser encontrado o livro?
Deixei o livro à venda na Portugália Marketplace em Fall River, também no salão de cabeleireiro do David Loureiro. Aqui na ilha de São Miguel, as pessoas podem contactar-me pelo Facebook para adquirir o livro mas também na DS Seguros, em Água de Pau, na rua da Trindade nº 4 e, igualmente, no posto de abastecimento de combustíveis local.
DL: Continua a ser uma espécie de embaixador da Cultura Açoriana nos Estados Unidos da América (EUA)?
Continuo. Recentemente uma delegação de estudantes da escola de Rabo de Peixe viajou comigo e estivemos dez dias nos EUA.
DL: E gostaram?
Sim, gostaram e prepararam uns números de teatro e música que foram associados igualmente ao lançamento e aos lugares onde participamos. Portanto, correu tudo muito bem e, por causa disso, fui à televisão, aos canais da diáspora açoriana e depois também tive uma reunião com o presidente das grandes festas do Espírito Santo que me pediu colaboração.
DL: Que projetos tem para o futuro?
Vão viajar comigo, agora em agosto, artesãos para apresentar os seus trabalhos nos Estados Unidos. São de Água de Pau, Ponta Delgada, da Praia da Vitória e do Porto.
As pessoas procuram-me porque eu não digo, eu faço. É muito diferente, eu faço porque tenho amigos, tenho gente na América com quem assinei vários protocolos de colaboração e que depois de sair da câmara pediram: “não nos deixe, diga só o que precisa”. E quando chego lá tenho viatura e tudo o que é preciso. Por isso continuo a trabalhar com as comunidades e com as nossas escolas de São Miguel e com os artesãos dos Açores. Então tenho que fazer sempre aquilo que posso porque eu gosto de fazer isso.
DL: Tem já dois livros publicados. Já começam a pedir o terceiro?
Sim, em abril de 2026 vou lançar o meu próximo, o terceiro livro, “Antes que memória se apague”, que vai ser sobre metáforas, expressões típicas e alcunhas de Água de Pau. Porque antigamente as pessoas em Água de Pau chamavam-se todas João, José, Manuel, Artur, ou seja, os nomes eram sempre iguais, então para os distinguir tínhamos que pôr uma alcunha. E isso não tem nada de mal.
DL: E depois a seguir vem o quarto livro?
Daqui a dois anos, em 2027 só sobre a história da Água de Pau. Desde o povoamento até à atualidade, a parte histórica.
Na semana passada, na América, falei com o meu patrocinador para apoiar um livro sobre as comunidades. É um amigo que tenho na América, um empresário que me garantiu que já tenho algum apoio. E tenho porque as pessoas veem o trabalho realizado.
Inclusive, nesta última viagem tive um caso engraçado que também está relacionado com o Diário da Lagoa.
Nós fizemos escala em Lisboa, vindos de Boston, e enquanto esperávamos pelo voo para Ponta Delgada, encontramos dois casais, que são daqui de São Miguel, pessoas já de idade. E começamos a falar sobre o livro. E um deles disse: “há também um jornalista que escreve para o Diário da Lagoa sobre as histórias de Água de Pau”.
E eu perguntei: “Como se chama esse jornalista?” Ao que ele respondeu: “Roberto Medeiros”. Desatei a rir, claro, pois respondi: “sou eu” [risos].
Ele depois ainda me disse: “eu pensava que fosse um jornal da câmara”. Eu disse-lhe: “não, o Diário da Lagoa é um jornal independente, não é da câmara”.
DL: Portanto, o balanço é muito positivo?
Foi muito positivo. Eu tenho sido um veículo de ligação na aposta na cultura e na educação. E tenho tido a sorte de ter bons amigos, porque quando eles também viajam até aos Açores, recebemos muito bem, e para qualquer lado que eu vou, valorizo sempre o trabalho da autarquia e dos autarcas lagoenses porque sem o apoio da Câmara Municipal também, eu não teria saído daqui. Na altura e no início, tal como depois de 2010, quando eu saí da Câmara, continuei a fazer exatamente o que fazia antes. Por exemplo, as exposições de presépios. E agora, quando chegar em agosto aos EUA, vou comprar as passagens para voltar lá em novembro, para fazer outra vez o presépio da Lagoa, no Portugália Marketplace e na biblioteca da Casa da Saudade. Tenho um presépio com 500 peças e outro com 850 peças. Isso tudo para promover sempre a cultura lagoense, os presépios e os bonequeiros da Lagoa. Portanto, há muita coisa que eu continuo a querer fazer antes que a memória se apague.