
A empreitada de adaptação do Palácio Bettencourt, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, foi inaugurada esta quarta-feira, 30 de julho, passando o edíficio a acolher os serviços da Secretaria Regional da Educação, Cultura e Desporto (SRECD), assim como da Direção Regional da Educação e Administração Educativa (DREAE).
A cerimónia foi presidida pelo presidente do Governo regional dos Açores, José Manuel Bolieiro e ainda contou com a presença da secretária regional da Educação, Cultura e Desporto, Sofia Ribeiro, e da secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral.
De acordo com nota de imprensa enviada às redaçoes pelo executivo açoriano, trata-se de um investimento total de 1.459.245,49 euros. A intervenção “permitiu reabilitar um edifício de elevado valor patrimonial, até agora devoluto, e assegurar melhores condições de trabalho para os funcionários da SRECD e da DREAE, que operavam nos antigos Paços da Junta Geral, na Carreira dos Cavalos, um edifício com sinais evidentes de degradação e riscos para a segurança”, esclarece o Governo regional.
“Esta inauguração representa a concretização de uma ambição com décadas, num edifício que esteve em risco de ruína por abandono. Reabilitá-lo é dignificar Angra do Heroísmo, cidade Património Mundial, e valorizar o nosso património edificado”, afirmou José Manuel Bolieiro, destacando a importância da reabilitação urbana como vetor estratégico para os Açores.
O líder do executivo regional lançou também um apelo às instâncias europeias para que os apoios comunitários passem a incluir de forma mais expressiva a recuperação de património histórico.
“É preciso garantir que os financiamentos não se destinam apenas a novas construções, mas também à reabilitação do património cultural imóvel, que deve ser um desígnio de toda a Europa”, sublinhou.
O governante assegurou também que a recuperação do edifício atualmente ocupado pela Secretaria da Educação será igualmente uma prioridade.
“A primeira garantia está resolvida com este novo espaço. A próxima é recuperar o edifício onde ainda funcionam atualmente os serviços da Secretaria, também ele em situação difícil”, acrescentou.
O Governo regional conclui, no comunicado, que a reabertura do Palácio Bettencourt “representa não só a valorização do centro histórico de Angra do Heroísmo, mas também um passo firme na modernização dos serviços públicos regionais, através da preservação da memória coletiva e do património arquitetónico dos Açores.”

A inauguração do presépio e das luzes de Natal no Palácio de Sant’Ana decorreu esta sexta-feira, 13 de dezembro, e contou com a participação especial de um grupo do Centro de Atividades de Tempos Livres (CATL) do Centro Intergeracional de Ponta Garça, ligado à Santa Casa da Misericórdia de Vila Franca do Campo.
Na ocasião, o presidente do Governo regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, destacou a importância da quadra natalícia para reforçar os laços entre gerações e comunidades.
“É uma alegria enorme receber aqui este grupo que junta jovens e menos jovens, numa demonstração do valor da união e da solidariedade que devemos celebrar, não apenas no Natal, mas ao longo de todo o ano”, afirmou.
O líder do executivo açoriano aproveitou para partilhar uma mensagem de esperança e renovação, sublinhando os desafios que se avizinham: “desejo que esta época natalícia seja um momento de paz, tranquilidade e estabilidade para todas as famílias açorianas. Que o ano de 2025 seja um ano de sucessos coletivos para a nossa região, porque a união é a força do nosso futuro”.
A inauguração foi acompanhada de momentos culturais com a interpretação de cantigas tradicionais de Natal.
O presépio, elaborado pelos jardineiros do Palácio de Sant’Ana, é uma das atrações centrais da celebração natalícia e estará aberto ao público de terça-feira a domingo, entre as 10h00 e as 17h00.

Alexandra Manes
O que pensam os partidos de direita sobre cultura? A ignorância nesta matéria torna-se cada vez mais trágica, principalmente numa altura em que o país conta com os seus destinos entregues a quem parece não saber o que significa tal palavra.
Sem cultura, não há identidade. Sem identidade, não há pensamento livre. Sem pensamento livre, não há futuro. E é esse o caminho que a Aliança Democrática vai traçando, lá como cá. Bolieiro já nos explicou o que considera valer a cultura.
Depois das comédias passadas, é com o bailinho da verba em orçamento, mesmo tentando misturar tudo com a educação e o desporto, que qualquer olhar mais atento percebe que para a cultura não vai nada, nada, nada.
Hoje é sobre património cultural que me importa escrever. Em pleno coração do Património Mundial, no centro classificado de Angra do Heroísmo, em lote adjacente à Sé Catedral, na Rua da Rosa, localiza-se o Palácio Bettencourt, imóvel de interesse público, centenário e com um valor patrimonial de destaque no que ainda resta da cidade pós-sismo de 80. As suas origens parecem estar meio perdidas na neblina dos séculos, mesmo que se saiba que no século XIX era já um edifício de destaque na paisagem urbana.
Este nobre edifício que já teve vários usos, nomeadamente o de Biblioteca Pública e Arquivo de Angra do Heroísmo durante mais de sessenta anos, necessita de obras na expectativa de que seja dignificado com uma utilização que todo o seu valor lhe permite.
Ao ler um artigo de Isabel Soares Albergaria, publicado a 1/5/24, no Açoriano Oriental, fica claro de que houve a intenção de que se desenvolvesse um projeto de musealização desse palácio, adaptando-o a um programa de artes decorativas, projeto esse que chegou a ser formalizado em 2021 pelo Museu de Angra do Heroísmo. Alguém sabe da resposta a esse projeto?
O que soube foi que a sra. Secretária da Educação, Cultura e Desporto terá decidido que era ali que iria instalar a sua Secretaria Regional, avançando com obras no sentido de requalificar os espaços.
Empreitadas no centro de Angra, com grandes gruas e camiões de betão, já todas as pessoas se habituaram a ver. De vez em quando, para pequena vitória dos patrimonialistas, lá aparece uma que é devidamente acompanhada. Mas, segundo o que me fizeram chegar, não é este o caso. A obra na Rua da Rosa é promovida pela autoridade máxima da cultura regional, e, pelo que se apura por aí, não conta com fiscalização e proteção do seu património histórico ou arqueológico.
É, provavelmente, uma das maiores desgraças dos últimos anos. Até posso compreender que uma profissional da área da educação não perceba o crime que se pode cometer ao avançar com esses trabalhos sem o devido acompanhamento, mas nunca poderei compreender os motivos que levam a avançar, sem impunidade nem consulta dos técnicos verdadeiramente competentes que integram o quadro da direção regional.
No Pico, acaba de fechar uma parte do Museu do Vinho, por falta de condições. Na Horta, chove na Casa Manuel de Arriaga. Em São Miguel, sobrevive-se sem reservas e condições. Nas Flores, há muito que se aguarda verba para dar dignidade aos seus Museus. Em Santa Maria, um núcleo construído há pouco tempo prepara-se para ruir a qualquer instante. E tantos outros exemplos que ficam esquecidos para que se possam avançar com o Palácio Bettencourt. Demasiados, para o que se pede a quem trabalha na direção regional de Cultura.
Enquanto avançam as obras no Palácio Bettencourt, e os colegas vão sobrevivendo com baldes de água e esfregonas, a Secretaria nem se digna a salvar o que resta daquele património. Da Divisão de Serviços do Património não se conhece pronúncia oficial. Por este andar, da cultura, qualquer dia, só restarão vaidades e fachadas.