
Alexandra Manes
Imaginem uma madrugada, com o sol a nascer avermelhado, manchando as nuvens ténues que habitualmente decoram o nosso céu insular. Um alvorecer por cima da cidade de Angra do Heroísmo, junto à sua baía centenária, onde repousa património e identidade mundial. Pela estrada à beira-mar caminha uma jornalista, que fala com os seus botões, enquanto o colega e operador de câmara a acompanha, filmando os passos e a preparação para mais uma reportagem. Vai contar-nos mais um segredo do poder. Prepara-se para falar de empresas, empresários, consanguinidades e escândalos.
Do alto do Monte Brasil ecoa um disparo. Os patos bravos que repousam nas águas turvas da baía levantam voo. O silêncio da alvorada angrense é quebrado apenas pelo baque leve do corpo da jornalista, que escorre o seu sangue, suor e lágrimas, nas pedras da cidade património mundial. Morreu a fazer o seu trabalho. E a polémica lançada desapareceu. Do colega, nem uma palavra se ouviu, nos dias que se seguiram. Diz-nos a sabedoria popular que quem cala, consente. Morreu mais um momento de jornalismo.
Assim vai o nosso mundo. Na altura em que vos escrevo estas linhas, tomamos conhecimento de mais de quatro dezenas de episódios ocorridos nos Estados Unidos, nos últimos dias, referentes a ataques diretos a jornalistas que se limitam a cobrir os protestos em curso. O tirano, ladeado pelos seguranças e pelas guerras que ajudou a criar e a promover, não se preocupa com a liberdade, muito menos com a expressão.
O séquito de Donald ocupa uma boa parte do seu tempo no ataque direto aos jornalistas. Graças às ações diretas e indiretas do novo partido fascista americano, muitas pessoas foram já despedidas e outras limitaram-se a sair de cena, com medo ou por princípio. Centenas de artigos que se perderam. Dezenas de programas de televisão que desaparecem. E as linhas editorias, vítimas da verdadeira teoria da grande substituição, dão lugar ao discurso uniforme do líder e do seu culto.
O exemplo vem de cima. Do topo da sala de imprensa da Casa Branca, encontra-se uma miúda com um feitio tenaz, com vinte e sete anos e um discurso viperino, a porta-voz do imperador americano que ataca violentamente as jornalistas e os repórteres que procuram a verdade. Gradualmente, foram sendo empurrados para fora do espaço de liberdade, dando lugar a um conjunto de influenciadores imbecis, que lá vão perguntar pela comida favorita do presidente, e coisas que tal.
Nas ruas, enquanto centenas de milhares de cidadãos, pensadores livres e resistentes, marcham em busca de um mundo melhor, o falso rei gastou milhões e milhões de dólares numa ridícula parada militar, que envergonhou qualquer ditadura de terceiro mundo. Entretanto, os secretários do estado fazem malabarismo para justificar a entrada de militares em ação, contra protestos maioritariamente pacíficos, relacionados com a empatia e a igualdade. A informação que nos vai chegando, graças às muitas fugas dos cobardes que se rebaixam àquela administração, remete para uma vingança sanguinária de um dos ideólogos do trumpismo.
Stephen Miller, uma espécie de Sebastião Bugalho de Trump (que, pelas palavras do próprio, será também uma comparação com Joseph Goebbels), terá crescido num ambiente propício à diversidade e não soube lidar com o mesmo. O ódio que nutre pelos latino-americanos é de tal forma visceral que terá sido ele a obrigar as forças de segurança responsáveis pela deportação de pessoas, incitando a que aumentem os números de prisões ilegais e reencaminhamentos de crianças e adultos para prisões de alta segurança, sem terem cometido qualquer tipo de crime grave. Forçadas a incrementar esforços, as tropas dirigiram-se a centros de procura de trabalho e outras coisas que tal. E a população, ao assistir a amizades de décadas serem presas no meio da rua, revoltou-se. De uma forma geral, pacificamente, há que ser dito.
No meio de tanta insurreição, protesto e marcha pela liberdade, surgem as tropas de choque. Militares, supostamente bem treinados. Balas de borracha. Gás pimenta. Cavalos e cassetetes. Metralhadoras penduradas, prontas a entrar em ação. Carros que aceleram em direção às multidões. Pessoas que saem algemadas. Pessoas em risco de vida.
O jornalismo anda lá pelo meio. Filmam o caos propositadamente criado. Procuram denunciar uma operação preparada para levar a população a cometer excessos que sejam depois vítimas de respostas fatais. Fazem o fundamental trabalho de denunciar abusos. E, por tudo isso, e pelo exemplo que vem da Casa Branca, são alvejados.
Sim, há imensas provas de que as forças de segurança no terreno, que combatem protestos pacíficos e incitam à violência, alvejaram jornalistas. Há dezenas de lesões, e há até casos gravados de disparos diretos. Uma jornalista australiana viu-se confrontada com um tiro de uma bala de borracha numa perna enquanto falava com os colegas de redação, ao vivo. A liberdade morreu no silêncio de quem não criticou esse ato.
Por cá, os disparos que ecoam na baía de Angra do Heroísmo ainda são metafóricos. Mas sabemos que já vão acontecendo. Há pessoas que trabalham na área do jornalismo de investigação que se vão vendo forçadas a recuar na sua ação. Gente que almeja apenas denunciar o caos que se instalou no nosso sistema, mas vê-se confrontada com ameaças e putativos processos-crime. Mesmo que ganhem em tribunal, o trabalho de amordaçamento fica concluído. Eis o fascismo a instalar-se. Na América. Nos Açores.
Cá, como lá, importa abraçar quem faz jornalismo. E pedir-lhes que continuem. Contra balas de borracha e gorgolejantes gestos de censura. Estamos aqui, ao vosso lado. Pela liberdade, sempre.

Alexandra Manes
Escrevo estas linhas com a expectativa de que as mesmas sejam publicadas durante a semana em que o nosso país celebra o quinquagésimo primeiro aniversário do Dia da Liberdade, a mais importante data refundadora em Portugal. Escrevo-as a penar nas eleições legislativas do próximo mês de maio. A refletir sobre o catastrófico estado da política a nível mundial. E a desejar que este seja um texto que sirva, a eleitores e a eleitoras sociais-democratas, socialistas, ou de outras vertentes não apoiantes de Elon Musk e Javier Milei.
Este é um apelo e uma apreciação do que se pode perspetivar sobre os próximos anos no nosso país. Os Açores são já tubo de ensaio, com a Madeira a servir de exemplo negativo, noutro quadrante. E agora, no próximo mês, vamos aferir resultados e perceber se a escola estará também montada em Lisboa. É que, como nos diz a sabedoria popular, depois de uma porta aberta, tudo pode entrar.
Essa porta ideológica está a ser preparada pelo Partido Social Democrata há algum tempo. Depois dos resultados das últimas eleições legislativas, os poderosos do partido finalmente perceberam a ameaça que lhes espreitava à janela e reconheceram que o eleitorado se esfumava entre as mentiras de Ventura e as falinhas engravatadas dos novos-ricos do neoliberalismo. Quando venceram, por muito pouco, ficaram sem saber se deveriam aceitar uma eventual aliança com aqueles que bem sabiam serem filhos do fascismo. Ao que tudo indica, foi o próprio Luís Montenegro que impôs disciplina, e negou o irmão Ventura. Não creio que o tenha feito por imposição moral, mas antes por desgosto pessoal. Luís e André foram amigos no recreio de Pedro Passos Coelho, e desde então andam a lutar pela sua aprovação. Quem não acreditar, pesquise por um livro chamado “Montenegro” e rapidamente perceber quão antiga é a guerra.
Volvido um ano e um dia, o governo cai. O PSD e o CDS perdem o PPM. O primeiro-ministro parece que perdeu um bocadinho da moral que lhe restava. E uma parte do seu partido perdeu, certamente, o juízo. Ameaçados com a possibilidade de uma derrota, mesmo que relativamente pequena, os sociais-democratas apressam-se a vir à praça pública apelar à unidade com o chega. Não é a primeira vez que o vemos, mas agora parece ser fruto de um esforço concertado. Miguel Relvas, velho amigo do Coelho, do Ventura e dos intrujões todos, tem sido o primeiro a dar a cara, nos seus programas de comentário político, onde vai esgrimir o conhecimento que obteve da sua relevante habilitação académica em ficção, para apelar a uma união nacional entre Luís e André. Também por cá, nos jornais regionais, encontramos artigos, onde se fala da queda de uma coligação para a formação de outra, com incentivo ao começo de uma nova era. O bloco de direita, é como lhe chamam à porta fechada. Colocam-se ao lado daquele partido, sem receio de admitirem que são parecidos com eles, os que contam com mais alegados criminosos por metro quadrado do que a esquadra da polícia no centro de Ponta Delgada.
Para sobreviver e vencer a qualquer custo, as forças vivas do PSD estão dispostas a fazer a derradeira aliança e a dar a mão a Ventura e à sua quadrilha. O eleitorado foi já vítima de uma profunda lavagem de desinformação e ilusão. Já não sabem bem a diferença entre Luís e André. O que lhes interessa é que não sejam socialistas, que esses são os maus da fita, pelo que leram nas redes sociais. Os comentadeiros vão receber os dividendos, seja com um lugar no elenco principal, seja com um negócio futuro, bem posicionado. Depois dos votos serem contabilizados, em maio, há uma forte possibilidade de Montenegro ser obrigado a tomar posse ao lado de Ventura, num novo acordo parlamentar, alicerçado nas boas relações de Bolieiro com Pacheco, e devidamente balizado pelas palavras de Albuquerque, que sempre disse que não tinha linhas vermelhas a ultrapassar.
Há mais de dez anos, o partido Republicano atravessou esse caminho e colocou os seus valores e líderes tradicionais de parte. Deixou de ser um partido de moral conservadora, para dar uma oportunidade a um gatuno, sem ética nem Humanidade. Num país onde só há duas alternativas, como é o caso dos Estados Unidos, a população ficou refém de um partido de centro e um que se dizia de direita, mas vendeu-se ao fascismo. Para ganhar às forças de Clinton, os americanos ofereceram a alma ao maior de todos os demónios. E nasceu um novo movimento, que atravessou o atlântico, devagar, mas conscientemente.
Do fascismo do movimento MAGA até às portas da sede do Chega, foi uma questão de tempo. Ventura é, pelas suas próprias palavras, convicto apoiante de Donald Trump. O esquema que ele perpetuou um Portugal, e que continua a cozinhar, é o mesmo. Vai obrigar o antigo colega a decidir. Ou o PSD ganha as eleições por pouco, ou o Chega vai subir ao poder. A pescadinha está montada. Portugal está entre a espada da corrupção e a parede dos salazaristas.
Não será segredo para quem me lê que eu sou de esquerda. Apelo sempre ao voto nas forças políticas da esquerda, mesmo que nem sempre concorde com tudo o que apregoam. Mas, faço-o porque creio que são os partidos que mais se preocupam com as pessoas, com a sua dignidade e com a emancipação do pensamento e da Humanidade. Compreendo que nem toda a gente queira votar na esquerda. Importa é que saibam que um voto na direita, nas próximas eleições, é um provável voto em André Ventura, de uma maneira, ou de outra. Com uma porta aberta, quase tudo pode entrar. E depois de um parasita entrar na nossa casa, não é nada fácil removê-lo. Os Estados Unidos que o digam.
Cinquenta e um anos depois do 25 de abril, a luta continua a fazer mais sentido do que nunca. A noite escurece, o populismo cresce, os editoriais dos jornais falam bem de Salazar e os comentadores apelam à união de forças para destruir a democracia. Hoje, mais do que nunca, é preciso dizer que fascismo nunca mais! Viva abril! Viva a Liberdade! 25 de Abril, SEMPRE.

Alexandra Manes
O Parlamento português fecha as portas. Está interrompida a reunião de plenário. Pelos corredores do pequeno poder, circulam os assessores e estagiários, numa correria interminável, para imprimir mais papelada, levar recados e trazer ameaças, justificando-se por ali existirem.
À noite estão no sofá, de cabeça entre as pernas, a desejar nunca ter escolhido tal inglória carreira, mas esperançosos num futuro ambicioso que nunca chegará.
O Parlamento está interrompido. Pedro Nuno Santos desce da sua bancada parlamentar devagarinho, e contempla duas portas por onde pode sair. Ao centro, nada de novo, para além de mais umas quantas teias de conservadoras aranhas. Na direita, estão dois matulões, com cara de ladrões de malas, prontos a recebê-lo. Pedro não sabe por onde ir, mas sabe que não irá por aquela portinha pequenina, à esquerda, onde para lá passar teria de despir uma série de casacos.
Com o Parlamento interrompido, Hugo Soares corre apressadamente em direção ao gabinete do chefe. Passa à frente a qualquer estagiário que se preze, demonstrando bem os motivos que o levaram aonde está. É o estagiário-mor, primeiro na linha da frente para repetir até à exaustão todos os argumentos que lhe impingirem, mesmo que não os perceba, nem sequer deseje perceber. O que interessa é defender, com razão, ou sem ela.
Hugo alcança a porta de Luís e bate regularmente à porta da capela. Do outro lado, Nuno Melo, completamente fardado em trajes militares decorados com a bandeira de Olivença, entreabre uma frecha. Tudo a postos para a sua entrada, caro colega.
Montenegro aguarda, silenciosamente, no topo de um estrado, de mãos entrelaçadas.
Numa primeira impressão, poderia parecer que o ainda primeiro-ministro medita sobre a sua precária situação. Observadores mais atentos poderão reparar na garrafa meio vazia, que esconde o nervosismo e tapa as rugas. Talvez consequência de algum comportamento urbano-rural, já denunciado pelo professor Marcelo? Nunca saberemos, agora que o presidente perdeu a voz num trágico acidente de choque de imoralidades. Luís Montenegro ergue o olhar na direção de Hugo Soares. Estará tudo perdido? O estagiário abana a cabeça e jura que ainda conseguirá negociar com Nuno Santos.
Recorda ao seu patrão os tempos das Jotas, onde tudo se negociava à porta fechada e nunca era preciso ir a eleições, sem ser para formalizar o que já se sabia. Relembra que ele próprio sempre foi um dos grandes caciques da sua época, e que não era agora que ia perder tudo, só porque jogavam em frente a mais câmaras. Esperava-lhes uma estrondosa vitória, ao lado do futuro presidente Marques Mendes, vencendo nas câmaras municipais de todo o país e com André Ventura a tirar cafés na sede do PSD da Malveira.
O ainda primeiro-ministro suspira. Está cansado daqueles “casos e casinhos”. Também ele foi das Jotas e estagiário-mor de Pedro Passos Coelho. Mas está grisalho. Com filhos crescidos e uma empresa bem-criada para alimentar. O sol já não lhe nasce com calor, e parece cada vez mais verde. Tudo o que Hugo lhe diz sabe a uma emoção de desconfiança. Pega na garrafa e enche mais um trago. Na etiqueta pode ler-se a marca branca: «SpinumViva Melhor», produto original da futura presidente de Portugal: Cristina Ferreira.
Pedro Nuno Santos passa à porta do gabinete do seu adversário. Pondera entrar. Já citou Sá Carneiro. Daí até ao bloco central é só um passinho de gigante. Ventura espreita ao fundo do corredor e lambe os beiços, de forma quase tão perniciosa quanto, alegadamente o seu colega de partido terá feito, enquanto acariciava crianças menores de idade. O líder do PS avança para a maçaneta, mas há qualquer coisa que o demove.
Será chuva? Será vento? Vergonha não foi certamente, mas há autárquicas no final deste ano quente, e é preciso mostrar alguma fibra. Fernando Medina, preso no teto por dois papagaios cor-de-laranja, solta uns impropérios e voa para longe, de regresso à torre do feiticeiro do Cavaquistão.
Os trabalhos no Parlamento retomam a sua força e eis que se dá o momento esperado. Montenegro, já tombado pelo remanescente da garrafa, aceita o seu destino de forma turva, enquanto Hugo Soares rasga as vestes e afirma que ainda irão vencer as eleições, e cada vez que abria a boca, mais me fazia relembrar Rabelais, no Rebanho de Panurge, “Panurge, sem mais dizer, atira ao mar o carneiro gritando e balindo. Todos os outros carneiros, gritando e balindo no mesmo tom, começaram a atirar-se ao mar logo a seguir, todos em fila. Cada um procurava atirar-se antes dos outros seus companheiros. Era impossível impedi-los, pois vós sabeis ser natural no carneiro seguir sempre o da frente, seja para onde for que ele vá.”.
Quase que aposta, mas deixa isso para quando for visitar os outros patrões ao casino. Portugal apanha mais uma gripe, e como é um país de grandes patriarcados, sofre daquele problema já bem diagnosticado por Lobo Antunes: a constipação masculina.
Neste caso, não sabemos se haverá pachos suficientes para curar esta febre toda, e a Lurdes está de férias, que não lhe pagam o suficiente para isto. Vamos para a primavera e, com o nevoeiro a levantar, talvez Sebastião não cavalgue entre as brumas cheganas, nem traga uma bandeira da Argentina liberal. Em quem é que se vota, até vos posso recomendar. Mas talvez o Tiririca tivesse razão. Pior que está, dificilmente fica.

Alexandra Manes
Apanhei a frase que serve de título a esta crónica pelas redes sociais a fora, e pareceu-me ser aquela que melhor descreve a atual rota de navegação da nossa, cada vez mais, frágil Humanidade.
Nas últimas semanas, muitas foram as pessoas que assistiram com espanto e choque ao regresso da política diplomática musculada que Trump gosta de promover. Ofenderam-se profundamente com a forma como o líder dos Estados Unidos tratou desumanamente o presidente ucraniano, sentado na Sala Oval – Casa Branca, alegado bastião da liberdade e democracia.
Houve até quem tenha rasgado vestes e batido no peito três vezes, com total estupefação, por não esperarem tal coisa dos ditos americanos, eternos aliados.
Não perderei muito tempo a desmontar a ridícula figura que fizeram essas pessoas, ultrapassada há décadas. Deixo apenas uma referência aos senhores liberais que recentemente traçaram longos elogios a Javier Milei, a Musk e ao seu lacaio Trump. Não vale de nada estarem agora muito indignados com os resultados que apoiaram. Guardem a hipocrisia para vocês. Cá fora, há trabalho real a fazer.
Com os resultados dessa tal política externa obscena, tudo indica que o mundo está em vésperas de uma guerra mundial. Aguardamos, com o coração preso, a utilização de armas de destruição maciça, mas temos já a certeza das novas movimentações militares em solo europeu, acrescendo a forte possibilidade de conflitos diretos no território americano e até na própria Gronelândia.
A Europa reuniu-se para declarar a militarização apressada. Estima-se mais 1.5% do PIB dos países, para a guerra e para o armamento, que será certamente comprado às grandes indústrias bélicas. Ganham-se bilionários. Perdem-se vidas. Proceda-se em conformidade. É o realizar de um antigo sonho da criação de um exército europeu.
A guerra é, neste momento, inevitável. Poderia ter sido minorada ou até mesmo totalmente bloqueada, noutra época, se os Estados Unidos e a União Europeia tivessem avançado com medidas diplomáticas verdadeiras e com outro tipo de políticas internacionais, de proximidade e pressão, junto da Rússia e dos seus satélites. Agora, com um aliado de Putin em Washington, é tarde.
Avança-se com um conjunto de ameaças e tarifas, contra tarifas, que só terão impacto nas carteiras das pessoas. Preparam-se retiradas estratégicas, despedimentos coletivos e reestruturação de pactos de regime. Dizem os bastidores que será provável a extinção do centenário consulado americano nos Açores. Só não nos levam a Base das Lajes porque lhes dá jeito a eles, e a nós só dá problemas, embora haja quem, subservientemente, recuse o corte umbilical com tal infraestrutura.
Cá dentro, a guerra é outra. Luís Montenegro trabalha para conseguir a proeza de ser o pior primeiro-ministro da história da democracia, congregando em si todas as piores caraterísticas de Cavaco, Santana, Sócrates e Coelho. Depois de ter sido descoberto o seu estatuto de trabalhador-estudante, onde durante o dia estudava política e de tarde jogava golfe com os patrões da Solverde, Montenegro deu uma conferência de imprensa para esclarecer o que se passava. Ladeado pelo executivo governamental, como se fosse Kim Jong-un a anunciar um novo corte de cabelo, o primeiro-ministro de Portugal baralhou-se todo, tendo confessado que havia conflito de interesses enquanto negava que havia conflito de interesses. Passou a tal empresa para o nome dos filhos, mas teve de assinar o papel, o que pareceu ser uma confissão para alegadas quebras no regime de exclusividade. Nem valerá a pena imaginar o tráfico de influências que existiu antes de ele ser primeiro-ministro, mas depois de já ser candidato a tal.
Tudo indica que, graças às trapalhadas do menino Luís, lá vamos nós outra vez a eleições. Mais duas este ano e já completamos o cartão de brinde. Para o ano deveria haver eleições de graça. Os partidos colocam-se já em bicos dos pés na casa de partida, mas constatamos que a realidade é bastante tenebrosa, ao nível de possibilidades de escolha. O regime está profundamente enfraquecido, e as pessoas cansadas de votar. Há brechas abertas para a ascensão de Ventura e do seu gangue. Precisamos, mais do que nunca, de fazer campanha contra a abstenção e a favor da democracia e da liberdade. Estas poderão ser as últimas eleições durante uns tempos valentes.
Foram guerras evitáveis. No mundo, como em Portugal. E nem tempo teremos para falar nos Açores. Isto porque o propósito deste texto era o de falar noutra guerra. Na verdadeira guerra de extermínio da Humanidade, e que já perdemos. Todos os observatórios ambientais dignos desse nome e de validade científica voltaram a registar números assustadores para o começo de 2025.
O mundo como o conhecemos está literalmente a acabar, e os nossos regimes estão mais preocupados em armar pessoas, empobrecer sociedades e abrutalhar a política. Esta sim, parece ser a guerra para terminar todas as guerras. Caminharemos para a alteração climática final, afogados em glifosato de marca branca, e entulhados em votos de abstenção e desinformação.
Há que ter esperança e não baixar os braços. Custa muito, mas é preciso continuar a acreditar na ciência. Pressionar os nossos líderes. Exigir mais dos movimentos de sindicância e libertação das massas. Obrigar-nos à massa crítica. Quebrar as grilhetas do patriarcado e do conservadorismo. Não sobreviveremos como antes, mas podemos continuar a viver num mundo novo. Há potencial de crescimento. Não podemos acreditar que acabou. Venham daí e tragam um amigo e uma amiga, também.

Alexandra Manes
Nenhuma pessoa, no seu perfeito juízo, poderia esperar de um governo regional a capacidade de manter uma dívida a zero, muito menos fazê-lo sem consequências negativas para o restante arquipélago. Contrariamente ao que se lê por aí nas missivas encomendadas, o conservadorismo económico não é, nem nunca foi, uma política de cautela. É, acima de tudo, uma estratégia de valorização dos grandes grupos económicos, em paralelo com o espezinhar dos mais fracos e enfraquecidos socialmente. Trata-se de conceder mais privilégios a quem vem de fora comprar empresas públicas, fajãs e outras coisas que tal, e dar muito menos a quem cá vive e só gostava de ter dinheiro para pagar uma renda no centro da sua cidade. Trata-se de privilegiar quem mais tem e que, num Estado Social, deve contribuir conforme os seus rendimentos.
José Manuel Bolieiro assumiu essa realidade, finalmente, no rescaldo de uma recente reunião com os representantes dos conselhos de ilha. Foi um momento histórico, por ter trazido a terreiro aqueles que, pelo menos em teoria, falam por cada uma das ilhas, para um debate com o líder político em grau mais elevado no nosso arquipélago.
Deveria ter sido espaço para promover novas maneiras de encarar as imensas dificuldades que enfrentamos. Mas isso implicaria uma representatividade mais legítima nos conselhos de ilha, que aparentemente não temos. Não me parece justo que os menos favorecidos estejam a ser supostamente representados por quem nunca lhes quis reconhecer.
Seja como for, Bolieiro disse que não havia dinheiro para tudo, nessa reunião. Não se sabe se houve mudanças estruturais nos gabinetes de comunicação deste governo, até porque eles decidiram extinguir o organismo que deveria servir para o efeito e cuja designação foi somente alterada.
Ainda assim, é inevitável reconhecer que, ultimamente, os líderes políticos começaram a assumir que não há dinheiro. Após anos a cativar verbas em todos os departamentos públicos. Depois de memorandos, circulares e diretrizes internas para alcançar a dívida a zeros. E após tantos discursos conservadores, promotores do grande capital e da iniciativa liberal, por parte do senhor secretário das finanças, Bolieiro assume que não serviu para grande coisa. Não há dinheiro na mesma.
Pois bem, se não há dinheiro para tudo, é preciso pensar na forma como se vai aplicar o que existe. Desde logo, porque continua a chover dentro de departamentos públicos. E porque esses problemas continuam a agravar-se, de dia para dia, temporal em temporal, onda de calor em onda de calor. Nos museus, os edifícios tornam-se ruínas, sem capacidade de se sustentar, e a solução do Governo Regional foi mudar o nome do responsável, que deixou de ser chefe de serviços do património e passou a ser promotor cultural.
Nas escolas, os funcionários desdobram-se entre o trabalho de ajudar as nossas crianças, e o sacrifício de serem empregados de limpeza a tempo inteiro, esvaziando baldes de água da chuva, limpando goteiras arcaicas e sobrevivendo sem saber como vai ser o dia de amanhã. Há secretarias onde demora tanto tempo a ligar o computador que mais valia irem buscar as velhinhas máquinas de fax às reservas museológicas, não fosse o problema de elas estarem estragadas porque também chove lá dentro.
Bolieiro disse que não havia dinheiro para a manutenção das infraestruturas, desculpando-se com a falácia dos fundos comunitários, quando o objetivo desses nunca foi a manutenção, tentando um lavar de mãos. Mas, senhor presidente, há dinheiro para algumas coisas, convenhamos. Enquanto as escolas estão a cair de podres, parece haver dinheiro para um gabinete pessoal, na secretaria da Educação. E enquanto se faz esse gabinete, há ainda uma nova obra no edifício ao lado, para poder ter ali um espaço provisório. Ou seja, são duas empreitadas seguidas, que servem a senhora cujos valores serviriam os professores, os museólogos e todas as pessoas que trabalham em cultura e educação que continuam a apanhar baldes.
Pode não haver dinheiro para tudo, mas para isso devia haver.
No desporto, já se atiram pedras aos telhados de vidro da nova equipa dirigente, com problemas na própria organização da mesma. Na saúde, a vida corre como sabemos. António Ventura não sabe bem onde se enfiar, depois de tantos banhos de glifosato, mas sabe que a tourada é para manter. Até se dão subsídios adicionais de 10.000 euros aos ganadeiros, vejam bem. E falam em subsídio-dependentes? Não há dinheiro é para o que não querem.
Não sabemos que soluções existem no futuro deste governo. Até ao momento, permanece uma nuvem negra por cima de vários dos seus dirigentes. Fazem-se promessas num dia, para uns meses depois vir desmenti-las. As pessoas votaram nisto, é certo. Menos certo é perceber se votaram com conhecimento do que viria a acontecer.
Não há dinheiro, senhor presidente. Mas há dinheiro para muita coisa. Entendam-se as prioridades, ou mudemos de cor, antes que afundemos o pouco que falta para salvar.

Alexandra Manes
Antero de Quental foi um dos mais importantes entre nós, no Portugal de oitocentos, seja a nível político e social, seja cultural. Ainda hoje, as suas palavras ecoam nas mentes de muitas pessoas que desejam dar continuidade à sede do poeta em continuar a beber do santo Cálice da filosofia. Não é difícil traçar uma linha entre as palavras do ilustre micaelense e as ações de uma conterrânea sua, que nasceu anos depois, e veio a marcar o país com o seu Botequim e as suas acutilantes intervenções. Imbuído do espírito de questionamento que caracteriza todos os estudantes da lusa Atenas, Antero promoveu centenas de tertúlias onde se discutiu tudo e o seu contrário, em busca da luz perdida que se desejava reencontrar no século XX que se avizinhava.
Os mais pessimistas dirão que aquela geração de 70 falhou, e que o fogo que tentaram atear extinguiu-se com a bala que Antero disparou naquele banco de jardim junto à esperança perdida. Não creio que isso seja inteiramente verdade. Mas, no entanto, há reverberações daqueles tempos passados que ainda hoje ecoam nas nossas ruas e assembleias. Os Açores, à semelhança do resto do país, assistem à ascensão de uma classe política e económica que marcha com tiques de absolutismo, falando-se de D. Miguel e Salazar, à porta fechada, e falando-se de Trump à porta aberta, sem medo de qualquer represália.
Há muitos bafientos senhores, bem como algumas senhoras, que se sentam às mesas de praticamente todos os partidos portugueses e que contribuem para a destruição da coletiva consciência do país e, no nosso caso concreto, do arquipélago.
Em tempos, Antero de Quental apresentou as suas teorias sobre as causas que levaram à decadência dos povos peninsulares. Apresento-vos algumas das situações que decorrem da total decadência da nossa Região.
A Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, onde trabalhei durante anos, e que conheço de forma bastante próxima, transformou-se de 2020 em frente. A chegada de uma nova maneira de não fazer política foi uma machadada nos trabalhos e na maneira de ser de quem tenta fazê-los. Se Luís Garcia se tem comportado com muito mais dignidade que Aguiar Branco, em Lisboa, a verdade é que os esforços do presidente não são suficientes para conter as vergonhosas declarações que vão sendo feitas por deputados e deputadas, sejam elas em formatos de aparte, sejam mesmo para o microfone ligado.
Não justificará perder o tempo de quem me lê com grandes dissertações sobre a pobreza de espírito e de gramática, bem como falência moral, de algumas das intervenções e momentos deprimentes em quase todas as bancadas do parlamento regional. A decadência alcançou pessoas que exercem funções naquela câmara há décadas. Espalhou-se como um vírus e baixou o nível de exigência. As afirmações que ali são feitas são cada vez mais despidas de contexto, de caraterização e até de justificação teórica. Trocam-se opiniões, elogios aos colegas e insultos ao clube adversário. Raramente encontramos uma declaração que seja verdadeiramente política, no sentido genuíno da palavra, o que acaba por ser o espelho de uma sociedade dividida e escravizada aos pés da ditadura do egocentrismo, pelas algemas do digital. Sobre as consequências, também haveria muito a dizer, mas bastará assistir a um plenário que seja, para percebermos a gravidade do que se está a passar.
Outro exemplo recente é o das declarações de Bolieiro, que preferiu omitir verdades para justificar que dos 150 milhões necessários aos Açores, somente metade dessa quantia venha, percebendo-se claramente a solidariedade da coligação nacional para com os Açores. Bolieiro utilizou da memória selectiva e “esqueceu-se” de referir que a Lei das Finanças Regionais, aprovada no tempo dos Governos PS de Guterres e de Carlos César, retirou a Região da falência em que o PSD deixou os Açores em 1996, tendo aumentado as transferências para os Açores, considerando na sua fórmula de cálculo o facto da Região ter 9 ilhas e que foi Passos Coelho, numa segunda revisão, a diminuir as transferências para a Região.
Como é que se altera este panorama? Em primeiro lugar, votando. Votando em gente séria, com princípios e crentes na ciência e nos profissionais. Votando nos que procurarão unir e não partir ainda mais uma sociedade que já é dividida em classes, mas ameaça passar a ser mesmo de castas. Mas é preciso ir mais longe, incentivando pessoas competentes a assumirem a política de forma digna, e, afastando os carreiristas. É necessário estimular a massa crítica, com instituições locais, livrarias prolíferas, associações esforçadas e um sistema de educação robusto. É necessário trabalhar próximo das pessoas e construir pontes entre todos os ilhéus que somos, e que foram demolidos pelo ódio e pela sede de poder de uma direita bafienta. O futuro depende, em primeira instância, de nós. E se decadentes parecemos estar, o que é preciso é ânimo e resiliência, porque há muita coisa ainda para se fazer.

Alexandra Manes
2024 está a ser um ano de revelações. Quase a terminar, ainda há tempo para desafios de grande intensidade, mormente na política interna e externa, que ameaça rebentar o ponto e a linha onde se segura tenuemente. Para o efeito, uma das principais armas utilizadas está a ser a do enfraquecimento do chamado Quarto Poder.
O jornalismo é um dos pilares mais antigos da democracia, talqualmente a conhecemos. O seu papel é o de assegurar que nada poderá passar impune. Seja aos políticos, aos juízes ou a todos os grandes grupos económicos que almejam controlar a sociedade com o seu desregulado mercado liberal.
Uma jornalista não poderá baixar a cabeça e ignorar escândalos, incompetências e proposições de bastidores. Um jornalista não deve submeter-se à tirania do patronato, tantas vezes financiador de partidos e ideologias políticas. Aos jornalistas não se pode pedir para cumprirem ordens cegamente.
Quem escolhe o (per)curso de jornalismo segue, tendencialmente, uma vocação para a curiosidade e para a descoberta. São pessoas que têm o desejo de fazer o bem, informar e dar a conhecer mundo, mas também trabalhar para melhorar essas realidades e levantar espelhos a todas as forças que pautam por tentar controlar o pensamento e a massa crítica. O jornalismo é uma profissão de excelência, que se deseja destinada à sociedade e livre.
Luís Montenegro anunciou, no passado dia 8 de outubro, uma estratégia para destruir o jornalismo como ele deve de ser. O processo já estava em curso há muito, como consequência dos grandes magnatas que foram adquirindo grupos como o da Global Media. Não será demais recordar o tsunami de despedimentos coletivos que resultou dessa venda totalmente desregulada. Mas também é importante relembrar outras pessoas, comentadores de opinião, jornalistas de investigação e até mesmo chefes de redação que foram sendo sistematicamente saneadas e saneados em anos recentes, por não compactuarem com os poderes vigentes.
O que o PSD veio agora anunciar foi apenas o culminar do que já era esperado. Um primeiro-ministro em pleno exercício de funções, mesmo que parte de um governo minoritário, falou aos jornalistas para pedir que fossem meiguinhos, que não fizessem pesquisa, que se coibissem de desmentir, e que se rebaixassem à lei do silêncio e à lei do mais fraco. Isso tudo, enquanto anunciava investimento público no setor privado da comunicação social, e ameaçava as redes sociais, com frases que podiam ter sido escritas pelos argumentistas de Trump. Num ímpeto de total inconsequência, chegou mesmo a criticar os auriculares utilizados pelos profissionais, como se de lá viessem perguntas inoportunas. Como se o jornalismo não deva existir precisamente para fazer questões inesperadas, levantar cartolas e ameaçar os que desejam esconder falcatruas!
Tudo isto, contado há dez anos, ninguém acreditaria.
Talvez não seja bem verdade. Há pouco mais de dez anos, o governo de Pedro Passos Coelho, um dos mentores de Montenegro, caminhava no sentido de privatizar a RTP. No mesmo dia em que o atual primeiro-ministro pediu aos jornalistas para falarem baixinho e só intervirem quando for para elogiar o trabalho de quem está em funções, foi também anunciada uma machadada que pode bem ser a última no serviço público televisivo. Vai ser progressivamente extinta a publicidade naqueles canais, dando lugar a um rombo de milhões de euros, que resultará em despedimentos coletivos, fome e injustiça.
Fragilizada a RTP, depois vai ser mais fácil falar mal dela, e exigir a sua privatização. É uma estratégia com provas dadas na EDP, nos CTT, na TAP e, por estes lados, na própria SATA. É mais um trabalho de destruição da verdadeira função pública, que reflete a estratégia de um PSD que de social-democrata só mantém mesmo o nome do partido, e que se vai agarrando e levantando com as bandeiras dos partidos da extrema- direita económica e antissocial.
A RTP é uma das instituições basilares da nossa democracia, porquanto é casa de jornalismo que sempre se desejou isento e bem feito, correndo contra o lucro dos privados e contra as tentativas de controlo dos poderes públicos. Um país sem RTP é um país feito de engravatados empresários que concretizam a ameaça de que ou aceitamos ser um saco de pancada, ou vamos para o saco. Por muito mal que Portugal vá navegando, a RTP e as suas ramificações foram sempre farol no meio da tempestade.
De acordo com Montenegro, as pessoas precisam é de naufragar. Quem tiver dinheiro, que ande de iate, ao sabor das notícias encomendadas a canais privatizados feitos à medida.
O Plano de Ação do Governo para a Lusa não é muito diferente do que se propõe para a RTP, no sentido em que está previsto uma redução significativa das receitas para a Lusa por via de descontos para os jornais. Atentemos que de acordo com o plano, os descontos para serviços de interesse público são entre os 50% e 75% para os media regionais e locais e entre 30% e 50% para nacionais. No entanto, da parte desta agência noticiosa são disponibilizados três serviços gratuitos referentes a temas de identidade de género, desinformação e cultura. Um corte cego e sem compensações só pode levar a um fim…
Por cá, Boleiro comunicou o avançar da subvenção extraordinária para a comunicação social, discutida e refletida desde o seu anterior executivo, recorrendo à argumentação do dever público de ajudar quem mais precisa, mas, segundo o que parece, mantendo o Acordo Coletivo de Trabalho fora da equação.
Talvez fosse importante recordar ao presidente do Governo Regional que essa mesma subvenção deveria ser extensível a áreas sociais e culturais que levaram cortes e perseguições recentes, da parte da coligação e dos seus parceiros extremistas.
O jornalismo isento estará em vias de extinção. Sem ele, passarão cada vez mais jogadas de bastidores ao sabor do vento e do desconhecimento da sociedade civil, enquanto damos passos de gigante em direção a uma governação de total impunidade. É caso grave que só nos pode levar a perguntar: até quando?