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O Século do Mar e da Mulher

Alexandra Manes

9 de junho. António José Seguro deu um passeio coreografado pelas ruas de Angra e da Praia, com sorrisos largados, abraços pontuados. Acompanhou-se pelas presidentes de Câmara, pela chefe de gabinete, pela Margarida (que nunca será primeira-dama) e pela representante da República. Foi ao Basílio Simões tirar fotos com a Dona Serafina. Falou com a Sandra Serpa da Olhar Poente, com atenção e preocupação. Esteve na Avós por Linhas e Travessas, a conversar e a ouvir. Tomou chá com Mota Amaral, na mesa preparada pela Soraia e acompanhado pela Dona Helena.

Foi um dia histórico para a Terceira, e um dia de homenagem aos Açores, devidamente feita entre o povo, o primeiro dia de Seguro como presidente do afeto insular, terminando a noite na Livraria da Marta e do Joel, onde Margarida Maldonado decidiu ficar de pé, e dar a sua vez, porque não precisa sentar-se ao lado do marido para existir. Provavelmente, sem se aperceber, um dia dedicado à mulher. Seguro não o referiu, mas quem viu de fora, reconheceu a postura oposta ao machismo primário de Rebelo de Sousa, nos comentários aos decotes, e outras tolices. Seguro retomou uma tradição de outros tempos socialistas, em que as esposas deixaram de ser luz de cabeceira para terem voz ativa. Lembro Maria Barroso ou Maria José Ritta.

10 de junho amanheceu com nevoeiro, para que pudessem conhecer bem a realidade insular. Só lhes faltou rumar às Flores, para perceber o que é ser Bruma. O dia prosseguiu com a chegada do primeiro-ministro e de outras figuras que vieram aparecer nas câmaras. Mas, há uma diferença a assinalar. Miguel Monjardino embalou a vocação marítima de Portugal, sem cometer o erro saudosista de usar a mensagem pessoana para tapar o sol com a peneira. Antes pelo contrário. Miguel foi assertivo na sua narrativa de que o passado é uma ferramenta, que devemos estimar com cuidado, e utilizar para combater os adversários da liberdade e da democracia. Reforçou-se com a baía de Angra do Heroísmo, e a arqueologia subaquática, numa clara alusão ao Museu Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática, que o povo açoriano já reivindicou através de uma petição pública.

Foi essa a estruturante e decisiva linha de pensamento do 10 de junho em Angra do Heroísmo. Não foi um corta-fitas. Foi um trampolim para o futuro do arquipélago e de Portugal. O século do Mar, conforme Miguel Monjardino lhe chamou, reconhecendo assim que o papel destas ilhas deve ser o oceano, e não as múltiplas e erradas tentativas de fazer delas porta-aviões dos americanos. Tomando o exemplo do Museu Nacional e da Arqueologia, o que ficou subentendido foi a necessidade de apostar nas ciências, sejam elas humanas, sociais, naturais ou formais. O século do Mar pode ser o século dos Açores e da sua verdadeira autonomia, porque somente quando reconhecermos que é o mar que nos dignifica poderemos virar costas às mentalidades que querem importar de outros mundos, e cumprir a nossa verdadeira açorianidade.

Seguro complementou com um discurso mais poético, necessário para equilibrar a verve reformista e progressista que o antecedeu. A visita presidencial prosseguiu. Ladeada por mulheres de relevo. Coroada pelo espírito da missão marítima que nos falta abraçar. Episódio caricato foi o de uma mulher se aproximar de Seguro para tirar uma foto, pedindo a Aguiar Branco, que ali se encontrava, para o fazer, como se ele fosse um assessor presidencial. Foi preciso vir aos Açores, e conhecer a mulher açoriana, para descobrir um trabalho que lhe fica bem.

Unidade de Saúde da Ilha Terceira recebe 17 viaturas num investimento de 816 mil euros

Financiado pelo PRR, o investimento visa reforçar o apoio domiciliário na ilha Terceira. A tutela anuncia ainda a contratação de três médicos de família e aponta para um total de 360 profissionais na instituição

© SRSSS

A Unidade de Saúde de Ilha Terceira (USIT) vai passar a contar com 17 novas viaturas, num investimento de 816 mil euros financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). A entrega dos veículos decorreu na Praia da Vitória, numa cerimónia que a Secretaria Regional da Saúde e Segurança Social apresentou como uma renovação integral da frota automóvel da instituição, alegando que uma atualização desta dimensão não ocorria há mais de duas décadas. Segundo a nota enviada à nossa redação pelo gabinete da secretária Mónica Seidi, o objetivo da medida é reforçar a segurança e as condições de trabalho dos profissionais nas deslocações diárias de apoio domiciliário e cuidados de proximidade na ilha.

Em declarações institucionais, a Secretária Regional, Mónica Seidi, afirmou que “a renovação integral da frota da Unidade de Saúde de Ilha Terceira representa um investimento essencial para garantir melhores condições de resposta à população e maior segurança aos profissionais de saúde”. A tutela anunciou também a intenção de contratar a breve prazo mais três Médicos de Medicina Geral e Familiar para a USIT, indicando que a taxa atual de cobertura de médico de família na ilha Terceira se fixa nos 95%.

Os dados fornecidos pelo Governo dos Açores apontam que a USIT encerrou o primeiro trimestre de 2026 com 360 profissionais integrados, o que representa um acréscimo de cerca de uma centena de trabalhadores em comparação com o ano de 2019. Entre 2021 e 2026, o orçamento global alocado àquela unidade de saúde totalizou 2,4 milhões de euros, divididos entre modernização tecnológica, equipamentos e capacidade operacional. Perante estes valores, Mónica Seidi defendeu a estratégia do executivo, sublinhando: “Estamos a investir em pessoas, infraestruturas e inovação para garantir um Serviço Regional de Saúde mais resiliente, mais próximo e mais preparado para responder às necessidades dos açorianos, do Corvo a Santa Maria”.

PJ dos Açores detém estrangeira com mais de dois quilos de heroína

© DIREITOS RESERVADOS

A Polícia Judiciária (PJ), através do Departamento de Investigação Criminal dos Açores, identificou e deteve, em flagrante delito, uma mulher com 23 anos, na posse de mais de dois quilos e seiscentas gramas de heroína.

Segundo comunicado enviado às redações pela PJ, a detenção ocorreu na sequência de uma operação policial desenvolvida na cidade da Praia da Vitória, na ilha Terceira, sendo a droga apreendida suficiente para 26.724 dias de consumo médio individual.

A detida, de nacionalidade estrangeira e sem antecedentes criminais, será presente às autoridades judiciárias para aplicação das adequadas medidas de coação.

PAN/Açores denuncia nova morte de touro na ilha Terceira

© PAN/AÇORES

O PAN/Açores remeteu hoje, 21 de agosto, uma denúncia aos órgãos de polícia criminal devido à morte de mais um touro durante uma tourada à corda na freguesia da Agualva, concelho da Praia da Vitória, ilha Terceira, no passado dia 18 de agosto, lê-se, em nota de imprensa do partido.

As imagens videográficas a que o PAN teve acesso, segundo o mesmo, “comprovam o sofrimento do animal, que cai inerte no chão, visivelmente desidratado e fatigado, não só, mas também em virtude das elevadas temperaturas que se faziam sentir e, que, aliás, têm assolado o arquipélago de forma generalizada nas últimas semanas”.

O partido acusa ainda, no mesmo comunicado, “que estes animais permanecem nas jaulas durante largas horas, muitas vezes expostos ao sol e calor, sem acesso a água ou alimento. Estas condições, entre si combinadas, apenas potenciam o sofrimento animal, torturando-os”.  

O PAN/Açores recorda que iniciativa legislativa para acabar com as touradas foi apresentada na legislatura passada, mas foi chumbada. No entanto, o partido continua a apelar à suspensão imediata destas práticas, “considerando o impacte negativo na saúde humana, visível nas inúmeras lesões e, inclusive, mortes registadas só este ano, sem prejuízo da salvaguarda do bem-estar dos touros, expostos à tortura em plena praça pública e cuja morte continua a passar incólume”. 

O partido recorda que a morte deste animal não constitui ato isolado, uma vez que, em 17 de agosto de 2023, uma corrida realizada também na freguesia da Agualva culminou na morte de quatro touros, na sequência das lesões causadas durante a realização da respetiva tourada à corda – situação que o PAN/Açores prontamente denunciou junto dos órgãos de polícia criminal, lê-se ainda, na mesma nota. 

O deputado e porta-voz regional do PAN, Pedro Neves, citado no comunicado, afirma que “a tauromaquia constitui uma prática que perpetua a crueldade e o espetáculo da dor e deve ser reavaliada à luz dos princípios éticos e da compaixão pela causa animal, que grande parte da sociedade açoriana preconiza. A morte deste touro é um trágico lembrete da violência inerente a estas festividades, que ignoram o sofrimento das pessoas e animais envolvidos. Quando vamos parar este ciclo de violência?” levanta a questão Pedro Neves.