
Foi diretora regional do Emprego e Qualificação Profissional entre 2016 e 2020. Atualmente,
é presidente da delegação Açores da Associação dos Profissionais de Serviço Social. É também professora na Universidade dos Açores (UAc), na licenciatura de Serviço Social, técnica superior especialista e tem em mãos vários projetos sociais.
Paula Andrade, nascida a 5 de junho de 1976, natural da freguesia Nossa Senhora do Rosário, na Lagoa, conta ao Diário da Lagoa (DL) a história da sua vida e o trabalho que tem desenvolvido na área do Serviço Social.
Foi numa fase familiar difícil que a lagoense teve o primeiro contacto com o Serviço Social, quando o seu pai teve um problema de saúde muito grave. “Eu tinha 11 anos e ele 35. Ficou numa situação de perigo de vida. Depois teve de fazer o processo todo de novo, aprender a falar, a andar e isso tem uma ligação à minha vida e ao Serviço Social”, recorda Paula Andrade. Nessa altura, com os pais ausentes, teve de cuidar do irmão, que tinha seis anos. “Acho que já sou uma cuidadora por natureza”, sente.
Após muita luta na reabilitação e a família se reerguer desta fase, o pai de Paula Andrade montou o seu negócio: uma lavandaria na Lagoa. Foi a esse negócio a que toda a família se dedicou. “Antes de ir para a escola, levantava-me às 4 horas da manhã para passar a roupa a ferro. Tínhamos que ser nós, era um negócio de família pequenino e não tínhamos capacidade para contratar”, explica a lagoense.
No entanto, o pequeno negócio familiar foi ganhando dimensão. “Eu também fui ganhando idade e essa ligação ao hospital durante a doença do meu pai despertou-me o Serviço Social”, realça Paula Andrade.
Por outro lado, foi também nos seus pais que a ex-diretora regional do Emprego e Qualificação Profissional se inspirou: “Os meus pais sempre ajudaram muito toda a gente e sempre foram uma referência.”
Paula Andrade sempre viveu na freguesia que a viu nascer, com exceção dos cinco anos, entre 1994 e 1999, em que realizou a licenciatura em Serviço Social, no Instituto Superior de Serviço Social de Lisboa.
Desde 2001 que está ligada à área do emprego. Entre 2012 e 2016, foi chefe de divisão dos Programas de Emprego, na Direção Regional do Emprego e Qualificação Profissional. Entre 2016 e 2020 esteve como diretora regional do Emprego e Qualificação Profissional. Desde 2021, é técnica superior especialista na Secretaria Regional da Juventude, Qualificação Profissional e Emprego.
“O meu estágio de licenciatura foi na área do emprego. Era uma área em que não tinha interesse, mas agora quase que faz parte do meu ADN”, considera Paula Andrade. “Gosto muito de olhar, estudar a população, perceber quem entra no centro de emprego, de onde é que vem”.
Na área da educação, desde 2004 que Paula Andrade é orientadora de estágios da licenciatura em Serviço Social e, há três, professora nesse mesmo curso.
Paralelamente a estes trabalhos, a lagoense está ligada à área social, participando em diversas instituições. Em 2015 assumiu a presidência da Delegação Açores da Associação de Profissionais de Serviço Social, tendo feito parte das direções anteriores. No entanto, em 2016 cessou a função, mas regressou depois, estando agora no terceiro ano de mandato como presidente da delegação. Desde o ano passado que está na direção do Banco Alimentar.
O que reserva o futuro? Paula Andrade diz querer envolver-se num projeto que seja capaz de mudar as gerações mais jovens. “A minha grande aposta seria a juventude. A juventude precisa de um impulso, de determinados apoios, de outras infraestruturas. Uma sociedade faz-se com desenvolvimento económico, mas não se faz sem pessoas e os nossos jovens é que são o futuro da região”, entende a lagoense.
O projeto “Laços de Ajuda” consiste em proporcionar a doentes oncológicos um “kit motivacional”, composto por um saco reutilizável, garrafa de água, boné, caderno, bola anti-stress, livros, produtos de dermocosmética, entre outros artigos, bem como um “QR code” onde as pessoas terão acesso a informações sobre os seus direitos, como apoios sociais. Para as crianças, o kit contém um estojo mais didático.
Foi desenvolvido pela turma do segundo ano da licenciatura de Serviço Social da UAc, desafiada pela delegação dos Açores da Associação dos Assistentes Sociais.
“A doença não olha a classes, nem meios, nem estratos sociais. Esta doença, de um modo particular, é bastante devastadora na vida das pessoas”, lamenta a presidente da delegação dos Açores, Paula Andrade.
The kit pretende dar mais um “estímulo emocional”. Foi pensado para as “pessoas e em como isto pode contribuir para o seu bem estar. É quase como uma luz ao fundo do tunel”, explica ao nosso jornal.
Em agosto, setenta e cinco kits foram entregues ao Serviço Social do Hospital do Divino Espírito Santo, para serem oferecidos a alguns dos doentes.
Segundo Paula Andrade, “se esta rede se alargasse e atraísse outras pessoas, poderíamos ir mais além com esta iniciativa”, salientando que futuros projetos não se restringiriam à doença oncológica. “Sabemos que há outras doenças e outras situações de fragilidade social, ao nível da deficiência, doenças degenerativas. A ideia está lançada”.